segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Jerry Garcia



Eric Clapton além de ter ficado famoso por ser “deus” (Clapton is God) também ficou conhecido por ter a mão leve (slowhand), mas quem tinha mão leve para tocar era Jerry Garcia, seus solos tranqüilos, viajandões, seguiam uma estrutura jazzística em que você podia ouvir durante horas sem enjoar. Seus dedos deslizavam com desenvoltura pelas cordas da guitarra.

Os shows do Grateful Dead deram fama à banda pelas improvisações que chegavam às vezes durar a noite inteira, ou seja, até ao raiar da manhã. Também os improvisos nas canções não tinham fim! Para se ter uma idéia a música Dark Star chegava a ter mais de 50 minutos de duração algumas vezes. Sim, o Grateful Dead foi uma das bandas que mais fizeram shows nesse planeta, desde seu início em 1965 até a morte de Garcia, em 1995, não pararam. E, claro, com os deadheads (nome dado aos fãs mais radicais) seguindo-os para tudo que lugar.


Todo grande músico cria um estilo inconfundível de tocar, e Garcia não foge a regra. Todo fã reconhece seus solos nas primeiras notas. Nunca foi um guitarrista de tocar de forma estridente, abusando de distorções, seus solos eram tranqüilos - que refletia muito seu jeito de ser -, longos e ao vivo nunca tocava uma música da mesma forma.

Jerry Garcia quando criança teve dois terços do seu dedo direito médio amputado, quando de férias em Santa Cruz, estava com o irmão cortando lenha e não foi ágil o suficiente para tirar a mão na hora certa e o machado decepou seu dedo, ele tinha apenas quatro anos. Como aconteceu com Tony Iommi (Black Sabbath) a falta de um pedaço do dedo acabou influenciando em sua maneira de tocar.

Um ano depois da perda do seguimento de seu dedo, perde o pai afagado em um rio quando pescava. Em 1964, já tinha experimentado LSD, época também de grandes aventuras e com o coração dividido entre a música e as artes (desenho e pintura). Mas foi depois de um acidente de automóvel no qual o jogou para fora da janela, que o fez refletir sobre sua vida e resolveu dedicar integralmente a música.

Sua banda do coração sempre foi o Grateful Dead, mas manteve vários projetos e colaborou com vários artistas ao longo de sua carreira - Jefferson Airplane, Warren Zevon, Country Joe McDonald ,Tom Fogerty, Crosby, Stills, Nash and Young, David Bromberg, Robert Hunter e tantos outros, são alguns que foram agraciados com sua presença.

Nos últimos anos de vida foi ganhando uma aparência de Papai Noel hippie e mantendo seu visual de pessoa simples, calça jeans surrada, camiseta, ou seja, anti-rock star. Reconhecido pela revista Rolling Stones como um dos maiores guitarristas do mundo (13º numa lista de 100), embora acho que ele merecia posição melhor.
Jerry Garcia faleceu devido a um ataque cardíaco em 1995, aos 53 anos, em uma clinica de desintoxicação em Forest Knolls.

2 comentários:

Mary Joe disse...

Jerry Garcia foi um vencedor, definitivamente. Porque com tanta coisa ruim que lhe aconteceu, ainda fazer canções deliciosas como essa que vc colocou são coisa mesmo de alguém especial.

E vc também, meu amiguinho Cláudio, é uma pessoa especial, porque num dia como ontem, sentindo dor, ser capaz de fazer um bom texto feito esse naõ é coisa para qualquer pessoa.
Parabéns.
Beijokas
Mary Joe

Adri disse...

droga é uma droga mesmo. não é todo mundo que é como um membro do rolling stones que sobrevive a tudo!
linda homenagem a um grande artista.