segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cliff Burton e o ás de espadas



Burton não só era o cara mais legal da banda, como também o melhor músico e mais dedicado ao seu instrumento, o baixo. A influência inicial de Cliff foi fundamental para a criação do estilo musical do Metallica. Seu visual hippie, sempre de calças boca-de-sino, e jaqueta jeans, cabelos desalinhados, era de uma simplicidade que pouco se viu e se vê no meio musical. Além de ser o único com conhecimento de piano clássico e fã de Mozart.

Burton se notabilizou no Trash Metal ao usar o baixo de forma não usual como fazer uso de pedais wah-wah – ele não só tocava baixo, ele solava no instrumento como se fosse guitarra! Além de praticamente moldar o som do Metallica e marcando com seu baixo sujo músicas como “For Whom The Bell Tolls”, “(Anesthesia) Pulling Teeth”, “Orion” e “The Call of Ktulu”.

Nascido em 1962, em Alameda County (estado da Califórnia), mas criado em Bay Area de San Francisco. Ele tinha dois irmãos mais velhos e desde pequeno se sentiu atraído para a música quando seu pai o iniciou na música clássica. Ele teve aulas de piano e seu interesse se expandiu para o jazz, chegou ao rock e, finalmente, ao Heavy Metal. Aos 13 anos, após a morte de seu irmão começou a tocar baixo, instrumento que este tocava e desde então, passou a praticar seis horas por dia, inclusive quando já estava no Metallica.

Sua primeira banda foi o EZ-Street, na qual incluía o futuro guitarrista do Faith No More, Jim Martin, e o futuro baterista de Ozzy Osbourne, Mike Bordin. Na universidade já encontrava-se em outra banda, que também incluía Martin, Agents of Misfortune, com a qual participou de um concurso de bandas. No DVD em sua homenagem, existe a imagem dele neste concurso, tocando solo de baixo.
Infelizmente, todas as distorções que forneceu com seu baixo e o caos incrível que reinou em seu desempenho não convenceu o júri deixando-o de fora da competição.

Um ano mais tarde (1982) juntou-se a banda Trauma. Há um único registro desse grupo na compilação Metal Massagre II, a música “Such A Shame”. Nesse mesmo ano, Trauma viajou para Los Angeles no outono, para tocar em um concerto em que estavam, por acaso, James Hetfield e Lars Ulrich. Todos os membros do grupo queriam que o atual baixista Ron McGovney saísse, inclusive Dav Mustaine (à época no Metallica). Quando chegaram ao local, o próprio Cliff se encontrava tocando Anesthesia. Logo pensaram que se tratava de um incrível guitarrista em seu solo de “guitarra” repleto de wah-wah, no entanto foi uma grande surpresa para eles quando viram que era um baixista.

Não pensaram duas vezes em convidá-lo pra se juntar ao Metallica. De início, Burton recusou a oferta, mas concordou mais tarde, pois o Trauma, sua banda, “estava se tornando muito comercial”. Mas impôs uma condição: o grupo mudar para sua cidade natal. E foi o que fizeram, junto com Dave Mustaine (futuro Megadeth) em dezembro de 1982, criando a primeira formação significativa do Metallica.

Antes disso, a banda já havia gravado sua primeira canção, “Hit The Lights”, e uma demo chamada “Til Leather No Life”. A primeira coisa que Burton gravou com eles foi a demo “Megaforce”, pouco antes de começar a trabalhar no álbum de estreia do Metallica. Em abriu de 1983, pouco antes de ir a New York e gravar o novo disco, Dave Mustaine foi expulso do grupo por seu abuso de drogas, álcool e comportamento violento.

Na mesma tarde, o guitarrista do Exodus e aluno de Joe Satriani, Kirk Hammett se juntou ao grupo. O debut deveria se chamar “Metal Up Your Ass”, mas por motivo de censura tiveram que mudar o nome. Foi Cliff que deu a sugestão para o novo nome para o álbum, “Kill Em All”. Lançado em julho de 1983, obtendo um grande sucesso. No tracklist podemos escutar o famoso solo de baixo em “(Anesthesia) Pulling Teeth”, que se tornou uma das canções de culto ao baixista e uma das mais impressionantes performances ao vivo da banda. Cliff era o cara.

O segundo álbum, “Ride The Lightning”, de 1984, percebe-se uma grande maturidade nas composições e nos brindam com pedras preciosas como “For Whom the Bell Tolls” e a instrumental “The Call of Ktulu”. Sua lenda cresce a passos largos, algo inusitado para época e que influenciou milhares de baixistas em que muitas canções pode-se ver um baixo como linha principal da música.

Finalmente chega o auge da carreira de Cliff Burton, em 1986, com o terceiro álbum da banda, “Master of Puppets” no qual inclui a instrumental “Orion”, outro símbolo de culto ao baixista. Lançado em março, o grupo seguiu em turnê pela Europa, a Damage Inc. tour, para promovê-lo.

O último concerto com o virtuoso das quatro cordas ocorreu em 26 de setembro de 1986, Estocolmo, e depois do show o grupo embarcou no ônibus que os levaria para Copenhague. Durante a viagem, acompanhado por músicos e a equipe da turnê, ficaram conversando até altas horas até que o cansaço os venceu e decidiram ir dormir, mas Cliff não estava satisfeito com o lugar que lhe haviam dado, assim começou a protestar para dormir em lugar mais confortável, o disputado beliche de cima onde o guitarrista Kirk Hammet dormia. O jeito era recorrer às cartas – ao longo de sua turnê viajavam e dormiam em um ônibus muito desconfortável. É por isso era comum disputarem os melhores lugares por meio de cartas. Assim as cartas foram embaralhadas e Burton tirou o ás de espadas, enquanto Kirk o dois de copas.ganharia quem tirasse a carta “mais alta”.

Em 27 de setembro de 1986, no caminho para a Dinamarca, na altura do município sueco de Ljungby, por volta das 06:15 da manhã, os dois ônibus da turnê seguiam pela estrada até que um deles teve uma virada brusca e foi na direção contrária, devido a uma derrapagem no gelo da pista e capotou. Cliff foi jogado pela janela, pois dormia na parte de cima do beliche e ainda o ônibus capotou em cima dele, matando-o na hora. Cliff tinha apenas 24 anos e uma carreira promissora.

O Ás de Espadas - O ás de espadas, no tarot é um arcano de força, vitória, mas também de mudança, a morte. Seu pulso é firme e sua ponta é pronta para o ataque, Ele representa sempre o início de uma nova fase, um novo período. A lâmina que costuma cortar, romper, ceifar, surge de uma forma positiva, para encerrar um processo que pode ser kármico.

Cliff Burton era fã do Motorhead, como quase a maioria das bandas iniciais de Trash Metal. Ele tinha na música “Ace Of Spades” (ás de espadas) um clássico.

Cliff foi cremado e suas cinzas foram espalhadas. Na cerimônia tocaram a canção “Orion”, composta por ele e hoje podemos ver em seu memorial um poema também composto pelo baxista, que encontra-se na música “To Live Is to Die” composta em homenagem a ele.
“…cannot the Kingdom of Salvation take me home?”


Após consulta com a família de Burton, o Metallica decidiu seguir em frente e procuro um novo baixista. No entanto, o grupo, obviamente, nunca foi o mesmo. Jason Newsted entrou para substituí-lo, mas sempre teve que carregar nas costas o fardo de ser o baixista que substituiu Cliff na banda. Um papel difícil já que o baixista tinha sido endeusado por seu público, sendo que muitas vezes, Jason nem foi muito aceito pelos fãs. Por essa e muitas outras coisas, o grupo não se atrevia a tocar “Orion” – passariam a tocá-la só mais recentemente, em 2006 já com o baixista Robert Trujillo . De qualquer forma, ao longo dos anos foram muitos tributos a Cliff. Seu ex-companheiro Dave Mustaine, após ouvir a notícia de sua morte, escreveu a música “In My Darkest Hour” em sua homenagem.

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