sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Anni B Sweet - Oh, Monsters!

Com tantas cantoras pop que tem por aí (a maioria clone uma das outras), e cada uma tentando ser mais “divã” do que as outras, fica difícil uma simples cantora espanhola de nome artístico Anni B Sweet (Ana López Rodríguez) ter grande espaço na mídia. Ela surgiu quando o MySpace ainda era o principal meio de um artista divulgar sua música.

Ela tem apenas dois álbuns, ambos maravilhosos, principalmente “Oh, Monsters!", de 2012.  São 14 canções bem variadas, indo do dreampop, o folk, ao rock; uma coleção de estados de espírito e atitudes em relação a seus monstros.

Difícil destacar uma faixa. Temos a roqueira Getting Older, a pop At Home, a climática e intimista Gone If IK Close My Eyes (que música!).

As influências mais modernas passa por Radiohead, The National, já o lado folk e intimista temos Bridget St. John e Buffy Sainte Marie, e até mesmo Jewel.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Queen - The Works



Apesar do álbum Works, de 1984, do Queen não ser lá grande coisa, ele tem seus achados – os fãs de longa data sempre vão preferidos os trabalhos mais roqueiros dos anos 70. É em Works que se encontro os hits radiofônicos “Radio Ga Ga” e “I Want to Break Free” (o escandaloso viodeclipe era livremente baseado numa cena doméstica da telenovela  britânica “Coronation Street”, eles aparecem travestidos. Pena que por causa desses sucessos maçantes mitos fãs nem quiseram ouvir o álbum por inteiro.

O passado honroso do Queen pode ser lembrado nas faixas mais hard rock como “Hammer to Fall” (uma manifestação antinuclear de Brian May), a sacolejante “Tear I Up”. A balada “Is This the World We Created?” nem sequer chegou a reconhecida como uma grande canção. Pois é, não deve tanto a uma “Love of My Live”. “It´s A Hard Life”, apesar de seu apelo pop, também não faz feio.


The Works se tornou o álbum de maior sucesso do grupo, apesar do desinteresse do público americano. The Works chegou com dificuldade à 23ª posição nos Estados Unidos, enquanto “Radio Ga Ga” alcançou o 16º lugar.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sir Lord Baltimore - Kingdom Come



Eu estava andando pela Rua Augusta, São Paulo, e vi o vinil da banda americana Sir Lord Baltimore, o primeiro álbum, Kingdom Come. Dito por muitos como o primeiro disco de Heavy Metal, foi lançado no início de 1971 (uns dizem que foi lançado no final de 1970). Não é o Black Sabbath com seu álbum homônimo? Ou seria mesmo o Led Zeppelin em 1968? Mas isso é opinião de críticos mais antigos, porque os mais jovens, associam a banda ao Stoner Rock (leia-se: rock tosco, misturado com Heavy Metal e pitadas de rock psicodélico). Mas quem inventou o Stoner Rock não foi o Blue Cheer? Ou seria a banda Buffalo?

Sei lá, sei que eram fortemente influenciados pelo Cream de Eric Clapton, só aqui, meu velho, é como se o trio tivesse tomado um choque na tomada. Mas é meio MC5, meio Blue Cheer também. Tem até uma balada pra descansar o pescoço: “Lake Isle Of Innersfree”, que parece os primórdios do Uriah Heep. De qualquer maneira músicas como “Pumped Up” e “Hard Rain Fallin´” é capaz de pôr fim a qualquer #rolezinho.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Cliff Burton e o ás de espadas



Burton não só era o cara mais legal da banda, como também o melhor músico e mais dedicado ao seu instrumento, o baixo. A influência inicial de Cliff foi fundamental para a criação do estilo musical do Metallica. Seu visual hippie, sempre de calças boca-de-sino, e jaqueta jeans, cabelos desalinhados, era de uma simplicidade que pouco se viu e se vê no meio musical. Além de ser o único com conhecimento de piano clássico e fã de Mozart.

Burton se notabilizou no Trash Metal ao usar o baixo de forma não usual como fazer uso de pedais wah-wah – ele não só tocava baixo, ele solava no instrumento como se fosse guitarra! Além de praticamente moldar o som do Metallica e marcando com seu baixo sujo músicas como “For Whom The Bell Tolls”, “(Anesthesia) Pulling Teeth”, “Orion” e “The Call of Ktulu”.

Nascido em 1962, em Alameda County (estado da Califórnia), mas criado em Bay Area de San Francisco. Ele tinha dois irmãos mais velhos e desde pequeno se sentiu atraído para a música quando seu pai o iniciou na música clássica. Ele teve aulas de piano e seu interesse se expandiu para o jazz, chegou ao rock e, finalmente, ao Heavy Metal. Aos 13 anos, após a morte de seu irmão começou a tocar baixo, instrumento que este tocava e desde então, passou a praticar seis horas por dia, inclusive quando já estava no Metallica.

Sua primeira banda foi o EZ-Street, na qual incluía o futuro guitarrista do Faith No More, Jim Martin, e o futuro baterista de Ozzy Osbourne, Mike Bordin. Na universidade já encontrava-se em outra banda, que também incluía Martin, Agents of Misfortune, com a qual participou de um concurso de bandas. No DVD em sua homenagem, existe a imagem dele neste concurso, tocando solo de baixo.
Infelizmente, todas as distorções que forneceu com seu baixo e o caos incrível que reinou em seu desempenho não convenceu o júri deixando-o de fora da competição.

Um ano mais tarde (1982) juntou-se a banda Trauma. Há um único registro desse grupo na compilação Metal Massagre II, a música “Such A Shame”. Nesse mesmo ano, Trauma viajou para Los Angeles no outono, para tocar em um concerto em que estavam, por acaso, James Hetfield e Lars Ulrich. Todos os membros do grupo queriam que o atual baixista Ron McGovney saísse, inclusive Dav Mustaine (à época no Metallica). Quando chegaram ao local, o próprio Cliff se encontrava tocando Anesthesia. Logo pensaram que se tratava de um incrível guitarrista em seu solo de “guitarra” repleto de wah-wah, no entanto foi uma grande surpresa para eles quando viram que era um baixista.

Não pensaram duas vezes em convidá-lo pra se juntar ao Metallica. De início, Burton recusou a oferta, mas concordou mais tarde, pois o Trauma, sua banda, “estava se tornando muito comercial”. Mas impôs uma condição: o grupo mudar para sua cidade natal. E foi o que fizeram, junto com Dave Mustaine (futuro Megadeth) em dezembro de 1982, criando a primeira formação significativa do Metallica.

Antes disso, a banda já havia gravado sua primeira canção, “Hit The Lights”, e uma demo chamada “Til Leather No Life”. A primeira coisa que Burton gravou com eles foi a demo “Megaforce”, pouco antes de começar a trabalhar no álbum de estreia do Metallica. Em abriu de 1983, pouco antes de ir a New York e gravar o novo disco, Dave Mustaine foi expulso do grupo por seu abuso de drogas, álcool e comportamento violento.

Na mesma tarde, o guitarrista do Exodus e aluno de Joe Satriani, Kirk Hammett se juntou ao grupo. O debut deveria se chamar “Metal Up Your Ass”, mas por motivo de censura tiveram que mudar o nome. Foi Cliff que deu a sugestão para o novo nome para o álbum, “Kill Em All”. Lançado em julho de 1983, obtendo um grande sucesso. No tracklist podemos escutar o famoso solo de baixo em “(Anesthesia) Pulling Teeth”, que se tornou uma das canções de culto ao baixista e uma das mais impressionantes performances ao vivo da banda. Cliff era o cara.

O segundo álbum, “Ride The Lightning”, de 1984, percebe-se uma grande maturidade nas composições e nos brindam com pedras preciosas como “For Whom the Bell Tolls” e a instrumental “The Call of Ktulu”. Sua lenda cresce a passos largos, algo inusitado para época e que influenciou milhares de baixistas em que muitas canções pode-se ver um baixo como linha principal da música.

Finalmente chega o auge da carreira de Cliff Burton, em 1986, com o terceiro álbum da banda, “Master of Puppets” no qual inclui a instrumental “Orion”, outro símbolo de culto ao baixista. Lançado em março, o grupo seguiu em turnê pela Europa, a Damage Inc. tour, para promovê-lo.

O último concerto com o virtuoso das quatro cordas ocorreu em 26 de setembro de 1986, Estocolmo, e depois do show o grupo embarcou no ônibus que os levaria para Copenhague. Durante a viagem, acompanhado por músicos e a equipe da turnê, ficaram conversando até altas horas até que o cansaço os venceu e decidiram ir dormir, mas Cliff não estava satisfeito com o lugar que lhe haviam dado, assim começou a protestar para dormir em lugar mais confortável, o disputado beliche de cima onde o guitarrista Kirk Hammet dormia. O jeito era recorrer às cartas – ao longo de sua turnê viajavam e dormiam em um ônibus muito desconfortável. É por isso era comum disputarem os melhores lugares por meio de cartas. Assim as cartas foram embaralhadas e Burton tirou o ás de espadas, enquanto Kirk o dois de copas.ganharia quem tirasse a carta “mais alta”.

Em 27 de setembro de 1986, no caminho para a Dinamarca, na altura do município sueco de Ljungby, por volta das 06:15 da manhã, os dois ônibus da turnê seguiam pela estrada até que um deles teve uma virada brusca e foi na direção contrária, devido a uma derrapagem no gelo da pista e capotou. Cliff foi jogado pela janela, pois dormia na parte de cima do beliche e ainda o ônibus capotou em cima dele, matando-o na hora. Cliff tinha apenas 24 anos e uma carreira promissora.

O Ás de Espadas - O ás de espadas, no tarot é um arcano de força, vitória, mas também de mudança, a morte. Seu pulso é firme e sua ponta é pronta para o ataque, Ele representa sempre o início de uma nova fase, um novo período. A lâmina que costuma cortar, romper, ceifar, surge de uma forma positiva, para encerrar um processo que pode ser kármico.

Cliff Burton era fã do Motorhead, como quase a maioria das bandas iniciais de Trash Metal. Ele tinha na música “Ace Of Spades” (ás de espadas) um clássico.

Cliff foi cremado e suas cinzas foram espalhadas. Na cerimônia tocaram a canção “Orion”, composta por ele e hoje podemos ver em seu memorial um poema também composto pelo baxista, que encontra-se na música “To Live Is to Die” composta em homenagem a ele.
“…cannot the Kingdom of Salvation take me home?”


Após consulta com a família de Burton, o Metallica decidiu seguir em frente e procuro um novo baixista. No entanto, o grupo, obviamente, nunca foi o mesmo. Jason Newsted entrou para substituí-lo, mas sempre teve que carregar nas costas o fardo de ser o baixista que substituiu Cliff na banda. Um papel difícil já que o baixista tinha sido endeusado por seu público, sendo que muitas vezes, Jason nem foi muito aceito pelos fãs. Por essa e muitas outras coisas, o grupo não se atrevia a tocar “Orion” – passariam a tocá-la só mais recentemente, em 2006 já com o baixista Robert Trujillo . De qualquer forma, ao longo dos anos foram muitos tributos a Cliff. Seu ex-companheiro Dave Mustaine, após ouvir a notícia de sua morte, escreveu a música “In My Darkest Hour” em sua homenagem.