domingo, 22 de setembro de 2013

Bruce Springsteen no Rock in Rio 2013 e o início de uma nova era



Pena que os fãs de John Mayer foram embora antes do início do show do The Boss; tudo bem que são mais jovens e mal deviam conhecer o repertório dele, mas bem que poderiam ter ficado se baseando, pelo menos, no que aconteceu em São Paulo, quando Bruce tocou quase perfeitamente a música “Sociedade Alternativa” de Raul Seixas, lá no o Espaço das Américas.

Verdade que o cover de Raul de cara em São Paulo assustou e surpreender até mesmo os fãs mais xiitas de Springsteen, mas ele durante mais de 2 horas se mostrou incansável e o melhor de tudo: um verdadeiro amigo dos fãs indo muito além das frases de efeito em português tão comuns dos ídolos aqui no País. Sua relação com fãs, seu comportamento no palco, a alegria, não só fez de seu show do Rock in Rio 2013 como também ofuscou todas as outras estrelas do evento. Os shows de rock no Brasil nunca mais serão os mesmos, todo egocentrismo e exigências sobre-humanas as quais estamos acostumados como se artistas (não só os de fora) fossem seres semidivinos, portanto não serão mais aceitos tão passivamente como antes. O showbusiness aqui terá que ser repensado.



Bruce Springsteen, o amigo do povo

Os fãs antigos do The Boss sabem, e não ficaram tão surpresos assim – embora o cover de Raul Seixas surpreendeu – com a proximidade, simpatia para com o público, seja eles crianças, idosos ou jovens.  Porque Bruce é conhecido lá fora como a voz do povão, do zé-mané desempregado, do cara que pega ônibus e trem lotado. Bruce sempre cantou foi pra essa gente. E saiba que “Born in the USA” nunca foi um hino patriótico! Como em discos como Nebraska, Bruce retrata os EUA preto-e-branco e não o que é vendido em Hollywood.

"Uma coisa que eu realmente senti depois de “Born to Run” (1975) foi uma responsabilidade muito grande para com a plateia e com aquilo que eu estava cantando”, esta é foi uma reflexão dele no livro Glory Days: Bruce Springsteen in the 1980s, de Dave Marsh. Portanto, qualquer comportamento padrão de rock star que ainda houvesse foi abandonado por ele a partir de então.


Bruce Springsteen não é um gênio, sua música tem seus limites, não revolucionou o rock´n´roll, ele é apenas um cara talentoso, sem grandes ambições, que reflete apenas o que ele sempre foi: um cara do povo fazendo música para o povo.