quinta-feira, 30 de maio de 2013

Quiet Riot, uma grande banda


Para muitos o Quiet Riot foi apenas uma bandinha que fazia uns covers legais do Slade; para outros, foi apenas a banda que teve, em seu início, o famoso guitarrista do Ozzy Osbourne, Randy Rhoads. Ahh não... o Quiet Riot era muito mais que isso! No começo era um rock festeiro, ainda nos anos 1970, que conseguiram certo sucesso apenas na terra do curte-qualquer-tipo-música, o Japão; depois o sucesso mundial, no início de 1980, com Metal Health (1983) e Condition Critical (1984), depois partiram para um som pasteurizado bem ao estilo AOR e não conseguiram mais recuperar a fama.

Aí que está o problema, nem fãs nem crítica não deram tanta atenção aos álbuns Terrified (1993) e Down to the Bone (1995), quando voltaram com Kevin DuBrow nos vocais – tinham lançado um disco horroroso com um tal de Paul Shortino que parecia um sub-David Coverdale em seu lugar.

Já no novo século lançaram Guilty Pleasures (2001) e Rehab (2006), dois álbuns que honram o passado glorioso, inclusive foram bastante elogiados pela crítica e recuperando muitos fãs de antanho. Mas pena que o destino resolveu intervir, e Kevin DuBrow, gostei ou não era a marca registrada da banda, morrera em 2007, encontrado morte em seu quarto – dizem que foi overdose de cocaína – e o grupo deflagrou-se. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Quando os Ramones encontraram com o Black Sabbath


O que o Black Sabbath tem a ver com os Ramones? Quase nada. Mas ambas as bandas são consideradas precursoras de dois grandes estilos musicais: o heavy metal e o punk rock. E foi partindo desta visão que o agente de shows dos Ramones, no início dos anos 1980, teve a ideia de juntar as duas bandas para uma excursão conjunta.

O Black Sabbath era considerado uma grande banda, lotavam shows e vendiam milhões de álbuns, já os Ramones, apesar da popularidade, nunca venderam muito bem, a não ser mais para o final da carreira; quando realmente começaram a atrair grandes públicos. No entanto, ambas tinham um público fiel.

Nem precisa dizer que os shows foram caóticos. Mas a coisa engrossou mesmo quando foram para San Bernardino, Califórnia, EUA, uma cidade com uma abundância de agricultores, motoqueiros beberrões e para piorar o show foi promovido como Os Reis do Heavy Metal versos os Reis do Punk Rock. Os Ramones se encontraram em apuros quando viram chegar um monte de gangues de motoqueiros e agricultores carregando garrafas de uísque e pedras. E pior: eles estavam armados! Lá, não revistavam as pessoas na porta, não havia seguranças, nem detectores de metal.

Quando começaram a tocar as pessoas estavam segurando garrafas de uísque, fazendo um movimento como se estivessem com a intenção de jogar neles. Depois de cerca de 20 minutos do set o mundo desabou: garrafas, velas de ignição, carburadores começaram a serem lançados ao palco. Os rapazes foram capazes de se esquivarem de tudo e ninguém ficou ferido. Claro, não demorou os Ramones mandarem todo mundo se fuder e saírem do palco. Isto é punk rock!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Aos amantes da música instrumental: Camel - The Snow Goose (1975)



Este disco é daqueles que simplesmente existem para dar o prazer de ouvir música. Digo, música pela música. É um trabalho totalmente instrumental, cheio de nuances, de momentos introspectivos com flautas nativas e guitarras sutis, explosão de baterias em algumas fixas ou um órgão energético e onipresente.

O quarteto Peter Bardens (órgão, mini-moog, teclados), Doug Ferguson (baixo), Andy Ward (bateria, percussão) e Andrew Latimer (guitarra, flauta e vocais). O trabalho foi co-escrito por Latimer e Bardens, e os arranjos orquestrais de David Bedford, que trabalhou em várias peças com Mike Oldfield.

The Snow Goose é baseado na obra de mesmo título do escritor norte-americano Paul Gallico, uma história de amor, bondade, humildade e grandeza.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Trenes de Juguete (2007) – Bosques de Mi Mente



Este disco é sobre a infância: memórias que guardamos - consciência ou inconscientemente - em nosso ser, que muitas vezes vem à tona de formas inesperadas e sem darmos conta disso. Época em que aos olhos infantis, o mundo era diferente; tinha outras cores, outros significados. A chuva, o sol, as árvores, os sorrisos das pessoas refletiam em nosso ser de forma mais real, original, sem às várias interpretações racionais que vamos adquirindo até chegar à idade adulta.

Mas esta obra maravilhosa resgata a criança perdida dentro de nós. Sem dúvida, um álbum terapêutico. Música melancólica e minimalista.Não tenho palavras mais para descrever o trabalho deste músico espanhol. A influência de Brian Eno, Harold Budd e Yean Tiersen é inegável, porém, creio, que o grande trunfo de Bosques de mi Mente está nesta viagem, por meio de arranjos minimalista de nos levar para dentro do nosso ser, nas memórias escondidas pelas nossas máscaras sociais.


Não apenas este trabalho quanto qualquer outro do artista é capaz de tocar a nossa essência, a Alma adormecida, que parece estar sempre nos observando, esperando um momento em que o silêncio falar-se-á mais alto, quando aquietarmos nossas emoções transitórias e deixá-la manifestar como à época em que éramos apenas criancinhas e víamos o belo em tudo.

Nacho faz música de forma quase sensitiva, tendo o piano clássico como instrumento condutor, as canções brotam de sua alma diretamente para os seus dedos, algumas vezes é acompanhado de violinos, sintetizadores atmosféricos e mellotrons.

É bom lembrar que ele já havia experimentado fazer álbuns apenas com instrumentos de brinquedo, bem antes dos mineiros do Pato Fu. Refiro-me ao trabalho “Innocence” que foi inspirado em “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry.

Trenes de Juguete, de 2007, é o primeiro trabalho de Nacho. Gravado com poucos recursos em sua casa. Nele, busca uma maneira de explorar conceitos como o minimalismo, o clímax, a atmosfera de repetição, o tempo, o silêncio, ruído, música concreta e muitos mais

Nacho coloca à disposição online todas as suas músicas, você pode compartilhar, copiar, baixar livremente e gratuitamente com a licença da Creative Commons, sua gravadora.

Nas palavras do compositor: “Música é arte, uma expressão subjetiva da realidade, e, como tal, enriquece quem a ouve, então eu acho que toda expressão artística deve ser acessível a todos e ser livre" Assim seja.