sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Serge Gainsbourg – Percussions (1964)


O mundo é meio injusto mesmo. Lembro quando Paul Simon apareceu com o álbum Graceland (1986), as pessoas ficaram maravilhadas com a participação de músicos africanos e suas percussões exóticas – alguns desavisados acharam super original. Mas Serge Gainsbourg em 1964 já havia feito um álbum, como já diz o título “Percussions”, repleto de tambores africanos combinando com seu estilo jazzístico da primeira fase de sua carreira.

Pois é, estamos falando de 1964, e Fela Kuti, o músico nigeriano – o cara que uniu o jazz a música africana -, nem sonhava em gravar seu primeiro álbum; devia estar batendo tambor lá na sua terra. E o termo afrobeat só seria criado na década de 1970.

Tudo isso é para dizer que Serge já estava à frente de sua época. “Percussions” é o sexto álbum do sedutor francês e o que ouvimos é: percussão, coral, percussão, às vezes violão, percussão, às vezes um pouco de baixo, percussão, saxofone, e percussão.

Pelo que sei, Gainsbourg colocou doze cantores no álbum e quatro percussionistas e nos leva a uma viagem percussiva não só pela África Negra, mas para várias partes do mundo – World Music ainda não existe.

“Joanna”, a primeira faixa, nos leva para a atmosfera dos bares enfumaçados de New Orleans, “Coco & Co”, que fecha o álbum, traz ambiente de clube de jazz de alto nível, enquanto “Sambassadeur” é o carnaval do Rio de Janeiro. Falando em Brasil, “Ces Petits Riens” é quase uma Bossa Nova. Poucos momentos lembram as baladas jazzy com orquestrações tradicionais dos álbuns anteriores, é o caso de “Machins choses”.

É claro que neste trabalho, Gainsbourg foi influenciado pelo LP “Drums of Passion” (1959) do nigeriano Babatunde Olatunji, chegando a “roubar” a melodia de “Akiwowo (Chant To The Trainman)”, transformando-a em “New York – U.S.A.”. Mas mesmo pegando algumas coisas emprestadas aqui e acolá, é tudo mesclado aos elementos da chanson francesa, o que dá um sabor único às canções.

Um comentário:

Mary Joe disse...

Grande artista, e grande post.
Adorei Cláudio!
Beijokas
Mary Joe