domingo, 29 de maio de 2011

Wild Nothing, alegre melancolia



Guitarras com sabor Felt, a melancolia do Field Mice e todos aqueles conjuntos pertencentes à Class of 86 (hoje, Twee pop) que incluía bandas anoraks como Pastels, Wolfhounds e The Wake. Sim, o Wild Nothing tem muito dos anos 1980 - para o grande público não vai ser difícil perceber influências do The Cure, fase Disintegration e as canções mais eletrônicas é puro synth pop. No entanto, podemos sentir que há sintonia com os trabalhos de Ariel Pink, a leveza shoegaze do The Pains of Being Pure At Heart e Radio Dept. Ou seja, o melhor do low-fi. Esta é a estréia do Wild Nothing com seu Gemini, lançado em 2010.

Captured Tracks é um selo do Brooklyn, e está se tornando uma referência para encontrar e descobrir novos e interessantes artistas. Jack Tatum, um rapaz nascido em Virginia, anteriormente em projetos como o Jack and the Whale e Facepaint, agora encara uma “banda”. Desde 2009, o Wild Nothing já tinha lançado lindos EPs, depois nos brindou com um álbum completo.

Tudo é tão melancólico e tão bonito. É como uma manhã ensolarada em vez de deixá-lo mais alegre, deixa-o mais triste. Verdade, não há nada de novo na música do Wild Nothing; no entanto, não os vejo como um projeto ou futuramente uma banda – Tatum fez tudo sozinho, tocando baixo, guitarra, sintetizador e bateria e montou uma banda para testar as canções ao vivo, recrutando o baixista Jeff Haley, o guitarrista Nathan Goodman, e o baterista Max Brooks e saíram por aí tocando ao vivo.

Gemini foi lançado na primavera de 2010 e recebeu todo tipo de elogio da crítica. Depois seguirando com o EP Golden Haze, no final de 2010, resolveram reeditar Gemini em fevereiro de 2011, com músicas bônus, incluindo uma versão para música Cloudbusting de Kate Bush.



domingo, 22 de maio de 2011

Creedence Clearwater Revival


Aproveitando a recente vinda de John Fogerty no Brasil, tocando praticamente só clássicos da banda. Nada melhor do que lembrar este magnífico grupo que em poucos anos (1969-1972) de registros em vinis, deixou sua marca na histórica do rock. Bayou Country, Green River, Willie & The Poor Boys, Pendulum e Mardi Gras, são cinco álbuns essenciais na prateleira de qualquer coleção que se preze.

John Fogerty, que fundou a banda em 67, junto com o irmão mais velho Tom e os colegas de escola Stu Cook e Doug Clifford, já tem lugar marcado no panteão dos grandes compositores americanos de todos os tempos. "Bom On lhe Bayou", "Proud Mary", "Bad Moon Rising", "Green River", "Fortunate Son", "Have You Ever Seen lhe Rain"... São muitos os clássicos do rock escritos por John Fogerty. E, clássicos que são, eles não envelhecem um só segundo em seu fulgor.

Como gosta de lembrar Thurston Moore, do Sonic Youth, o Creedence foi o primeiro grupo a aparecer usando camisas de flanela. Mas, piadas à parte, o quarteto fica na história mesmo pelo brilho conciso e urgente de suas guitarras. Um som meio caipirão sulista que foi apelidado de swamp rock - muito também pelas letras em que pululam sapos-boi, enchentes e barcarolas. John Fogerty cresceu muito longe de bayous e pântanos, mas sua voz rasgante dá a impressão de que ele tomou toda a água dos brejos do Sul dos Estados Unidos. E o talento literário transborda.

Na verdade, o mais sensacional no Creedence foi a fertilidade do grupo em 1969. Os excelentes Green River e Bayou Country e o seminal Willie & The Poor Boys (com a definitiva gravação da tradicional "Midnight Special") são todos desse mitológico ano. Mardi Gras, de 72, já não conta com a guitarra de Tom Fogerty e é considerado o mais fraco trabalho do grupo. O que não quer dizer que não seja bom.

domingo, 15 de maio de 2011

Madredeus: música que acalma



Reunindo a tradição portuguesa com a voz perfeita da cantora Teresa Salgueiro, este conjunto conseguiu ser uma exceção na música popular portuguesa, fazendo sucesso até no Japão! Não foi apenas o cineasta Wim Wenders que ficou extasiado ao deparar-se, pela primeira vez, com o som desses lusitanos – basta ler o exaltado texto introdutório no CD “Ainda” (trilha sonora do filme Lisbon Story, de 1995) da banda; eles conquistavam platéias por onde passavam, seja na Grécia, Croácia ou Brasil.

O que se pode dizer de uma banda que reunia uma cantora excepcional, a soprano Teresa Salgueiro; um exímio violonista, Pedro Ayres Magalhães e violoncelo de Francisco Ribeiro? Uma música sublime, envolta em uma melancolia infinita; uma música que toca a alma e parece resgatar sentimentos dos mais profundos em nosso ser. Sim, as canções do Madredeus carregam aquela tristeza do fado, ao mesmo tempo em que é erudita; grandiosa.

O embrião do Madredeus encontra-se nos dissidentes de duas bandas: Pedro Ayres Magalhaes (Heróis do Mar) e Rodrigo Leão (Sétima Legião), e logo junta-se a eles Gabriel Gomes. Era o ano de 1985. Foi nos ensaios em um antigo Convento da Madre de Deus, em Xabregas, Lisboa que entra em cena Teresa Salgueiro – uma simples garota, de 17 anos, de vida e hábitos simples que carregava em si uma voz privilegiada. Era o início da maior e mais famosa banda que Portugal já teve: o Madredeus.

Depois de quase 20 anos e uma coleção de álbuns que beiram a perfeição, a bela Teresa Salgueiro abandona a banda e parte para carreira solo. Imaginar o Madredeus sem Teresa era o mesmo coisa que imaginar os Rolling Stones sem Mick Jagger ou o U2 sem o Bono. Ainda assim, em 2008, o Madredeus junta-se a Banda Cósmica, um projeto que constava de duas cantoras (Rita Damásio e Mariana Abrunheiro) e uma penca de músicos, incluindo percussão, guitarra elétrica e tal. Nem precisa dizer que não decolou.



domingo, 8 de maio de 2011

The Church - Starfish (1988)


The Church é uma banda australiana que teve seu auge na segunda metade dos anos 1980, principalmente com o lançamento de Starfish (1988), onde se encontra clássicos como Under the Milky Way e Reptile. São também significativos os trabalhos anteriores como The Blurred Crusade (1982) e Remote Luxury (1984). A banda seguia bem o estilo de seus comteporâneos como The Echo and the Bunnymen, The psychedelic Furs e R.E.M. Ou seja, belas guitarras, melodias maravilhosas e vocais harmoniosos.


Apesar de eles existirem até hoje, ficaram, para muitos, marcados como “banda dos anos 80”. No entanto, o The Church nunca parou de gravar discos, embora o estilo fosse mudando - tentando se adaptar as novas décadas -, eles nunca mais repetiram o sucesso do álbum Starfish.

Starfish foi gravado quando mudaram para Los Angeles, buscando um som mais comercial e superar o fracasso de venda do trabalho anterior, Heyday (1986). A sonoridade adquirida nos EUA resultou em canções mais compactas e diretas. A música Under the Milky Way, lançada primeiramente como single, fez grande sucesso por lá, tanto quanto no Brasil. No ano seguinte, ainda lançaria outro excelente trabalho: Gold Afternoon Fix, que trouxe os hits Metrópolis e You're Still Beautiful.

domingo, 1 de maio de 2011

The Railway Children - Reunion Wilderness (1987)


The Railway Children, de 1970, é um dos filmes mais bonitos que já vi. Sua beleza está na simplicidade, nos ensinamentos de valores profundos e eternos. O filme inglês foi baseado no romance de mesmo nome de E. Nesbit e tinha nos papéis principais Jenny Agutter, Sally Thomsett e Bernard Cribbins. The Railway Children revelou-se um sucesso de crítica, tanto na época de seu lançamento quanto nos anos posteriores.

The Railway Children era também o nome de uma banda de Manchester – se existe uma conexão entre o filme e a banda isto eu não sei, mas uma coisa é certa: a banda era tão simples e bela quanto o filme. O Railway Children era formado pelo vocalista Gary Newby, Brian Bateman, guitarra, Guy Keegan, bateria e Stephen Hull, baixo.

Reunion Wilderness, o debut da banda pertencia a Factory e provavelmente a banda mais pop do selo. Chegou a ser lançado no Brasil pela Stilleto. Seu primeiro compacto. "A Gentle Sound", acústico e despojado, já era uma antítese dos lançamentos da gravadora. Reunion Wilderness soa como uma conjunção lírica e sonora de alguns de seus conterrâneos de Manchester – The Smiths, James e a guitarra de Vini Reilly. A síntese é mainstream, um pop entre agradável e sensivel, com pelo menos um hit: "Brighter".

A banda lançaria ainda alguns álbuns já pela Virgin Records, mas sem nunca repetir o sucesso do seu disco de estreia.