quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

The Radio Dept - Pet Grief (2006)


A quantidade de bandas surgidas a partir dos meados da década de 1990 com sonoridade "anos 80" já não surpreende mais ninguém. Algumas são cópias mal-feitas do que existia; outras sabem tirar proveito dos sons daquela década maravilhosa e nos brindar com algo original e belo. Esse é o caso dos suecos do The Radio Dept que desde 2004 com o debut, Lesser Matters, tem nos deixados estupefatos com uma música alegremente triste.

Pegue o Pet Shop Boys, o OMD, New Order, o estilo de tocar guitarra de Robert Smith (The Cure) e bata no liquidificador e recheie depois com a sonoridade shoegazer das bandas indie da década de 1990. Temos então o The Radio Dept.



Johan Duncanson (guitarra), Martin Larsson (guitarra) e Daniel Tjader (teclados) compõem o trio de Estocolmo. Já lançaram três álbuns, incontáveis singles e EP´s. Eu poderia falar de qualquer outro álbum deles; não faria muita diferença: são todos maravilhosos.

Qual o estilo deles? Dream-pop? Pos-shoegazer ou apenas indie rock? Pouco importa o rótulo.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Donovan



No começo ele era visto apenas como uma resposta inglesa a Bob Dylan, fazendo a linha folk de protesto; mas logo se tornaria uma espécie de arauto do psicodelismo

Donovan não é inglês, nasceu em Glasgow, na Escócia, em 10 de maio de 1946. Aos 10 anos, em 1956, se muda com sua família para Hatfield, Inglaterra. Influenciado pelo amor dos pais pela música folk escocesa e inglesa, começar a tocar guitarra aos 14 anos idade. Durante o verão de 1964, se muda para St. Ives, em Cornwall. Lá, ele aprendeu a tocar o folk tradicional e passa a se apresentar pelas ruas da cidade. Ao retornar a Londres, fica vários meses tocando em clubes locais, quando começa a compor suas primeiras canções.

No final do mesmo ano, ele consegue gravar uma demo com 10 músicas, incluindo a versão original de Catch the Wind, seu primeiro single. Durante a gravação conhece Brian Jones, dos Rolling Stones. Através dele, é apresentado à Linda Lawrence que se converteu em sua musa durante muitos anos. Seus confusos sentimentos em relação a ela, inspirou-o a escrever dezenas de canção como Legend of a Girl Child Linda, Season of the Witch, Catch the Wind, entre muitas outras.

Semanas depois de gravar a demo, o produtor do programa Ready Steady Go!, Elkan Allen ouve e fica impressionado com ele, convidando-o para se apresentar em seu programa. Desta forma Donovan faz sua estreia na televisão, em 30 de janeiro de 1965, com apenas 18 anos.

O single Catch the Wind foi lançado logo após sua aparição na televisão, e logo chega ao primeiro lugar das paradas britânicas. E consegue vender 200.000 cópias.

O estilo musical de Donovan, tanto quanto sua aparência física, lhe deu a oportunidade de ser promovido como uma versão inglesa de Bob Dylan. Para o bem ou para o mal, possibilitou-o de aproximar mais dos meios de comunicação e, portanto,tornando-se mais popular.

O segundo single do artista Colours alcança o quarto lugar no Reino Unido. Este foi seguido pelo lançamento de seu álbum de estreia, What´s Bin Did and What´s Bin Hid, que fica em 3º lugar nas vendas da Inglaterra e também entra nas paradas americanas. Assim, Donovan fez sua primeira viagem para aos EUA para tocar em New York. Durante esta viagem, ele aparece em vários programas de TV como The Ed Sullivan Show, Hullabaloo e Shindig!. Em seguida lança um EP que incluía a música Universal Soldier, cover de Buffy Sainte-Marie, um protesto contra a guerra do Vietnã.

Em 1966, Donovan entra em sua fase mais criativa. Surge o álbum Sunshine Superman, considerado um dos primeiros projetos de pop psicodélico, uma vez que contém referências ao LSD. Com este álbum consegue vender 800 mil cópias nos Estados Unidos em apenas seis semanas, alcançando o topo da lista. Nesse mesmo ano, em Londres, colabora com os Beatles na música Yellow Submarine.

No mesmo ano, aparece o single Mellow Yellow. A canção se torna um enorme sucesso comercial, e em 1967 vem o álbum como mesmo título, recebendo disco de ouro. No final do ano lança o álbum duplo A Gift from a Flower to a Garden.

Após viajar para a Índia, lança o álbum Hurdy Gurdy Man. A canção que dá título ao disco tem participação de Jimmy Page (Led Zeppelin) na guitarra. Dois meses depois vem o ao vivo Donovan in Concert. Em 1969, lança Barabajagal, que fecha sua fase áurea. Nele encontra-se o hit Atlantis, que no Brasil ganhou uma estranha versão do cantor Ronnie Von. Barabajagal também traz participação de Jeff Back, Ron Wood e Nicky Hopkins.

Donovan junto aos Beatles na Índia, em 1968

Donovan começa a década de 70 com o álbum Open Road. Um disco mediano que marca um declínio em sua popularidade. No ano seguinte, aparece com HMS Donovan, um álbum de canções para crianças que foi um fracasso. Em 1973, lança Cosmic Wheels. Este é considerado seu último grande sucesso. Ainda lança no mesmo ano Essence to Essence.

Ele passa a segunda metade dos anos 1970 lançando álbuns sem chamar muita atenção. Entre eles 7-Tease (1974) e o autointitulado Donovan (1978). Começa a década de oitenta com Neutron (1982). Um anos depois aparece com Love Is Only Feeling e Lady of the Stars, em 1984.

No início da década de 1990 com a efervescente cena rave no Reino Unido e uma canção dos Happy Mondays que o homenageia, Donovan é resgatado do anonimato. Também foi homenageado por Beck no título do álbum Mellow Gold, de 1994 e excursionou com Happy Mondays e conseguiu sucesso de crítica e público com o álbum Sutras (1996). O inspirado trabalho traz Dave Navarro (Jane's Addiction) tocando vários instrumentos como cítara elétrica, mellotron e piano. A década de 1990 também trouxe várias produções, a começar pelo álbum ao vivo que inclui novas apresentações de músicas clássicas, além de One Hight in Time (1993) e The Children of Lir (1996). Um ano muito produtivo para quem passou a década de 1980 praticamente sem fazer nada.

A partir do século XXI, houve pouca produção de material com músicas inéditas – Pied Piper e Celtia -, caracterizando mais por coletâneas. Donovan também fez a trilha sonora do filme Irmão Sol, Irmã Lua. Ele vive atualmente com sua família no condado de Cork, na Irlanda.

Curiosidades:
Donova criou o filho de Brian Jones, Julian Jones, após casar com sua ex-namorada, Linda Lawrence.

No álbum Sutras, há uma adaptação de um cântico do guru indiano Sai Baba. Mas Donovan segue hoje o budismo celta.

Donovan até hoje acredita que Maharishi Yogi, não era picareta. Para ele, era tudo intriga de um amigo de John Lennon, chamado Magic Alex.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Benjamin Biolay - La Superbe (2010)



Os brasileiros não curtem tanto música francesa quanto os franceses curtem música brasileira – desde o surgimento da bossa-nova eles mantém antenados com tudo que rola em terras tupiniquins. Lembro que quando o Sterelab veio pela primeira vez ao Brasil, o líder Tim Gane, ao ser perguntado se conhecia música brasileira, foi logo dizendo que era fã de Chico Science & Nação Zumbi; isso nos idos de 1990.

Benjamin Biolay é um cantor, compositor, multi-instrumentista que segue a tradição chanson bem aos moldes de Serge Gainsbourg (aliás, sempre foi muito comparado ao mestre), ao mesmo tempo em que tem forte influência de rock e pop – principalmente inglês. Também já transitou pelo hip hop, jazz e folk.

Depois de transitar por esses vários estilos, Benjamin Biolay retorna à sua melhor forma em La Superbe. Tal como acontece com Négatif (2003), o músico e produtor francês lança um disco duplo ambicioso que traz climas intimistas e melancólicos (Ton Héritage, Miss Cagastrophe), um quase tributo ao New Order (Si tu suis mon regard) e boêmia parisina (The Addiction).

Como todos os cantores de sua geração, que abordam a chanson, Biolay é perseguido pela sombra de Serge Gainsbourg. Mas, ao contrário de seus colegas, é incólume de comparações, pois a força da elegância para mesclar arranjos orquestras com programações torna sua música distinta dos demais.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Beatles for Sale, um disco “menor” dos Beatles?


Muitos fãs consideram este álbum o mais fraco dos Beatles – Yellow Submarine não conta; é trilha sonora do desenho animado. No trabalho anterior, A Hard Day´s Night, só havia canções próprias, deixando para trás a inclusão de covers de artistas que os influenciaram. No mesmo ano de A Hard Day´s Night, em 1964, sai Beatles for Sale, no final do ano, repleto de covers e músicas que ficaram “engavetadas”.

Os Beatles estavam à venda. No auge da Beatlemania o mercado estava infestado de souvenirs da banda: perucas, chicletes, cadernos, bonecos e bottons dos rapazes; portanto, justifica-se o título do álbum. Era o começo do cansaço que a exposição e a fama traz. A capa do disco reflete bem a situação com o rosto sério e cansado deles.

Mas Beatles for Sale é um disco ruim? Longe disso, eles não têm disco ruim, nem o citado Yellow Submarino o é. Os covers são magníficos, incluí uma faixa de Chuck Berry (Rock and Roll Music), uma de Leiber e Stoller (Kansas City), uma de Little Richard (Hey, Hey, Hey), uma de Buddy Holly (Words of Love) e duas de Carl Perkins (Honey Don´t e Everybody´s Trying To Be My Baby), todas gravadas às pressas perto do fim das sessões.

É o primeiro disco deles a incluir músicas acústicas (I´ll Follow the Sun) e letras mais pessoais (I´m Loser). Influência de Bob Dylan - os Beatles estavam loucos por ele. Paul tinha ganhado o LP The Freewheelin Bob Dylan e os quatro passavam horas ouvindo-o.

Foi nessa época que eles se iniciaram à maconha, antes eram apenas os comprimidos que conheceram na fase de Hamburgo, Alemanhã. Foi outra influência de Dylan – ele achava, até então, que os Beatles fossem “maconheiros”. Tudo porque ele compreendeu a letra de I Want to Hold Your Hand errada. Em vez de entender I can´t hide, pensou que fosse I get high.