domingo, 15 de maio de 2011

Madredeus: música que acalma



Reunindo a tradição portuguesa com a voz perfeita da cantora Teresa Salgueiro, este conjunto conseguiu ser uma exceção na música popular portuguesa, fazendo sucesso até no Japão! Não foi apenas o cineasta Wim Wenders que ficou extasiado ao deparar-se, pela primeira vez, com o som desses lusitanos – basta ler o exaltado texto introdutório no CD “Ainda” (trilha sonora do filme Lisbon Story, de 1995) da banda; eles conquistavam platéias por onde passavam, seja na Grécia, Croácia ou Brasil.

O que se pode dizer de uma banda que reunia uma cantora excepcional, a soprano Teresa Salgueiro; um exímio violonista, Pedro Ayres Magalhães e violoncelo de Francisco Ribeiro? Uma música sublime, envolta em uma melancolia infinita; uma música que toca a alma e parece resgatar sentimentos dos mais profundos em nosso ser. Sim, as canções do Madredeus carregam aquela tristeza do fado, ao mesmo tempo em que é erudita; grandiosa.

O embrião do Madredeus encontra-se nos dissidentes de duas bandas: Pedro Ayres Magalhaes (Heróis do Mar) e Rodrigo Leão (Sétima Legião), e logo junta-se a eles Gabriel Gomes. Era o ano de 1985. Foi nos ensaios em um antigo Convento da Madre de Deus, em Xabregas, Lisboa que entra em cena Teresa Salgueiro – uma simples garota, de 17 anos, de vida e hábitos simples que carregava em si uma voz privilegiada. Era o início da maior e mais famosa banda que Portugal já teve: o Madredeus.

Depois de quase 20 anos e uma coleção de álbuns que beiram a perfeição, a bela Teresa Salgueiro abandona a banda e parte para carreira solo. Imaginar o Madredeus sem Teresa era o mesmo coisa que imaginar os Rolling Stones sem Mick Jagger ou o U2 sem o Bono. Ainda assim, em 2008, o Madredeus junta-se a Banda Cósmica, um projeto que constava de duas cantoras (Rita Damásio e Mariana Abrunheiro) e uma penca de músicos, incluindo percussão, guitarra elétrica e tal. Nem precisa dizer que não decolou.



Um comentário:

Mary Joe disse...

Puxa, que bom um texto sobre o Madredeus. E que texto! Vc consegue uma coisa que costumo achar difícil: dar detalhes e ser conciso.
Legal mesmo.

Adoro Madredeus (como vc sabe). Acho que "Haja o que houver" é das canções mais perfeitas já escritas. E Teresa é um arauto dessa perfeição. (não é a toa que pus o nome de Teresa na minha filha, rs).

Só uma coisa: não sei se o Madredeus me acalma. Mas uma coisa é certa, me sinto mais próxima de Deus quando consigo parar e escutar em silêncio, em paz. É uma sensação maravilhosa.
Beijim
Mary Joe