terça-feira, 27 de agosto de 2013

Cantar o amor é brega?

Recentemente a cantora Bárbara Eugênia - e mesmo Gaby Amarantos, que começou no restrito tecnobrega – vem ganhando cada vez mais espaço na mídia. Celebrada como cantora “cult”, porém trazendo um repertório repleto de música de corno ou simplesmente brega. A moça, bem nascida, já em seu primeiro trabalho regravou “Por que brigamos”, sucesso na voz de Diana em 1972. Em seus shows o público é repleto de gente descolada, universitários opu simplesmente gente que se “acha”. Claro, Bárbara Eugênia canta em vários idiomas e é circundada em seus álbuns por gente descolada como Guizado, Régis Damasceno e Edgard Scandurra – com este último ela faz parte de um projeto musical que toca clássicos da chanson de gente como Serge Gainsbourg, Jacques Dutronc e Boris Vian. Quer algo mais cult do que isso?

Malu Magalhães, filha de uma paisagista e de um engenheiro, que também “canta o amor”, desde o início foi abraçada pelo público “indie”, portanto, não é considerada brega; por outro lado temos a piauiense Stefhany (aquela do crossfox, a “absoluta”) é motivo de riso por ser “brega”, principalmente na visão da classe média. Tudo indica que ser brega depende do berço em que nasceu.

Voltemos aos anos 1980 – “Just Called to Say I Love You”, música de Stevie Wonder, sucesso absoluto e canção obrigatória em qualquer coletânea de hits dos “Anos 80”. Mas, alguns meses depois, transformada em “Só Liguei Pra Dizer que Te Amo”, na voz de Adilson Ramos - aquele que na década de 60 perpetrou pérolas como “Sonhar Contigo” - a mesma música desceu aos infernos das mais popularescas rádios sertanejo-românticas do dial AM e foi solenemente ignorada pelas FMs, Globos de Ouro e congêneres. Mas, outros tantos meses depois, uma outra versão percorria o mesmo roteiro “chique” negado à sua antecessora. A diferença é que quem cantava era Gilberto Gil. Portanto, comprova-se mais uma vez que depende de quem canta.

Por outro lado, pode-se dizer que música romântica se torna brega devido a pobreza dos versos, a falta de poesia e arranjos, com um discurso cheio de clichês, letra e música fáceis, melodia que você já ouviu muito – do tipo Amado Batista? Afinal ele sempre cantou sobre o amor de forma bastante simplista. E no mais, ele é de origem humilde e pobre, portanto, não é um cara que faz show no Canecão.

Diferentemente, Vinicius de Moraes, o nosso “poetinha”, que sempre foi reconhecido pela elite musical brasileira, também cantou o amor em músicas românticas como “Eu Sei Que Vou te Amar” e “Pela Luz Dos Olhos Teus”. E ninguém, até hoje, pelo que eu saiba, nunca o tachou de brega. Nem Guilherme Arantes, nem Renato Russo, Cazuza, tudo levando a crer que depende muito de quem canta, e leva-se em conta o berço em que nasceu, ou simplesmente o que se categoriza música brega é a música popular romântica assimilada facilmente pelas camadas sociais mais baixa.

Um comentário:

Mary Joe disse...

Cláudio, e depende também de quem ouve,.. do momento dessa pessoa. Vamos combinar: tem momentos que essas músicas falam fundo na alma da gente...seja do Amado Batista ou do Vinicius, rs... assim sendo, acho que o amor é brega, e a gente adora ser brega quando está apaixonado, rsrsrs.
Beijokas
Mary Joe