segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Black Sabbath - Technical Ecstasy (1976)


Às vezes para curtir certos álbuns temos que esquecer qual é a banda e procurar analisar o trabalho em si. Este é o caso de Technical Ecstasy do Black Sabbath. Os fãs deveriam esquecer que se trata da famosa banda precursora do heavy metal e os que sempre desdenharam o estilo musical do grupo procurar ouvi-lo por outro ângulo.

Technical Ecstasy é considerado o pior trabalho do Black Sabbath com Ozzy Osbourne nos vocais. - uma ladainha que vem se repetindo desde o final dos anos setenta sem uma análise mais detalhada. Talvez porque foi quando ocorreram às gravações do álbum que as brigas internas – principalmente entre Ozzy e Iommi – se intensificaram e também o álbum não trazer nenhum grande hit ou uma faixa que marcasse época, como ocorreu nos trabalhos anteriores. Ou seja, nada de riffs antológicos nos moldes de Iron Man, War Pigs, Children of the Grave e Snowblind.

Technical Ecstasy dá sequência às experimentações progressivas que vinham desde Sabbath Bloody Sabbath, com a inclusão maior de teclados. À época tinha Rick Wakeman, desta feita Gerald Woodruffe comanda os arranjos orquestrais.
O álbum, em algumas canções, Ozzy sai das costumeiras vocalizações injuriadas e se arrisca uns vocais rasgados como na faixa de abertura Back Street Kids e Dirty Women com suas várias mudanças de andamento.  Aliás, mudanças de ritmos em uma mesma canção são características que sempre estiveram presente na banda, mas em Technical Ecstasy é algo fabuloso, basta ouvir Gypsy e All Moving Partis (stand Still).

Em Rock´n Roll Doctor, o Black Sabbath se arrisca em um rock´n´roll bem ao estilo Blue Öyster Cult e dos sulistas do Black Oak Arkansas, banda com a qual vinha excursionando juntos.

A balada chorosa She´s Gone, com arranjo orquestral, causou estranheza e talvez até repulsa aos fãs mais radicais. Mas é na faixa It´s Alright que o Black Sabbath soa diferente de tudo que  já fizeram até então. Com um arranjo à la Beatles, a música é cantada pelo baterista Bill Ward, que além de ser uma linda balada, Ward surpreende com uma bela voz. Iommi também não deixa por menos, e a enriquece com lindo solo de violão.

Fato interessante, é que a canção foi vista apenas como um exercício de estúdio, Ozzy não a cantou por não estar legal no dia, embora ele aprovasse o vocal de Bill Ward.

A capa foi feita pelo Hipgnosis, responsável pela maioria das capas do Pink Floyd e Led Zeppelin. Ilustração que sugere o acoplamento de dois robôs. Osbourne preferiu ser mais enfático, descrevendo-a como “dois robôs que fodem em uma escada rolante”.

Ozzy deixou a banda logo após o lançamento do álbum por um período. Voltaria para as gravações do trabalho seguinte, Never Say Die! Mas não ficou até o final. Iommi o expulsou da banda por causa de seus excessos de álcool e drogas. Ozzy também andava de saco cheio das egotrips jazzísticas de Iommi – reparem a faixa Break Out de Never Say Die! e diga se aquilo é Black Sabbath.

Um comentário:

Mary Joe disse...

Tá. Eu calo minha boca antes de dizer que não gosto de Black Sabbath. Confesso que tinha total preconceito, por causa do Ozzy Osbourne e suas pirotecnias na midia.

Mas essa música que vc colocou é bem bonita. Gostei muito.
E seu texto, como sempre ficou legal.
É bom perder preconceitos descabidos.
Obrigada por isso.
Beijokas
Mary Joe