domingo, 23 de dezembro de 2012

Barbara Dickson - From the Beggar's Mantle...Fringed with Gold



From the Beggar's Mantle...Fringed with Gold, de 1971, é o segundo álbum solo de Barbara Dickson. O que sei sobre esse álbum. Quase nada, mas que disco bonito! É bem aquele estilo folk-rock dos anos 1960 e início dos 1970. É bem melancólico e reflexivo; dá aquela ideia de algo atemporal mantido por agradáveis arranjos mantidos por violoncelo, guitarra, violino e concertina e a guitarra e piano modestos de Bárbara Dickson.

Grande parte das canções foi escrita por Archie Fisher (apenas quatro das onze faixas são de Dickson). No primeiro momento não tem como não lembrar a canadense Judy Collins, porém aqui as canções são mais orientadas para a tradição britânica.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

E o Deep Purple?

Hoje estamos tão perdidos musicalmente que nem sabemos muito bem o que é rock´n´roll. Viram os últimos artistas a entrarem para o Rock And Roll Hall Of Fame?

Tudo bem, a banda canadense, o Rush entrou. Legal? Sim. Mas pô e o Deep Purple? Historicamente muito mais importantes; há anos pessoas esforçam-se para que eles entrem (estiveram entre os 15 finalistas desta última vez), mas nada aconteceu. Deixaram o Jon Lord morrer sem ter essa alegria. Triste.

Donna Summer entrou. Mas ela não era a rainha da Disco? Mesmo que fosse merecido esperaram ela morrer pra isso.  Public Enemy é rock? Albert King, ahh tá, o que seria do rock´n´roll se não fosse o blues...

sábado, 8 de dezembro de 2012

DIIV – Oshin (2012)


DIIV, a banda de Zachary Smith Cole (também guitarrista do Beach Fossils), pertence a classe de grupos, onde as guitarras distorcidas, paredes de som e melodias etéreas, são mais uma vez os principais protagonistas.

E enquanto seu álbum de estreia Oshin  (Captured Tracks, 2012) é uma obra onde a melancolia tem um papel importante, Cole Smith e companhia não se limitam em traçaras apenas as formas musicais do shoegaze , mas incorporar vários elementos melódicos e rítmicos em suas canções, de tons mais obscuros, que  pouco tem a ver com a candura do Dream Pop, por exemplo

E é nestes temas mais brumosos  é justamente onde emergem os momentos mais brilhantes de Oshin, equilibrando componente do passado com um forte senso de experimentação. Claro, muitos deles permanecem ligados à visão romântica do shoegaze (“How long have you known?”, “Human”), mas outros arriscar cruzamento com krautrock (“Air conditioning” e “Druun, PT. II”) ou o The Cure mais lânguido (“Oshin (Subsume”) parece uma musica descartada do Desintegration.

No entanto, longe de perder a coerência com esta referência cruzada, DIIV dá sentido para o disco, unificando assim a sua proposta neste ecletismo musical, como em letras que aprofundam na volatilidade da existência humana, onde termos como “dream”, “fading” ou far away” são constantemente repetidos.

Enquanto muitas bandas contemporâneas assumir um som shoegaze ou dream pop em uma faceta mais branda e óbvia (dêem uma olhada no catalogo da Captured Tracks), DIIV constrói pontes entre diferentes gêneros, recuperando a essência da música no princípio de 1990: pop experimental e barulhento, mas, ao mesmo tempo, etérea e emotiva.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Rihanna - Unapologetic



E Rihanna lançou mais um álbum, Unapologetic. O Visual mais do mesmo, postura de cantora sexy rebelde – regras básicas de rainhas, princesas do pop. E, como todas outras cantoras badaladas, se trancou no estúdio com seus produtores também baladados e compositores bem sucedidos. Gente pé no saco como David Guetta, StarGate e Benny Blanco. Claro, participações de outros chatos descolados como Eminem, Ekko Mikky e, só para criar polêmica e ti-ti-ti, Chris Brown – um idiota total. Pior é que a mulher, vende e vende muito!

O primeiro single foi “Diamonds”, letra escrita por Sia Furler, a música chegou em primeiro lugar nos EUA. E o que isso significa? Dinheiro, muito dinheiro. Esta canção é uma das poucas que se salva no álbum, sinceramente.

Unapologetic é o sétimo álbum da cantora de Barbados. É um trabalho “atrevido” dentro do que se espera do mainstream: manda umas canções pop aqui, outro mais eletrônica ali e as baladas para seguir a tradição.

É o tipo de cantora quando ficar mais velha (ela só tem 24 anos), e não ter muito mais o que dizer (como se ela tivesse), vai lotar estádios no Brasil e ficar dizendo “eu amo o Brasil”.

Veja a capa Unapologetic, talvez antes de ser trabalhada. Um fã enviou-a para o site oficial da Rihanna.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Gabrielle Aplin, mais uma cantora para você enjoar




Gabrielle Aplin aos 14 escreveu sua primeira canção, Ghosts. Aos 17, escreveu a faixa-título de seu primeiro EP. Com a mesma idade, ela montou seu próprio selo, Never Fade Records. Logo, já tinha uma agenda planejada para sua primeira turnê ao redor do Reino Unido. Aos 18, havia lançado dois EP`s e, aos 19, seu single de estréia pela Parlophone Records - um cover de Frankie Goes to Hollywood para “The Power of Love” – entrou em 5º lugar nas paradas de sucesso do Reino Unido e atinge o primeiro lugar no iTunes da Inglaterra.

Com mais de 13 milhões de visualizações de seus vídeos no YouTube, feitos para os seus três EP´s três anteriores (2,5 milhões de pessoas viram a canção Home ), o álbum de estreia da britânica Gabrielle Aplin está prevista para a março de 2013. O single “Please Don't Say You Love Me” será lançado em 10 de fevereiro.

 E aí você vai ouvir a música da moça para entender a ascensão rápida da novata e percebe que sua música não tem nada demais! Ok, a garota é simpática, tem uma voz legal, e a música é bonitinha. Mas quantas cantoras não existem por aí como ela? Existem aos montes!

Antigamente o que chamava atenção musical era ser diferente, hoje é ser lugar-comum. Grava-se uma música, depois faça um vídeo, põe no youtube e pronto: é só aguardar. Foi-se o tempo em que o artista ralava demais para ter a chance de gravar seu primeiro single, Beatles que o digam.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Coockoo - Cosmoventura (2012)


A coisa está russa, ainda bem, porque só têm surgido bandas legais por lá. Portanto, Coockoo não foge à regra. Com o recente primeiro trabalho lançado, Cosmoventura, logo rendemo-nos a faixa de abertura, a hipnótica Ne Disсotheque.

A banda é formada por Maria Melnikova (vocal e teclados), Evgeny Orlov (bateria, backing vocal e teclados), Egor Kosarev (guitarra) e Petr Krykin (guitarra e teclados). Surgiram a uns dois anos em Moscow e pouco se sabe sobre eles.

Tudo começou quando chamaram a atenção com o single provocativo Groupies Anthem (FUCK), lançado em 2009, que trouxe popularidade instantânea dentro da cena musical alternativa russa.

domingo, 25 de novembro de 2012

Candi Staton, uma diva do soul que não é Whitney Houston



Candi Staton é uma dessas cantoras que começou a carreira cantando soul, no final dos anos 1960, e depois tentou pegar carona na Disco Music, com um sucesso aqui e outro ali para depois desaparecer e voltar décadas depois cantando gospel ou viver de velhos hits.

Sua fase soul é a melhor, o que faz com que concentremos nossa atenção em seus primeiros álbuns – I´m Just a Prisoner (1969), Stand By Your Man (1971), Cândi Staton (1973) -, porém em 1976 ela entrou na onda da Disco Music e comete “Young Hearts Run Free”, seu maior hit, levando-a competir, por um curto período de tempo, com as “rainhas da Disco” ao lado de gente como Donna Summer e Diana Ross.

O que importa é que durante anos ela foi uma incrível cantora soul. No entanto, nunca ganhou a fama que merecia – era muito cult, lado B, ou mesmo underground. E a moça não ficou milionária, chata, com o ego nas alturas, vendendo milhões de álbuns para depois descer ao inferno das drogas. Coisas que aconteceram com gente como Whitney Houston, reconhecida como diva do soul e do R&B.

Que o mundo é injusto, todos nós sabemos. Whitney Houston lançou muitos álbuns seguindo fórmulas muito mais direcionadas para o pop pasteurizado do que para o soul. Tudo bem, Houston tinha uma ótima voz. Que mais?

Quem saiu perdendo fomos nós. Os discos de Candi Staton antigos não são reeditados facilmente – tudo que se encontra, às vezes, é alguma coletânea.  Esta cantora nascida no Alabama não conheceu nem metade da fama de Houston, sendo que seu talento era bem superior. Ambas tiveram origem no soul e cantavam em igrejas, flertaram com a Disco Music e ambas com seus vocais requintados.

Candi Staton ainda é viva. Sua música hoje é mais voltada par ao gospel – e ainda canta bem demais. Caso morra (isso acontecerá com todos nós), não vai ser aquela babação como aconteceu com Whitney Houston, onde a mídia explorou muito mais sua decadência psicológica e física do que sua música, seu talento – e tivemos que ficar ouvindo I Will Aways Love You toda hora.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ozzy Osbourne, fanático pelos Beatles




Ozzy Osbourne sempre foi fã declarado dos Beatles e nunca escondeu a sua admiração. Uma de suas maiores alegrias foi quando conheceu Paul McCartney pessoalmente. “Paul McCartney é o meu herói. Beatles significa tudo para mim”, diz Osbourne. “Para mim, os Beatles continuam a ser um dom de Deus”.

Ozzy tinha uma irmã que era grande fã dos Beatles, e fantasiava ela saindo com McCartney e tendo um filho com ele. Ozzy também diz que quando Lennon morreu disse “meu mundo parou”. Nunca chegou a conhecer Johnn Lennon, nem George Harrison.

A primeira vez que falou com McCartney foi em uma festa de aniversário de Elton John. Ozzy diz em sua autobiografia que depois chegou a trocar vários emails com Paul. Ozzy também disse que Paul McCartney chegou a rejeitar a tocar baixo em uma de suas músicas. Segundo Ozzy, Paul disse que não poderia improvisar na música em questão.

Abaixo a versão de Ozzy Osbourne para In My Life dos Beatles



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Como éramos ridículos


Lembro quando o Guns N´Roses veio pela primeira vez no Brasil, foi no Rock in Rio II, 1991, época em que lançaram Use Your Illusion. Apesar de já estarmos na década de 90, ainda existia aquela coisa de que shows internacionais era coisa de outro mundo e os rockstars eram uma espécie de semideuses em que todos seus desejos por mais ridículos eram atendidos. Hoje tudo isso mudou, o Brasil há anos é incluindo no circuito de shows internacionais.

Então, lá estava eu assistindo a TV Globo; sim dependíamos da Globo para assistir shows, afinal, não havia youtube (também era internet discada), MTV parece que começava por aqui e se caso havia na tv aberta pegava mal demais. O repórter (não me lembro o nome do sujeito), um sujeito visivelmente mal informado, a todo o momento fazia chamadas para o show do Guns´n´Roses. Com os olhos arregalados dizia “daqui a pouco gente, o o Guns N´Roses! É a primeira vez que uma banda no AUGE DO SUCESSO vem ao Brasil. Isso nunca aconteceu antes.”

Agora vamos traduzir o que ele realmente quis dizer: o Brasil é um país fudido que antes do Guns só vinham bandas em fim de carreira ou que estava em decadência no primeiro mundo. Agora Axl Rose, se você puder me pegar de jeito, eu quero.

Eu disse que ele era mal informado né. Sim, porque várias bandas já haviam vindo aqui e não estavam em decadência e nem em fim de carreira. Eu mesmo fui ao show do Quiet Riot em 1985 e eles ainda vendiam muito bem e colhiam os frutos do sucesso. O próprio Queen quando veio em 1981, não era o auge, mas também não estavam em decadência. O Iron Maiden no primeiro Rock in Rio, de 1985, havia lançado o álbum Powerslave aproveitando a boa fase da banda.

Ai em baixo o Guns N´Roses quando era uma banda legal, embora os caras eram os sujeitos mais chatos do mundo, só perdendo para o Metallica. O público era bem ridículo, pareciam um monte de retardados, aplaudiam até as cusparadas do palco dos músicos.

sábado, 27 de outubro de 2012

Klaus Schulze


"Eu ponho minha alma em minha música"
                                                  Klaus Schulze



Klaus em 1969 ainda no Psy Free
Eu relutei e ainda reluto em falar de Klaus Schulze, porque sou consciente que não tenho gabarito para falar de um músico de sua importância. Schulze ao lado de Edgar Froese (Tangerine Dream) foram os principais músicos pela música eletrônica moderna – ambos foram vistos como os “mestres da Escola de Berlim”, considerados os pais do Trance, Techno, dark ambient e até mesmo new age – o que mais me chateia são as pessoas quando se fala em música eletrônica pensam logo em DJ´s como se música eletrônica fosse criação deles.

Klaus Schulze tem uma discografia imensa em mais de 40 anos de carreira e, como ele mesmo diz, dedica a fazer música horas por dia. Quando garoto teve aulas de guitarra na escola, por cerca de seis anos, depois passou para a bateria – seu irmão era baterista de jazz. Foi como baterista que ele entrou para sua primeira banda, Psy Free, banda a qual chamou a atenção de Edgar Froese, principalmente o baterista, logo Schulze entrava para a banda que Froese acabara de formar, o Tangerine Dream.

Após gravar um único álbum com o Tangerine Dream, Klaus fundou ao lado de Manuel Göttsching o Ash Ra Tempel. Em 71, ele começou a se interessar por teclados, mas não sabia tocar, embora quisesse muito tentar algo novo e começou a experimentar. No mesmo ano lançaria Irrlich, o começo de uma série de álbuns maravilhosos.

Klaus Schulze foi o primeiro artista a fazer versões de clássicos da música erudita para em uma linguagem eletrônica, o primeiro a criar a misturar ópera com música eletrônica e o principal precursor do chamado Space Music.

Contracapa do álbum Moondance, de 1977
Quando conheci a música de Klaus Schulze

Quando eu era pré-adolescente conheci a música do Tangerine Dream, nem imaginava à época que Klaus Schulze tocou na banda. Lá no início dos anos 80, eu estava numa loja de disco e me deparei com um pôster enorme de um sujeito com visual hippie tocando teclado e em volta de uma aparelhagem enorme cheia de botões; lembrava o computador da batcaverna.

Eu havia lido no pôster: Klaus Schulze; guardei o nome. Nessa época havia um programa de música eletrônica no qual tocava todos os malucos dá época, inclusive os famosíssimos Kraftwerk. Lá, ouvi Klaus Schulze e sai de órbita. Sem exagero: era como se minha alma queria sair do corpo. Obtive algumas informações sobre o artista nesse programa, que infelizmente durou pouco. Não havia internet e revistas de rock (que eu colecionava) raramente falava dele. E mesmo hoje com a internet você não acha quase nada sobre Klaus Schulze em português.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Quando a máquina de escrever substitui a bateria





Em 1963 Janis Joplin se mudou para a cidade de San Francisco, onde ela se tornou conhecida. Lá, ela conheceu muitos músicos com os quais ficou amiga e uns amantes como Ron "Pigpen" McKernan (mais tarde membro do The Grateful Dead), e gravou um disco na casa de Jorma Kaukonen (futuro guitarrista do Jefferson Airplane) e Margareta Kaukonen na máquina de escrever (como instrumento de percussão). Foi nesse período também que ela começou a entrar em contato com a droga e caiu em um estado de abandono, com peso de 35 quilos.

Margareta Kaukonen 
The Typewriter Tape é o nome do álbum caseiro, hoje um bootleg raríssimo, gravado a 25 de junho de 1964. Bom, mas Margareta Kaukonen usou ou não a máquina de escrever como bateria? Não foi bem assim – pelo menos não foi intensional. Ela, no momento, estava escrevendo uma carta enquanto Janis e Jorma estavam tocando. Tanto ao ouvir o áudio percebe-se não um acompanhamento e sim o barulho natural de digitação.

Margareta Kaukonen era uma artista plástica e poeta e foi responsável por algumas capas de álbuns do Hot Tuna.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Eles realmente gostavam de tocar



Os caras do Grateful Dead passaram a vida quase toda em cima do palco. Eles se davam bem mesmo fazendo shows, tanto que seus trabalhos considerados os melhores estão incluídos dois ao vivo: Live/Dead (1969) e Europe (1972). Dizem que nunca conseguiram transmitir a magia das músicas ao vivo para o estúdio. Claro que é meio exagero, há álbuns maravilhosos de estúdio como American Beauty (1970) e Workingman´s Dead (1970).

Grateful Dead tem mais álbuns ao vivo do que de estúdio. São verdadeiras viagens de improvisação, músicas que originalmente têm 3 ou 4 minutos, ao vivo passam a chegar a ter 40 minutos ou mais, como Dark Star. Portanto, os shows chegavam a durar até 5 horas de duração.

A banda também deixava os canais da mesa de som para quem quisesse "piratear" seus shows. Portanto, são a banda que mais tem discos ao vivo e bootlegs. Um exemplo é a série Dick´s Picks que totalizam 34 CD´s, muitos são edições duplas, triplas ou quádruplas. Tem também a série da turnê européia de 1972 que são 60 discos! Vá somando aí...

Tem outras, a The Golden Road, Road Trips e umas que nem sei o nome.

No youtube você ainda acha vários shows ao vivo para assistir. Assista um aí:

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Loyce & Os Gnomos




Hoje sabemos que o rock nacional é bem comportado - comportado até demais! Mas nem sempre foi assim.

Loyce & os Gnomos é do tempo em que fumar maconha era legal. Eles faziam um rock psicodélico atrevidamente avançado em termos de Brasil, o que significa que o único compacto (era assim que se chamavam os singles à época) duplo lançado por eles, não vendeu nada.

Despertar dos Mágicos é o nome do único registro, lançado pelo selo Do-Re-Mi em 1969, e mais recentemente resgatado pelo Vale Verde Records em 2011, apenas 500 cópias foram feitas em vinil.

Pouco se sabe sobre eles. Uns dizem que são de Ribeirão Preto; outros afirmam que são de Limeira. O certo é que as guitarras cheias de pedais de  fuzz e wah-wah era muito doido para a geração Jovem Guarda.

Além do compacto duplo, há duas faixas deles na coletânea Brazilian Guitar Fuzz Bananas, selo de um brasileiro radicado em Nova York, Joel Stones. São elas Era uma nota de 50 cruzeiros e Que é Isso?. Doido.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Amon Duul II - Made in Germany (1975)


Este é o último grande disco do Amon Duul II, uma das principais bandas do Krautrock. Anteriormente eles haviam lançado um álbum muito ruim chamado "Hi-Jack" (1974). Porém no ano seguinte saiu "Made in Germany", o melhor da fase pós-freakout. Após os primeiros discos esquisitos (experimentais) o Düül tentou ser mais como uma banda de rock convencional com canções mais curtas, que soam muito bem no rádio, o que às vezes funcionou muito bem (“Wolf City”) e às vezes não tão bem (“Hi-Jack”)

Made in Germany é talvez a primeira ópera-rock germânica. LP duplo na época conta a história de um tal Sr. Kraut que é sequestrado por alienígenas no Egito e é levado a um outro planeta. Lá, ele para em um zoológico onde encontra pessoas importantes para a história alemã como o Barão von Richthofen, Otto Lilienthal, Wilhelm II, Ludwig II, Walther von der Vogelweide e Eva Braun. Essas pessoas formam uma banda de krautrock, na bateria uma figura carimbada: Adolf Hitler. Em seguida, eles retornam para a Terra pra conquistá-la, só que as coisas não dão muito certas.

As canções são mais curtas e mais estruturadas do que as improvisações sonoras do início, e contou com orquestrações e uma série de músicos convidados. É o último com Renate Knaupp - observe ela na capa do álbum vestida de Germânia.

Por algum motivo as canções e a vibração do álbum me fazem pensar que Jefferson Airplane, se não tivesse implodido em uma névoa de drogas e egos, estaria fazendo em 1975. Porque Renate Knaup é o Slick Graça teutônica! Sua voz tem a mesma beleza gélida.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Lábios de Crioulo


“Lábios de Crioulo” não gostava do apelido, não porque era racista, mas se sentia ofendido porque as outras crianças pronunciavam o apelido em tom jocoso. Sua mãe para consolá-lo dizia para ele: “Esquenta, não, filho. Quando você crescer, as mulheres vão adorar”.  Não é que foi verdade? O menino cresceu, lidera uma das maiores bandas de rock do mundo e ficou famoso por ter pegado uma quantidade enorme de mulheres.

Ele não é mais conhecido como “Lábios de Crioulo”, mas como Steven Tyler, vocalista da banda Aerosmith que está detonando desde 1973, quando lançaram o primeiro álbum e nele já tinha um puta hit “Dream on” – que só foi fazer sucesso anos depois.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Elton John dos bons tempos


Poucos se lembram da febre Elton John nos anos 1970, o cara vendia milhões de álbuns, era manchete de várias revistas de música, andava com os grandes rockstars da época, gente como Marc Bolan e John Lennon. Elton vivia a aristocracia do rock.

Naquela época seu estilo de tocar piano estava mais para Jerry Lee Lewis do que Richard Clayderman de hoje. Elton John, na década de 70, era visto como um artista de rock – isso mesmo, época que ele ainda tinha cabelo e usava aqueles óculos exóticos. Depois, anos 80, o cara afastou do rock e mergulhou de vez nas baladas xoroposas. Como quase todos artistas de sua geração passou a lançar álbuns cada vez mais esporadicamente – excetuando Neil Young, que chega a lançar até dois álbuns de inéditas por ano!

Goodbye Yellow Brick Road é o sétimo álbum de estúdio (e primeiro álbum duplo), de Elton John , lançado em 1973, enquanto a arte da capa nos remete ao Mágico de Oz. Nele, encontra-se quatro de suas canções mais famosas: Candle In The Wind (dedicada a Marilyn Monroe), Bennie & The Jets, Goodbye Yellow Brick Road e Goodbye Yellow Brick Road.

Elton John estava em sua melhor fase artisticamente e comercialmente falando, portanto Goodbye Yellow Brick Road tornou-se um marco de sua fase de ouro, não só porque é uma obra-prima, mas porque é um registro que mostra várias facetas de Elton, onde é capaz de combinar diversos estilos (rhythm and blues, rock sinfônico, hard rock e baladas pop).

O melhor de tudo é que este não era um disco duplo premeditado, mas simplesmente Elton começou a escrever canções até que ele percebeu que tudo encaminhava para um álbum duplo.

O álbum abre com Funeral For A Friend (Love Lies Bleeding), a canção mais longa de Elton, com mais de 10 minutos, um rock sinfônico primoroso; Saturday Night's Alright For Fighting é praticamente um hino ao Hard Rock; Bernie And The Jets é uma pérola do glam-rock; e como o disco foi gravado na Jamaica, acabou aparecendo o reggae Jamaica Jerk-Off.

Goodbye Yellow Brick Road" é muitas vezes considerada a maior obra-prima de Elton John, embora alguns fãs preferem o Captain Fantastic ou às vezes Blue Moves (outro álbum duplo). É em qualquer caso, o topo da glória, sem dúvida, que reinou no rock dos anos 70, a ponto de representar até 2% da indústria da música.

Por ocasião do trigésimo aniversário em 2003, este álbum é acompanhado por um CD / DVD do making off do álbum duplo .

sábado, 1 de setembro de 2012

Deixe sua mente te levar com Wild Nothing


Há alguns anos atrás Wild Nothing surpreendeu meio mundo com Gemini gerando um hype no universo indie mais que merecido. Agora lançam Nocturne, um álbum que não tem nada a dever ao seu antecessor, na verdade, é um trabalho muito mais compacto e consistente, mas também muito mais melancólico e introspectivo.

Refinado e polido, Nocturne é uma colcha de retalhos cuidadosamente construído de sintetizadores nebulosos, Dream Pop e guitarras inesquecíveis. Um “defeito” que percebi é a homogeneidade do álbum, o que pode cansar um pouco os ouvidos. No entanto, se você for uma pessoa muito imaginativa sua mente pode viajar nas cativantes melodias.

Ouvir Wild Nothing é como aquela sensação que nos dá após apanhar uma leve chuva numa tarde de domingo, enquanto o Sol tenta timidamente arriscar estender alguns raios solares ou um arco-íris criar uma ponte de sonhos.
 

The New Barbarians



The News Barbarians foi uma banda de curta duração, tendo como líderes Keith Richards e Ron Wood. Na verdade existiu apenas para fazer alguns shows. Um dos motivos era porque Keith Richards tinha que cumprir sentença imposta a ele no Canadá em 1978 por posse de heroína; outro motivo era promover o novo álbum solo do amigo Ron Wood,  Gimme Some Neck.

Além dos guitarristas dos Rolling Stones, a banda contava com o baixista Stanley Clarke, o tecladista Ian McLagan (ex-Faces), o velho amigo de Richards, Bobby Keys no saxofone e o baterista Joseph Zigaboo (The Meters).

Em 1979 se apresentaram no festival de Knebworth, no qual também se apresentou o Led Zeppelin. Um registro (para sorte nossa) de um show em Maryland foi lançado em 2006 pela gravadora de Wood em CD-duplo e LP tripo com o título Buried Alive: Live in Maryland.

Aí em baixo está um video legal de baixa qualidade. Se não gostar vá ouvir essas bandas de playboys de bermudão, barbicha, cheio de músculos e tatuagens que deve ser sua praia. Mas não vem dizer que essas merdas é rock´n´roll.


domingo, 26 de agosto de 2012

Língua de Trapo, lembra?

Os Mamonas Assassinas foi uma banda legal? Sim, claro. Mas bem antes deles, existiu uma banda muito engraçada chamada Língua de Trapo, que infelimente poucos se lembram. Eles viviam no universo independente, desde que surgiram em 1979 em meio à vanguarda paulista.

Eu conheci a banda ouvindo rádio (isso lá por volta de 1983), isso em uma época que jovem não ouvia forró, sertanejo e outras cafonices. As letras falavam muita bobagem apenas para fazer rir, mas também tinha um lado político de esquerda (sim, existia esquerda naquela época), pois viviamos sob a ditadura militar.

O Língua de Trapo chamaria atenção da massa pop em 1985, quando participaram do MPB-Shell com a música “Os Metaleiros Também Amam” – eles foram vaiados, mas não estavam nem ai. Antes que digam que a banda Joelho de Porco já seguia a linha de humor, não eram um grupo assumidamente humorístico. Muito se deve a mente de Laert Sarrumor, que além de músico, é jornalista, escritor, dublador (lembra do ratinho Topodidio? A voz era dele).

Agora vamos rir

sábado, 18 de agosto de 2012

Wonderworld (1974) - Uriah Heep


Uriah Heep é banda que existe desde o início dos anos 70. Grande parte dos álbuns é uma mistura de Hard Rock com Rock Progressivo, embora teve uma fase mais AOR e outra Heavy Metal. A fase mais expressiva foi entre 1971 a 1974 quando alcançaram grande sucesso e lançaram os discos mais significativos. Era a formação clássica que contava com David Byron (vocais), Mick Box (guitarra), Ken Hensley (teclado), Gary Thain (baixo) e Lee Kerslake (bateria).

Apesar do álbum Demons and Wizards (1972) ser considerado seu clássico absoluto eu sempre tive um sentimento especial pelo álbum Wonderworld, que alguns consideram até um trabalho fraco, levando em consideração o sucesso dos anteriores.  Mas é um disco tão bonito! Lembro de uma moça (época em que eu usava orkut), ela tocava numa banda de rock, e, em uma dessas comunidades de música, ela falava da faixa que abria e dá nome ao álbum, Wonderworld, de como é maravilhosa. Verdade, ao ouvi-la, animamos a escutar o restante do álbum, que não decepciona em momento algum.

Wonderworld é um álbum que hoje soa muito mais profundo e nostálgico. Destaca também por ser um trabalho mais melódico e onde David Byron canta lindamente (naquela época os cantores, para serem aceitos em uma banda, tinham que ter belas vozes). Mick Box também se destaca bastante nesse álbum, com sua guitarra cheia de efeitos wah wah.

The Easy Road, com seus belos arranjos de cordas, considero um dos grandes momentos do Uriah Heep. Outros destaques são a longa I Won´t Mind e Suicidal Man.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Judy Collins - True Stories and Other Dreams (1973)


Eu tive a oportunidade de ler o livro “Crônicas - Vol.1”, de Bob Dylan, e lá ele diz que Judy Collins surgiu bem depois de Joan Baez. A história não é bem essa. Bob que deve ter conhecido a música da cantora lá para 1966. Verdade que Baez fez sucesso primeiro que Collins, mas a diferença entre a estréia fonográfica entre as duas é de apenas 1 ano.

Joan Baez lançou seu primeiro álbum, Vanguard, em 1960, e Judy Collins estreou com “A Maid of Constant Sorrow”, em 1961.

Judy Collins, nascida em Seattle (EUA), iniciou sua carreira aos 13 anos, tocando piano clássico, antes de se apaixonar pela música folk de artistas como Woody Guthrie e Pete Seeger. Nos primeiros álbuns cantava canções folclóricas tradicionais ou canções escritos por outras pessoas - em especial os de protesto da época, tais como Tom Paxton , Phil Ochs e Bob Dylan .

No decorrer dos anos 60, ela começou a ramificar para além do folk, experimentando com pop, rock e Standards da música norte-americana. – há uma curiosa versão de “In My Life” dos Beatles, no álbum “In My Life em 1966. Seus melhores trabalhos concentram-se entre o final dos anos 60 e início dos 70.

True Stories and Other Dreams, de 1973, é um deles. Lançado após um hiato de dois anos (ela costumava pelo menos lançar um álbum por ano), portanto, entre as noves faixas, cinco eram canções originais. O álbum é lindo e um dos mais tranqüilos. Abre com Fishermen Song, uma cativante canção sobre pescadores. Secret Gardens é sobre sua avó, mas um dos grandes momentos está em Ann Holly escrita para sua irmã mais nova. Song for Martin é uma elegia a um amigo que havia cometido suicídio.

Como muitos outros cantores populares de sua geração, Collins foi atraída para o ativismo social. Seu idealismo político também levou a compor uma balada intitulada Che, uma canção longa e magnífica.

Judy Collins não é muito conhecida no Brasil, mas nunca é tarde para reparar o atraso. E “True Stories and Other Dreams” é uma boa iniciação a esse universo de músicas simples e repletas de emoção.

sábado, 4 de agosto de 2012

Vá ouvir o disco!




Billy Corgan já era. Billy Corgan tenta salvar o que restou do The Smashing Pumpkins. O Smashing Pumpkins parece uma banda cover de si mesma. Não. Não é nada disso. Oceania é um puta disco. Não tem nenhuma música ruim. É tudo maravilhoso.

Pesado, melodioso, emotivo, sujo, alegre, triste. É tudo isso junto. Billy Corgan é o cara.

Panopticon. The Celestials. My Love is Winter. Pale Horse.Fica difícil escolher qual é a melhor. E a épica Oceania com mais de nove minutos? E no final, depois de tanta emoção à flor da pele, o novo trabalho do Smashing Pumpkins fecha com a enigmática Wildflowers.

Vá ouvir o disco!


domingo, 29 de julho de 2012

Era tudo Heavy Metal farofa


Lá pela metade dos anos 80 apareceram bandas que traziam uma nova releitura do glam-rock. Exagerando mais ainda no visual, e um som mais pesado, do que seus modelos dos anos 70, o estilo, portanto, passou a ser chamado de glam-metal.

Enquanto o New York Dolls pareciam travestis sujos e malvados e tocavam um rock and roll de garagem, a nova turma glam estava mais para boneca barbie e lavavam os cabelos com Grecin 2000 – daí o termo Hair Metal, na verdade um termo depreciativo. O pessoal do Trash Metal tachava-os de posers ou falso-metal. Bobagem! A música muitas vezes não passava de um Hard Rock pomposo, com muitas power ballads.

Por outro lado, desenvolveu-se nesse meio um outro subgênero o Pop-Metal - bandas com visual menos andrógino e com letras visando menos sexo, bebedeiras e festas. Talvez a banda que melhor traduz esse estilo seja os ingleses do Def Leppard. Eles começaram com uma pegada bem New Wave of British Heavy Metal (NWBHM), mas, aos poucos, foram se adaptando cada vez mais à música pop radiofônica. Era uma versão mais comportada do glam-rock, misturando-se com o rock de arena e AOR dos anos 70. Tira as guitarras dessas bandas. Coloque teclados no lugar. E o que vira? Boys bands.  Bandas que seguiram essa linha são: Firehouse, Warrant, Europe e Autograph, entre outras.

No início da década de 90, com apogeu do grunge e do rock alternativo, tanto o glam-metal e o Pop-Metal entrou em decadência. Poucos sobreviveram como Bon Jovi, que souberam adaptar ao estilo pop de FM e dar uma mexida no visual. Mas a maioria pendurou as guitarras como Nitro, Poison, Cinderella, White Lion, etc.


Mas entre 1985 a 1988 o sucesso desses dois estilos foram tão grandes que até bandas consagradas no Heavy Metal, para conquistarem o mercado norte-americano,  começaram a adaptar o visual (hair metal), recheando seus álbuns de baladas, teclados e muita pose. Ozzy Osborne (fase Ultimate Sin), Judas Priest (fase Turbo), Kiss (Animalize) e Whitesnake foram artistas ingleses que entraram nessa onde por um curto período.

Abaixo algumas bandas de ambos subgêneros do Heavy Metal, embora muitas vezes esse estilos se misturavam.

Bandas de Glam-Metal

Twisted Sister

Nitro
Cinderella
Steel-Panther

Madam X

Bandas de Pop-Metal


Europe
Firehouse
Warrent


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mick Jagger faz 69 anos




Hoje é aniversário de Mick Jagger, agora Sir Mick Jagger, desde que fora condecorado pela rainha Elizabeth II. Um dos maiores showman da música, além de ser um grande cantor e compositor. Também não se pode ignorar que Mick sempre foi muito antenado às novas tendências da música e da moda – o cara acompanhou tudo que surgiu desde o final dos anos 50. Conheceu Little Richards ainda no auge, visitou os Beatles enquanto gravavam o álbum Revolver, rebolou nas discotecas (Studio 54), e fez questão de conhecer Marc Bolan à época do T. Rex, o que o fez adotar um visual glam por um período.

Portanto, o mais vaidoso dos Stones foi homenageado pelos badalados do Maroon 5, com a música Moves Like Jagger.É muito legal, e mostra várias fases do boca-de-borracha. Além de mostrar várias pessoas brincando de ser Mick Jagger.



De todos os membros do Rolling Stones, é ele que sempre procurou mais se atualizar musicalmente. Tanto que recentemente montou o supergrupo Super Heavy ao lado de Damian Marley, Joss Stone, Dave Stewart e o indiano A.R. Rahman.



Jagger além de partir para uma carreira solo nos anos 80 também se enveredou pelo cinema - Performance (1968), Ned Kelly (1970). Freejack (1992), Bent (1997) e The Man From Elysian Fields (2001).

Agora, aproveitando o ano de comemoração do cinqüentenário dos The Rolling Stones, o jornalista Christopher Andersen lança livro com cara de polêmica, “Mick: The Wild Life and Mad Genius of Jagger” (“Mick: A Vida Selvagem e o Gênio Louco de Jagger”) no qual revela que ele teve encontros amorosos com David Bowie e a princesa Margaret, irmã da rainha Elizabeth da Inglaterra.


Quanto ao lance com David Bowie não é novidade para quase ninguém. Ângela Bowie, ex-esposa de David Bowie, já havia dito no livro Backstage Passes (1993) que havia pegado Mick e Bowie na cama.

Maldoso mesmo foi Keith Richards, na autobiografia Vida (2010) ao dizer que o pirulito do Mick era pequeno – ele já pediu desculpas ao amigo. Mas pior foi quando disse uma vez, quando estavam gravando na Jamaica, que Mick saia à noite procurando por negões! Ah... A gente sabe que ele sempre gostou de uma neguinha, mas negão, Sir Jagger?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Não reclame da duração dos shows de rock

Hoje, às vezes, ouvimos algum pentelho reclamar que o show de algum grupo de rock foi muito curto, que a banda tocou apenas por uma hora, e, portanto, se acha injustiçado por isso. Aí, fico pensando... se tal sujeito tivesse vivido nos anos 70, época na qual, lá pro meio do show, você tinha que agüentar enormes solos de bateria – uns duravam até uns 30 minutos como era o caso de John Bonham do Led Zeppelin – e depois era a vez do guitarrista mostrar serviço – e lá se vai mais 10, 20 minutos. E quando o baixista também resolvia fazer suas gracinhas no baixo? Gene Simmons do Kiss era um desses. Portanto, você em média assistia pelo menos uns 30 minutos de pura enrolação.

Eram assim os shows de rock até meados dos anos 80. Hoje ainda se vê solos de bateria e guitarra em shows, principalmente bandas de Hard Rock e Heavy Metal; no entanto, bem mais curtos. Esses exibicionismos musicais começaram com os power trios no final dos anos 60 e teve seu auge na primeira metade de década de 1970. Até bandas de rock progressivo gostavam de exibir virtuosismo; era o caso do Emerson, Lake & Palmer, por exemplo.

Assista abaixo algumas enrolações







domingo, 22 de julho de 2012

Eletrocutados (ou quase) pelo Rock´n´Roll


No mundo do rock não foi só as drogas e a bebedeira que levou muito artista bom para o outro lado. O Rock´n´Roll  por meio de seus instrumentos elétricos já eletrocutou alguns sujeitos legais, e outros deixaram marcas indeletáveis. Vou falar de alguns que lembro terem sidos eletrocutado por seus instrumentos. Sei que tem muito mais, mas minha memória não anda lá grande coisa.

Keith Relf
Keith Relf
Keith Relf não é um nome muito famoso, mas sua banda Yardibirds sim. Foi nessa banda de blues (pelo menos no início) que passou três guitarristas famosos: Erick Clapton, Jimmy Page e Jeff Back. Relf foi o vocalista e gaitista do grupo. Ele saiu banda em 1970 e junto a outro ex-Yardbirds, Jim McCarty fundou o Renaissance – aquela banda famosa de folk-progressivo, mas com uma formação totalmente diferente daquela com Annie Haslam.

Como a antiga formação durou apenas dois álbuns  - The Renaissance (1969) e Illusion (1971) -, Keith Relf, em 1975, montou uma banda bem diferente, seguindo uma orientação hard rock. Era o Armageddon. Logo depois de lançar um único álbum com a banda, Relf foi encontrado morto em seu estúdio caseiro, eletrocutado pela sua guitarra.

Gary Thain
Gary Thain – Era baixista da fase áurea do Uriah Heep, famosa banda de hard rock dos anos 70 – hoje eles ainda insistem com a carreira. Esse quase morreu em cima do palco devido a um choque violento em uma apresentação em Dallas. Mas o que o matou, anos depois, foram as drogas. Dizem que ele pegou medo de palco depois do ocorrido.

Leslie Harvey – Era irmão de Alex Harvey, líder da famosa banda Alex Harvey Band. Este morreu em pleno palco em 1972.


Ace Frehley – O mais famoso guitarrista mascarado do Kiss. Ace por pouco não morreu eletrocutado em pleno palco em 1976 ao pisar num cabo de iluminação em curto-circuito. Ele chegou a desmaiar no palco.

O choque acabou virando música em suas mãos: Shock Me, escrita e cantada por ele. Está no álbum Love Gun, de 1978.



quinta-feira, 19 de julho de 2012

Quando Paramahansa Yogananda pirou a cabeça de Jon Anderson do Yes




Qualquer fã do Yes sabe que Jon Anderson sempre gostou de hinduismo – o cara chegou a dizer que foi morador de Atlântida, curandeiro na China e professor de piano na França. Só que em 1973, Jon entretido com a leitura do clássico “Autobiografia de um Yogue”, publicado em 1946, de Paramahansa Yogananda, exagerou na dose e afastou Rick Wakeman, um convicto cristão, que não estava curtindo nada daquelas ideias. Dizem que também que Wakeman estava mais preocupado com sua carreira solo em ascensão.

Depois do lançamento de Close to the Edge (1972), o cantor Jon Anderson estava procurando um tema para a composição de um álbum ambicioso. Uma noite, em março de 1973, durante a turnê no Japão para promover o último álbum, Anderson encontrou-se “preso ao rodapé da página 83” de Autobiografia de um Iogue por Paramahansa Yogananda , que descreve quatro shastras: escrituras que cobrem religião , arte, vida social, medicina, música e arquitetura. Anderson foi apresentado ao livro de Yogananda na recepção do casamento do ex-baterista do Yes, Bill Bruford, por Jamie Muir, o percussionista King Crimson.

O álbum que se chamaria Tales from Topographic Oceans foi oncebido em quatro longas peças The Revealing Science of God (Dance of the Dawn): Shruti; The Remembering (High the Memory): Smriti; The Ancient (Giants Under the Sun): Puranas; e Ritual (Nous Sommes du Soleil): Tantras.

O álbum não vendeu o esperado e muito menos repetiu o sucesso de Close to the Edge. A crítica, em sua maioria, desse o pau no trabalho até hoje. Exagero, o álbum é muito bom, o que acontece é que se generalizou que o trabalho é ruim, e muitos nem têm o cuidado de ouvi-lo com a atenção que merece.

Pior que a maioria dos membros do Yes não curtiram Tales from Topographic Ocean, tanto que Rick Wakeman pulou fora; apenas Steve Howe teve um pouco mais de aceitação com as viagens espirituais de Jon Anderson.

Fico pensando: será que Yogananda iria gostar do álbum? Pode ser... Títulos como “A Ciência Reveladora de Deus” parece até nome de livros do mestre iogue.  As letras de Jon demonstram que ele entendeu muito bem os ensinamentos de Parahamansa Yogananda. Pelo menos Jon Anderson está salvo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O rock´n´roll vai acabar quando o The Rolling Stones e o AC/DC pendurarem as chuteiras


Às vezes eu acho que o rock´n´roll vai acabar com o fim de bandas como o AC/DC e The Rolling Stones. Ambos os grupos já tão bem velhinhos; tudo bem que os caras do AC/DC são bem mais novos do que qualquer Stone, no entanto, convenhamos, eles agüenta por quanto tempo fazer aquele som super elétrico e inquieto? Pois é, um show do AC/DC exige muito mais dos integrantes do que dos Rolling Stones.

E Angus Young? Com 57 anos de idade ele agüenta se manter frenético até quando em cima do palco? A gente sabe que não existe nada mais eletrizante do que um show do AC/DC. É bom lembrar também, no caso do Rolling Stones, que Mick Jagger mantém o rebolado nos shows por quase duas horas.

Os Rolling Stones têm 50 anos de carreira, o AC/DC 40 anos, a diferença não é tanto assim. Ambas as bandas falam em lançar álbuns novos – é a velha desculpa para sair em turnê. O AC/DC diz que tocará aqui no Brasil em 2013 (última turnê?)

Quem representará o rock´n´roll para a massa pop? (no underground sempre existirá bandas de rock) O U2? Grande banda, mas eles têm muito mais de pop do que de rock. Nem penso em citar Coldplay - aquela banda que faz música com Rihanna. Recentemente descobri que ela é do signo de Aquário, o que significa que pelo menos algo nela presta.

E não é que os Rolling Stones já se encontrou com o AC/DC na Lick Tour (2003)?


sexta-feira, 22 de junho de 2012

A grande estreia da banda Suede




Esqueça a esquisitice da arte da capa*. Foi feita apenas para impressionar. Era o ano de 1992 e o grunge ditava as regras do mercado, principalmente nos EUA. Mas o Suede vinha com algo bem diferente, nem era bem Britpop; pelo menos no início a imprensa taxava-os de neo-glam. Ok. A influência de David Bowie em sua fase Ziggy Stardust sobressai, juntando-se a isso os Smiths, uma pitada de Beatles e temos o Suede.
           
O primeiro disco, Suede, entrou direto no primeiro lugar, na segunda semana já tinha recebido disco de ouro, sendo a mais bem-sucedida estréia de uma banda desde Frankie Goes to Hollywood. Antes de lançar qualquer compacto, já estava na capa da Melody Maker, muito também devido às declarações de Brett Anderson à imprensa, que buscava chamar a atenção a todo custo, soltando bobagens como “um homem bissexual que nunca teve uma experiência homossexual”.

Foto original do álbum
Foto original
O auto-intitulado Suede entrou nas paradas britânicas em primeiro lugar, vendeu mais de 100.000 cópias na primeira semana. Apesar de todo hype, a banda era muito boa e não tenho dúvidas que sempre serão lembrados como uma das melhores bandas da década de 90.

A banda à época era formada pelo afetado Brett Anderson (vocal), Bernard Butler (guitarra), Mat Osman (baixo) e Simon Gilbert (bateria).
           
* A foto da capa foi tirado do livro, de 1991, Stolen Glances: Lesbians Take Photographs editado pela Tessa Boffin e Jean Fraser. Em sua totalidade mostrava uma mulher beijando um conhecido em uma cadeira de rodas.


domingo, 17 de junho de 2012

Viajando pelo espaço cósmico com o Tangerine Dream





Considerado por muitos como o primeiro clássico do Tangerine Dream, os sons interplanetários de suas quatro longas faixas, nos mostram que eles estavam anos-luz de sua época (estamos falando do início dos anos 70). Aqui a música é espacial, hipnótica, quase estática, guiada por sintetizadores Moog. Pois, a ideia era estender as notas o máximo possível – algo que nos lembra os Beatles em “A Day in the Life”, na qual em seu final grandioso, a intenção era a mesma.

O álbum, pela sua estranheza, não foi valorizado na época, mas hoje vemos sua influência principalmente no que se chama hoje de Dark Ambient – ou qualquer outro artista que buscou se enveredar pela space music. Originalmente lançado em LP duplo, Zeit (significa tempo) é o terceiro álbum da banda e o primeiro a dar um passo para fora do krautrock dos trabalhos anteriores.

Zeit, lançado em 1972, foi gravado no estúdio de Dieter Dierks (ele colocava tudo quanto é maluco no estúdio), perto de Colônia, e também contou com a participação de Florian Fricke, do Popol Vuh. Um dos melhores entre os primeiros álbuns da banda, Zeit foi entusiasticamente defendido no Reino Unido por John Peel e foi um grande avanço musical para o Tangerine Dream.


A banda na época era formada por Edgar Froese (único membro permanente), Chris Franke, Peter Baumann e Steve Schroyder – este último aparece em Zeit como músico convidado, mas ele chegou a ser considerado membro permanente, pois tocou no álbum anterior Alpha Centauri e só foi convidado a se retirar da banda devido a seu alto consumo de drogas.

É um clássico dos primórdios da Space Music. É bom ouvi-lo imaginando que estamos fazendo uma viagem pelo espaço cósmico entre nebulosas e buracos negros. Quando eu tiver meu telescópio, já tenho minha trilha sonora para observar as estrelas.



domingo, 10 de junho de 2012

Especial Keane


Parte II


O álbum de estreia Keane, Hopes and Fears, veio ao mundo a 10 de maio de 2004, um dia antes de o grupo começa uma turnê mundial. Em sua primeira semana de venda já era número 1 no Reino Unido e torna-se o álbum mais vendido do ano, conquistando nove discos de platina na Grã-Bretanha. Até agora já vendeu mais de 5,5 milhões de cópias em todo o mundo.

Keane ganhou dois Brit Awards em fevereiro de 2005: Melhor Álbum Britânico para o “Hopes and Fears” e Artista Revelação. Três meses depois, Tim Rice-Oxley ganha o prêmio Ivor Novello de o melhor compositor do ano.

Como membros da fundação beneficente Make Poverty History, Keane toca “Somewhere Only We Know” e “Bedshaped” no concerto do Live 8, realizado em Londres em 2 de julho de 2005. Eles também são patronos da War Child, e em setembro de 2005, gravam uma versão do clássico de Elton John “Goodbye Yellow Brick Road” para o álbum de caridade Help: “A Day in the Life”. Anteriormente gravaram uma versão de “The Sun Ain't Gonna Shine Anymore” do The Walker Brothers, sendo disponível apenas em MP3 no site da War Child e, em seguida, em um single de vinil.

Em abril de 2005, na metade da turnê de “Hopes and Fears”, o grupo começou a gravar seu segundo álbum, “Under the Iron Sea”, com o produtor Andy Green, que havia trabalhado com eles em seu primeiro álbum. Keane então recruta Mark "Spike" Stent para mixá-lo. O LP é gravado entre Helioscentric Studios em Rye (East Sussex, Inglaterra) e The Magic Shop Studios, Nova York.

“Under the Iron Sea” foi precedido pelo vídeo de “Atlantic” e o single “Is It Any Wonder?”, que chegou ao terceiro lugar no Reino Unido. A canção foi um das finalistas no Grammy da categoria de Melhor Interpretação Pop Vocal, em 2007.

O álbum foi lançado em junho de 2006 e também foi número 1 na Grã-Bretanha. Um ano depois eles já tinham vendido mais de 2.200.000 cópias. Os singles seguintes foram “Crystal Ball” (n º 20 no Reino Unido) e “Nothing in My Way”.

Em 2007, Keane lança outro single em prol da War Child, “The Night Sky”. Durante a os shows quando apresentava esta canção, Jesse Quin tocava com o grupo. Anos mais tarde se tornar um membro definitivo da banda.

Mesmo antes de aparecer “Under the Iron Sea”, o Keane começou uma segunda turnê mundial, mas em agosto de 2006, Tom Chaplin admiti que tem problemas com álcool e drogas e entra para uma clínica de reabilitação. A banda teve que cancelar alguns shows e adiar outros até que o cantor receba alta, o que aconteceu em outubro daquele ano.

Em 7 de julho de 2007, Keane toca no Estádio de Wembley, em Londres, como parte dos grandes concertos do Live Earth, cujo objetivo é denunciar o aquecimento global.

Em março de 2007, Chaplin e Hughes afirmam que querem um som mais orgânico em seu terceiro álbum e, pela primeira vez, contará com guitarras. A partir deste registro, Jesse Quin se junta ao grupo como músico de estúdio. Ele toca baixo, percussão, guitarra e sintetizador e faz vocal.

Em agosto de 2008 sai “Spiralling”, primeiro single do novo álbum. Se “Hopes and Fears” foi dominado pelas baladas conduzidas por piano e “Under the Iron Sea” tende um pouco para o rock eletrônico, “Spiralling” é mais pop, com sintetizadores e, pela primeira vez, guitarra elétrica.
                         
O LP “Perfect Symmetry” é lançado em outubro e também conquista o primeiro lugar na Grã-Bretanha, bem como o posto sétimo nos EUA. Em novembro, Keane inicia sua terceira turnê mundial.

Em 2 de abril de 2009, Keane se torna o primeiro grupo a fazer um show em 3D, que foi filmado no Abbey Road.

O próximo single é “Better Than This”. Keane grava uma versão de “Disco 2000”, hit da banda Pulp, para o álbum de 50 º Aniversário da Island Records.

Em 10 de maio de 2010, lança o EP “Night Train”, que se torna sua quarta vez consecutiva atingindo o nº. 1 no Reino Unido. O álbum, com oito canções, foi gravado durante a turnê de “Perfect Symmetry”. Em duas de suas canções, “Stop for a Minute” e “Looking Back”, participa o rapper somali-canadense K'naan. O EP também inclui uma versão “You've Got to Help Yourself”, do Yellow Magic Orchestra, e tem participação nos vocais da japonesa MC Tigarah. Em outra de suas músicas, “Your Love”, os vocais ficaram a cargo do tecladista e compositor Tim Rice-Oxley. Para promover “Night Train”, Keane fez uma nova turnê.

Depois de finalizar a turnê do Mt. Desolation (projeto de Tim Rice-Oxley e Jesse Quin), Keane começa a preparar seu quarto álbum. Em fevereiro de 2011 é anunciado que Quin tornar-se-ia o quarto membro oficial da banda.


A gravação no Sea Studios, de Tim Rice-Oxley, em Polegate, East Sussex, é onde o quarto álbum é concluído, em janeiro de 2012, e as mixagens são finalizadas quase um mês depois. Antes da publicação, Keane começa a anunciar as primeiras datas de sua próxima turnê mundial.

O novo álbum “Strangeland” é colocado à venda em 7 de abril, precedido pelo single “Silenced by the Night”. Um segundo single, “Disconnected”, tem o vídeo dirigido pelo cineasta espanhol Juan Antonio Bayona e foi rodado em Barcelona.

Keane é uma banda de pop/rock que não se preocupa em fazer alarde sobre sua carreira nem com suas vidas pessoais – o problema de Tom Chaplin com drogas foi mantido o mais discreto possível –, nem ficam dizendo que é a “banda do momento” ou iria fazer “disco revolucionário”.



domingo, 3 de junho de 2012

Especial Keane

Parte I



Esta é a história de três amigos do sudeste da Inglaterra que conquistaram o mundo com sua música; em suas primeiras gravações, o piano dominava nas composições e não tinha guitarra. Até agora, todos os seus discos têm atingido o primeiro lugar em seu país, e vendeu milhões de cópias no mundo todo. Com seu novo álbum, Strangeland tornaram-se oficialmente um quarteto e podem repetir o sucesso alcançado por seus predecessores.

Keane vem de Battle, East Sussex (Inglaterra) e o trio formado em 1997 consta de Tim Rice-Oxley (piano e vocal), Tom Chaplin (vocais, guitarra), Richard Hughes (bateria, percussão), recentemente foi incluído, Jesse Quin (baixo), que já tocou com eles durante a turnê de 2007. A formação original também incluía o guitarrista Dominic Scott, que deixou a banda em 2001.

O som de Keane distingue-se pela utilização do piano (ou sintetizador) como o principal instrumento em detrimento da guitarra, o que os diferencia da maioria das bandas de rock. Até agora, eles já venderam mais de 10 milhões de álbuns em todo o mundo.


A história do grupo começa com a amizade de Tom Chaplin (nascido em março de 1979) com o irmão de Tim Rice-Oxley , também chamado Tom e alguns meses mais novo do que o futuro cantor do Keane . As mães de ambos também se tornaram amigas. O pai de Chaplin, David, foi diretor de uma escola em Robertsbridge, East Sussex (de propriedade da família), por vinte anos. Os três foram para a mesma escola até a idade de 13 anos. Mais tarde, eles estudaram em Tonbridge School, em Kent, onde se Rice-Oxley conheceu Dominic Scott. Logo os dois descobrem o interesse em comum por musica. O futuro baterista da banda, Richard Hughes , também estudou em Tonbridge, mas nenhum deles consideravam a possibilidade de dedicar integralmente à música.

Em 1993, enquanto estudava na UCL (University College London), Rice-Oxley forma uma banda de rock com Scott e convida Hughes para tocar bateria. O grupo se chamava The Lotus Eaters, tocava covers de suas bandas favoritas: The Beatles, U2 e Oasis.

Depois de ouvir Tim Rice-Oxley tocando piano em Virginia Water (Surrey), em 1997, Chris Martin o convida para integrar a banda que tinha acabado de formar, o Coldplay. Mas Rice-Oxley declina da oferta porque não queria deixar o The Lotus Eaters.

Ainda 1997, Tom Chaplin se junta à banda, tomando o lugar de Rice-Oxley como vocalista. Naquela época, o grupo mudou o nome para Cherry Keane, sugestão de uma amiga da mãe de Chaplin que os conhecia desde quando eram crianças. Quando ela morreu, devido ao câncer, deixou o dinheiro para a família de Chaplin, que serviu de ajuda ao cantor sobreviver até obter êxito com a banda. Pouco depois o nome foi encurtado para Keane.

No verão de 1997, Chaplin vai para a África do Sul para trabalhar como voluntário em um ano sabático. Suas primeiras experiências foram refletidas posteriormente na postura do Keane na campanha Make Poverty History – no Brasil é conhecida como Campanha Global de Ação Contra a Pobreza. Em seu retorno à Inglaterra, em julho de 1998, junta-se ao grupo um pouco mais tarde e estream no pub Hope & Anchor.

Nesse mesmo ano, Chaplin vai para Universidade de Edimburgo para estudar história da arte, mas logo deixou o curso para viver em Londres e convencer seus companheiros de que deviam se dedicar exclusivamente à música. Assim começaram a atuar pelo circuito de bares em Londres em 1998 e 1999.

No final de 1999, e sem sequer ter um contrato, Keane grava seu primeiro single promocional, Call Me What You Like, através de seu próprio selo, Zoomorfos. Eles venderam 500 cópias em seus shows e bares para onde iam após os concertos. Em fevereiro de 2011 sai o segundo single, Wolf at the Door, dos quais apenas 50 exemplares foram produzidos em CD-R. Ambos os singles tornaram-se itens cobiçados por colecionadores.

This Is The Last Time, segundo single
Devido ao sucesso limitado na época, Scott decide sair do grupo. Poucos meses antes, a banda havia sido convidada pelo produtor James Sanger para gravar em seus estúdios, em Les Essarts (França). Eles gravam várias canções, entre agosto e novembro de 2001, entre as quais estão Shaped e This Is the Last Time. É durante essas sessões que eles tiveram a idéia de usar o piano como instrumento principal, já que o guitarrista havia saído da banda.

Everybody´s Changing, o single
Depois de voltar para a Inglaterra, mesmo sem contrato, Keane volta a tocar em pequenos clubes até que em um deles, no Betsey Trotwood (Londres), Simon Williams, da Fierce Panda Records, o mesmo que havia descoberto o Coldplay, assiste o show, gostou tanto que ofereceu a publicação comercial do single Everybody's Changing. Colocado à venda em 12 de maio de 2003, provocou uma verdadeira guerra de selos querendo assinar com a banda. A reputação ao vivo Keane ganha a atenção da mídia e com o single provoca uma pequena guerra entre várias gravadoras que queriam assinar com eles. O grupo acaba decidindo pela Island Records, no verão de 2003.

O próximo single, This Is the Last Time , é lançado em outubro de 2003 e foi o último pela Fierce Panda Records. Com essa música, a banda começa a conseguir reconhecimento na Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

Em fevereiro de 2004, o Keane lança o primeiro single pela Island, Somewhere Only We Know, que chegou a terceira posição na lista de singles mais vendidos no Reino Unido. É reeditado em maio Everybody's Changing alcançando o 4 lugar na Grã-Bretanha.