quinta-feira, 21 de abril de 2011

Jesus Cristo, a estrela do rock


A primeira ópera-rock que se tem notícia é da banda inglesa The Pretty Things com S.F. Sorrow (1968), logo viria o The Who, um ano após, com Tommy – que muitos consideram a primeira ópera-rock, ignorando a obra do The Pretty Things. A partir de então, óperas-rock surgiram aos montes, algumas viraram filmes, outras não saíram da versão em áudio.

Em 1970, Tim Rice (composição) e Andrew Lloyd Weber (letras) tiveram a idéia de fazer uma ópera-rock contando os últimos dias de Jesus Cristo. Baseado no livro “Vida de Cristo” de Fulton J. Sheen e nos evangelhos sinópticos, o enredo gira em torno de Jesus, Judas Iscariotes e Maria Madalena. Mas a dupla de malucos (Rice e Weber) resolveu  incrementar a história retratando Jesus mais como um superstars, o ídolo de Jerusalém, em que o culto a sua personalidade é mais importante do que sua mensagem. Judas tenta alertar a multidão desse perigo enquanto Maria Madalena é a groupie preferida de Jesus.

Capa original da trilha sonora de 1970 com Ian Gillan

Desde o início era fazer um musical, mas por falta de dinheiro investiram em uma trilha sonora para ver no que dava. Portanto, optaram por nomes desconhecidas na época: Murray Head (Judas), Yovonee Elliman – futuramente tocaria com a banda de Eric Clapton, a única a participar da versão cinematográfica como na peça da Broadway e chegaria até a gravar álbuns Disco -, como Maria Madalena, Paul Raven (logo ficaria famoso no cenário glitter rock como Gary Glitter) na papel de um sacerdote e para interpretar Jesus, um jovem chamado Ian Gillan, recém integrado à banda Deep Purple. Os produtores tinham ficado impressionados com a voz do rapaz em seu primeiro trabalho com o Deep Purple (Concerto for Group and Orchestra, 1970).

Gillan não participaria do filme de 1973, algumas fontes dizem que ele pediu uma grana alta, outras foi porque ele estava muito ocupado com o Deep Purple. O certo é que ele se arrependeu mais tarde.
Ian Gillan
Jesus Christ Superstar foi um sucesso surpreendente, chegando ao número 1 da Billboard em 1971. O álbum duplo (vinil) era embalado nos EUA em um papelão especial marrom, acompanhado de um livrete de 28 páginas. Com o sucesso da trilha sonora e depois na Broadway, conseguiram dinheiro para a produzir a versão cinematográfica. A produção do filme ficou a cargo de Norman Jewison trazendo no elenco Ted Neeley (Jesus), Carl Anderson (Judas) e Yvonne Elliman, permanecendo no papel da Maria Madalena.

O filme fazia crítica a quase tudo que rolava na época: um Judas black power, Roma que reagia ao rebelde Jesus e seus seguidores com tanques de guerra, metralhadoras e ao mesmo tempo permitia prostituição, tráfico de drogas nos templos. Nem precisa dizer que a igreja católica categorizou o filme de herético.

Em se tratando da trilha sonora da versão cinematográfica para a de 1970 é que a primeira é mais pomposa e menos roqueira. Apesar de Ted Neeley ter mais técnica que Ian Gillan, ele perde em naturalidade e emoção. O mais legal mesmo é que a original tem uma pegada bem rock´n´roll com guitarras pra lá de psicodélicas.

A obra como peça musical percorreu o mundo e até hoje é encenada. Passou por países como Japão, Peru, Portugal, Hungria e só Deus mesmo para saber para onde mais Jesus foi parar. No Brasil, a peça também foi encenada, com tradução de Vinicius de Moraes e Antônio Fagundes como Jesus. Existe também uma versão mais roqueira da peça musical com Sebastian Bach (Skid Row) no papel de Jesus, Alice Cooper (Herodes) e Corey Glover (Living Colour) como Judas negro.

domingo, 17 de abril de 2011

New Model Army - Thunder and Consolation (1989)



Na década de 1980 eu era muito fã do New Model Army, eles naquela época, tinham com seu pós-punk a mesma urgência de bandas como U2 - guitarras afiadas, letras politizadas cantadas como um grito de guerra. 51 st state, White Coats e The Hunt são algumas músicas que se tornaram hinos não só da banda, como da daquela geração. Mas logo lançariam aquele que muitos consideram seu melhor álbum: Thunder and Consolation.

Ao prosseguir na busca pela sonoridade dos grandes grupos do passado, neste álbum, o New Model Army resgatou o know-how de Tom Downd, um veterano responsável por alguns dos melhores momentos do Cream (Disraeli Gears), Allman Brothers (At Fillmore East) e Derek and the Dominoes (Layla and Other Assorted Love Songs). Desse encontro surgiu um disco nos extremos da visceralidade, um mix brutal de hard-rock, punk da primeira fase e rock´n´roll que acabou por suplantar os trabalhos anteriores do trio tidos como definitivos. Entre os destaques, o euro-single "Stupid Questions", a trovejante "225" e a abertura climática, com "The World".

O nome da banda veio do exército revolucionário formado por Oliver Cromwell na Guerra Civil Inglês do século XVII e existe até hoje, com 13 álbuns lançados. Justin Sullivan é o único músico sobrevivente da formação original, e, claro, ele ainda é o líder. Uma das coisas que na época achávamos engraçado, ao assistir os vídeos da banda, era que Sullivan não tinha um dente da frente e todo mundo comentava.

domingo, 10 de abril de 2011

Mariee Sioux, cantando para os índios


Quem gosta da cantora folk Alela Diane, sem dúvida não terá dificuldade de curtir Mariee Sioux. Músicas cheias de espiritualidade e paz. O legal é que ambas já tocaram juntas e ficaram amigas.

Mariee Sioux, como Adele, também nasceu em Nevada (EUA). Suas canções falam sobre búfalos, montanhas, lobos e montanhas sagradas. Ela faz parte dessa nova geração de cantoras americanas folks que foram capazes de fornecer à música tradicional ares renovadores.


Seu pai, Gary Sobonya, é um bandolinista de origem polonesa e húngara, e sua mãe tem raízes espanholas e mexicanas. Com esses antecedentes, não é de se estranhar que Mariee Sioux tenha investigado a herança musical dos índios norte-americanos, que não hesita em incorporar em seu universo sonoro.

Seus discos são de uma beleza rara. Algumas músicas chegam a ultrapassar seus 10 minutos, mas você nem sente porque se envolve facilmente em uma atmosfera indígena que funciona como bálsamo para nossos ouvidos.

domingo, 3 de abril de 2011

Ozzy Osbourne – Diary of a Madman (1981)



Enquanto canais de tv se preocupam mais em relatar o lado pessoal da vida de Ozzy Osbourne, dando destaque para suas histórias de “roqueiro drogado” e relembrar coisas do tipo: quando no primeiro Rock in Rio (1985), ele comeu uma oferenda para Orixás (era um prato com frutas próximo a uma cachoeira), esquecem o mais importante: sua música!

Diary of a Madman é o segundo solo de Ozzy e foi gravado entre janeiro a março de 1981, no Ridge Farm Studios, na Inglaterra. Infelizmente era o último registro com Randy Rhoads na guitarra – faleceria em 19 de março de 1982, aos 25 anos de idade, no trágico acidente de avião.

Só de ouvir a abertura com Rhoads em um riff matador na empolgante Over The Mountain já entramos em estado de graça. Além de ser uma das melhores da carreira de Ozzy. You Can´t Kill Rock and Roll é outro momento de destaque, com o excelente arranjo de Rhoads. Tonight é daquelas baladas que sempre arranja espaço nos álbuns - uma tradição que já vinha desde a época do Black Sabbath, sendo inaugurada por Chances do Vol. 4.

Mas é na longa canção Diary of a Madman, com suas várias mudanças de andamento, que está o grande destaque do álbum. Lembro que fique deveras impressionado com a música e mal sabíamos que era a despedida de um dos maiores guitarristas que já passou por esse mundo insensato.

Ozzy Osbourne faria muitos álbuns clássicos após este, mas até então já era o suficiente para o grande madman entrar pra a história não só do rock´n´roll e heavy metal, mas da música.