domingo, 26 de junho de 2011

Klaatu – Os Beatles disfarçados?


Em 1973, apareceu uma banda misteriosa, cujo nome também era estranho – Klaatu (o personagem extraterrestre do filme “O Dia em que a Terra Parou”) que criou polêmica entre os fãs dos Beatles, levando-os a pensarem que era os Beatles disfarçados.

Em 1977, uma rádio canadense começou a tocar uma música chamada Sub Rosa Subway, de uma banda desconhecida até então, chamada Klaatu. Vários ouvintes começaram a ligar perguntando se era um novo disco dos Beatles. Para piorar a situação, um artigo no jornal norte-americano Providence Journal disse que Klaatu poderia ser nem mais nem menos do que a banda de rock mais famoso da história e um DJ australiano afirmou que era um álbum não lançado dos Beatles chamado Sun.

Ringo como Klaatu
As evidências eram muitas. Vejamos: Ringo Starr, anos antes, havia lançado um álbum solo em que, na capa, aparecia vestido como Klaatu, o personagem extraterrestre do filme “O Dia que a Terra Parou”; o primeiro LP do Klaatu foi lançado pela Capitol, selo que lançava os Beatles nos EUA; existia um boato que Lennon havia se mudado para Toronto, devido aos problemas com o governo dos EUA; não havia nenhum crédito sobre eles no disco, nem mesmo os nomes dos músicos, produtores e compositores, ou até mesmo fotos da banda; ao tocar Sub Rosa Subway ao contrário, usando um oscilador de freqüência de baixa rotação, ouviria a mensagem: “Somos nós, somos os Beatles!”.
A lenda diz que o disco foi encontrado em 1975, durante a busca por materiais para o projeto “The Long and Winding Road”, abandonado e retomado posteriormente em 1995 como Anthology. O álbum acredita-se, foi gravado no espaço entre Revolver e Sgt. Peppers.

Nem sempre onde há fumaça há fogo, e nesse caso era apenas fumaça. Klaatu era formado pelos canadenses John Woloschuck, Terry Draper e Dee Long, que chegaram a editar cinco álbuns antes de dissolver a banda, incluindo o primeiro, 3:47 EST (1976), que deu origem a toda essa lenda. No início, a intenção era mesmo não colocar nenhum crédito na capa com a esperança de que a música falasse por si mesma. Uma vez que o boato surgiu, o trio decidiu manter a confusão e apenas em seu quarto álbum, Endangered Species, em 1980, incluíram os seus nomes, os compositores e até mesmo o nome do produtor, Christopher Bond.

Obs.: A dupla The Carpenters regravou a música Calling occupants of interplanetary craft em 1978, fazendo muito sucesso com ela.

domingo, 19 de junho de 2011

Three Dog Night e os sucessos de uma época


Música é memória. E hoje relembrei uma antiga banda dos anos 1970, chamada Three Dog Night, mesmo com este nome esquisito eles fizeram muito sucesso, mas nunca foram muito aceitos pela ala mais radical do rock à época. Muito devido deles não comporem suas próprias musicas, mas pelo menos ajudaram a popularizar compositores como Nilsson, Leo Sayer e Randy Newman.

Antes a banda se chamaria Soma, depois SubRosa e Tricycle. Mas um dia a namorada de Danny Hutton, June Fairchild, leu um artigo em uma revista na qual se explicava como os aborígenes australianos cavavam buracos no deserto para dormir, enquanto isso se aqueciam com um bom cão. Quando estava muito frio, utilizava-se um segundo cão. Assim, as noites muito frias no interior da Austrália é chamada de Three Dog Night, daí o nome.

A influência no cenário musical do Three Dog Night é inegável: 21 temas entre as 40 mais populares, 11 canções no Top 10, sete singles que venderam mais de um milhão de cópias e vários discos de ouro. Até o final de 1975, havia vendido 50 milhões de cópias.

O fato do grupo não ter uma voz que poderia ser chamado de líder, só enriqueceu as músicas. Ou seja, eram três cantores Danny Hutton, Chuck Negron e Cory Wells, que faziam belas harmonias vocais – não pensem em algo tipo Bee Gees, ok? O som era um pop rock, com temas meio hippies como Shambala e Joy o the World.

Apesar de eles serem muito criticados por serem muito comerciais, ninguém negava que os arranjos e interpretações eram excelentes. De 1970 a 1976 a banda teve enorme sucesso, até o momento em que começou os desentendimentos internos - problemas de ciúmes entre os três cantores basicamente. Também em 1976, o punk arrasando a Inglaterra e a discoteca começando a reinar nos EUA ajudou a por fim a banda.



domingo, 12 de junho de 2011

Alice Cooper, o roqueiro romântico


Sei que muitos estranharão o título acima, ainda mais que Cooper (Vincent Damon Furnier) tocou recentemente no Brasil nos brindando com o melhor do seu shock-rock. Mas entendermos o título de “roqueiro romântico” melhor voltarmos em 1975 quando Alice dispensou sua banda - o Alice Cooper Group - que o acompanhava desde o início para partir em carreira solo.

Depois de lançar Welcome to My Nightmare em 1975, seguindo uma linha mais teatral, mas não menos hard rock, sua carreira começou a declinar, embora o álbum fizesse certo sucesso, graças muito a linda balada "I Never Cry”, muitas das quais ele faria adiante e conquistando outro tipo de público, aquele mesmo que curtia as baladas de Elton John. Fato interessante, é que no álbum de 1978, From the Inside, o disco foi todo co-composto por Bernie Taupin, o autor de quase todas as letras das músicas do Elton John. Nele encontra-se a canção How You Gonna See Me Now, outro grande sucesso, afinal seus rocks já não chamavam tanta atenção.

De todas baladas de Alice Cooper à época, foi You and Me, de 1976, que o levou ao Top 20. Música que foi lançada em single e também se encontra no álbum Lace and Whiskey do mesmo ano. Nesta época era comum ouvir anunciarem antes de tocar suas músicas nas rádios: “Alice Cooper, o roqueiro romântico”. E eu, ainda criança, pensava: “este título não é do Elton John?”

Alice Cooper só voltaria a por peso em suas canções no álbum Constrictor (1986), quando várias bandas de hair metal o reverenciavam-no. Refiro-me a bandas como Twisted Sister, Poison e Motley Crue, e, claro, Guns´n´Roses do Slash, sujeito que também sempre curtiu uma cobrinha. Logo viria o disco Trash, de 1989, que o alçou o 1º lugar nas paradas de sucessos, conquistando uma nova geração e fazendo que até gente como a ex-Nightwish Tarja Turunen fizesse cover da canção Poison.

* Este post é dedicado a todos os casais de namorados e principalmente a Adriana, minha namorada, deste blog aqui: Nada contra o Verso





domingo, 5 de junho de 2011

Jethro Tull - Aqualung (1971)


A década de 1970 foi a época de grandes álbuns: Dark Side of the Moon, do Pink Floyd; Sticky Fingers, The Rolling Stones; a Night At The Opera, do Queen; e, claro, a obra-prima Aqualung, do Jethro Tull. Mas o motivo maior de falar deste álbum é por ele fazer aniversário de 40 anos este ano.

O Jethro Tull atingiu o auge do sucesso com ele, em uma mistura de rock progressivo, folk, hard rock e blues. Apesar de Ian Anderson (o líder flautista) sempre pousar de indigente, a foto da capa de Aqualung não foi baseado nele, e sim em uma foto tirada pela sua esposa fotógrafa, de um andarilho, que fez o criador de salmão nas horas vagas Ian Anderson criar todo um enredo sobre um sujeito meio pedófilo que tinha sérios problemas respiratórios; por isso o título Aqualung - um regulador de mergulho que supre a necessidade de gás respirável à pressão ambiente.

E é bom lembrar que o solo de guitarra de Martin Barre na canção Aqualung é um dos momentos mais sublimes da musica, fora o riff inicial que faz com que reconhecemos a música já na primeira nota. Outro grande destaque é Cross-Eyed Mary, que foi regravada pelo Iron Maiden e por mais que tenha ficado muito boa, a original é insuperável.

Em 1996 para celebrar os 25 anos do clássico Aqualung, de 1971, foi lançada a versão remasterizada com cinco faixas-bônus, numa caixa digna de elogios e trazendo todas as letras. Logo após dessa obra-prima, o Jethro Tull voltaria a assustar o mundo com outra obra digna de respeito no ano seguinte: Thick as a Brick.

Era um álbum conceitual ou não?
Há anos ouço críticos afirmando ser Aqualung um trabalho conceitual e outros dizendo que nunca o foi. Para acabar com toda essa falácia transcrevo o que diz Ian Anderson em uma entrevista logo após a banda ter ganhado o Grammy de “melhor banda de heavy metal”, desbancando o Metallica em 1989.

“Quando lançamos Aqualung (71), todo mundo saiu dizendo que éramos um grupo que fazia álbuns conceituais. Mas o disco tinha apenas duas canções interligadas que de certa forma falavam de um mesmo assunto. Mas não acho que, de uma maneira geral, Aqualung tenha sido um álbum conceitual - decerto não era esse o nosso objetivo. Uma metade do disco não tinha coisa alguma a ver com a outra metade. Por outro lado, Thick As A Brick (72) era, de fato, um álbum conceitual, foi feito de acordo com esta noção. Rock Island, por sua vez, foi um esforço de grupo, foi um projeto conjunto, mas álbum conceitual... Thick As A Brick, sim, e Passion Play (73), que veio logo em seguida, eram álbuns conceituais.”