sexta-feira, 16 de agosto de 2013

X-Ray Spex, rebeldia juvenil genuína



Em 1976, uma banda punk liderada por uma cantora gordinha e com aparelhos nos dentes fazia uma fusão entre Patti Smith e Sex Pistols transformando-se em um grupo de características distintas dentro do movimento punk.

Mulheres liderarem bandas antes do surgimento do punk rock era incomum. Quando elas faziam parte de uma banda era sobre a tutela de algum marmanjo ou então todos os integrantes eram mulheres, como era o caso de Runaways, Birtha e Fanny. X-Ray Spex era uma banda em quem mandava mesmo era uma mina chamada  Poly Styrene (Marion Elliott, seu verdadeiro nome), baixinha, carismática e responsável pela maioria das letras.

Surgiram em 1976, na Inglaterra, e são cultuados por um único álbum, Germ Free Adolescents, sem nunca alcançar a popularidade de seus contemporâneos Sex Pistols ou The Clash. Talvez um dos motivos seja um elemento incomum ao punk: o saxofone tocado pela Lora Logic (cujo nome verdadeiro é Susan Whitby). 
Além de ser instrumento fora de lugar, era tocado de forma estridente fazendo com que a Poly Styrene esganiçasse no vocal. Tudo bem que bandas proto-punk utilizaram-se do saxofone como The Sonics e Stooges (Steve McKay em Fun House), mas não como o X-Ray Spex, em que o instrumento é predominante nas composições.

Outra característica que diferencia a banda são as letras, sempre atacando o consumismo e a publicidade, enquanto grande parte dos grupos punks ainda estava pregando um niilismo oco. Poly Styrene não tinha a beleza de uma Debbie Harry, baixinha e gordinha, além de ser mestiça (mãe branca e pai negro), mas segura de suas convicções. Destacava-se pela sua voz, energia e carisma no palco. “Se alguém tentar fazer de mim um símbolo sexual, eu raspo minha cabeça no dia seguinte”, costumava dizer Poly.

A banda lançou cinco singles, entre eles a canção Oh Bondage, Up Yours, o único sucesso, seguido do álbum Germ Free Adolescents, lançado em 1978.  A saxofonista Lora Logic saíra da banda por um motivo curioso: Poly Styrene achava que o grupo não deveria ter duas mulheres.

Em 1977, Lora Logic tinha apenas dezesseis anos quando deixou o grupo (mais tarde formaria a sua própria banda, Essential Logic) e fora substituída pelo saxofonista Rudi Thompson, aliás, muito influenciado por ela.
Lamentavelmente o grupo se separou depois deste álbum. Poly iniciaria uma carreira solo, gravando Transluncence (1980), um trabalho que pouco tinha a ver com o X-Ray Spex, apesar de muito bom. Logo, Poly se converteria ao movimento Hare Krishna depois de ter tido uma “visão religiosa” e deixaria a música punk por um tempo. O que ela não esperava é que dentro desta seita reencontraria Lora Logic, que também havia se tornado devota de Krishna.

Em 1995, X-Ray Spex volta com três membros originais – Poly Styrene, Lora Logic e Paul Dean – e lança o álbum Conscious Consumer, Poly ainda continua criticando a cultura de massa como se ouve em “cigarettes e Junk Food Junkie; embora o efeito de se tornarem adultos reflete em India e Prayer for Peace. Pena que os punks xiitas não curtiram.


No final de 2006, o X-Ray Spex recebe tratamento de luxo pela Sanctuary Records, com o lançamento de Let's Submerge: The Anthology , uma coletânea que reúne praticamente quase toda a produção já gravada pela banda. A coletânea ainda traz o reggae Silly Billy, que Poly gravou antes de montar a banda usando seu nome real, Mari Eliott.

Um comentário:

Mary Joe disse...

A música da turma naõ é lá muito minha praia, mas gostei do nome da vocalista... poliestireno é um polímero muito usado... achei original.
Beijokas
Mary