domingo, 29 de janeiro de 2012

Jesus and Mary Chain - Psychocandy (1985)


Para uns, Psychocandy é um clássicos dos anos 80 que abriu caminho para várias bandas como My Blood Valentine, Chapterhouse, Loop e Spacemen 3, bem como definiu aquilo que ficou conhecido como shoegazer. Para outros, não passa de barulho em três acordes onde mal se pode ouvir a música, devido o “wall of sound” ensurdecedor de microfonia.

O álbum marca a estreia em vinil dos irmãos Reid – Jim e William – que mal haviam saído da adolescência, e contando com o reforço dos amigos Douglas Hart e Bobby Gillespie - o futuro Primal Scream escondido no mini-kit de bateria.

Antes, lançaram alguns singles irretocáveis, “Upside Down” e “Never Understand” – mas não se preocupe os singles dá época foram todos incluídos (mais b-sides e versões ao vivo) na versão deluxe, lançado em 2011.

Em meio à barulheira ácida podemos distinguir influência de surf music (Beach Boys, no caso), reverberações ecos de Suicide, Velvet Underground e a urgência punk do Buzzcoks. Entrementes, há espaço para baladas pop; é o caso de "Just Like Honey", "Cut Dead" e "Sowing Seeds", canções doces como mel.

Os escoceses amansariam sua música no álbum seguinte (“Os ruídos e a microfonia estavam destruindo o grupo. As pessoas só comentavam o barulho que fazíamos, ignorando nossas composições”, Jim Reid), Darklands, outra obra-prima.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Buddy Holly, o primeiro “nerd” do Rock´n´Roll


Charles Hardin Holley em Lubbock – com este nome um artista dificilmente faria sucesso à frente de uma banda de rock´n´roll. Se não bastasse, o visual de nerd também não ajudava muito. No entanto, ao passar a utilizar o apelido Buddy, cortar o “e” de Holley e estar à frente da banda Crickets (os Grilos) – que influenciaria a criação do nome The Beatles -, ele em apenas dois anos produziria um catálogo de canções que provocaria grande impacto nas gerações subseqüentes do rock.

Buddy Holly – como a maioria dos jovens antes do advento do Rock´n´Roll -, tinha o country como a maior influência e a figura de Hank Williams, um modelo a ser seguido. Mas Holly também estava ligado ao R&B e blues, que eram outros ingredientes na receita do rock´n´roll.

Nascido no Texas e cercado por uma família musical, aos cinco anos de idade já participava de programas do tipo “show de talentos”. Ao conhecer Bob Montgomerey em 1955, inicia a dupla Buddy and Bob Show, passando a se apresentar para o público local. Mas tudo mudaria ao conhecer Elvis Presley, quando abriu seus shows em Lubbock e se tonaria amigo do Rei.

No ano seguinte, já como Buddy Holly and the Crickets registra a canção “That´ll Be The Day”, no estúdio do produtor Norman Petty - música pinçada de seu antigo repertório country, numa releitura rock. Foi ela que atraiu a atenção! do selo nova-iorquino Coral/Brunswick, que logo a lançou. Não demorou para o compacto atingir os primeiros lugares das paradas.

Foi o início de uma extraordinária associação entre Holly, Petty (que também se tornou seu empresário e (co-autor da maioria das músicas, prática muito comum entre os produtores na época) e os músicos que integraram os Cricket sem suas diversas formações - os guitarristas Niki Sullivan e Tommy Allsup, os baixistas John B. Maudline Larry Welborn, e o pianista Glen Hardin, entre outros. Sob as batutas da dupla Holly/Petty foram desenvolvidas técnicas pioneiras não só no approach musical - como a simbiose do country com a batida pesada, herdada do r&b e o característico vocal hiccup ("soluçado") de Holly, estendendo-se de seu timbre normal até o falsete -, mas principalmente em termos de técnicas de gravação.

Foram os primeiros a utilizar overdubs em estúdio (a voz dobrada de Holly em "Words Of Love") e outros métodos pouco ortodoxos de gravação (as palhetadas de Holly em primeiro plano e o acompanhamento apenas de tom-tons feito por Allison em "Peggy Sue" ou este último "tocando" os próprios joelhos em "Everyday").

Holly se separaria dos Crickets e em 1958 começaria carreiro solo. Para promover sua nova fase aceitou entrar para a turnê Midwest Winter Dance Party, ao lado de Dion and The Belmonts, Richie Valens e Big Bopper. Viajavam de ônibus (nem sempre em boas condições) enfrentando condições climáticas baixas regidas por neve e gelo.

Em meio à turnê o ônibus chegou a quebrar, Holly desesperado por uma boa noite de sono, alugou um avião particular para a banda chegar até Morehead, Minnesota, o próximo local de show. Após uma disputa para quem iria de avião, tiraram a sorte no velho e bom método de cara ou coroa, Holly, Valens e J. P. Richardson (Big Booper), claro, junto ao piloto, decolaram com em 3 de fevereiro de 1959. Infelizmente, o avião foi encontrado espatifado em um anteparo contra a neve, a treze quilômetros do aeroporto.

O legado de Holly é enorme, ainda mais se levarmos em conta a sua curta carreira. Muitos grupos não apenas seguiram a formação de duas guitarras, baixo e bateria, como também reproduziram o clima das músicas.

Bob Dylan chegou a assistir um dos últimos shows de Holly, Paul McCartney adquiriu os direitos de edição de todo o catálogo do artista e a influência de Buddy Holly estender-se-ia até a New Wave. Elvis Costello que o diga.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

David Bowie - Space Oddity (1969)



Primeira edição sem o título
Space Oddity (Man of Words / Man of Music nos EUA) é o segundo LP de David Bowie, de 1969, no qual se percebe suas primeiras mutações visuais e musicais. Ele abandonava o estilo e visual mod e partia para algo mais próximo ao folk, rock progressivo e vestígios de psicodelia. Na verdade o disco é bem riponga; tanto que alguns críticos referem a essa fase como a “a fase hippie”.

O álbum sempre criou certa confusão, pois seu primeiro lançamento pela Philips trazia um foto facial de Bowie exposta em cima de uma obra do artista Victor Vasarely com manchas azuis e violeta sobre um fundo verde. A capa vinha apenas com o nome David Bowie.

Versão de 1972. Bem diferente do original
Quando o álbum foi relançado como Space Oddity em 1972 pela RCA, um retrato mais recente do período Ziggy Stardust foi exibido na capa. Para a reedição em CD de 1999 a capa original foi restaurado no Reino Unido, embora o novo título fosse adicionado sob o retrato para evitar mais confusão. A edição para o 40th Anniversary também usa a tampa original do Reino Unido, mas reverte para a tonalidade verde original e o título “David Bowie”.

Space Oddity, que abre o álbum, é um de seus maiores sucesso e uma de suas canções mais conhecidas. Inspirada em 2001, Uma Odisséia No Espaço, de Stanley Kubrick, é lançada no dia 11 de julho de 1969, nove dias antes de Neil Armstrong pisar na Lua, em single. A música foi um sucesso, chegando ao quinto lugar da parada britânica e primeiro lugar nos EUA; mas o disco foi um fracasso total.

Quem tem a compilação Love You Till Tuesday, que promovia o filme de mesmo nome, pode-se ouvir a primeira versão de Space oddity, bem mais rústica.
Versão com o título adicionado

O álbum não vive apenas da canção título, outras canções se destacam. Wild Eyed Boy from Freecloud, muito influenciada pelo budismo. Aliás, Bowie pensava seriamente em virar monge budista – sorte nossa ele desistir um mês antes de ter a sua cabeça raspada e fazer seus votos.

Memory of a Free Festival soa nostalgica, trata-se de uma reminiscência de um festival de artes que ele tinha organizado em 1969; também foi interpretada como um comentário irônico sobre a contracultura. O andamento lento e com um crescente coro no final a fez ser comparada a Hey Jude dos Beatles.

Unwashed and Somewhat Slightly Dazed mostra uma forte influência de Bob Dylan. Letter to Hermione é uma balada de despedida dedicado a ex-namorada de Bowie, Hermione farthingale.

Depois deste álbum Bowie lançaria The Man Who Sold the World, outro incrível trabalho, uma mescla de heavy metal com os solos chapantes de Mick Ronson e aparece de vestido na capa.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Calenture (1987) – The Triffids


Os australianos, oriundos da cidadezinha australiana de Perth, do The Triffids neste quinto trabalho atingiram seu melhor momento. A banda no álbum anterior, Born Sandy Devotional (1986), já havia preparado terreno quando soube melhor moldar suas influências de folk, blues, art rock, pop e muito The Doors – em vários momentos baixa um Jim Morrison na voz do líder David McComb; o que fica óbvio em canções como Kelly´s Blues. Calenture também traz a maior concessão ao pop da banda, Holy Water.

O título do álbum, Calenture, significa um delírio tropical que acomete os marinheiros que passam muito tempo longe da terra firme, fazendo-os pular em alto-mar, imaginando que se trata de uma pradaria. Ele traduz perfeitamente o clima alucinatório que permeia as composições de David McComb.

Algumas canções com certo clima blues, cheias de tristeza palpável lembra outro australiano, Nick Cave, principalmente em sua fase The Good Soon. Mas são as baladas pungentes de Bury Me Deep in Love, Blinder by the Hour e What You Can que comprovam toda a beleza deste álbum.

A banda lançaria mais um álbum, The Black Swan, antes de se separar em 1989. McComb tentou estabelecer carreira solo, lançando Love of Will, de 1994. Infelizmente em uma viagem para Nova York, McComb ficou doente, rapidamente voltaria para a Austrália, sendo posteriormente colocado em uma lista de espera para transplantes de coração. Um doador foi descoberto em 1995, e McComb passou por uma operação bem sucedida.

Em 30 de janeiro de 1999, McComb foi hospitalizado após um acidente de carro, ele faleceu em 2 de fevereiro do mesmo ano, enquanto tentava se recuperar.