domingo, 29 de abril de 2012

Black Tape for A Blue Girl - A Chaos of Desire (1991)



Black Tape for a Blue Girl é uma banda dos EUA e muito pouco conhecida no Brasil. Nunca teve um álbum lançado no país e provavelmente só terá algum quando a corrupção deixar de existir por aqui. Ou seja, nunca.

Foi formada em 1986, cuja formação muda em quase todos os discos, tendo apenas Sam Rosenthal como membro fixo em todos os discos, sendo ele o fundador da gravadora Projekt Records e produtor de todos os álbuns do BTFBG. Outro membro consistente na banda é Oscar Herrera que participou dos sete primeiros álbuns. Sua música é muitas vezes classificado como "gótico", mas muitos de seus seguidores não estão inteiramente de acordo com este rótulo, tem muito mais elementos de ambient, cabaret, darkwave e dark ethereal.

A combinação de sintetizadores analógicos com instrumentos antigos (que variam de violino clássico para alaúde, cítaras, gaitas de foles, tambores, tibetanos, etc.) dá base para a paisagem melódica dos poemas recitados carregados de melancolia e as letras a cargo de Rosenthal sempre transitando em temáticas de amor, vulnerabilidade, isolamento, solidão, ciúme, perda, etc.

A Chaos of Desire, para mim, é seu álbum mais bonito. Uma verdadeira viagem aos recônditos da alma, perscrutando as nossas emoções mais profundas guiadas por texturas eletrônicas e influências neoclássicas. A sensação de desolamento que estas canções nos causam é impressionante, principalmente em canções como These Fleeting Moments, Tears Love From My Mind, Of These Reminders e Could I Stay the Honest One?. Sorumbático.

 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O álbum “frio” de David Bowie – Station to Station (1976)


Hoje David Bowie é um recluso – abandonou o mundo da música (não faz shows desde 2004 e não grava desde 2003) e sua única preocupação é dedicar-se à pintura, desenho e à família. Mas houve uma época que este sujeito ditava as regras da música e não havia um ano sequer que não deixava de lançar singles e álbuns.

A ida de David Bowie aos EUA em 1975 fez com que sua fama aumentasse mundialmente. Principalmente com o lançamento do álbum Young Americans (1975) – o primeiro a estourar no mercado norte-americano -, o qual incluía seu maior sucesso até então, Fame, uma parceria com John Lennon. Com a fama mundial veio o vício da cocaína que quase o fez pirar.

Station to Station marca o início de sua obsessão pela Alemanha dos anos 1930 e de seu personagem The Thin White Duke: meio almofadinha, frio e pálido. De expressão fechada Thin White Duke criaria polêmica ao chegar a seu país natal, Inglaterra, com a famosa saudação nazista e declarações como: “Hitler foi o primeiro pop star”.


Lançado em 1976, Station to Station foi precedido pelo single Golden Years (composta originalmente para Elvis Presley gravar). O álbum é cheio de canções e arranjos refinados e complexos, onde mistura soul, funk, art-rock. TVC15 mostra o lado mais experimental que Bowie logo desenvolveria com Brian Eno na trilogia Low/Heroes/Lodger. A balada Wild is The Wind é um dos poucos momentos que ele põe emoção na voz.

O álbum só tem seis músicas e dura mais do que 40 minutos, mas é o suficiente para mostrar a grandeza do artista. Tanto o visual de The Thin White Duke quanto às canções deste álbum influenciaria o movimento New Romantic, que surgiria no final dos anos 1970. Duran Duran, Soft Cell e Japan (o visual dândi) são provas incontestáveis.



Quem viu o filme "Eu, Christiane F. 13 anos, Drogada e Prostituida, de 1981, verá David Bowie ao vivo em um show em Berlin cantando Station to Station e também TVC15 é tocada na "Sound", uma discoteca descolada da época.

sábado, 14 de abril de 2012

Eagles - Hotel California (1976)


Poucos conseguiram traduzir de forma tão sincera o espírito do rock californiano da primeira metade dos 1970 quanto The Eagles, banda liderada pelo vocalista e guitarrista/vocalista Glenn Frey e o baterista/vocalista Don Henley.

Foi o primeiro álbum após a entrada do guitarrista Joe Walsh (ex- James Gang) e disparado o maior sucesso comercial do grupo com Hotel California e seu final com o duelo de guitarras – um dos mais belos solos, convenhamos.

O álbum reflete o resultado do estilo de vida hedonista que acometeu grande parcela da comunidade de roqueiros de Los Angeles. A imagem da capa é do Beverly Hills Hotel e traz outras grandes músicas além da faixa título, como o hit New Kid in Town e às não menos belas Victim of Love e Pretty Maids All in a Row. Depois deste clássico a banda entrou em lenta decadência e o emergente punk rock varria do cenário musical os velhos enaltecidos e endinheirados da herança flower power.

A origem da banda remota ao início dos anos 70 quando quatro membros da banda de apoio de Linda Ronstadt formaram um grupo que explorou os vários elementos estilísticos de seus predecessores de L.A. – country, folk, rock – com grande sucesso artístico e comercial.

The Eagles era formado originalmente pelo ex-guitarrista dos Flying Burrito Brothers, Bernie Leadon, o egresso da Motown, Glenn Frey, o ex-baxista do Poco, Randy Meisner, e o baterista texano Don Henley.

Eles eram uma banda de duas guitarras que contava com instrumentos do country, uma base rítmica forte e harmonias bem armadas. No começo (vide o 1º álbum autointitulado) havia uma fascinação, coisa de época, pela religião dos nativos da América e pelos ensinamentos de bruxo Don Juan. Tanto que no dia marcado para a sessão de fotos para a capa do primeiro trabalho, a banda foi até o deserto, preparou uma fogueira, tomou chá de peiote e depois posou para a câmera.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Shelleyan Orphan - Century Flower (1989)


Este duo dos anos 80 apareceu fazendo uma música tipo The Cranberries, antes de estes surgirem, a diferença é que abusavam de arranjos neoclássicos – oboés, clarinetas, fagotes, violoncelos, violinos – em roupagem pop. Caroline Crawley e Jermaur Tayler teciam um pop de veia barroca (hoje seriam chamados de indie-pop) recheado de instrumentos acústicos, com direito a um conjunto de músicos clássicos, logo no primeiro trabalho, Helleborine (1987), que foi precedido do EP Cavalry Of Cloud, de 1986.

Mas é o no disco seguinte, Century Flower, lançado em 1989 pela Rought Trate que atinge seu grande momento. Produzido por Jim Scott e Dave Allen, este último produziu boa parte dos álbuns do The Cure. Aliás, Robert Smith havia tornado um grande fã do duo, chegando a convidá-los para uma turnê.

Shelleyan Orphan tinha potencial incrível – pena que as dificuldades internas e externas faziam com que seus álbuns demorassem a sair. Caroline Crawley tinha uma voz pura e forte, que ficava em algum lugar entre Kate Bush e Liz Fraser (Cocteau Twins). A música, embora ornamentada, foi baseada em torno das curtas mudanças de acordes que Johnny Marr (The Smiths) costumava fazer e o que o The Sundays, mais tarde soube transformar em uma mercadoria vendável.

Century Flower traz a música mais conhecida dos ingleses, Shatter, que à época era acompanhada de um videoclipe muito legal. Pena que a produção ficou muito limpa, numa época as bandas alternativas caminhavam para o oposto. O mesmo erro foi cometido no álbum seguinte, Humroot, de 1992, embora as canções em si sejam ótimas.

Após Humroot, a dupla ficou sem lançar material novo durante 16 anos, até que em 2008 surge We Have Everything We Need. A pouca repercussão do trabalho fez com Shelleyan Orphan encerrasse a carreira de vez.

Quando o Shelleyan Orphan, os críticos tiveram dificuldades em classificar sua música, mas hoje facilmente os classificariam de neofolk. O nome foi retirado do poema Alastar de Pery Shelley, escrito em 1815.