domingo, 27 de março de 2011

Adele – 21 (2011)



Soul, elegância e talento

Adele Laurie Blue Adkins, 22 anos, começou a cantar quando tinha quatro anos. A primeira canção que compôs foi Hometown Glory, quando tinha 16 anos, e se tornou se primeiro single, lançado em outubro de 2007; também entrou para seu primeiro álbum “19”, lançado em janeiro de 2008. Desse álbum foi extraído seu segundo single, a emocional “Chasing Pavements”. Com “19”, ela consegue o primeiro lugar na Grã-Bretanha e nos Países Baixos, obtendo um considerável 10 posição nos EUA.

Agora é lançado "21" e consegue superar seu primeiro álbum em todos os sentidos. Precedido pelos singles Rolling In The Deep e Someone Like You, que já havia dado para sentir o que viria pela frente - é justamente esses dois singles que chegaram simultaneamente no top 5 da lista britânica de sucessos; um privilégio que só os Beatles alcançaram no início da década de 1960. “21” também se encontra na quarta semana consecutiva na primeira posição, com mais de 50 mil cópias vendidas. Ela também superou Lady Gaga, retirando-a do primeiro lugar com o single Someone Like You. 


Não tem um lugar na Europa que ela não arrebentou. Na Holanda, por exemplo, já foi platina 2 vezes, ouro na Alemanha, sendo que o disco foi lançado em Janeiro. Recentemente ela ultrapassou Justin Bieber em vendas nos EUA, 352 mil cópias em apenas uma semanas após seu lançamento.


Enquanto se dá a entender por aí - pelo excesso de publicidade - que os artistas do momento são gente como Lady Gaga e Justin Bieber, quem bate recordes de vendas é uma cantora gordinha com um vozeirão e que não precisa fazer declarações da vida pessoal para se manter na mídia.

O legal é que isso não é forçado, o disco nem teve tanta divulgação; tudo aconteceu pela força das canções – algo bem diferente de Lady Gaga, que faz uma novela para lançar qualquer coisa usando de um hype exagerado, e quando vamos ouvir o tão revolucionário single é apenas uma canção pop sem muito atrativo.

Sinceramente, 21 é um dos discos mais lindos que já ouvi na vida. Nunca imaginei que isso iria acontecer em 2011. Como é difícil destacar qualquer música, cito apenas o curioso cover do The Cure para Lovesong.

domingo, 20 de março de 2011

BBC reúne gravações raras da banda Yes no início de carreira



Lançado originalmente em 1997, Something's Coming: The BBC Recordings 1969-1970 traz várias atuações ao vivo que o Yes gravou para a BBC (Top Gear, The Sunday Show, etc) em 1969 e 1970), além de uma gravação para uma rádio alemã e outra para uma francesa. A qualidade sonora não é uma das melhores, mas se tratando de gravações raras para a BBC, pode-se dizer que é muito boa neste tipo de material.

O álbum é acompanhado de um livreto que inclui fotografias antigas, críticas feitas pela imprensa, bem como um ensaio de Peter Banks, no qual ele descreve de forma espirituosa, inteligente e (compreensivelmente) amarga sobre a maneira como ele foi despedido da banda e aproveita para saltar farpas em seu substituto, Steve Howe.

Muitos fãs não valorizam este período do Yes por não considerá-la sua fase “clássica”, a qual não incluía Steve Howe e Rick Wakeman. A banda ainda se dividia entre composições próprias e material alheio - “No Opportunity Necessary, No Experience Needed”, de Richie Havens, “Everydays”, de Stephen Stills, “Every Little Thing”, Beatles e “I See You”, do The Byrds – em seus dois primeiros trabalhos. A banda já mantinha uma energia incendiária com apenas dois álbuns de estúdio. Chris Squire destacava com seu baixo, uma Rickenbacker RM1999, que a utilizava para efeitos comuns em guitarra; Jon Anderson diferenciava com suas letras e “voz de anjo”; Banks tocava com ferocidade e talento, que faz você pensar porque os outros caras queriam se livrar dele; e Bill Bruford era o cara na bateria, tanto que o King Crimson fez questão de roubá-lo para si.



É interessante ouvir as músicas de Time and a Word (1970) tocadas sem o apoio de orquestra e algumas canções raras como uma versão diferente para Dear Father. Mas a verdadeira surpresa vem com a inédita “For Everyone”, extraída do início de uma seção de “Starship Trooper”.

Além da qualidade do som, alguns fãs ainda podem reclamar de que várias músicas aparecem mais de uma vez nos dois cd´s com performances diferentes. Com o tempo total de cerca de 95 minutos, poderia ter cortado essas faixas “repetidas” e pô-las em único cd. Mas Something´s Coming – The BBC Recordings 1969-1970 foi feito para colecionadores, fãs de bootleg, trazendo músicas ao vivo de uma fase não muito explorada. O que vemos geralmente são bootlegs e discos ao vivo oficiais da fase “clássica” com a entrada de Steve Howe e Rick Wakeman.

Obs.: este álbum foi reeditado nos EUA, cerca de um ano depois com o título Beyond and Before.

sábado, 12 de março de 2011

Capas semelhantes, cópia ou coincidência?

Sempre se ouviu falar muito de plágio musical, mas plagiar capa de álbum é algo também comum. Em alguns casos é apenas coincidência; em outras, como no caso do primeiro disco do Roberto Carlos, “Louco por Você, de 1961, tem a mesma fotografia do disco do Ken Griffin, “to each his own”, de 1946. O mesmo posso dizer do Paladin com seu disco Charge!, de 1972, o mesmo ano do disco do Quinteto Violado, “Asa Branca”, são poucas as diferenças.

Algumas capas pode ser homenagem mesmo. É o caso do Manowar, pois Fighting the World, 1987, é o disco mais “Kiss” do Manowar.

Existem muitas outras “coincidências”, mas creio que essas abaixo são bastante ilustrativas e interessantes.

The Beatles,  A Hard Day´s Night, 1964 -  Jeff Beck Group, Jeff Beck Group, 1972

Elvis Presley, 50.000.000 Elvis Fans, 1959  -  Rod Stewart, Body Wishes, 1983

Status Quo, In The Army Now, 1986  -   Canned Heart, Future Blues, 1970

Ken Griffin, “To Each His Own, 1946 - Roberto Carlos, Louco por Você, 1961

 Accept, Balls to the Wall, 1983      - Wishbone Ash, There´s The Rub, 1974

 
Deep Purple, Abandon, 1998                 Def Leppard, High N Dry, 1981

Kiss, Destroyer, 1976 Manowar,                      Fihting the World, 1987

Siouxie and the Banshees, Tinderbox, 1986  -  Deep Purple, Stormbringer, 1974

Violeta de Outono, Mulher da Montanha, 1999 Al Di Meola, Flesh On Flesh, 2002

The Rolling Stones, Sticky Fingers, 1971 -  Motley Crue, Too Fast for Love, 1981

Quinteto Violado, Asa Branca, 1972                   Paladin, Charge!, 1972




domingo, 6 de março de 2011

Rory Gallagher, um guitarrista para ser sempre lembrado


Recentemente morreu o excelente guitarrista irlandês Gary Moore, no dia 06 de fevereiro de 2011. Lamentei muito, ainda mais porque as novas gerações não são muito de cultuar guitarristas de blues – estilo que nem sequer tocam muito mais nas rádios. Mas lamentei muito mais pela grande mídia (a maioria) enunciarem que Moore foi o maior guitarrista irlandês. Sabemos que não é verdade, pois antes dele existiu Rory Gallagher.

Minha mente viajou no tempo, e lembrei-me ainda menino ouvindo os roqueiros mais velhos falando do lendário guitarrista irlandês, seus shows incendiários cheios de energia. Gallagher adorava o palco, gravou muito ao vivo, tanto que Irish Tour, de 1974, é considerado um dos melhores registros ao vivo.

Dono de uma voz privilegiada e fundindo virtuosismo e energia ao instrumento, fez álbuns que venderam mais de 14 milhões de cópias, mas a maldição do blues não o poupou: o punk e os modismos que o sucederam tornaram seu estilo fora de moda. Em 1995, quando morreu, mereceu apenas pequenos registros nos jornais. Infelizmente ninguém mais se lembrava do guitar hero.



Ele brilhou na já longínqua década de 70 e caiu no esquecimento a partir dos anos 1980; seus lp´s de alta qualidade não o levou a fama que ele tanta buscou e merecia; os solos de guitarra, com sua inseparável Fender Stratocaster – ela a adquiriu em 1962 numa loja de instrumentos usados - foram dos melhores que já ouvi.

Gallagher além do blues também tocava rock, baladas e folk (usando bandolim e gaita), chegou até fretar com o heavy metal, por influência da amizade com Roger Glover e quando foi gravar na Alemanha o álbum Photo –Finish e se enturmou com a banda Scorpions.

O video abaixo mostra a festa que era um show de Gallagher, época que não tinha área vip, seguranças e outras palhaçadas para atrapalharem as pessoas se divertirem