terça-feira, 25 de junho de 2013

É o Jimi Hendrix? Não, é Frank Marino


Uma vez ouvi no rádio um cover ao vivo de Purple Haze de Jimi Hendrix, pensando ser o próprio. Fiquei esperando entrar a voz do negão, mas, de repente, a voz que entrou era um pouco diferente, até que, ao final da música, anunciaram um tal de Frank Marino. Pensei: que merda é essa! O cara toca igual, além de uma voz muito boa (também muito similar a de Hendrix). Este é exatamente o problema dele: parecer demais com seu ídolo. Por isso mesmo, sempre foi visto apenas como um dos milhares de clones de Hendrix, fazendo com que muitas pessoas dessem pouca atenção à sua música.

Foi à frente do trio Mahogany Rush que Marino ganhou certa projeção como guitar hero, muito devido aos seus shows, pois seus álbuns nunca venderam bem e, ainda hoje, são difíceis de encontrá-los, até mesmo em seu país de origem, o Canadá.

De ascendência italiana e árabe, Frank Marino iniciou sua carreira em Montreal na década de 1960. Hospitalizado por excesso de consumo de ácido, ele aprendeu a tocar guitarra durante sua permanência por lá. Além de ser assumidamente influenciado por Hendrix, entra no pacote The Beatles e The Doors.
Consumidor de drogas pesadas em grandes quantidades, o artista criou composições que refletem sua percepção do mundo, muitas vezes sob a influência de drogas - o nome do grupo que formou com amigos, Mahogany Rush, no início dos anos 1970, também foi inspirado pelos efeitos provenientes do uso de LSD.

Para quem quiser conhecer a música de Frank Marino e Mahogany Rush, recomendo o álbum duplo ao vivo Real Live! (2004), pois o moço sempre se saiu melhor no palco. As apresentações aconteceram em duas datas: 19 de outubro de 2004, no Canadá e 05 de novembro nos EUA. Neste álbum, além de conter alguns de seus grandes sucessos, o show abre de cara com Voodoo Chile. Adivinhe de quem?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Screaming Lord Sutch, o inventor do shock rock


Desculpe-me os fãs de Alice Cooper, mas não foi ele o precursor do shock rock (ou rock teatral). Sei que a maioria das enciclopédias do rock diz isso; nem o “rei do fogo” mister Arthur Brown o foi. O inventor do shock rock foi um cara chamado Screaming Lord Sutch que desde o início dos anos 1960 vinha assustando as platéias com suas maluquices.

Em um dia em Londres, moças britânicas desfilaram nuas pela Oxford Street e bem em frente à residência do primeiro-ministro Edward Heath. Primeiramente vestidas, mas muito alegres, na Bow Street, onde fica o tribunal de justiça que as multou em vinte libras cada uma, por perturbarem a ordem pública. As jovens, mais tarde, desfilariam nuas; o objetivo era promover o show de rock na cidade do cantor Lord Sutch, que prometia muito “rock primitivo” e, claro, sexo. Era o ano de 1972 e assim era o nível que Screaming Lord costumava usar para promover seus shows.

Um dos personagens mais singulares surgidos na Inglaterra no início dos anos 1960, o terror macabro, grande senso de humor e cenários teatrais deu início ao shock rock. Em seus discos, produzidos naquela década por Joe Meek, Sutch tinha como músicos de apóio nada mais, nada menos do que pessoas como Ritchie Blackmore, Jeff Beck e Jimmy Page, este último também colaboraria com ele nos anos 1970 como produtor e compositor.

Screaming Lord Sutch (cujo nome verdadeiro é David Edward Sutch) nasceu em 12 de novembro de 1944 em Kilburn, filho de um policial que morreu em um bombardeio alemão sobre a cidade de Londres, ocorrido em 1943.

David, depois de trabalhar como encanador, iniciou sua carreira com The Savages no final dos anos 1950, influenciado pelo lendário Screami´n Jay Hawkins e mestres do rock´n´roll incendiário como Little Richard e Jerry Lee Lewis. Suas roupas espalhafatosas, com chapéus estranhos (King Diamond, do Mercyful Fate, outro mestre do shock rock, copiaria isso anos depois), vestes de leopardo, caixões e maquiagem mortuária causou sensação na época.

Seu primeiro single, produzido por Joe Meek, seria “Til the Following Night”, uma divertida canção de rock´n´horror que originalmente iria se chamar “Meu grande caixão preto” – em shows ele costumava sair de dentro de um. Em 1963, apareceu com Jack The Ripper, um cover do Coasters (I´m a hog for you) e no lado B o tema Monster in Black Tights, uma simpática canção escrita pelo produtor Meek e seu amigo Geoff Goddard.

Em seu selo Oriole, Screaming Lord, em 1964, lançou seu quarto single, mas sem resposta comercial, She´s fallen in Love with a monster man, um de seus melhores temas com coros femininos e a proeminente guitarra de Jimmy Page. Ainda no mesmo ano veio Dracula´s Daughter, música na qual Page também toca guitarra.
Um ano depois gravou pela CBS The train Kept a Rollin, o clássico de Tiny Bradshaw (canção que ficou bem popular com o Aerosmith) e em 1966 The Cheat e Black and Hairy, essa última escrita por Sutch com um naipe de metais que décadas mais tarde ganharia uma versão do Fuzztones.

Após este período Screaming Lord não voltaria a gravar até 1970, quando lança o LP Lord Sutch and Heavy Friends, produzido por Jimmy Page. Nele, há participação também de Bonham e Daniel Edwards, Jeff Beck, Nicky Hopkins e Noel Redding, ou seja, um puta time. Page também co-escreveu boa parte das canções, fazendo com que muitos fãs do Led Zeppelin corressem atrás do disco.

Dois anos depois aparece o seu segundo LP, Hands of Jack The Ripper (1972) com versões ao vivo de vários covers de Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e Little Richard e acompanhado de outros convidados ilustres: Blackmore, Hopkins, Keith Moon, Matther Fisher (Procol Harum), Nick Simper (da primeira formação do Deep Purple) e o baterista original do Savages, Carlo Little.

Em 1982, lançou seu terceiro álbum, que alterava entre gravações ao vivo e em estúdio, “Alive and Well”.
Além de suas atividades como ator e músico, Sutch criou uma rádio pirata chamada Radio Sutch que a dirigia desde 1963, um partido político, National Teenage Party, com o qual tentou sem sucesso entrar no parlamento, desde a sua primeira tentativa em eleições de 1963 até a sua morte em 16 de junho de 1999, quando Screaming Lord sofreu sérias crises de depressão e foi encontrado enforcado em sua casa em Londres. Ele tinha 58 anos.

Curiosidade:

Screaming Lord Sutch foi um dos primeiros artistas a deixar o cabelo crescer, mesmo antes dos Beatles, bem no início dos anos 1960.


O álbum Sutch Lord Sutch and Heavy Friends foi considerado em 1998, uma pesquisa feita pela BBC, como o pior álbum de todos os tempos.

domingo, 9 de junho de 2013

Tommy Bolin

Tommy Bolin foi desses grandes guitarristas dos anos 70 que morreu jovem por causa do excesso de drogas, atrapalhando inclusive seu desempenho no palco.  A trajetória de Bolin, nesse sentido, é até muito parecida com a de Paul Kossoff, do Free.

Bolin ficou conhecido mundialmente por ter substituído ninguém mais, ninguém menos, do que Ritchie Blackmore no Deep Purple. Muita gente não gostou do único álbum de estúdio gravado com ele, o Come Taste The Band (1975, não que não estivesse à altura – Blackmore sempre dizia à imprensa que Bolin era excelente guitarrista -, mas o estilo dele era bem diferente do que o estilo clássico de Ritchie.

Porém, a trajetória desse exímio guitarrista, que sabia tocar qualquer estilo, começou ainda nos anos 60 com a banda Zephyr, gravando os álbuns Zephyr (1969) e Going Back to Colorado (1971). Depois partiu para o jazz fusion do Energy e logo já estava no James Gang, substituindo outro grande guitarrista, Joe Walsh. Com eles gravou Bang (1973) e Miami (1974).

Aos 25 anos, o guitarrista que tinha um futuro brilhante como poucos, porém é encontrado morto em seu quarto de hotel em Miami no dia 4 de dezembro de 1976, de uma overdose de heroína. Felizmente, o seu legado não está perdido e a cada ano aparece um novo CD com material de suas performances ao vivo. Além disso, a família Bolin tem uma fundação com o seu nome e todos os anos acontece o “Tommy Bolin Festival” onde prestam homenagem a este músico extraordinário.