domingo, 11 de dezembro de 2011

Dorothy Ashby - The Rubaiyat of Dorothy Ashby (1969)



O Rubaiyat de Dorothy Ashby é seu disco mais espiritual, muito devido ao efeito da ainda recente morte de John Coltrane, em 1967 - o mais místico dos músicos de jazz. Ele que havia aberto caminho para um jazz mais espiritual, tendo sua influência reforçada ainda mais a espiritualidade em Pharoah Sanders e Alice Coltrane, já existente.

Rubaiyat dava sequência à parceria entre Ashby e Richard Evans (Afro-Harping, de 1968). A riqueza instrumento é maravilhosa, com Stu Katz tocando kalimba e vibes, Fred Katz kalmba, Cash McCall guitarra, Cliff Davis saxofone e Lenny Druss flauta oboé, baixo e piccolo. Ashby, por sua vez, aparece com sua harpa, o koto (instrumento japonês) e sua bela voz.

O álbum é conduzido por um ritmo hipnótico, exótico, ao mesmo tempo suave. Nele, encontramos soul, jazz, rock, bossa-nova, funk e um groove que nos remete ainda ao inexistente hip hop. Os arranjos de cordas a cargo de Evans, além de embelezar as canções, ajuda a criar um clima oriental e místico. Interessante, é que todos esses ritmos aparecem, às vezes, em uma mesma música. Clássico!

Dorothy Ashby foi uma artista singular. Nasceu na cidade de Detroit, em 1932, e bem jovem demonstrou talento para o piano. No entanto, estava em busca de um som diferente, e se empenhou a encontrá-lo um pouco mais tarde quando se decidiu a abandonar as teclas e enamorar-se da harpa.

Não há muitos exemplos de destaque de mulheres harpistas voltadas ao jazz - excetuando Adele Girard -, Ashby dedicou sua vida para preencher esse buraco com determinação e talento. Ainda mais, porque o início dos anos cinqüenta, com o advento da estética do bebop, acrescentou-se mais um desafio às mulheres. Decidida, ao lado de seus mais conhecidos e celebrados companheiros do sexo masculino, que arrasavam com saxofones, trompetes e pianos, ela impôs sua harpa – apesar da resistência de seus companheiros do Trio Ashby.

Ao lado de Alice Coltrane, Ashby é a maior harpista negra do jazz, levando seu instrumento a ir além do jazz, unindo-se também ao R&B, o soul e a música oriental – a utilização do koto, um instrumento japonês, o que pode ouvir neste Rubaiyat e no qual utiliza-se de guitarra, aproximando-a muito do jazz-rock (fusion).

Dorothy Ashby no Brasil é praticamente uma desconhecida. Mesmo tendo colaborado com artistas famosos como Louis Armstrong, Diana Ross, Dionne Warwick, Earth, Wind & Fire e Stevie Wonder. Além de ter música sampleada por artistas de hip hop – Ugly Duckling, Murs e Pete Rock.

Dorhty também se dedicou ao teatro, escrevendo todas as letras e fazendo todos os arranjos das canções nas peças que produzia junto ao marido. Sua harpa é destaque na canção "Come Live With Me", que está na trilha sonora para o filme de 1967, “O Vale das Bonecas”.

Ashby morreu de câncer a 13 de abril de 1986, em Santa Monica, California , 53 anos.



Um comentário:

Mary Joe disse...

Bela homenagem a alguém que além de ter uma voz linda, tocava harpa!
Sempre penso em harpa como uma linguagem divina. Uma forma de estar perto de Deus.

Imagino (ou pelo menos tento imaginar) como deve ter sido dificil o caminho dela.
Mas se chegou onde queria, certamente venceu.
Parabéns Cláudio, por mais essa oportunidade de mostrar pessoas taõ legais e desconhecidas para pobres mortais feito nós.
beijokas
Mary