domingo, 25 de setembro de 2011

Procol Harum – Procol Harum (1967)


O Procol Harum tem uma coleção de álbuns maravilhosos e lindas canções como “Homburgo”, “A Salty Dog” e “Song for A Dreamer”, mas sempre serão lembrados principalmente por terem feito uma das musicais lindas que o mundo já ouviu: “A Whiter Shade of Pale”. A canção foi lançada em 12 de maio de 1967, tendo como tema um poema surrealista escrito por Keith Red e música de Gary Brooker que se inspirou em uma peça clássica de Johnn Sebastian Bach (Aria em Sol Maior da Suite Nº 3 em Ré Maior).

“A Whiter Shade of Pale” entrou no top dez da Billboard em 15 de julho (décima posição), atingindo a quinta posição duas semanas depois, permanecendo no top 10 durante seis semanas. Somente nos EUA, o single da canção vendeu 1 milhão de álbuns e 6 milhões de cópias no mundo todo.

É considerada a música mais tocada nos últimos 75 anos em locais públicos no Reino Unido (2009). Aparece no 57º lugar na lista das 500 maiores músicas de todos os tempos da Revista Rolling Stone.

Porém, o sucesso do single “A Whiter Shade of Pale” não ajudou muito a elevar as vendas do primeiro LP autointitulado, levando-o apenas a um relativo sucesso na América e Reino Unido. O álbum é uma envolvente fusão de rock psicodélico, blues e influências clássicas com letras fantasmagóricas.

Engraçado é a origem do nome Procol Harum. De todas as fontes pesquisadas, o nome veio de um gato siamês; umas dizem que o bichano era de uma amiga (ou amigo) de Guy Stevens (empresário da banda); outras dizem que o gato era de Keith Reid (poeta que fazia as letras para o grupo). Afinal, de quem era o gato?

A formação que gravou o primeiro álbum era formada por: Gary Brooker (piano e vocal), B. J. Wilson (bateria), Robin Trower (guitarra), Matthew Fisher (órgão) e David Knights (baixo). Este time de músicos produziriam os melhores trabalhos da banda e seguiram juntos por mais três anos.

Mas não é só “A White Shade of Pale” que embeleza o primeiro disco da banda. “Conquistador” é outro hit, só que, vá entender, em 1973, que foi fazer sucesso com outra regravação. “Repent Walpurgis” é outra canção inspirada em Bach, na qual mostra todo grande desempenho dos músicos.

Enfim, o Procol Harum começou muito bem e mantiveram respeito ao longo dos anos 1970 e aos poucos foram dos estúdios e nos palcos raramente aparecem com uma formação diferente, mas sempre com Brooke, que nunca deixou a banda. Uma banda no mínimo curiosa, que inventou uma música baseada em dois teclados e um vocalista com uma voz bem ao estilo Ray Charles.

sábado, 17 de setembro de 2011

The Gathering - West Pole (2009)



Quando a vocalista Anneke van Giersbergen saiu do The Gathering, a primeira coisa que veio à mente foi: agora a banda já era. Esse foi o sentimento não só meu, mas de muitos outros fãs: afinal Anneke foi a melhor vocalista e lançou os melhores álbuns junto ao grupo.

Ainda sobre o efeito do último trabalho de estúdio, Home (2007) – acreditava que era um álbum insuperável – então, fui ouvir em 2009, a estreia da nova vocalista Silje Wergeland, conhecida por tocar na banda Octavia Sperati, que não era lá grande coisa. Ok. Mas você logo pensa: o The Gathering tem o guitarrista René Rutten e seu irmão Hans Rutten na bateria, o que significa que não deixariam a peteca cair. E no mais Anneke nem foi a primeira vocalista da banda. Embora fosse ela quem trouxe novos elementos à banda, afastando da influência do até então Black/Doom Metal praticado por eles – aquelas chatices de vocais guturais – para um som mais atmosférico, progressivo e até com influência de trip hop.

Nesse espírito de desconfiança, fui ouvir West Pole, não esperando muita coisa. O álbum abre com a faixa instrumental "When Trust Becomes Sound", um misto de Sonic Youth com Mogwai num caos sonoro absurdo e meus os olhos já começam a brilhar de alegria, com o sorriso logo aparecendo. Na segunda, “Treasure”, Silje Wergeland aparece com seu vocal – tudo bem que meio imitando Anneke –, no entanto, não tem como não se render: a música é linda! “All You Are” não deixa o pique cair, The West Pole poderia estar em Home perfeitamente e "No Bird Call", com sua atmosfera melancólica, é uma das melhores do álbum.

Há participação da cantora Marcela Bovio (Stream of Passion) em "Pales Traces" e Anne van den Hoogen em "Capital of Nowhere". A guitarra de René se faz mais presente em "No One Spoke" e o álbum fecha magistralmente com “A Constant Run” e seu final maravilhoso. Disco bom é assim, ao terminar de ouvi-lo você fica sem palavras...



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Black Sabbath - Technical Ecstasy (1976)


Às vezes para curtir certos álbuns temos que esquecer qual é a banda e procurar analisar o trabalho em si. Este é o caso de Technical Ecstasy do Black Sabbath. Os fãs deveriam esquecer que se trata da famosa banda precursora do heavy metal e os que sempre desdenharam o estilo musical do grupo procurar ouvi-lo por outro ângulo.

Technical Ecstasy é considerado o pior trabalho do Black Sabbath com Ozzy Osbourne nos vocais. - uma ladainha que vem se repetindo desde o final dos anos setenta sem uma análise mais detalhada. Talvez porque foi quando ocorreram às gravações do álbum que as brigas internas – principalmente entre Ozzy e Iommi – se intensificaram e também o álbum não trazer nenhum grande hit ou uma faixa que marcasse época, como ocorreu nos trabalhos anteriores. Ou seja, nada de riffs antológicos nos moldes de Iron Man, War Pigs, Children of the Grave e Snowblind.

Technical Ecstasy dá sequência às experimentações progressivas que vinham desde Sabbath Bloody Sabbath, com a inclusão maior de teclados. À época tinha Rick Wakeman, desta feita Gerald Woodruffe comanda os arranjos orquestrais.
O álbum, em algumas canções, Ozzy sai das costumeiras vocalizações injuriadas e se arrisca uns vocais rasgados como na faixa de abertura Back Street Kids e Dirty Women com suas várias mudanças de andamento.  Aliás, mudanças de ritmos em uma mesma canção são características que sempre estiveram presente na banda, mas em Technical Ecstasy é algo fabuloso, basta ouvir Gypsy e All Moving Partis (stand Still).

Em Rock´n Roll Doctor, o Black Sabbath se arrisca em um rock´n´roll bem ao estilo Blue Öyster Cult e dos sulistas do Black Oak Arkansas, banda com a qual vinha excursionando juntos.

A balada chorosa She´s Gone, com arranjo orquestral, causou estranheza e talvez até repulsa aos fãs mais radicais. Mas é na faixa It´s Alright que o Black Sabbath soa diferente de tudo que  já fizeram até então. Com um arranjo à la Beatles, a música é cantada pelo baterista Bill Ward, que além de ser uma linda balada, Ward surpreende com uma bela voz. Iommi também não deixa por menos, e a enriquece com lindo solo de violão.

Fato interessante, é que a canção foi vista apenas como um exercício de estúdio, Ozzy não a cantou por não estar legal no dia, embora ele aprovasse o vocal de Bill Ward.

A capa foi feita pelo Hipgnosis, responsável pela maioria das capas do Pink Floyd e Led Zeppelin. Ilustração que sugere o acoplamento de dois robôs. Osbourne preferiu ser mais enfático, descrevendo-a como “dois robôs que fodem em uma escada rolante”.

Ozzy deixou a banda logo após o lançamento do álbum por um período. Voltaria para as gravações do trabalho seguinte, Never Say Die! Mas não ficou até o final. Iommi o expulsou da banda por causa de seus excessos de álcool e drogas. Ozzy também andava de saco cheio das egotrips jazzísticas de Iommi – reparem a faixa Break Out de Never Say Die! e diga se aquilo é Black Sabbath.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Quando Robert Plant tentava se adaptar aos "Anos 80"


No início da década de 1980, Robert Plant embarcou em uma carreira solo a qual buscava diferenciar bastante da sua extinta banda, o Led Zeppelin. Era a busca de uma nova identidade - embora estivesse mais para a falta dela. Optando por um visual Daryl Hall & John Oates, duo que fez muito sucesso à época, o blues, o hard rock e os riffs pesados de guitarra passam longe de seus dois primeiros álbuns, Pictures at Eleven (1982) e The Principle of Moments (1983).

Em Pictures at Eleven, Plant foi assessorado por Phil Collins, Cozy Powell e a guitarra de Robbie Blunt. O que se ouve é uma musica mais tranqüila, um pop sem ser apelativo, cantado em forma suave, mesmo que ainda contenha uns blues, passa bem longe dos gritinhos orgasmáticos carregados de “baby baby baby” que tanto caracterizou o Led Zeppelin.

O segundo, trabalho The Principle of Moments ,não diferencia muito do anterior, inclusive mantém praticamente os mesmos músicos, sendo um pouco mais pop. Nele encontra-se a bela canção "Big Long" com seu belo arranjo de guitarra; a música alcançou o Top 20 nos EUA e Reino Unido. Mas a canção que chegou ao número um da Billboard foi “Other Arms”. "The Mood" é outra faixa que também se destaca.

Robert Plant, hoje, parece não gostar de comentar sobre estes dois álbuns. Lembro que, uma vez, em entrevista, chegou a dizer que não estava sendo ele mesmo: meio perdido, sem direção, tentando se adaptar aos novos rumos que a música caminha a partir de 1980. Ou seja, ele estava tentando se enquadrar à new wave e a um rock mais pop que vinha dominando as paradas de sucesso.

Os vídeos abaixo comprovam bem o dito acima:





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Autumn Tears – The Hallowing (2007)


The Hallowing é o último trabalho da finada banda Autumn Tears. Nele, apenas Ted Tringo permaneceu da formação original. No entanto, a maioria das composições sempre foi dele. Eles que começaram numa linha mais próxima de bandas como Dead Can Dance, Stoa, e Arcana, ou seja, um gótico mais etéreo que aos poucos foram se aproximando do neoclássico até chegar nesse The Hallowing.

O que se houve nas 10 faixas de The Hallowing é um estilo de música mais próximo da clássico e da música de câmara. Observa-se influências de mestres como Back, Brams, Hayden e Mahler. Os fãs antigos não gostaram muito desse direcionamento e muito menos por não ter mais os vocais nem de Erika Swinnich, nem de Jeniffer LeeAnna, cantoras que passaram pelo Autumn Tears. Mas não podemos negar que a voz de Laurie Ann Haus (quem se lembra dela na banda Rain Fell Within?) é excelente e combinou muito bem com o novo direcionamento musical que havia começado no trabalho anterior, Eclipse.

O interessante no Autumn Tears é saber que se trata de uma banda norte-americana, pois sua música nos remete sempre a velha Europa, tanto que eles sempre venderam muito bem por lá, muito mais do qualquer outro lugar. Como em todos seus álbuns, é difícil destacar as melhores canções, mas The Hallowing mereceu dar nome ao CD, e de cola, destaca-se também a abertura com Dies Irae com seu belo coro, o piano melancólico de Keep Me Here, a qual destaca a voz de Laurie ann Haus e The Last King Falls.
Um pouco mais sobre o Autumn Tears – A banda tem origem em dois amigos, Erika Swinnich e Ted Tringo que se conheciam desde os tempos de escola. Fãs de heavy metal e apreciadores de outras expressões musicais que valorizava os estados da Alma, se viram diante de um elaborado projeto musical.

De início, Ted pensou em convidar uma mulher pra recitar poesia sobre a música, mas depois viu que a idéia poderia ser meio chata e resolver que Erika poderia cantar. Assim, surge a saga “Love Poems for Dying Children”, uma longa história que se desenvolve em três CD´s, em act I, II e II. Segundo Erika é sobre o espírito vampiresco da natureza, mas com final feliz.

Desde 1995 a dupla vinha escrevendo as letras para no ano seguinte lançar o Act I de Love Poems for Dying Children. Após o Act II, Erika resolveu deixar a banda para se dedicar a escrever um romance. É quando entra a Jennifer Lee Anna, é quando sai o mini CD “Absolution” e logo após Erika volta à banda. Dizem as más línguas que ela ficou enciumada, pois Jennifer era muito mais profissional. Por sorte, as moças se entendem bem e passam a dividir os vocais no Act III: Winter and the Broken Angel.

Muitos consideram este o melhor trabalho devido os grandes duetos entre as duas.
Em 2001 saiu Eclipse, o último trabalho com Erika (saiu para montar a banda de heavy metal Ignitor) e o grupo acrescenta vários membros, no qual inclui a estreia de Laurie Ann Haus. É nele que a música densa e gótica deixa pouca influência na nova direção neoclassica.