domingo, 31 de julho de 2011

The Black Crowes - Shake Your Money Maker (1990)


Foi graças a um cover envenenado de Otis Redding – Hard to Handle – que fez disparar às vendas do primeiro álbum desse quinteto de Atlanta em 1990. Em plena era grunge, esses hipongas apareceram um som avesso ao que se praticava à época. Faces, Humble Pie, Rolling Stones, R&B, Blues e todo clima setentão moldava a música do Black Crowes.

Claro, na cola veio outra canção que virou single, Jealous Again, até hoje presente no repertório da banda. A acústica e melódica She Talks to Angles mostra que o cantor Chris Robinson estava à altura de suas referencias. O rock´n´roll está bem apresentado em struttin´Blues, Thick n Thin e Stare It Cold.



Tanto o visual quanto a música surpreendeu muita gente. Não parecia uma banda surgida nos anos 1990 e sim um grupo do início dos anos 1970, chegando até a usar tapetes no palco! Eles comportavam como se fossem velhos manos de Keith Richards, Mick Jagger e com calças boca-de-sino e ignorando pelo menos 15 anos anteriores da histórica do rock.

Este primeiro álbum dos Corvos Negros (por certo, o título é uma clara referência a um tema clássico do bluesman Elmore James) é um fabuloso cocktail de blues-rock, southern rock, hard rock e soul clássico, onde se encontra com a essência dos Rolling Stones, Lynyrd Skynyrd, The Faces, Creedence, Humble Pie, Led Zeppelin e The Band sem cair na vulgaridade de imitação.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd (1973)


Ao lado do Allman Brothers Band, o Lynyrd Skynyrd é o grupo mais importante do southern rock. A diferença é que eles são muito mais ligado ao rock´n´roll, sendo precursores no uso de três guitarras – características que várias bandas de southern rock seguiram a partir de então.

A banda contava com o cantor Ronnie Van Zant, os guitarristas Allen Collins, Rickey Medlocke e Gary Rossington, o baixista Ed King, Billy Powell no teclado e o baterista Bob Burns. É com esta formação que gravam o debut Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd (1973), produzido por Al Kooper.

Se você gosta de ZZ Top, Blackfoot, Outlaws, Creedence Clearwater Revival, The Black Crowes, caso não conheça, vai curtir esta banda emblemática do rock sulista americano. É neste primeiro trabalho, Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd, que se encontra a segunda música mais famosa deles – a primeira é "Home Sweeet Alabama" – "Free Bird". Uma das melhores músicas da história do rock. Épica (que dura mais de nove minutos), a qual inicia com um lindo arranjo de piano, segue magistralmente até culminar em um dos mais belos duelos de guitarras, onde o duo Rossington e Collins brilham. Na versão ao vivo, que se encontra no álbum One More From the Road (1976), a canção ultrapassa os 14 minutos.

Mas não é apenas de "Free Bird" que o disco é feito. Chama a atenção os riffs de guitarra na faixa de abertura, I Ain´t The One, a beleza da acústica Mississippi Kid”, linda balada Tuesday´s Gone e “Simple Man”, música típica da banda e uma das preferidas dos fãs até hoje.

O titulo do álbum ensina como se pronuncia Lynyrd Skynyrd – o nome veio de uma gozação com um austero professor de educação física, Leonard Skinner, que pegava no pé dos rapazes no colegial. A capa do disco também é bem legal, na qual optaram pela simplicidade. A foto foi tirada na Main Street, em Jonesboro, Georgia.

Apesar de na época o Lynyrd Skynyrd contar com seis membros, na fotografia aparece sete músicos, isso é porque o baixista da banda, Leon Wilkeson, deixou a banda antes da conclusão do álbum e Ed King foi convidado a preencher a vaga. Leon voltaria futuramente.

domingo, 17 de julho de 2011

Ringo Deathstarr - Trip Colour (2011)


Definitivamente o segredo mais bem guardado do Texas, este grupo chamado Ringo Deathstarr é fortemente influenciado pelo My Bloody Valentine, Jesus & Mary Chains e agradará todos amantes de shoegaze de ontem e de hoje. Doces melodias pop entrelaçadas em paredes de guitarras numa agradável e hipnótica destruição sonora.

Não tem como não ouvir a primeira canção de abertura do disco, “Imagine Hearts” e não pensar no álbum “Loveless” do My Bloody Valentine. Na segunda faixa, “Do It Every Time” é totalmente Jesus and Mary Chains, ao mesmo tempo tem algo de bandas como The Primitives (alguém lembra-se deles?), Lush e Chapterhouse. Pode-se dizer então que este Trip Colour é uma homenagem àquela época. Não falta nada: as vozes enterrado sob uma névoa de feedback, iluminadas por melodias oníricas, além da inserção ácidos synths em algumas canções, fazendo-nos sacudir em um autismo rítmico.



Ringo Deathstarr foi originalmente formado em 2005 pelo cantor e guitarrista Elliott Frazier em sua cidade natal em Beaumont, Texas, mas depois de mudar-se para climas mais musicais, em Austin, a banda estabilizou com o guitarrista Renan McFarland, a baixista Alex Gehring e o baterista Dustin Gaudet . Ringo Deathstarr estreou com o auto-intitulado EP de cinco músicas, foi lançado pela gravadora britânica SVC, no outono de 2007.

Depois de mais alguns EP´s, fazer shows e aprimorar o seu som, a banda foi contratada pela gravadora do Reino Unido AC30 e lança o primeiro álbum, Sparkler (2009), pela AC30 e logo estavam tocando em grandes festivais em 2010.

* O nome da banda veio da junção de Ringo Starr com a Estrela da Morte, uma base bélica criada pelo Império Galáctico da série Guerra nas Estrelas.

domingo, 10 de julho de 2011

Neil Young - Cortez the Killer, a canção

Cortez the Killer é um dos melhores momentos guitarrísticos de Neil Young, antes mesmo de entrar a letra da canção, temos 3:23 de solos hipnóticos, o mais extenso desde seu trabalho em Everybody Knows This is Nowhere, de 1969. Todo fã do bardo canadense considera esta música como uma das melhores de sua carreira. A música encontra-se no álbum (também impecável) Zuma, de 1975. Gravado com os fiéis escudeiros do Crazy Horse, ou seja, Neil Young elétrico. A canção foi proibida na Espanha e atrasou o lançamento do álbum por alguns anos por lá.

Neil Young sempre fez letras que remetem ao mundo indígena. “Tenho todas estas músicas sobre o Peru, astecas e incas. Coisas de viagem no tempo”, ele diz à Rolling Stones em 1975. No caso de Cortez The Killer, sobre o conquistador espanhol que pôs fim ao império Asteca, veio de um sentimento despertado ainda quando ele era um jovem estudando secundário, nas aulas de história.

Conta-se a lenda, que a estrutura da canção foi em grande parte moldada por um acidente, uma falha de energia que ocorreu no meio da gravação. Ele e o produtor David Briggs voltaram e fizeram algumas edições criativas, recortando a canção. Diz Young. "Você pode ouvir a emenda sobre a gravação de onde paramos e começamos de novo. É uma edição confusa ... incrível! Foi um acidente total. Mas é assim que vejo o melhor da minha arte, como um acidente mágico após o outro. É isso que é tão incrível”.

A letra da canção por falar de Montezuma, alguns dizem inspirar o título do álbum, Zuma; outras fontes acreditam que a inspiração veio do nome da praia na Califórnia onde Neil tinha uma casa. De todo modo, Cortez the Killer engrandece um excelente álbum, principalmente por ter realizado um trabalho bem perturbador anteriormente, Tonight´s the Night, no qual exorcisava a morte de dois amigos, o roadie Bruce Berry e o guitarrista do Crazy Horse, Danny Whitten. Mas esta é uma história para outra oportunidade.



Cortez The Killer

He came dancing across the water
With his galleons and guns
Looking for the new world
And a palace in the sun.

On the shore lay Montezuma
With his coca leaves and pearls
In his halls he often wandered
With the secrets of the world.

And his subjects gathered 'round him
Like the leaves around a tree
In their clothes of many colors
For the angry gods to see.

And the women all were beautiful
And the men stood straight and strong
They offered life in sacrifice
So that others could go on.

Hate was just a legend
And war was never known
The people worked together
And they lifted many stones.

They carried them to the flatlands
And they died along the way
But they built up with their bare hands
What we still can't do today.

And I know she's living there
And she loves me to this day
I still can't remember when
Or how I lost my way.

He came dancing across the water
Cortez, Cortez
What a killer.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cheap Trick - Heaven Tonight (1978)


No final dos anos 1970 não existia banda mais legal, engraçada e fanfarrona do que o Cheap Trick. Vindos de Illinois, EUA ganharam fama e popularidade primeiramente no Japão, antes de fazerem sucesso com o terceiro álbum, Surrender (1978). Pois é, Japonês curte de tudo mesmo, e lá, rolou uma verdadeira febre do tipo beatlemania, ou melhor, trickmania – por isso ao vivo, Live At Budokan (1979) foi gravado no Japão.

O Cheap Trick era formando por uns tipos bem incomuns: Rick Nielsen, o roqueira que usava guitarras exóticas com vários braços – imagina o peso delas?; Bun Z. Carlos parecia um bancário pai de família; Tom Petersson e Robin Zander, a dupla de “bonitões”.

A banda praticava um hard pop muit legal e tinha forte influência dos Beatles, tanto que chegaram a ter um álbum produzido por George Martim, All Shock up (1980) e Rick Nielsen e Bun E. Carlos chegaram a tocar com John Lennon.

Heaven Tonight, de 1978, o seu melhor álbum de estúdio e o primeiro a fazer sucesso fora do João. No EUA, o disco ganhou disco de ouro e chegou no 48º lugar nas paradas. No Japão ganhou seu terceiro ouro e aumentou ainda mais o status de superstars. O single de Surrender foi o único a entrar no Hot 100 dos EUA. O álbum chegou a sair no Brasil à época. Além de abrir de cara com o hit Surrender, contém outras canções de peso como On The Radio; influência de AC/DC, em Stiff Competition e High Roller; e a balada meio glam de Haven Tonight. Tom Petersson tocou um baixo de doze cordas, o que faz de Heaven Tonight´s a primeira gravação com este instrumento.

Eles ainda lançariam outro grande álbum, Dream Police, de 1979. Aos poucos foram saindo de moda e perdendo a magia inicial. A banda ainda existe e para provar a influência dos Beatles, o último lançamento deles é Sgt. Pepper Live (2009), tocando o álbum na integra, claro que do jeito deles, para comemorar os 40 anos desse clássico.

Manilla Road, fiéis ao Heavy Metal

Hoje o heavy metal e seus milhares de sub-estilos é bem ruim. Eu que sempre fui fã de heavy metal, depois que surgiu o trash metal, o death metal e mais recentemente grindcore, splatter, hardgore a coisa piorou muito. E para piorar a situação apareceram os vocais guturais e principalmente os vocais “rasgados” – ninguém aguenta aquela gritaria por mais de 10 minutos.
Voyager, último trabalho de estúdio

Com isso as melodias desapareceram de vez, um berreiro infernal tomou conta – tem coisa pior do que ouvir um disco inteiro com vocais rasgados? O ouvido humano merece respeito! É como o Oswaldo do Made in Brazil diz: “heavy metal tem que ter melodia, ritmo, peso, uns puta solos”. Ou seja, tem que ter groove e uns riffs matadores e um bom cantor. Sim, cantor.

Claro que existem muitas bandas de metal legais – não tanto como nos “bons tempos”. O Manilla Road é uma dessas e ainda está na ativa; eles que surgiram em meio à onda do New Wave of British Heavy Metal (N.W.O.B.H.M.), que para muitos foi a melhor época para o heavy metal.

Quase todos os álbuns do Manilla Road são conceituais, retratando temas que levam o ouvinte para terras distantes, muito além das fronteiras tangíveis do mundo moderno e suas preocupações cotidianas, nas asas do heavy metal clássico. Mesmo após 30 anos de carreira ainda nem pensam em largar esse arquétipo. É como vimos em seu último álbum de estúdio, Voyager (2008).

Manilla Road faz heavy metal autêntico, puro, bravio, chacoalhado de riffs, mesclando velocidade e peso. Esqueça as atuais bandas de metal com visual de surfista malhado. Tocar heavy metal vai muito além de gritar e fazer pose de poucos amigos.