domingo, 22 de janeiro de 2012

Buddy Holly, o primeiro “nerd” do Rock´n´Roll


Charles Hardin Holley em Lubbock – com este nome um artista dificilmente faria sucesso à frente de uma banda de rock´n´roll. Se não bastasse, o visual de nerd também não ajudava muito. No entanto, ao passar a utilizar o apelido Buddy, cortar o “e” de Holley e estar à frente da banda Crickets (os Grilos) – que influenciaria a criação do nome The Beatles -, ele em apenas dois anos produziria um catálogo de canções que provocaria grande impacto nas gerações subseqüentes do rock.

Buddy Holly – como a maioria dos jovens antes do advento do Rock´n´Roll -, tinha o country como a maior influência e a figura de Hank Williams, um modelo a ser seguido. Mas Holly também estava ligado ao R&B e blues, que eram outros ingredientes na receita do rock´n´roll.

Nascido no Texas e cercado por uma família musical, aos cinco anos de idade já participava de programas do tipo “show de talentos”. Ao conhecer Bob Montgomerey em 1955, inicia a dupla Buddy and Bob Show, passando a se apresentar para o público local. Mas tudo mudaria ao conhecer Elvis Presley, quando abriu seus shows em Lubbock e se tonaria amigo do Rei.

No ano seguinte, já como Buddy Holly and the Crickets registra a canção “That´ll Be The Day”, no estúdio do produtor Norman Petty - música pinçada de seu antigo repertório country, numa releitura rock. Foi ela que atraiu a atenção! do selo nova-iorquino Coral/Brunswick, que logo a lançou. Não demorou para o compacto atingir os primeiros lugares das paradas.

Foi o início de uma extraordinária associação entre Holly, Petty (que também se tornou seu empresário e (co-autor da maioria das músicas, prática muito comum entre os produtores na época) e os músicos que integraram os Cricket sem suas diversas formações - os guitarristas Niki Sullivan e Tommy Allsup, os baixistas John B. Maudline Larry Welborn, e o pianista Glen Hardin, entre outros. Sob as batutas da dupla Holly/Petty foram desenvolvidas técnicas pioneiras não só no approach musical - como a simbiose do country com a batida pesada, herdada do r&b e o característico vocal hiccup ("soluçado") de Holly, estendendo-se de seu timbre normal até o falsete -, mas principalmente em termos de técnicas de gravação.

Foram os primeiros a utilizar overdubs em estúdio (a voz dobrada de Holly em "Words Of Love") e outros métodos pouco ortodoxos de gravação (as palhetadas de Holly em primeiro plano e o acompanhamento apenas de tom-tons feito por Allison em "Peggy Sue" ou este último "tocando" os próprios joelhos em "Everyday").

Holly se separaria dos Crickets e em 1958 começaria carreiro solo. Para promover sua nova fase aceitou entrar para a turnê Midwest Winter Dance Party, ao lado de Dion and The Belmonts, Richie Valens e Big Bopper. Viajavam de ônibus (nem sempre em boas condições) enfrentando condições climáticas baixas regidas por neve e gelo.

Em meio à turnê o ônibus chegou a quebrar, Holly desesperado por uma boa noite de sono, alugou um avião particular para a banda chegar até Morehead, Minnesota, o próximo local de show. Após uma disputa para quem iria de avião, tiraram a sorte no velho e bom método de cara ou coroa, Holly, Valens e J. P. Richardson (Big Booper), claro, junto ao piloto, decolaram com em 3 de fevereiro de 1959. Infelizmente, o avião foi encontrado espatifado em um anteparo contra a neve, a treze quilômetros do aeroporto.

O legado de Holly é enorme, ainda mais se levarmos em conta a sua curta carreira. Muitos grupos não apenas seguiram a formação de duas guitarras, baixo e bateria, como também reproduziram o clima das músicas.

Bob Dylan chegou a assistir um dos últimos shows de Holly, Paul McCartney adquiriu os direitos de edição de todo o catálogo do artista e a influência de Buddy Holly estender-se-ia até a New Wave. Elvis Costello que o diga.

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