terça-feira, 10 de abril de 2012

Shelleyan Orphan - Century Flower (1989)


Este duo dos anos 80 apareceu fazendo uma música tipo The Cranberries, antes de estes surgirem, a diferença é que abusavam de arranjos neoclássicos – oboés, clarinetas, fagotes, violoncelos, violinos – em roupagem pop. Caroline Crawley e Jermaur Tayler teciam um pop de veia barroca (hoje seriam chamados de indie-pop) recheado de instrumentos acústicos, com direito a um conjunto de músicos clássicos, logo no primeiro trabalho, Helleborine (1987), que foi precedido do EP Cavalry Of Cloud, de 1986.

Mas é o no disco seguinte, Century Flower, lançado em 1989 pela Rought Trate que atinge seu grande momento. Produzido por Jim Scott e Dave Allen, este último produziu boa parte dos álbuns do The Cure. Aliás, Robert Smith havia tornado um grande fã do duo, chegando a convidá-los para uma turnê.

Shelleyan Orphan tinha potencial incrível – pena que as dificuldades internas e externas faziam com que seus álbuns demorassem a sair. Caroline Crawley tinha uma voz pura e forte, que ficava em algum lugar entre Kate Bush e Liz Fraser (Cocteau Twins). A música, embora ornamentada, foi baseada em torno das curtas mudanças de acordes que Johnny Marr (The Smiths) costumava fazer e o que o The Sundays, mais tarde soube transformar em uma mercadoria vendável.

Century Flower traz a música mais conhecida dos ingleses, Shatter, que à época era acompanhada de um videoclipe muito legal. Pena que a produção ficou muito limpa, numa época as bandas alternativas caminhavam para o oposto. O mesmo erro foi cometido no álbum seguinte, Humroot, de 1992, embora as canções em si sejam ótimas.

Após Humroot, a dupla ficou sem lançar material novo durante 16 anos, até que em 2008 surge We Have Everything We Need. A pouca repercussão do trabalho fez com Shelleyan Orphan encerrasse a carreira de vez.

Quando o Shelleyan Orphan, os críticos tiveram dificuldades em classificar sua música, mas hoje facilmente os classificariam de neofolk. O nome foi retirado do poema Alastar de Pery Shelley, escrito em 1815.



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