sábado, 27 de agosto de 2011

Tuomas Holopainen, o gênio por trás do Nightwish



Tudo começou como um projeto acústico de Tuomas em 1996, que logo viria a ser a banda de maior êxito da Finlândia, com mais de 7 milhões de cópias vendidas à nível mundial, 11 discos de ouro e 30 discos de platina.

O Nightwish influenciaria bandas de metal no mundo inteiro, inclusive várias no Brasil, aliás, país no qual a banda tem incontáveis números de fãs. Quando a soprano Tarja Turunen foi dispensada, muito foi questionado sobre o futuro da banda e se o nível elevado do Nightwish cairia. No entanto, embora as atenções estivessem na cantora, esqueceram que o gênio por trás da banda se chamava Tuomas Holopainen.

Desde cedo envolvido com música, aos sete anos já tocava clarineta e piano; até clarineta chegou a aprender, quando passou por uma banda de jazz. Tuomas também estudou teoria musical por 11 anos.

Foi depois de assistir a um show do Metallica, aos 15 anos, que decidiu abraçar o heavy metal como estilo que passaria a se dedicar. Logo se juntaria ao Dismal Silence, sua primeira banda, na qual já havia trocado o piano pelo sintetizador. Aos 19, ele tocou no grupo Darkwoods my Betrothed que conseguiu um contrato com uma gravadora. Época em que compôs sua primeira canção: A New Heaven A New Earth.

Uma bela noite em 1996 (Tuomas tinha 20 anos de idade) foi para uma ilha em Kitee com alguns amigos. Lá surge a idéia do projeto Nightwish, que logo viraria banda. Época em que Tarja Turunen, uma estudante da Sibelius Academy que Tuomas conhecia desde a idade de 13 anos (eles tocaram no mesmo grupo de ... jazz!), entraria para o projeto, ela concordou imediatamente em participar, embora ela não conhecia quase nada de heavy metal.

Desde e que gravaram o primeiro álbum, a fama do Nightwish passaria a correr o mundo e o nome de Tuomas também, o que o levaria a ser convidado para vários projetos, inclusive a compor uma trilha sonora para cinema, o filme Lieksa. É convidado para fazer parte da banda de Gothic metal finlandesa For My Pain, na qual está até hoje e várias contribuições com outras bandas e artistas.

Tuomas Holopainen é grande admirador de música erudita, cinema e literatura. É o responsável por quase todas as letras e composições do Nightwish, além de incrível letrista e poeta. Ele só não é mais reconhecido porque é apenas associado ao heavy metal, estilo em que existe ainda muito preconceito.

O último trabalho do Nighwish, Dark Passion Play, não fez feio, é de uma beleza absurda, basta ouvir a épica The Poet and the Pendulum e estamos conversados. Ainda que Tarja não esteja mais presente, a sueca Anette Olzon (ex-Alyson Avenue) se adaptou muito bem à banda.

O mundo agora aguarda o mais ambicioso projeto de Tuomas Holopainem (o Jack Sparrow do Heavy Metal!) junto ao Nightwihs, o filme e álbum Imaginarium. Apesar da demora, Dark Passion Play é de 2007, a espera parece valer à pena, pois a dedicação tanto do Tuomas quanto o restante da banda tem sido incrível, e afinal, há um gênio trabalhando: Tuomas Holopainen.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Jerry Garcia



Eric Clapton além de ter ficado famoso por ser “deus” (Clapton is God) também ficou conhecido por ter a mão leve (slowhand), mas quem tinha mão leve para tocar era Jerry Garcia, seus solos tranqüilos, viajandões, seguiam uma estrutura jazzística em que você podia ouvir durante horas sem enjoar. Seus dedos deslizavam com desenvoltura pelas cordas da guitarra.

Os shows do Grateful Dead deram fama à banda pelas improvisações que chegavam às vezes durar a noite inteira, ou seja, até ao raiar da manhã. Também os improvisos nas canções não tinham fim! Para se ter uma idéia a música Dark Star chegava a ter mais de 50 minutos de duração algumas vezes. Sim, o Grateful Dead foi uma das bandas que mais fizeram shows nesse planeta, desde seu início em 1965 até a morte de Garcia, em 1995, não pararam. E, claro, com os deadheads (nome dado aos fãs mais radicais) seguindo-os para tudo que lugar.


Todo grande músico cria um estilo inconfundível de tocar, e Garcia não foge a regra. Todo fã reconhece seus solos nas primeiras notas. Nunca foi um guitarrista de tocar de forma estridente, abusando de distorções, seus solos eram tranqüilos - que refletia muito seu jeito de ser -, longos e ao vivo nunca tocava uma música da mesma forma.

Jerry Garcia quando criança teve dois terços do seu dedo direito médio amputado, quando de férias em Santa Cruz, estava com o irmão cortando lenha e não foi ágil o suficiente para tirar a mão na hora certa e o machado decepou seu dedo, ele tinha apenas quatro anos. Como aconteceu com Tony Iommi (Black Sabbath) a falta de um pedaço do dedo acabou influenciando em sua maneira de tocar.

Um ano depois da perda do seguimento de seu dedo, perde o pai afagado em um rio quando pescava. Em 1964, já tinha experimentado LSD, época também de grandes aventuras e com o coração dividido entre a música e as artes (desenho e pintura). Mas foi depois de um acidente de automóvel no qual o jogou para fora da janela, que o fez refletir sobre sua vida e resolveu dedicar integralmente a música.

Sua banda do coração sempre foi o Grateful Dead, mas manteve vários projetos e colaborou com vários artistas ao longo de sua carreira - Jefferson Airplane, Warren Zevon, Country Joe McDonald ,Tom Fogerty, Crosby, Stills, Nash and Young, David Bromberg, Robert Hunter e tantos outros, são alguns que foram agraciados com sua presença.

Nos últimos anos de vida foi ganhando uma aparência de Papai Noel hippie e mantendo seu visual de pessoa simples, calça jeans surrada, camiseta, ou seja, anti-rock star. Reconhecido pela revista Rolling Stones como um dos maiores guitarristas do mundo (13º numa lista de 100), embora acho que ele merecia posição melhor.
Jerry Garcia faleceu devido a um ataque cardíaco em 1995, aos 53 anos, em uma clinica de desintoxicação em Forest Knolls.

domingo, 14 de agosto de 2011

Ten Songs by Tucker Zimmerman (1969) - Tucker Zimmerman


O cantor Tucker Zimmerman veio ao mundo no mesmo dia que eu (14 de fevereiro), portanto, um aquariano. Nascido em San Francisco, Califórnia, estudou violino (feito pelo avô) entre a idade de 4 a 7 anos. Logo mudaria para Healdsburg (uma cidade rural no norte da Califórnia), onde permaneceu até os 17 anos.

Seu aprendizado de música estendeu ao domínio do piano e trombone. Em sua primeira banda de rock tocava piano, sax, baixo e bateria. Quando voltou a sua cidade natal, em 1958, estudou música por mais dois anos e foi tocar trombone em grupos de jazz.
Em 1966 já tinha mestrado em Teoria e Composição, tendo também aulas particulares de composição com Henry Onderdonk até que começa a escrever suas próprias canções usando gaita e violão. Entre 1965 e 1966 chegou a escrever mais de 800 músicas.

Seu estudo de música vai até 1968 quando já tinha estudado composição em Roma, pois havia ganhado uma bolsa para estudar na Santa Cecília Academy. Ao deixar o mundo acadêmico, mudou-se para Inglaterra, vivendo primeiro em Londres e depois em Oxford, fazendo shows com nomes falsos, se passando por um canadense, já que não foi lhe concedida uma autorização de trabalho.

Em 1969 gravou seu primeiro álbum produzido por Tony Visconti (que ficaria famoso produzindo T. Rex e David Bowie) para a Regal Zonophone Records. Tucker Zimmerman: "Embora morando na Inglaterra, escrevi 150 canções, mas eu não consegui um único artista em Londres para cantar uma” . O álbum uma mistura de folk, rock e blues não fez sucesso nenhum e também a gravadora não fez questão de promover o álbum.

Zimmerman soube mais tarde que a gravadora assinou com ele apenas para mantê-lo na geladeira por três anos. Eles não queriam que ele atrapalhasse um outro cantor folk (britânico) que estava começando a muito certo.

Tucker Zimmerman só foi gravar novamente em 1971 o segundo álbum, levando-o a uma carreira muito inconstante, lançando raramente um novo trabalho de onde passou a viver, desde os anos 1970, na Bélgica.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Manuel Göttsching - Dream & Desire (1977)


A música nunca foi tão livre à experimentação quanto à época do krautrock (também conhecido como Kosmische Musik) na Alemanha. Nenhum outro país se atreveu tanto musicalmente: jazz, rock, psicodelia, blues, música erudita, a excipiente música eletrônica e principalmente os trabalhos de Kartheinz Stockhausen foram colocados no liquidificador das experimentações abertas à muito improviso.

Pode-se dizer que o auge do krautrock foi entre 1969 a 1973, após esse período muitas bandas se desfizeram e outras passaram a fazer uma música mais acessível, como é o caso do Kraftwerk, Can e Tangerine Dream. Outros artistas como Conrad Schnitzler, Faust nunca saíram da marginalidade musical. Era o surrealismo como fuga da realidade alemã pós-guerra.

Manuel Göttsching figura chave nesse movimento e líder do emblemático Ash Ra Tempel, banda em que era líder e teve como integrante o excepcional Klaus Schulzer, foi um dos mais persistentes em prosseguir carreira em experimentações sonoras. Inspirado por compositores minimalistas como Terry Riley, Steve Reiche e Philip Glass, Göttsching em sua careira solo pós sua guitarra a serviço de viagens eletrônicas sublimes.

Dream & Desire, gravado originalmente em 1977, nos lembra muito o álbum New Age of Earth (1975) onde sintetizadores e seqüenciadores mantêm a atmosfera onírica e tranqüila enquanto a guitarra delicada de Göttsching nos guia para não perdermos de vez em uma dimensão estranha ao nosso mundo “real”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

The Waterboys - This Is The Sea (1985)


Quando o The Waterboys lançou seu terceiro trabalho, This Is the Sea, e conquistou um público maior, principalmente por causa da música The Whole of the Moon, eles poderiam ter seguido a trilha do U2 e trafegar pelo megacircuito ianque – à época, eles abriram para eles a turnê note-americana. Mas não, no álbum subseqüente preferiram refugiar na Irlanda a convite do violinista Steve Wickham, e lançar Fisherman´s Blues, um álbum folk que valorizava a cultura irlandesa, assim evitando as fórmulas fáceis do mundo pop.

A banda sempre capitaneada pelo carismático vocalista/guitarrista/violonista/pianista Mike Scott, alcançou o sucesso em 1985 com este que é o mais famoso e um dos melhores álbuns do The Waterboys, This Is The Sea. Além da citada clássica The Whole of the Moon, temos à la Bruce Springsteen, Don´t Bang the Drum, o rock nervoso de Medicine Bow e as belíssimas Old England e This Is The Sea.

Nessa época a banda ainda tinha como integrante Karl Wallinger, que logo fundaria outra excelente banda, o World Party, que seguia a mesma linha musical do Waterboys, com a diferença de serem mais psicodélicos. Wallinger era grande fã dos Beatles.



As letras, em grande maioria escritas por Mike Scott, muitas vezes continham referências literárias relacionadas à espiritualidade (Mike estudou literatura inglesa e filosofia), algo que manteve inclusive em sua carreira solo. O álbum This the Sea fecha a fase chamada de Big Music, termo usados por vários críticos para descrever o som grandioso dos três primeiros álbuns.