sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Redbone, quando os índios resolveram tocar Rock´n´Roll

Jim Morrison acreditava que almas de índios mortos foram absorvidas pela sua alma, quando ainda criança presenciara um acidente envolvendo vários índios na estrada. No auge da fama, Jim costumava realizar uma dança xamânica no palco.

Ian Astbury quando morou no Canadá manteve relação de amizade com algumas tribos indígenas locais, levando muito desta influência para seu visual e composições, primeiro no Southern Death Cult, depois no The Cult. Ted Nugent costuma se apresentar vestido de índio com direito a cocar de penas, geralmente quando toca “Great White Buffalo”, um de seus maiores hits. Neil Young é outro sujeito que nunca deixou de referenciar a cultura indígena em sua música – as capas dos álbuns “American Stars ´N Bars” (1977) e “Broken Arrow” (1996) já falam por si só. No entanto, nenhum desses artistas eram índios, de fato.

Mas houve nos anos 70 uma banda composta por índios autênticos: era o Redbone, que em 1974 conseguiram a proeza de chegar ao Top 5 da Billboard Hot 100 nos EUA com a canção “Come And Get Your Love”. Outro grande sucesso foi “Witch Queen of New Orleans”, música a qual mostrou a que veio ao mundo.

A banda de Los Angeles era liderada pelos irmãos nativos americanos Pat e Lolly Vegas (descendentes de yaquis), ambos vocais e guitarra; Tony Bellamy, vocal e baixo; e Peter DePoe na bateria. Formada em 1968, ao longo da carreira teve em sua formação membros de ascendência Cherokee, Yaquis, Apaches e Shoshones.


Musicalmente misturava rock, R&B, jazz, soul, em meio a suas raízes indígenas. O nome do grupo é referente a uma piada no vocabulário Cajun, um termo para pessoas de raça mista, ou seja, mestiças.
O primeiro sucesso veio com “Maggie” do segundo álbum Potlatch, em 1970, mas foi com o single  “The Witch Queen of New Orleans” que a coisa decolou, levando-os ao Top 21 da Billboard Hot 100 em 1971.

O hit mundial veio com “Come And Get Your Love”, lançado em janeiro de 1974, em abril já havia atingido um milhão de cópias. Outra música significativa é "We were all wounded at Wounded Knee" sobre o massacre do povo Lakota nas mãos da sétima cavalaria estadunidense em 1890. Esta canção de 1972 atingiu o primeiro lugar na Europa, no entanto, nos EUA seria proibida em várias rádios – Os Estados Unidos sempre gostou de esconder seu lado negro.


A partir de 1975, a banda começa a entrar em lento declínio; nunca mais foi capaz de repetir o mesmo sucesso adquirido entre 1971 e 1974, embora houvesse várias tentativas subseqüentes, incluindo “Beaded Dreams through Turquoise Eyes”, do álbum de 1977 “Cycles”, já com outra formação. A música também tornou-se cada vez mais direcionada ao Soul e até Disco Music.

Entre vários retornos que nunca deram muito certo a banda findou-se em 2009, antes Redbone foi introduzido no Native American Music Association Hall of Fame. A esperança de uma nova volta da banda findaria em 04 de março de 2010, com a morte de Lolly Vegas, quando perdeu a batalha contra o câncer.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Cantar o amor é brega?

Recentemente a cantora Bárbara Eugênia - e mesmo Gaby Amarantos, que começou no restrito tecnobrega – vem ganhando cada vez mais espaço na mídia. Celebrada como cantora “cult”, porém trazendo um repertório repleto de música de corno ou simplesmente brega. A moça, bem nascida, já em seu primeiro trabalho regravou “Por que brigamos”, sucesso na voz de Diana em 1972. Em seus shows o público é repleto de gente descolada, universitários opu simplesmente gente que se “acha”. Claro, Bárbara Eugênia canta em vários idiomas e é circundada em seus álbuns por gente descolada como Guizado, Régis Damasceno e Edgard Scandurra – com este último ela faz parte de um projeto musical que toca clássicos da chanson de gente como Serge Gainsbourg, Jacques Dutronc e Boris Vian. Quer algo mais cult do que isso?

Malu Magalhães, filha de uma paisagista e de um engenheiro, que também “canta o amor”, desde o início foi abraçada pelo público “indie”, portanto, não é considerada brega; por outro lado temos a piauiense Stefhany (aquela do crossfox, a “absoluta”) é motivo de riso por ser “brega”, principalmente na visão da classe média. Tudo indica que ser brega depende do berço em que nasceu.

Voltemos aos anos 1980 – “Just Called to Say I Love You”, música de Stevie Wonder, sucesso absoluto e canção obrigatória em qualquer coletânea de hits dos “Anos 80”. Mas, alguns meses depois, transformada em “Só Liguei Pra Dizer que Te Amo”, na voz de Adilson Ramos - aquele que na década de 60 perpetrou pérolas como “Sonhar Contigo” - a mesma música desceu aos infernos das mais popularescas rádios sertanejo-românticas do dial AM e foi solenemente ignorada pelas FMs, Globos de Ouro e congêneres. Mas, outros tantos meses depois, uma outra versão percorria o mesmo roteiro “chique” negado à sua antecessora. A diferença é que quem cantava era Gilberto Gil. Portanto, comprova-se mais uma vez que depende de quem canta.

Por outro lado, pode-se dizer que música romântica se torna brega devido a pobreza dos versos, a falta de poesia e arranjos, com um discurso cheio de clichês, letra e música fáceis, melodia que você já ouviu muito – do tipo Amado Batista? Afinal ele sempre cantou sobre o amor de forma bastante simplista. E no mais, ele é de origem humilde e pobre, portanto, não é um cara que faz show no Canecão.

Diferentemente, Vinicius de Moraes, o nosso “poetinha”, que sempre foi reconhecido pela elite musical brasileira, também cantou o amor em músicas românticas como “Eu Sei Que Vou te Amar” e “Pela Luz Dos Olhos Teus”. E ninguém, até hoje, pelo que eu saiba, nunca o tachou de brega. Nem Guilherme Arantes, nem Renato Russo, Cazuza, tudo levando a crer que depende muito de quem canta, e leva-se em conta o berço em que nasceu, ou simplesmente o que se categoriza música brega é a música popular romântica assimilada facilmente pelas camadas sociais mais baixa.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

X-Ray Spex, rebeldia juvenil genuína



Em 1976, uma banda punk liderada por uma cantora gordinha e com aparelhos nos dentes fazia uma fusão entre Patti Smith e Sex Pistols transformando-se em um grupo de características distintas dentro do movimento punk.

Mulheres liderarem bandas antes do surgimento do punk rock era incomum. Quando elas faziam parte de uma banda era sobre a tutela de algum marmanjo ou então todos os integrantes eram mulheres, como era o caso de Runaways, Birtha e Fanny. X-Ray Spex era uma banda em quem mandava mesmo era uma mina chamada  Poly Styrene (Marion Elliott, seu verdadeiro nome), baixinha, carismática e responsável pela maioria das letras.

Surgiram em 1976, na Inglaterra, e são cultuados por um único álbum, Germ Free Adolescents, sem nunca alcançar a popularidade de seus contemporâneos Sex Pistols ou The Clash. Talvez um dos motivos seja um elemento incomum ao punk: o saxofone tocado pela Lora Logic (cujo nome verdadeiro é Susan Whitby). 
Além de ser instrumento fora de lugar, era tocado de forma estridente fazendo com que a Poly Styrene esganiçasse no vocal. Tudo bem que bandas proto-punk utilizaram-se do saxofone como The Sonics e Stooges (Steve McKay em Fun House), mas não como o X-Ray Spex, em que o instrumento é predominante nas composições.

Outra característica que diferencia a banda são as letras, sempre atacando o consumismo e a publicidade, enquanto grande parte dos grupos punks ainda estava pregando um niilismo oco. Poly Styrene não tinha a beleza de uma Debbie Harry, baixinha e gordinha, além de ser mestiça (mãe branca e pai negro), mas segura de suas convicções. Destacava-se pela sua voz, energia e carisma no palco. “Se alguém tentar fazer de mim um símbolo sexual, eu raspo minha cabeça no dia seguinte”, costumava dizer Poly.

A banda lançou cinco singles, entre eles a canção Oh Bondage, Up Yours, o único sucesso, seguido do álbum Germ Free Adolescents, lançado em 1978.  A saxofonista Lora Logic saíra da banda por um motivo curioso: Poly Styrene achava que o grupo não deveria ter duas mulheres.

Em 1977, Lora Logic tinha apenas dezesseis anos quando deixou o grupo (mais tarde formaria a sua própria banda, Essential Logic) e fora substituída pelo saxofonista Rudi Thompson, aliás, muito influenciado por ela.
Lamentavelmente o grupo se separou depois deste álbum. Poly iniciaria uma carreira solo, gravando Transluncence (1980), um trabalho que pouco tinha a ver com o X-Ray Spex, apesar de muito bom. Logo, Poly se converteria ao movimento Hare Krishna depois de ter tido uma “visão religiosa” e deixaria a música punk por um tempo. O que ela não esperava é que dentro desta seita reencontraria Lora Logic, que também havia se tornado devota de Krishna.

Em 1995, X-Ray Spex volta com três membros originais – Poly Styrene, Lora Logic e Paul Dean – e lança o álbum Conscious Consumer, Poly ainda continua criticando a cultura de massa como se ouve em “cigarettes e Junk Food Junkie; embora o efeito de se tornarem adultos reflete em India e Prayer for Peace. Pena que os punks xiitas não curtiram.


No final de 2006, o X-Ray Spex recebe tratamento de luxo pela Sanctuary Records, com o lançamento de Let's Submerge: The Anthology , uma coletânea que reúne praticamente quase toda a produção já gravada pela banda. A coletânea ainda traz o reggae Silly Billy, que Poly gravou antes de montar a banda usando seu nome real, Mari Eliott.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Um maluco na música eletrônica: Fad Gadget



O mundo do rock sempre nos apresentou músicos pirados. Alguns eram caras normais até o momento em que as drogas estragaram a mente deles: Syd Barrett (Pink Floyd), Arthur Lee (Love) e Roky Erickson (13Th Floor Elevators). Outros parecem que a mente atrapalhada vem desde a infância: Keith Moon (The Who) e Ozzy Osbourne (Black Sabbath). No entanto, há aqueles que são difíceis de definir; é o caso de Fad Gadget.

Fad Gadget (pseudônimo artístico criado por Frank Tovey) era um cara muito diferente: bem humorado, estranho, selvagem, o sujeito tinha comportamento suicida no palco e manias para lá de esquisitas.  Em suas maluquices, em um show chegou a bater tanto a cabeça, em um show, contra uma bateria eletrônica que o sangue começou a esguichar, levando algumas pessoas da platéia a desmaiar. Em outro, pulou tanto que trouxe consigo o teto na volta. Era também comum, antes dele saltar sobre o público dar várias cambalhotas. Mas em 1984, em Berlim, se ferrou: já com dois olhos roxos e nariz quebrado, saltou do palco e quebrou também as duas pernas.

Gadget também costumava espalhar creme de barbear no seu corpo nu, se cobrir com penas de galinha e piche. Foi devido à amizade e admiração que Daniel Miller o contratou como o primeiro artista de sua iniciante gravadora, a Mute Records, lançando seu primeiro single, The Box, em 1979. Seu maior sucesso foi o single Micky´s Hand, que, segundo Fad Gadget, era uma mistura de Suicide com Donna Summer.

Ao longo de sua carreira - ele voltou a usar seu nome de batismo, Frank Tovey – influenciou e foi influenciado por diversos estilos, misturando eletrônica com rock, punk, folk e dance. Tovey inesperadamente faleceu em sua casa em 03 de abril de 2002. Sua contribuição singular à música eletrônica é inegável, assim como sua influência sobre ele.