terça-feira, 29 de maio de 2012

Quando a tristeza se transforma em arte




J Mascis liderou uma das melhores bandas surgidas no final dos anos 80, o Dinosaur Jr. Com um som raivoso, ruidoso e ao mesmo tempo extremamente melódico; soube unir o som alternativo com riffs de heavy metal, pegadas punk/hardcore, momentos folk/country aliado ao rock tradicional. Na verdade, o Dinosaur Jr não acabou oficialmente, entre suas idas e vindas, Mascis sempre nos surpreende com um novo álbum.

J Mascis desenvolveu longos solos de guitarras ao seu rock indie alternativo em plena era “grunge”, por isso muitos o consideram o primeiro guitar hero indie do rock norte-americano.  E não solos no estilo virtuoso de um Yngwie Malmsteen da vida, a coisa sempre foi mais pra  Neil Young.  E como o velho mestre Young, seus solos também são memoráveis.

Mascis, hoje com 45 anos e com os longos cabelos grisalhos lançou ano passado o excelente álbum chamado Several Shades of Why. É seu primeiro álbum solo totalmente com material original e é quase totalmente acústico.

O álbum é confessional por natureza, melancólico, para não dizer triste. Os temas giram em torno de sentimentos de mágoa, desespero da solidão, perda . A voz emocional de Mascis se mostra frágil, dolorida e desesperada. Sua destreza no violão comprova mais uma vez que J Macis é um exímio músico – ouça o acústico ao vivo Martin + Me, de 1996, e o LP e J + Friends Sing  Chant for Amma (2005).

Em Several Shades of Why está circundado por alguns convidados como
Kurt Vile, Suzanne Thrope (ex-Mercury Rev), Kevin Drew (Broken Social Scene), Jenkins Pall nos teclados e Sophie Trudeau, violino.  Mas quem brilha mesmo é J Mascis; ele podia até ter feito o disco sozinho, só com seu violão; não precisa de muito, é um mestre e muitas vezes levou o Dinosaur Jr sozinho, apenas com seu enorme talento – e que talento!

É um álbum sem bateria, sem baixo e com poucas intervenções de guitarra elétrica.  O dueto de violinos na faixa-título já é o suficiente para rendermos à beleza do trabalho. Músicas como “Is It Done”, por exemplo, não deve nada a qualquer música do clássico Harvest de Neil Young.

Outro destaque é a faixa de abertura, Listen To Me, onde ele canta com voz suplicante: “eu preciso encontrar um lugar para descansar..”. Esperamos que ele o encontre. Mas é certo que Several Shades of Why descansará bastante nossos ouvidos desse mundo barulhento e desarmônico.


 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ommadawn de Mike Oldfield



Eu também sou dentre os vários fãs de Mike Oldfield que tem em Tubular Bells seu melhor trabalho. No entanto, o multi-instrumentista inglês não viveu apenas desse clássico da música. Outros trabalho significativos vieram depois: Hergest Ridge (1974), Ommadawn (1975) e Incantations (1978). Uma sequência de álbuns irretocáveis. Era a fase de ouro da carreira de Mike.

Eu gostaria de contar a história deste músico aqui – ele é tão desconhecido das gerações atuais! – o sujeito toca mais de 60 instrumentos e é autodidata. Mike durante sua carreira transitou por vários estilos, desde do rock progressivo, música minimalista, folk celta, world music, música eletrônica, pop, música erudita. Ele ajudou seus dois irmãos – Sally e Terry – a se iniciarem na carreira música.

Ommandawn tem participação de Terry e Sally; esta participação de ambos deve-se muito a perda recente, em janeiro de 1975, da mãe deles. A lista de instrumentos tocados por Mike Oldfield é novamente impressionante, indo de harpa, banjo, percussão, sintetizadores, bandolins, entre outros.

É o terceiro álbum de Oldfield e foi lançado no dia 21 de outubro de 1975, tendo apenas duas longas faixas com pouco menos de 20 minutos. Ah, não dá nem para perceber porque, como de costume, existe várias mudanças de andamentos que se desenvolvem a partir de uma base melódica. No entanto, o melhor momento está no final: uma pequena melodia cantada por ele e acompanhada por um coral de crianças chamada on Horseback (no original pelo menos não vem creditada). Sublime!

 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Pirando o cabeção com Flying, do UFO



É verdade que com a entrada de Michael Schenker (ex-Scorpions e irmão de Rodolf Schenker) no UFO, a banda ganhou mais consistência musical, melodias mais apuradas e um excelente guitarrista. Mas que me perdoem os fãs do UFO hard rock de Schenker, eu prefiro o space rock, meio krautrock com o guitarrista Michael Bolton, principalmente neste primeiro trabalho, Flying (1971). Totalmente pirado!

Como eu estava falando, Michael Schenker é ótimo, cria grandes riffs e é um mestre da melodia, mas eu prefiro uma guitarra pirada – ainda bem que descobri, com o tempo, que existem outros gatos pingados que consideram esta primeira fase a melhor. Já que citei o Scorpions reparem que a capa de Flying lembra bastante o disco Fly to the Rainbow do Scorpions. Aliás, ambos obtiveram as mesmas influências de space/krautrock. Mas calma, o guitarra já era o grande Uli Jon Roth, Michael Schenker só participou do primeiro disco do Scorpions, Lonesome Crow, de 1971.

segundo álbum do Scorpions

A formação era Phil Mogg (vocais), Pete Way (baixo), Andy Parker (bateria) e Mick Bolton (guitarra). O petardo tem apenas cinco músicas mas soma-se ao todo mais de 50 minutos devido duas faixas serem de longa duração: Star Storm (18:54) e Flying (26:30). Inclusive considero-as as melhores.

Flying começa bem blues, mas depois a coisa muda – parece outra música – e também parece mais uma jam. Sei que a canção foi gravada ao vivo no estúdio. Bom, então, a maconha era boa. No final ela volta ao blues.  Para os detratores a música não passa de masturbação guitarrística. Star Storm é o desbunde total! Foi à primeira música que ouvi deles. Totalmente anos 70! Tem lá seus 18 minutos, mas você quer mais. Esta ainda é a música que mais gosto deles.

Portanto, Star Storm foi a escolhida para invadir o blog.

 

domingo, 13 de maio de 2012

Maggie May, o início de uma coleção de sucessos



Em 1971, Rod Stewart ainda nos devia um sucesso mundial. O cantor já havia lançado dois álbuns solos – The Rod Stewart Álbum (1969) e Gasoline Alley (1970) -, apesar de interessantes não chamaram muito a atenção. Portanto, Every Picture Tells a Story, seu terceiro álbum, seria tudo ou nada em sua carreira solo. Antes fora lançado o single de Reason to Believe, um cover de Tim Hardin – aliás, ficou muito bom e obteve certo sucesso.

Mas a canção que deu a Rod seu primeiro hit mundial, levando-o a conquistar os EUA, foi o lado B de Reason to Believe, a música Maggie May que os DJ´s das rádios resolveram tocá-la. Resultado: sucesso imediato, a canção cuja letra fala de uma tal de Maggie May – referia-se à primeira aventura sexual de Rod Stewart, misturando ficção com realidade – atingiu o  primeiro lugar no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Depois era só atravessar o Atlântico em Atlantic Crossing e manter uma série de hits radiofônicos, como Sailing um pouco mais tarde. Rod nunca mais precisou pensar em voltar a ser coveiro.


segunda-feira, 7 de maio de 2012




Há bandas dos anos 1960 que nunca serão esquecidas: como os Beatles, The Jimi Hendrix Experience - dos anos 1950 talvez apenas Elvis Presley ainda vai ser lembrado sempre. Mas quem se lembra dos ídolos dos anos 20, 30 e 40? Dificilmente quem tem menos de 25 anos sabe dizer sequer um nome. A tendência, infelizmente é esta; mesmo pessoas mais jovens que adoram música parecem que começaram a contar a história da música a partir dos anos 1980 e sabe citar um ou outro das décadas anteriores. Tenho minhas dúvidas se alguém que nascer daqui uns vinte anos vai saber quem foi Kate Perry.

Imagina esses artistas de hoje de sucessos meteóricos, que surgem aos montes para logo depois serem substituídos por outros após vencer o prazo de validade (“one-hit wonder”). Talvez a última grande banda a ser lembrada das últimas décadas vai ser o Nirvana, os que vieram depois se salvam muito pouca coisa. A música está cada dia mais descartável, foi-se o tempo em que parávamos para ouvir um álbum inteiro. Não existe mais o ritual de ouvir música.

The Jefferson Airplane é uma dessas bandas que com o passar das décadas vão sendo esquecidas e provavelmente as futuras gerações a desconhecerão. Eles foram muito importantes no movimento da contracultura, afinal estavam bem no meio onde tudo aconteceu, em São Francisco, Califórnia, ajudando a moldar aquilo que ficou conhecido como acid rock ou San Francisco sound.

Surgido em 1965, formado por Marty Balin (vocal), Signe Anderson (vocal), Paul Kantner, Jorma Kaukonen (guitarras, vocais), Bob Harvey (baixo) e Skip Spence (bateria) lançaram em 1966 o álbum Takes Off, mas foi com a entrada de Grace Slick (ex-Great Society) no lugar de Signe Anderson e Spencer Dryden no de Skip Spence que a banda decolou gravando Surrealistic Pillow (1967), Trabalhando com o produtor Rick Jarrad, a banda gravou o álbum  em 13 dias.


É nele que está dois grandes sucessos da banda, Somebody To Love e White Rabbit. Duas lindas baladas psicodélicas Today e Comin Back To me.

A fusão de folk rock e psicodelia do Jefferson Airplane foi muito original para a época, influenciados por bandas e artistas como The Byrds, The Mamas & the Papas, e Bob Dylan. Surrealistic Pillow anunciou ao mundo a cena boêmia que estava se desenvolvendo na cidade, iniciada pelos Beatnicks nos anos 50 e continuou na cena dos anos 60 na contracultura de Haight-Ashbury.

O som da banda foi mudando significativamente influenciada pelo surgimento de Jimi Hendrix e Cream, tendo a banda em busca de um som mais pesado e levando a uma maior improvisação. No anos 70 a banda muda para Jefferson Starship, com algumas alterações na formação, tentando se adaptar à nova década. Já nos anos 1980 ficaram bem pop e sobrou apenas o Starship no nome. Quando tentaram voltar com a formação e nome original em 1989, já era tarde demais.