sábado, 31 de dezembro de 2011

Spirit of Eden (1988) - Talk Talk


Mundialmente conhecidos pelo hit It's My Life (ouça aqui) e a forçação de barra em categorizá-los como Oceanic Rock, o Talk Talk ao trilhar um novo caminho com Spirit of Eden, nunca mais conseguiu repetir o sucesso de seus trabalhos precedentes.

Se um dia foi chamado de clones do Duran Duran, seu quarto álbum avançaria na exploração de sonoridades acústicas, uma tendência que o álbum anterior - The Colour Spring - já deixava entrever. A audição nos revela basicamente uma longa suíte, na qual a intervenção do silêncio mostra-se tão fundamental quanto à dos próprios instrumentos.

Era o início de uma tendência jazzística – que os afastaria do universo pop -, texturas ambientes, sutilezas avant-garde,exploradas em uma complexidade e beleza delicada. I Believe In You um quase hit, apesar de seu formato mais pop, causa estranheza aos ouvidos que não têm paciência de prestar atenção em nada além do mainstream. Lamentável... A EMI logo findaria contrato com a banda, e só ouviríamos um novo álbum em 1991, pela Polydor, o derradeiro Laughing Stock.

Spirit of Eden, ignorado à época, hoje é considerado um percurso do pós-rock. O cantor e multi-instrumentista Mark Hollis, o baterista Lee Harris, o baixista Paul Webb e tecladista Simon Brenner eram excelentes músicos para ficarem restritos ao estilo synth pop do início de carreira.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Roberta Flack – First Take (1969)


Ela é conhecida por um dos maiores sucesso dos anos 70, a canção Killing Me Softly with His Song. Embora gravada por vários artistas ao longo dos anos - inclusive o Fugees -, foi com sua interpretação comovente que a música ficaria imortalizada em 1972.

Mas Roberta Flack vinha de uma longa história. Nascida a 10 de fevereiro de 1937, em Black Mountain, Carolina do Norte, cresceu como a maioria das crianças negras de sua época: cantando em coral de igreja. Mas foi seu amor ao piano a força condutora que a levou a se dedicar profissionalmente à música.

Adolescente talentosa, Roberta Flack tomou aulas de piano clássico e canto, enquanto seu excepcional desempenho acadêmico a levou a pular várias classes, tanto que teve, eventualmente, repetir um ano para não afetar o seu desenvolvimento. Aos 15 anos, entrou para a universidade de Howard, sendo a mais jovem estudante a se matricular nela, ao mesmo tempo em que tinha sua própria banda e tocava órgão na igreja.


Roberta Flack também foi a primeira aluna negra de Chevy Chas (Maryland), uma escola apenas para brancos. Ao se formar em música, quando começava seus estudos de pós-graduação, seu pai faleceu repentinamente, de modo que ela teve que passar a dar aulas de piano e inglês para a ajuda sua família.

Durante esse período, a carreira musical de Roberta Flack ganhou forma. Ela passa a acompanhar os cantores de ópera em um Clube de Washington, cantando o Blues durante os interlúdios. Em seguida, é notada pelo proprietário do clube 1520, onde começou a trabalhar duas noites por semana. Sua voz e sua abordagem única para clássicos modernistas lhe rendeu um público excepcional, entre os quais muitas vezes havia grandes nomes como Burt Bacharach , Woody Allen e Bill Cosby; convidava-os regularmente a compartilharem o palco com ela. No verão de 1968, Roberta fez teste para a gravadora Atlantic Records, famosa pelos seus artistas de soul e jazz (que incluía uma quantidade de artistas do porte de Ray Charles).


First Take, seu primeiro álbum, ainda não incluía Killing Me Softly With His Song, mas trazia canções envolventes, interpretações comoventes e seu primeiro sucesso The First Time Ever I Saw Your Face, composta por Ewan McColl – canção que se vingaria apenas em 1971 quando entrou para trilha sonora do filme Play Misty For Me, de Clint Eastwood.


Canções guiadas pelo seu piano e voz, que durante anos foi se aperfeiçoando nos clubes de Washington (onde foi descoberta), carregadas blues, soul e jazz fizeram com que músicas tradicionais como I Told Jesus cortasse nossos corações. Angelitos Negros e Our Ages or Our Hearts só um coração de pedra as deixariam passar despercebidas, enquanto Hey, That's No Way to Say Goodbye, consegue superar a própria versão origina de, Leonard Cohen. Para finalizar o álbum, não poderia ser de forma menos pungente, a linda Ballad of the Sad Young Men. A redenção está completa.

Tudo isso permeado com os arranjos singelos de cordas de William Fischer, dando ao álbum uma sensação majestosa de melancolia. Flack é acompanhada também pelo baixista Ron Carter , o baterista Ray Lucas, e o guitarrista John Pizzarelli.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

John Coltrane – Ascension (1965)


Esqueça aqueles seus discos revolucionários de rock experimental, os quais buscavam ir além da música por meio da cacofonia e livre improvisação – nas intervenções de saxophone (tocado por Steve Mckay) de forma ensandecida do segundo disco do The Stooges, Full House; White Light/White Heat do Velve Underground, principalmente na zoeira cacofônica da faixa Sister Ray; nas experimentações sonoras do Sonic Youth ou os japoneses malucos e suas enormes jams do coletivo Acid Mothers Temple e o movimento No Wave de Lydia Lunch – esqueça todos eles.

Tudo não passava de apenas um exercício de algo que já foi feito no final de 1965 e por um sujeito que nem era “rebelde do rock” e sim do jazz – ou seria antijazz? Refiro-me ao músico John Coltrane, que foi muito mais “rock´n´roll” do que qualquer outro desse meio. E pior: arriscou sua carreira que entrava no auge com o elogiadíssimo "A Love Supreme".

Os críticos suavam a camisa esforçando para classificar aquela “coisa nova” (New Thing), termo que começavam a ser usado para descrever o novo som de Coltrane e sua trupe – três tenores (Trane, Pharoah Sanders, Archie Shepp), dois altos (Marion Brown, John Tchiacai), dois trompetes (Freddie Hubbard, Dewey Johnson), dois contrabaixistas (Art Davis, Jimmy Garrison) e dois bateristas (J. C. Moses e Rashied Ali).

"Ascension" lançado nas últimas semanas de 1965 e consiste de todo mundo solando seus instrumentos por mais de quarenta minutos! (depois vem a parte II com 38 minutos.) Não houve muita explicação por parte de Trane (John Coltrane) durante as sessões de gravação o que os músicos deveriam toca; obtiveram apenas algumas orientações.

Se em "A Love Supreme", sem dúvida a obra-prima, Coltrane compôs uma oração aos Senhor, uma tentativa de elevar a Alma ao Divino, em "Ascension" simplesmente tentava derrubar o céu trazendo-o para baixo.


Antes de "Ascension", Trane já vinha experimentando novos sons. O crítico, e fã, Dave Liebman conta sobre um show no Philharmonic Hall no qual participaria vários músicos. Coltrane fecharia a noite:

“Coltrane entrou no palco segurando a mão de Alice (sua esposa) e acompanhado com quase dez caras que pareciam ter sido achados na rua, segurando sacolas de compras com sinos, chocalhos e pandeiros. (...) Coltrane vai ao microfone e começa a entoar “Om Mani Padme Om” que era um canto tibetano dos mortos.

Alice começa a fazer um tremolo e o grupo balança os pandeiros e tudo mais, e as pessoas começam a se entreolhar achando aquilo esquisito. Então ele entra em My Favorite Things. Toca a melodia por cima desse rubato retumbante e as pessoas aplaudem. Mas, é claro, depois da melodia não houve mais nada reconhecível e isso durou uma hora e quinze, ou pelo menos pareceu (na verdade, foram 25 minutos). Não estou exagerando: pelo menos metade do público se levantou e foi embora.”

Sei de outra ocasião que Trane subiu ao palco até com um tocador de gaita de fole. E no ano seguinte (1967), ele planejava ir a Los Angeles ter aulas com Ravi Shankar, seu grande ídolo.

Só Deus mesmo saberia no que isso iria dar... a humanidade ainda não estava preparada e, portanto, Ele levou John Coltrane para o outro lado, para um Amor Supremo. Era 17 de julho de 1967.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Debut de algumas bandas indie em 2011



The Sea Lions - Everything You Always to Know bout Sea Lions Butt Were Afraid to Ask (2011)

Esta banda está na ativa desde 2007. O que era um projeto do canadense Adrian Pillado tornou-se um sexteto e uma banda de verdade. Havia lançado umas demos com som bem ruim e um EP oficial em 2009 intitulado Let's Groove. Graças às performances ao vivo, como no Popfest, a banda fez seu nome na cena indie da Califórnia.

Este álbum de nome longo é o primeiro disco completo. Ai você pensa: isto parece àquelas bandas de meados dos anos 80, tipo Regressive Rock, Class 86 ou Anorak Rock – como the Bodiness, The Pastels – e, claro, as bandas da gravadora Sarah Records.

Nota-se também influência de surf music, o que acaba sendo um bom álbum para se ouvir na praia nesse verão.



Seapony - Go With Me (2011)

Também com álbum de estreia, o Seapony é de Seattle e gravam pela Sub Pop. O trio nevaga pelo Dream pop, meio surf music, lembrando Dum Dum Girls e Best Coast. São 12 faixas que não chega há ultrapassar 36 minutos.

Go With Me é uma coleção de canções simples e agradáveis – daquelas que nos primeiros segundos você já está acompanhado-as com os pés.

A banda é formada por Danny Rowland (principal compositor da banda) e sua namorada (ainda acho que é) Jen & Weidl nos vocais e conta com o baixista Ian Brewer, um amigo de infância de Rowland.



Still Corners - Creatures Of An Hour (2011)

Full-length do Still Corners. O album nos remete ao shogaze do My Blood Valentine, só que menos ácido e próximo do twee pop. Liderados pela cantora Tessa Murray,  a música também tende a nuances etéreos, psicodélicos, e cantado de forma sussurrada. Sombrio.

A banda é britânica e conta-se a lenda que foi formada  em uma estação de ônibus, quando o músico Greg Hughes convidou a cantora Tessa Murray para um projeto musical.

A fonte de inspiração vem de sons cinematográficos europeus, principalmente temas compostos por Ennio Morricone. É outra banda do selo Sub Pop.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Dorothy Ashby - The Rubaiyat of Dorothy Ashby (1969)



O Rubaiyat de Dorothy Ashby é seu disco mais espiritual, muito devido ao efeito da ainda recente morte de John Coltrane, em 1967 - o mais místico dos músicos de jazz. Ele que havia aberto caminho para um jazz mais espiritual, tendo sua influência reforçada ainda mais a espiritualidade em Pharoah Sanders e Alice Coltrane, já existente.

Rubaiyat dava sequência à parceria entre Ashby e Richard Evans (Afro-Harping, de 1968). A riqueza instrumento é maravilhosa, com Stu Katz tocando kalimba e vibes, Fred Katz kalmba, Cash McCall guitarra, Cliff Davis saxofone e Lenny Druss flauta oboé, baixo e piccolo. Ashby, por sua vez, aparece com sua harpa, o koto (instrumento japonês) e sua bela voz.

O álbum é conduzido por um ritmo hipnótico, exótico, ao mesmo tempo suave. Nele, encontramos soul, jazz, rock, bossa-nova, funk e um groove que nos remete ainda ao inexistente hip hop. Os arranjos de cordas a cargo de Evans, além de embelezar as canções, ajuda a criar um clima oriental e místico. Interessante, é que todos esses ritmos aparecem, às vezes, em uma mesma música. Clássico!

Dorothy Ashby foi uma artista singular. Nasceu na cidade de Detroit, em 1932, e bem jovem demonstrou talento para o piano. No entanto, estava em busca de um som diferente, e se empenhou a encontrá-lo um pouco mais tarde quando se decidiu a abandonar as teclas e enamorar-se da harpa.

Não há muitos exemplos de destaque de mulheres harpistas voltadas ao jazz - excetuando Adele Girard -, Ashby dedicou sua vida para preencher esse buraco com determinação e talento. Ainda mais, porque o início dos anos cinqüenta, com o advento da estética do bebop, acrescentou-se mais um desafio às mulheres. Decidida, ao lado de seus mais conhecidos e celebrados companheiros do sexo masculino, que arrasavam com saxofones, trompetes e pianos, ela impôs sua harpa – apesar da resistência de seus companheiros do Trio Ashby.

Ao lado de Alice Coltrane, Ashby é a maior harpista negra do jazz, levando seu instrumento a ir além do jazz, unindo-se também ao R&B, o soul e a música oriental – a utilização do koto, um instrumento japonês, o que pode ouvir neste Rubaiyat e no qual utiliza-se de guitarra, aproximando-a muito do jazz-rock (fusion).

Dorothy Ashby no Brasil é praticamente uma desconhecida. Mesmo tendo colaborado com artistas famosos como Louis Armstrong, Diana Ross, Dionne Warwick, Earth, Wind & Fire e Stevie Wonder. Além de ter música sampleada por artistas de hip hop – Ugly Duckling, Murs e Pete Rock.

Dorhty também se dedicou ao teatro, escrevendo todas as letras e fazendo todos os arranjos das canções nas peças que produzia junto ao marido. Sua harpa é destaque na canção "Come Live With Me", que está na trilha sonora para o filme de 1967, “O Vale das Bonecas”.

Ashby morreu de câncer a 13 de abril de 1986, em Santa Monica, California , 53 anos.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

The Yardbirds – Five Live Yardbirds (1964)


Esta é a estréia da longa carreira de Eric Clapton, quando se iniciava ao lado do Yardbirds em um disco de blues-rock – logo sairia da banda devido a eles optarem por um direcionamento mais pop e, em seguida, uma linha mais psicodélica e hard rock, no caso, quando Jimmy Page tomou as rédeas do grupo.

Eric Clapton não duraria no Yardbirds, insatisfeito com o single For You Love, uma canção pop a qual ele mal contribui - se dizia um “purista do blues” - e foi tocar com John Mayall & the Bluesbreakers, uma banda que para ele defendia o blues.


Futuramente Eric reconheceria que era bastante radical em seu purismo blueseiro e o que ele um dia condenou e o fez sair do Yardbirds (o single pop de For Your Love), ele faria, principalmente em sua carreira solo, músicas bem mais pop; sua curta parceria com Phil Collins é uma prova disso.

Five Live Yardbirds é um álbum ao vivo e foi ficando popular de acordo em que a fama de Eric Clapton aumentava. Gravado no Marquee Club de Londres e produzido por Giorgio Gomelsky, sujeito que queria empresariar os Rolling Stones, mas perdeu para Andrew Loog Oldham, não perdeu a chance com os sucessores deles no Crawdaddy Club, de sua propriedade.

A banda em sua estréia interpretava canções de R&B e Blues. Eric já tinha ganhado o apelido de Showhand, dado por Gomelsky. O grupo serviu de modelo pra muitas outras de blues elétrico que viriam em seguida.

domingo, 4 de dezembro de 2011

The Beau Brummels – Triangle (1967)


Eles ficaram famosos com o sucesso Laugh Laugh, de 1963, o que os levou até a aparecer em um episódio dos Flinstones. The Beau Brummels era de São Francisco e já fazia sucesso em uma época anterior ao movimento hippie com toda aquela conversa de flower-power. O visual, portanto, era de bons moços, bem ao estilo “Beatles 65” – o nome Brummels Beau veio de um termo usado para descrever um almofadinha. E 1965 era o ano da estreia em vinil dos rapazes, Introducing The Beau Brummels, no qual trazia além de Laugh Laugh, o hit Just a Little.

Apesar de ser norte-americanos, a música defendida pelo grupo estava mais em sintonia com os grupos britânicos como The Beatles e The Zombies, embora houvesse uma crescente veia country, que fez do último álbum, Barn Bradley (68), quase um tributo ao estilo.


A banda era centrada nos músicos Sal Valentino e Ron Elliott, sendo que este último era o principal compositor. Triangle, o terceiro álbum, foi produzido quando Elliott se descobriu diabético e a banda resolveu parar de excursionar, passando assim, a concentrar nos estúdios. Procedimento que fez com que Triangle fosse álbum mais rico, cheio de sutilezas pop.

A variedade de estilos - folk, psicodelia, country, pop – chega a um equilíbrio quase perfeito. A pesar das críticas positivas do álbum, Triangle foi ignorado e esquecido rapidamente. No entanto, a banda se manteve viva ganhando popularidade ao longo dos anos, fazendo com que um novo público se deslumbrar com as composições excelentes e pessoais de Ron Elliot e a voz rica e expressiva de Sal Valentino.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Matthew Fisher - Journey's End (1973)


Quando me deparei com este álbum pela primeira vez, pensei: mas quem é esse Matthew Fisher? (embora o nome não me fosse estranho...). Ao ouvi-lo reconheci aquele som de órgão de igreja. É o carinha que tocava no Procol Harum! E um dos autores do clássico mundial A Whiter Shade of Pale ao lado de Gary Brooker e Keith Reid. Respeito.

Mas Matthew Fisher só foi reconhecido como coautor da canção na justiça, em 2009. Ele passou a ter 40% dos direitos sobre a música, claro, ele não é bobo – é uma das mais regravadas de todos os tempos. Não sei como ficou o clima entre os velhos amigos. Fisher que havia saído da banda depois do excelente Salty Dog (1969) voltaria a gravar com eles somente em 1991, e os deixaria novamente em 2004. Até onde sei, foi em 2005 que Fisher entrou com o processo, reivindicando os direitos sobre A Whiter Shade of Pale.

Fisher que produzia os discos da sua ex-banda, também foi produtor de outro ex-Procol Harum, Robin Trower, produzindo seus dois melhores álbuns Bridge of Sighs (1974) e For Earth Below (1975).

O disco é legal? Muito. Há momentos bem Procol Harum – principalmente quando o órgão está em destaque -; bons exemplos disso são Interlude e Separation. Enquanto nas baladas ao piano, parece que desce um Elton John no sujeito.

É um álbum bem ao gosto da época, a primeira metade dos anos 1970, quando os grandes astros da música se acomodavam em arranjos grandiloqüentes. Logo o punk daria um jeito nisso.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A carreira de Judy Dyble, a primeira vocalista do Fairport Convention


Sempre achei a cantora Judy Dyble sem sorte. Ela não parava em banda nenhuma e quando tudo parecia que iria para frente, a coisa desandava.

Para começar: ela foi a primeira vocalista do Fairport Convention – sim é aquela banda de folk rock a qual os integrantes do Led Zeppelin a reverenciavam-na. Depois de gravar um único álbum com eles, ela foi substituída por Sandy Denny; uma excelente cantora e uma incrível voz, o que fez com que a imprensa e os fãs esquecessem logo da Judy Byble.

Antes disso, a moça, que pensou seriamente em ser bibliotecária, tocou na banda The Folkmen. Chegaram a gravar algumas demos e ficou por isso mesmo; época também que se enturmou com a cena folk inglesa e logo, em 1967, já estava integrada ao Fairport Convention.

Ela teve que escolher entre a Biblioteca (onde já trabalhava) e a banda. O azar: é que não durou nada no grupo – até onde sei, ela foi dispensada porque queriam uma cantora que enquadrasse melhor ao som folk-rock-psicodélico, e a voz de Judy era muito branda para a empreitada. Mas também não pode descartar o fracasso comercial do début. Logo, o Fairport Convention estouraria com o álbum “Unhalfbricking”.

Judy iria para o Giles, Giles and Fripp onde não permaneceria mais do que um mês. Ela namorava Ian Mcdonald e quando o relacionamento acabou, saiu do grupo. Mais tarde o trio remanescente transformaria no King Crimson, um dos pilares do Rock progressivo. Ou seja, se ela estivesse permanecido na banda ficaria mundialmente famosa.

Mais tarde faria parte do duo Trader Horne com Jackie McAuley, (que tocaria bateria no grupo de Van Morrison) lançando um único álbum, “Morning Way” (1970) e dois singles. Depois dessa experiência ela deixaria o mundo da música em 1973 e só voltaria a gravar em 2004.

É no novo século que ela se dedica a lançar álbuns solos (por que demorou tanto?) – “Enchanted Garden” (2004), “Spindle” (2006), “The Whorl” (2006) – sem chamar muita atenção. Embora o último trabalho “Talking with Strangers” (2009) ela recebe muitos elogios da crítica e nele contém participação de velhos amigos como Ian McDonald, Simon Nicol e Robert Fripp.

Judy Dyble nunca desistiu da música, apesar de todos os percalços de sua longa caminhada. “Talking with Strangers” é um belíssimo álbum, tornando seu maior sucesso e merecido. A versão para “C'est la vie" do Emerson Lake And Palmer é respeitável e o grande final com Harpsong, e seus quase 20 minutos é sublime.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Serge Gainsbourg – Percussions (1964)


O mundo é meio injusto mesmo. Lembro quando Paul Simon apareceu com o álbum Graceland (1986), as pessoas ficaram maravilhadas com a participação de músicos africanos e suas percussões exóticas – alguns desavisados acharam super original. Mas Serge Gainsbourg em 1964 já havia feito um álbum, como já diz o título “Percussions”, repleto de tambores africanos combinando com seu estilo jazzístico da primeira fase de sua carreira.

Pois é, estamos falando de 1964, e Fela Kuti, o músico nigeriano – o cara que uniu o jazz a música africana -, nem sonhava em gravar seu primeiro álbum; devia estar batendo tambor lá na sua terra. E o termo afrobeat só seria criado na década de 1970.

Tudo isso é para dizer que Serge já estava à frente de sua época. “Percussions” é o sexto álbum do sedutor francês e o que ouvimos é: percussão, coral, percussão, às vezes violão, percussão, às vezes um pouco de baixo, percussão, saxofone, e percussão.

Pelo que sei, Gainsbourg colocou doze cantores no álbum e quatro percussionistas e nos leva a uma viagem percussiva não só pela África Negra, mas para várias partes do mundo – World Music ainda não existe.

“Joanna”, a primeira faixa, nos leva para a atmosfera dos bares enfumaçados de New Orleans, “Coco & Co”, que fecha o álbum, traz ambiente de clube de jazz de alto nível, enquanto “Sambassadeur” é o carnaval do Rio de Janeiro. Falando em Brasil, “Ces Petits Riens” é quase uma Bossa Nova. Poucos momentos lembram as baladas jazzy com orquestrações tradicionais dos álbuns anteriores, é o caso de “Machins choses”.

É claro que neste trabalho, Gainsbourg foi influenciado pelo LP “Drums of Passion” (1959) do nigeriano Babatunde Olatunji, chegando a “roubar” a melodia de “Akiwowo (Chant To The Trainman)”, transformando-a em “New York – U.S.A.”. Mas mesmo pegando algumas coisas emprestadas aqui e acolá, é tudo mesclado aos elementos da chanson francesa, o que dá um sabor único às canções.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Joan Baez - Any Day Now (1968)


Era apenas uma moça e um violão, algo que nos dias de hoje é bastante banal. Mas naquela época na qual Joan Baez surgiu fazia uma enorme diferença. Foi no festival folk de Newport que aos 19 anos, ela chamou a atenção com seu folk tocado com simplicidade e voz calorosa – o que nos sempre deu a sensação dela estar sempre cantando bem perto de nós.

Seu pai, nascido em Puebla, México, foi coinventor do microscópio de raios-X e autor de um livro de física comumente usado nos Estados Unidos. Sua mãe era escocesa e pertencera a Igreja Episcopal da Escócia. Depois do casamento, eles foram viver na Califórnia e se converteram ao quakerismo. Joan Baez é a terceira filha do casal e nasceu em Nova York, a 9 de janeiro de 1941.

Ela sempre cantou músicas de protestos, mesmo antes de conhecer Bob Dylan. Seus primeiros trabalhos eram poucos autorais, cantando basicamente músicas tradicionais. Em 1963, enfim, ela conheceu Bob Dylan, época em que ela ficou conhecida como a Rainha do Folk. Os dois chegaram a ter um curto romance, vivendo juntos entre 1963 a 1965.


Em 1968, ela lançava Any Day Now, só com composições de Bob Dylan. Para quem nunca curtiu as canções de Dylan, por causa de sua voz fanhosa, este álbum é uma boa pedida. Any Day Now também foi o primeiro LP duplo de covers de Bob Dylan. Algunas canções chegam a superar as originais, como é o caso de Dear Landlord, One Too many Mornings e Sad Eyed Lady of the Lowlands.

Bob Dylan é o artista mais regravado até hoje. Desde seu surgimento músicos dos mais variados estilos o regravam, mas ninguém superou Joan Baez, principalmente em Any Day Now. Sua interpretação em Sad Eyed Lady of the Lowlands é comovente.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Siouxsie & the Banshees


Uma banda que surgiu em meio à cena punk (mas não eram punks) estava dentro daquilo que se categorizou de pós-punk, a Siouxsie & the Banshees praticava este estilo com um viés mais gótico – as más línguas diziam que o fulminante Bauhaus os copiou.

No começou era Steven Severin e Susan Ballion (Siouxsie); faziam parte da turma que acompanhava o Sex Pistols, o exótico The Bromley Contingent. Mas pelo menos, esses dois seguidores cansaram da tietagem e resolveram montar sua própria banda - A idéia inicial era tocar a mesma música o tempo suficiente para serem expulsos do palco pela platéia.

Estamos falando do final de 1976, época em que Severin e Susan mais um tal de John Simon Ritchie, na bateria, que logo adotaria o nome de Sid Vicious e Marco Pirroni (futuro Adam & the Ants) começaram a tocar juntos. Abriam para o Sex Pistols no lendário festival punk no 100 Club´s, em Londres. Tocaram um set de 20 minutos interpretando a “canção” The Lords Prayer.

A formação não durou, Vicious foi para o Sex Pistols e passaram a levar a coisa de forma mais profissional com Kenny Morris, bateria e John McKay, guitarra. Assinam com a Polydor em 1978, lançando o álbum The Scream e, no ano seguinte, Join Hands. Uma sonoridade difícil de descrever, até mesmo hoje - Pop? Rock?

Em 1979 entra o baterista Budgie, após a saída de Kenny Morris e John McKay. Começa um rodízio de guitarristas que duraria até o fim da carreira da banda. Um dos que passo pela banda era bem famoso: Robert Smith, do The Cure, que tocou nos álbuns Juju (81), Hyaena (1984) e o ao vivo Nocturne (1983). Era o auge da banda e também do início dos lançamentos de seus álbuns no Brasil em vinil: “Hyaena, Tinderbox (1986) e, para recuperar o atraso, a coletânea de singles “Once Upon a Time”.

A fase pós-punk começa a ser distanciada com o álbum Peepshow (1988), um dos melhores da banda, no qual trazia o hit “Peek-A-Boo”. Os trabalhos subseqüentes confirmariam uma abordagem mais acessível e comercial com Superstition (1991) e The Rapture (1995), mas a Siouxsie and the Banshess não sobreviveria ao novo Século, o que fez Siouxsie e Budgie a retomarem o projeto The Creatures.

Hoje, The Siouxsie and the Banshess exerce pouca influência nos artistas atuais. Em outras palavras: ficaram meio esquecidos. Podemos citar Garbage, PJ Harvey, TV on the Radio, Jane's Addiction, bandas que já declararam a influência sob suas músicas, mas ainda é pouco se considerarmos a quantidade de artistas que temos atualmente.

Um fato curioso foi quando Bono e The Edge citaram a banda como uma de suas maiores influências.



domingo, 6 de novembro de 2011

Relembrando Françoise Hardy


Françoise Hardy foi a grande divã do pop francês a partir dos anos 1960 e uma das primeiras cantoras pop de qualquer país a compor boa parte de seu repertório. Suas canções tocaram muito no rádio e influenciou muita gente boa: Marianne Faithful, Blur, Mutantes, Air e tantos outros.

De belo rosto, voz suave, delicadas interpretações e composições com inclinação sentimental e melancólica, Françoise Hardy, a menina tímida que vivia isolada com a mãe e sua irmã Michele, de 18 meses mais jovem, em um apartamento parisiense e como boa parte de sua geração canalizou todas suas emoções para a música.

Seu pai, gerente de uma fábrica de máquinas de calcular, casou com outra mulher e suas filhas mal o via - ele passava por lá três vezes por ano para vê-las e raramente pagava pensão alimentícia. Sua mãe teve que criá-las com seu salário de contadora.

A jovem Françoise passava horas ouvindo canções francesas no rádio sendo influenciada também pelo rock´n´roll, surf, jazz e folk. Mas foi quando ganhou seu primeiro violão que tudo mudou para ela. Seus pais não gostavam que Françoise passasse a maior parte do seu tempo livre compondo e cantando, cada vez mais, e negligenciando seus estudos. Assim, Hardy, uma estudante aplicada, decidiu estudar ciência política na universidade de Sorbonne, logo trocaria para Literatura.


No início dos anos 60, começou a atuar em vários clubes de Paris. Sua música autoral e sentimental chamou a atenção da Vogue Records na qual registrou seu primeiro single “Tous les garçons et les filles”, canção dela e Roger Samyn, que se tornou um de seus maiores sucessos; ela tinha apenas 18 anos! No mesmo ano, 1962, sairia seu primeiro LP de mesmo nome. A partir daí ela se tornou uma das maiores artistas do pop francês.

Françoise Hardy lançaria vários álbuns de sucesso até em 1974, entre eles destaca-se “Ma Jeneusse fout le camp” (1967), “Comment te dire adieu” (1968), La Question” (1971) e “Message Personnel” (1973). Ela dizia admiradora do produtor Phil Spector. Sua música e beleza atraiu gente como Bob Dylan, Mick Jagger e George Harrison, o que a fez regularmente gravar também em inglês, em vez do italiano (ela fazia muito sucesso na Itália) ou alemão (idioma o qual ela dominava).

Em meados dos anos 70, cansou de ser ícone da música e da moda, passa a se dedicar à astrologia, e até hoje lança discos raramente. Mas sua contribuição musical deixada nos anos 1960 já foi o suficiente para entrar para história não só da música francesa como da música universal.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

The Smiths - Strangeways, Here We Come (1987)


O último álbum do Smiths não ficou tão famoso quanto os anteriores, mas não fica atrás em qualidade musical – até se superaram em experimentações sonoras, buscando fugir um pouco do convencional baixo, bateria, guitarra e eventuais teclados. Johnny Marr chegou a dizer que queria afastar do estilo “jingle jangle” do som anterior e buscou – pasme – referências no “White Album” dos Beatles!

Enquanto Marr passou também a escrever arranjos requintados para cordas e saxofone, Morrissey imprimiu uma dramatização inédita em suas interpretações, chegando a rasgar a voz em "A Rush and a Push and the Land is Ours". Outra surpresa está nas sutis incursões pelos caminhos do rock psicodélico em "Death of a Disco Dancer". É o único álbum dos Smiths no qual Morrissey toca um instrumento (piano). Segundo Johnny Marr, ele apenas ficou batendo nas teclas.

O nome do álbum se refere a uma conhecida prisão em Manchester. Marr queria expandir a banda, levando-a a outro nível musical e se possível a um sucesso global, o que Morrissey se opôs. Além de entrar constantemente em atrito com o novo empresário, Ken Friedman, o qual Marr apostava suas fichas.

Strangeways, Here We Come” sairia pela EMI (eles tinham acabado de assinar com essa gravadora), mas ainda deviam um álbum para a independente Rough Trade. Embora não muito popular, Strangeways.... é considerado por muitos o melhor trabalho da banda e só não foi mais inovador por causa da tensão entre Marr e Morrissey, sendo que este último barrava as idéias de Marr.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Gênio incompreendido - Richard Ashcroft


Richard Ashcroft está de volta - ele que foi o grande vocalista da banda The Verve. Sua carreira solo é magnífica, embora não faça muito sucesso, mesmo quando voltou com sua ex-banda em 2008, a repercussão estrondosa de Urban Hymns (1997) não se repetiu. Não é difícil de entender, afinal, muito da fama deste álbum veio de “Bittersweet Symphony” que tornou um mega-hit e conquistou a massa pop. É aí que está todo o problema: a massa pop! Ela só se interessa por mega-hits.

O primeiro trabalho solo, “Alone With Everybody” até chegou a chamar a atenção da mídia e obteve um hit: “A Song for the Lovers” uma canção inspirada no Joy Division, cujo título Ashcroft confessou que roubou de um poema de Charles Bukowski. Seguiram-se mais alguns álbuns (maravilhosos por sinal), mas sua música se tornou muito adulta para o público jovem, que até então o idolatrava e o via como um provável porta-voz de uma geração. "Eu não estou interessado em ser um pregador, eu não quero prêmios, eu não quero multidões me seguindo, eu só quero continuar fazendo minhas canções.", declarou Ashcroft em certa altura de sua carreira solo.

Fã do cantor Gene Clark (tocou no The Byrds), Sly and the Family Stone e uma veneração por John Lennon, que nunca escondeu. Richard sempre encarnou o gênio incompreendido. Filho primogênito, seguido por duas irmãs, Victoria e Laura, durante seus primeiros dez anos de vida passou por constantes visitas ao médico, com uma variedade de doenças devido ao seu corpo magro. Na idade de onze anos, perdeu o pai – este acontecimento teve um enorme efeito em sua formação, que o fez desenvolver uma personalidade mais séria em relação à sua idade.
Em entrevistas sobre sua infância, comentou certa vez: “as outras crianças brincavam com figuras de ação quando eu só questionava a vida e a sociedade.” Seu desinteresse geral pela escola o fez um estudante impopular e indesejado pelos professores. Mas encontrou uma fuga no esporte. Na idade de treze anos foi um dos melhores no time de futebol da escola - pensou seriamente em ser jogador profissional -, mas logo encontrou outra paixão: a música. Em uma entrevista ele disse “sempre foi uma pessoa deprimida, e que a música o ajudou a superar esse problema.”

Richard Ashcroft junto a alguns amigos montou o Verve (só anos mais tarde mudou para The Verve) em 1989 e com a banda, veio as drogas. Ainda no início da carreira, quando promoviam o álbum “A Storm in Heaven” (1993), ele já passava por sérios problemas com drogas, chegando a sofrer desidratação severa devido ao abuso delas antes de um show.
Apesar da banda sempre dizerem que estava encerrando as atividades sempre voltavam. E numa dessas voltas foi lançado Urban Hymns (1997), sem dúvida uma obra-prima irretocável. Assim o The Verve entrou para história do rock.

Mesmo satisfeito em estar em carreira solo, Richard sempre sentiu falta de estar numa banda e, portanto, em 2010 resolveu montar uma chamada RPA& The United Nations of Sound, mas ele é o líder e autor de todas as composições. No entanto, recebeu ajuda, queria modernizar sua música e chamou convidou para produzir o álbum No ID, produtor norte-americano de hip hop e sujeito famoso por produzir o rapper Jay-Z. Mas por que um produtor de hip hop? Richard sempre disse que a música “Bitter Sweet Symphony” teve inspiração nesse estilo.
Na cola, veio o lendário Benjamin Wright para contribuir com arranjos de cordas. Wright já trabalhou com uma variedade de artistas que vão de Aretha Franklin a Outkast e foi responsável pelos arranjos em “Thriller” de Michael Jackson.

Portanto, RPA& The United Nations of Sound, soa moderno, eclético, ao mesmo tempo em que mantém as características principais de Richard Ashcroft. Realmente o álbum tem mais cara de banda, trazendo influência de rap (Thrid Eye), soul (Life Can Be So Beautiful) e gospel (“Glory”). Também pega emprestado riff alheio, no caso John Lee Hooker em How Deep Is Your Man e Velvet Underground, na qual você jura que é um cover the Sweet Jane até entrar a letra. E como sempre, Richard é mestre em fazer belas baladas, aqui aparece com “She Brings Me the Music”, uma em homenagem a sua esposa Kate Radley e “Good Loving”.

O álbum não tem sido muito bem sucedido, como os singles lançados, já que as críticas foram em geral negativas, embora estreou no número 20 nas paradas no Reino Unido , mas caindo na semana seguinte indo para o número 59.
Que importância isso tem? Veja os artistas que dominam as paradas de sucesso e que vendem milhões de álbuns. Tirando raras exceções, são medíocres. Mas Richard Ashcroft é um gênio, e como todo gênio é incompreendido em sua época.


RPA and the United Nations of Sound - Are You... por EMI_Music

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Josh Ritter, artista ainda desconhecido do grande público no Brasil


Pouco importa se a música de Josh Ritter não ficou muito popular junto à massa pop. Pouco importa se não toca nas rádios. Pouco importa, também, se ele não consta nas listas de iPods dos descolados, não é citado pelos “famosos” e não toca nas baladas mais agitadas do momento. O que importa é que sua música existe e é ótima. Talvez daqui uns 20 anos, algum arqueólogo musical o descobrirá e ele passará a ser idolatrado – nunca sabemos o que a juventude vai cultuar no futuro.

Josh Ritter moldou sua música ouvindo mestres como Bob Dylan, Leonard Cohen e Johnny Cash. Ele já tem uma pancada de discos lançados; é um cara ainda jovem – lançou seu primeiro álbum em 2000. E sabe o que é legal no seu folk-pop-indie? É que ao mesmo tempo em que sua música parece antiga, feita lá pelos idos dos anos 70, soa moderna.

Seu último trabalho se chama “So Runs The World Away”, de 2010, e recentemente o rapaz lançou um romance chamado “Bright´s Passage”. Nascido em Moscow, Idaho (EUA), quando garoto ouviu a canção “Girl Form the North Country” de Bob Dylan, do álbum Nashville Skyline e resolveu ser músico. Primeiramente tentou fazer musica em um alaúde construído pelo seu pai, mas logo comprou sua primeira guitarra. Seu primeiro trabalho autointitulado não passou desapercebido, mas após o segundo, “Golden Age of Radio” sua carreira decolou. De lá pra cá sempre recebeu grandes elogios da crítica,nem tanto do grande público. Ou seja, este cara é cult.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A Sensibilidade indie de Saharan Gazelle Boy


Synthpop feito pela geração Z carregado por uma sensibilidade indie nostálgica. Assim podemos definir este projeto chamado Saharan Gazelle Boy, criado pelo músico da banda Capybara, Darin Seal. A idéia vem desde que Seal tinha 16 anos, quando imaginava em fazer canções ensolaradas e despojadas, diferentes do Capybara, que é algo mais sério.

Saharan Gazelle Boy já produziu dois EP´s: são eles Airplanes Can´t (2009) e Strange Teen Heart (2010), este último tem contribuição de sua amiga Sarah Handelman (também do Sea Change), que ajudou com a produção do álbum e fez alguns vocais e tocou teclado. Ambos saíram pela Record Machine, aliás selo que têm lançado o melhor do indie (veja aqui)

Sabe aquelas músicas que são boas de curtirem quando vai ao parque em um domingo, comer algodão doce e brincar com as crianças? Pois é. Saharan Gazelle Boy cai bem nesses momentos. Muito porque as canções carregam ares de ingenuidade, tranqüilas e melancólicas (mas não depressivas). “Song Cupid”, por exemplo poderia muito bem ter sido gravada pelo New Order. É uma faixa viciante que parece que feita em 1984, não em 2010.



domingo, 9 de outubro de 2011

Ten Years After - A Space in Time (1971)


Depois de Jimi Hendrix, ninguém além de Alvin Lee, guitarrista e líder do Ten Years After chamou mais a atenção no primeiro Woodstock, em 1969. As imagens antológicas da banda tocando a versão longuíssima de “I´m Going Home” confirmam a merecida colocação de segundo melhor guitarrista do festival – quem não se lembra da cena de Lee, ao final da apresentação, carregando uma melancia nas costas? Dizem que ele a pegou na fazendo.

Se a partir dos anos 1980 apareceram guitarristas preocupados em fazer solos na velocidade da luz, temos em Alvin Lee, o primeiro a ganhar a fama de guitarrista mais rápido do mundo – sim, é dele o título de guitarrista mais veloz daquela época.

Blues, rock´n´roll, psicodelia e forte influência de jazz eram a receita dos primeiros álbuns – Ten Years After (1967), Stonehenge (1968) e Undead (1968). Trabalhos mais pesados, já afastando um pouco da influência jazzística e psicodélica, vieram com Ssssh (1969) e Cricklewood Green (1970), fazendo do Ten Years After um dos grandes nomes do blues rock.

Já longe da associação com o Woodstock e com uma sonoridade mais próximo de bandas como Free e Led Zeppelin, principalmente deste último, na qual intercalava blues pesados com baladas acústica, o Ten Years After lança em 1971 “A Space in Time” no qual traz seu maior hit “I'd Love to Change the World”. Outras canções que marcaram época foram “Over The Hill”, “Hard Monkeys” e “I´ve Been There Too”. Tudo dentro de uma produção impecável e arranjos mais bem trabalhados.

“A Space in Time” encerra o auge da banda, e lentamente o grupo vai entrando em declínio, o sucesso do álbum levou-os a longas turnês pelo EUA, que os desgastou bastante, principalmente Alvin Lee que se recusava a ser um “jukebox andante”. “Positive Vibrations”, de 1974, seria o último esforço nos anos 1970. O grupo só voltaria a se reunir no final da década de 1980, mas sem a mesma magia do passado.

domingo, 2 de outubro de 2011

Zola Jesus - Conatus (2011)



“Minha música vai sempre soar Zola Jesus”

Este novo trabalho de Zola Jesus, como já era de se esperar, pelo que se ouviu em seus últimos trabalhos, soa mais acessível. No entanto as canções são puro Zola Jesus, o que significa que ela continua tendo como referência o gótico dos anos 80 (principalmente Siouxsie and the Banshees e Diamanda Galas), mas também certas tendências mais líricas dos anos 90 e synth pop sombrio.

Conatus é o terceiro álbum da cantora, sem contar os vários EP´s e singles, que segunda ela é uma celebração à dança. Antes do lançamento oficial, 04 de outubro de 2011, fomos agraciados por dois singles, “Vessel” e “Seekir”. Ambas as canções mostram que Zola Jesus está cantando bem melhor, mostrando-se bem mais segura – ainda bem que ela desistiu de fazer o álbum totalmente instrumental.

Os sons eletrônicos estão mais refinados e traz arranjos de cordas que só fez com que sua música ficasse mais rica como na maravilhosa “In Your Nature” e “Hikikomori” – sabiam que a música preferida dos Beatles para ela é “Eleanor Rigby”?. A balada ao piano “Skin”, talvez seja a mais bonita de sua carreira até o momento.

Todas as canções de Conatus foram escritas por Zola, enquanto a produção é compartilhada com Brian Foote.


Nika Roza Danilova inventou a identidade de Zola Jesus aos 15 anos, quando resolveu apagar sua identidade original, numa espécie de auto-alienação concedida. Deparou-se com um livro de Emile Zola e pensou que o nome soava bem. Por ser uma combinação incongruente com Jesus, gostou. Afinal Zola e Jesus eram revolucionários, ela costuma justificar.

Passou parte da infância em Phoenix, Arizona, e adolescência em Madison, Wisconsin, antes de se mudar para Los Angeles. Não tinha nada em comum com os adolescentes da sua idade que só ouvia música pop, muitas vezes, entendidas como “alternativas”. Sua sintonia era com seu irmão altista de quem se sentia muito próxima. Para ela, seu irmão tem uma maneira de perceber a realidade bem diferente, um mundo que pertence somente a ele. Mundo esse, que acabou se refletindo em sua música.

Nika estava destinada a seguir uma carreira de cantora de ópera. Estudou canto intensamente por dez anos - começou aos nove anos. Desistiu da ópera e resolveu fazer sua própria música. Ela sempre se sentiu distante do mito sexo, drogas e rock´n´roll. Ela acredita que as pessoas hoje estão desesperadas para se tornarem celebridades. “Elas sonham em ser ricas, mas ficam cada vez mais egoístas enquanto artistas mais criativos e autênticos são normalmente condenados ao anonimato e à marginalidade”. Dostoiévski, Gogol e Turgenev estão entre seus escritores favoritos.

Se você está cansado de cantoras pop excêntricas que não sabem mais o que fazer pra conquistar o público, Zola Jesus é uma boa pedida.

domingo, 25 de setembro de 2011

Procol Harum – Procol Harum (1967)


O Procol Harum tem uma coleção de álbuns maravilhosos e lindas canções como “Homburgo”, “A Salty Dog” e “Song for A Dreamer”, mas sempre serão lembrados principalmente por terem feito uma das musicais lindas que o mundo já ouviu: “A Whiter Shade of Pale”. A canção foi lançada em 12 de maio de 1967, tendo como tema um poema surrealista escrito por Keith Red e música de Gary Brooker que se inspirou em uma peça clássica de Johnn Sebastian Bach (Aria em Sol Maior da Suite Nº 3 em Ré Maior).

“A Whiter Shade of Pale” entrou no top dez da Billboard em 15 de julho (décima posição), atingindo a quinta posição duas semanas depois, permanecendo no top 10 durante seis semanas. Somente nos EUA, o single da canção vendeu 1 milhão de álbuns e 6 milhões de cópias no mundo todo.

É considerada a música mais tocada nos últimos 75 anos em locais públicos no Reino Unido (2009). Aparece no 57º lugar na lista das 500 maiores músicas de todos os tempos da Revista Rolling Stone.

Porém, o sucesso do single “A Whiter Shade of Pale” não ajudou muito a elevar as vendas do primeiro LP autointitulado, levando-o apenas a um relativo sucesso na América e Reino Unido. O álbum é uma envolvente fusão de rock psicodélico, blues e influências clássicas com letras fantasmagóricas.

Engraçado é a origem do nome Procol Harum. De todas as fontes pesquisadas, o nome veio de um gato siamês; umas dizem que o bichano era de uma amiga (ou amigo) de Guy Stevens (empresário da banda); outras dizem que o gato era de Keith Reid (poeta que fazia as letras para o grupo). Afinal, de quem era o gato?

A formação que gravou o primeiro álbum era formada por: Gary Brooker (piano e vocal), B. J. Wilson (bateria), Robin Trower (guitarra), Matthew Fisher (órgão) e David Knights (baixo). Este time de músicos produziriam os melhores trabalhos da banda e seguiram juntos por mais três anos.

Mas não é só “A White Shade of Pale” que embeleza o primeiro disco da banda. “Conquistador” é outro hit, só que, vá entender, em 1973, que foi fazer sucesso com outra regravação. “Repent Walpurgis” é outra canção inspirada em Bach, na qual mostra todo grande desempenho dos músicos.

Enfim, o Procol Harum começou muito bem e mantiveram respeito ao longo dos anos 1970 e aos poucos foram dos estúdios e nos palcos raramente aparecem com uma formação diferente, mas sempre com Brooke, que nunca deixou a banda. Uma banda no mínimo curiosa, que inventou uma música baseada em dois teclados e um vocalista com uma voz bem ao estilo Ray Charles.

sábado, 17 de setembro de 2011

The Gathering - West Pole (2009)



Quando a vocalista Anneke van Giersbergen saiu do The Gathering, a primeira coisa que veio à mente foi: agora a banda já era. Esse foi o sentimento não só meu, mas de muitos outros fãs: afinal Anneke foi a melhor vocalista e lançou os melhores álbuns junto ao grupo.

Ainda sobre o efeito do último trabalho de estúdio, Home (2007) – acreditava que era um álbum insuperável – então, fui ouvir em 2009, a estreia da nova vocalista Silje Wergeland, conhecida por tocar na banda Octavia Sperati, que não era lá grande coisa. Ok. Mas você logo pensa: o The Gathering tem o guitarrista René Rutten e seu irmão Hans Rutten na bateria, o que significa que não deixariam a peteca cair. E no mais Anneke nem foi a primeira vocalista da banda. Embora fosse ela quem trouxe novos elementos à banda, afastando da influência do até então Black/Doom Metal praticado por eles – aquelas chatices de vocais guturais – para um som mais atmosférico, progressivo e até com influência de trip hop.

Nesse espírito de desconfiança, fui ouvir West Pole, não esperando muita coisa. O álbum abre com a faixa instrumental "When Trust Becomes Sound", um misto de Sonic Youth com Mogwai num caos sonoro absurdo e meus os olhos já começam a brilhar de alegria, com o sorriso logo aparecendo. Na segunda, “Treasure”, Silje Wergeland aparece com seu vocal – tudo bem que meio imitando Anneke –, no entanto, não tem como não se render: a música é linda! “All You Are” não deixa o pique cair, The West Pole poderia estar em Home perfeitamente e "No Bird Call", com sua atmosfera melancólica, é uma das melhores do álbum.

Há participação da cantora Marcela Bovio (Stream of Passion) em "Pales Traces" e Anne van den Hoogen em "Capital of Nowhere". A guitarra de René se faz mais presente em "No One Spoke" e o álbum fecha magistralmente com “A Constant Run” e seu final maravilhoso. Disco bom é assim, ao terminar de ouvi-lo você fica sem palavras...



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Black Sabbath - Technical Ecstasy (1976)


Às vezes para curtir certos álbuns temos que esquecer qual é a banda e procurar analisar o trabalho em si. Este é o caso de Technical Ecstasy do Black Sabbath. Os fãs deveriam esquecer que se trata da famosa banda precursora do heavy metal e os que sempre desdenharam o estilo musical do grupo procurar ouvi-lo por outro ângulo.

Technical Ecstasy é considerado o pior trabalho do Black Sabbath com Ozzy Osbourne nos vocais. - uma ladainha que vem se repetindo desde o final dos anos setenta sem uma análise mais detalhada. Talvez porque foi quando ocorreram às gravações do álbum que as brigas internas – principalmente entre Ozzy e Iommi – se intensificaram e também o álbum não trazer nenhum grande hit ou uma faixa que marcasse época, como ocorreu nos trabalhos anteriores. Ou seja, nada de riffs antológicos nos moldes de Iron Man, War Pigs, Children of the Grave e Snowblind.

Technical Ecstasy dá sequência às experimentações progressivas que vinham desde Sabbath Bloody Sabbath, com a inclusão maior de teclados. À época tinha Rick Wakeman, desta feita Gerald Woodruffe comanda os arranjos orquestrais.
O álbum, em algumas canções, Ozzy sai das costumeiras vocalizações injuriadas e se arrisca uns vocais rasgados como na faixa de abertura Back Street Kids e Dirty Women com suas várias mudanças de andamento.  Aliás, mudanças de ritmos em uma mesma canção são características que sempre estiveram presente na banda, mas em Technical Ecstasy é algo fabuloso, basta ouvir Gypsy e All Moving Partis (stand Still).

Em Rock´n Roll Doctor, o Black Sabbath se arrisca em um rock´n´roll bem ao estilo Blue Öyster Cult e dos sulistas do Black Oak Arkansas, banda com a qual vinha excursionando juntos.

A balada chorosa She´s Gone, com arranjo orquestral, causou estranheza e talvez até repulsa aos fãs mais radicais. Mas é na faixa It´s Alright que o Black Sabbath soa diferente de tudo que  já fizeram até então. Com um arranjo à la Beatles, a música é cantada pelo baterista Bill Ward, que além de ser uma linda balada, Ward surpreende com uma bela voz. Iommi também não deixa por menos, e a enriquece com lindo solo de violão.

Fato interessante, é que a canção foi vista apenas como um exercício de estúdio, Ozzy não a cantou por não estar legal no dia, embora ele aprovasse o vocal de Bill Ward.

A capa foi feita pelo Hipgnosis, responsável pela maioria das capas do Pink Floyd e Led Zeppelin. Ilustração que sugere o acoplamento de dois robôs. Osbourne preferiu ser mais enfático, descrevendo-a como “dois robôs que fodem em uma escada rolante”.

Ozzy deixou a banda logo após o lançamento do álbum por um período. Voltaria para as gravações do trabalho seguinte, Never Say Die! Mas não ficou até o final. Iommi o expulsou da banda por causa de seus excessos de álcool e drogas. Ozzy também andava de saco cheio das egotrips jazzísticas de Iommi – reparem a faixa Break Out de Never Say Die! e diga se aquilo é Black Sabbath.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Quando Robert Plant tentava se adaptar aos "Anos 80"


No início da década de 1980, Robert Plant embarcou em uma carreira solo a qual buscava diferenciar bastante da sua extinta banda, o Led Zeppelin. Era a busca de uma nova identidade - embora estivesse mais para a falta dela. Optando por um visual Daryl Hall & John Oates, duo que fez muito sucesso à época, o blues, o hard rock e os riffs pesados de guitarra passam longe de seus dois primeiros álbuns, Pictures at Eleven (1982) e The Principle of Moments (1983).

Em Pictures at Eleven, Plant foi assessorado por Phil Collins, Cozy Powell e a guitarra de Robbie Blunt. O que se ouve é uma musica mais tranqüila, um pop sem ser apelativo, cantado em forma suave, mesmo que ainda contenha uns blues, passa bem longe dos gritinhos orgasmáticos carregados de “baby baby baby” que tanto caracterizou o Led Zeppelin.

O segundo, trabalho The Principle of Moments ,não diferencia muito do anterior, inclusive mantém praticamente os mesmos músicos, sendo um pouco mais pop. Nele encontra-se a bela canção "Big Long" com seu belo arranjo de guitarra; a música alcançou o Top 20 nos EUA e Reino Unido. Mas a canção que chegou ao número um da Billboard foi “Other Arms”. "The Mood" é outra faixa que também se destaca.

Robert Plant, hoje, parece não gostar de comentar sobre estes dois álbuns. Lembro que, uma vez, em entrevista, chegou a dizer que não estava sendo ele mesmo: meio perdido, sem direção, tentando se adaptar aos novos rumos que a música caminha a partir de 1980. Ou seja, ele estava tentando se enquadrar à new wave e a um rock mais pop que vinha dominando as paradas de sucesso.

Os vídeos abaixo comprovam bem o dito acima:





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Autumn Tears – The Hallowing (2007)


The Hallowing é o último trabalho da finada banda Autumn Tears. Nele, apenas Ted Tringo permaneceu da formação original. No entanto, a maioria das composições sempre foi dele. Eles que começaram numa linha mais próxima de bandas como Dead Can Dance, Stoa, e Arcana, ou seja, um gótico mais etéreo que aos poucos foram se aproximando do neoclássico até chegar nesse The Hallowing.

O que se houve nas 10 faixas de The Hallowing é um estilo de música mais próximo da clássico e da música de câmara. Observa-se influências de mestres como Back, Brams, Hayden e Mahler. Os fãs antigos não gostaram muito desse direcionamento e muito menos por não ter mais os vocais nem de Erika Swinnich, nem de Jeniffer LeeAnna, cantoras que passaram pelo Autumn Tears. Mas não podemos negar que a voz de Laurie Ann Haus (quem se lembra dela na banda Rain Fell Within?) é excelente e combinou muito bem com o novo direcionamento musical que havia começado no trabalho anterior, Eclipse.

O interessante no Autumn Tears é saber que se trata de uma banda norte-americana, pois sua música nos remete sempre a velha Europa, tanto que eles sempre venderam muito bem por lá, muito mais do qualquer outro lugar. Como em todos seus álbuns, é difícil destacar as melhores canções, mas The Hallowing mereceu dar nome ao CD, e de cola, destaca-se também a abertura com Dies Irae com seu belo coro, o piano melancólico de Keep Me Here, a qual destaca a voz de Laurie ann Haus e The Last King Falls.
Um pouco mais sobre o Autumn Tears – A banda tem origem em dois amigos, Erika Swinnich e Ted Tringo que se conheciam desde os tempos de escola. Fãs de heavy metal e apreciadores de outras expressões musicais que valorizava os estados da Alma, se viram diante de um elaborado projeto musical.

De início, Ted pensou em convidar uma mulher pra recitar poesia sobre a música, mas depois viu que a idéia poderia ser meio chata e resolver que Erika poderia cantar. Assim, surge a saga “Love Poems for Dying Children”, uma longa história que se desenvolve em três CD´s, em act I, II e II. Segundo Erika é sobre o espírito vampiresco da natureza, mas com final feliz.

Desde 1995 a dupla vinha escrevendo as letras para no ano seguinte lançar o Act I de Love Poems for Dying Children. Após o Act II, Erika resolveu deixar a banda para se dedicar a escrever um romance. É quando entra a Jennifer Lee Anna, é quando sai o mini CD “Absolution” e logo após Erika volta à banda. Dizem as más línguas que ela ficou enciumada, pois Jennifer era muito mais profissional. Por sorte, as moças se entendem bem e passam a dividir os vocais no Act III: Winter and the Broken Angel.

Muitos consideram este o melhor trabalho devido os grandes duetos entre as duas.
Em 2001 saiu Eclipse, o último trabalho com Erika (saiu para montar a banda de heavy metal Ignitor) e o grupo acrescenta vários membros, no qual inclui a estreia de Laurie Ann Haus. É nele que a música densa e gótica deixa pouca influência na nova direção neoclassica.



sábado, 27 de agosto de 2011

Tuomas Holopainen, o gênio por trás do Nightwish



Tudo começou como um projeto acústico de Tuomas em 1996, que logo viria a ser a banda de maior êxito da Finlândia, com mais de 7 milhões de cópias vendidas à nível mundial, 11 discos de ouro e 30 discos de platina.

O Nightwish influenciaria bandas de metal no mundo inteiro, inclusive várias no Brasil, aliás, país no qual a banda tem incontáveis números de fãs. Quando a soprano Tarja Turunen foi dispensada, muito foi questionado sobre o futuro da banda e se o nível elevado do Nightwish cairia. No entanto, embora as atenções estivessem na cantora, esqueceram que o gênio por trás da banda se chamava Tuomas Holopainen.

Desde cedo envolvido com música, aos sete anos já tocava clarineta e piano; até clarineta chegou a aprender, quando passou por uma banda de jazz. Tuomas também estudou teoria musical por 11 anos.

Foi depois de assistir a um show do Metallica, aos 15 anos, que decidiu abraçar o heavy metal como estilo que passaria a se dedicar. Logo se juntaria ao Dismal Silence, sua primeira banda, na qual já havia trocado o piano pelo sintetizador. Aos 19, ele tocou no grupo Darkwoods my Betrothed que conseguiu um contrato com uma gravadora. Época em que compôs sua primeira canção: A New Heaven A New Earth.

Uma bela noite em 1996 (Tuomas tinha 20 anos de idade) foi para uma ilha em Kitee com alguns amigos. Lá surge a idéia do projeto Nightwish, que logo viraria banda. Época em que Tarja Turunen, uma estudante da Sibelius Academy que Tuomas conhecia desde a idade de 13 anos (eles tocaram no mesmo grupo de ... jazz!), entraria para o projeto, ela concordou imediatamente em participar, embora ela não conhecia quase nada de heavy metal.

Desde e que gravaram o primeiro álbum, a fama do Nightwish passaria a correr o mundo e o nome de Tuomas também, o que o levaria a ser convidado para vários projetos, inclusive a compor uma trilha sonora para cinema, o filme Lieksa. É convidado para fazer parte da banda de Gothic metal finlandesa For My Pain, na qual está até hoje e várias contribuições com outras bandas e artistas.

Tuomas Holopainen é grande admirador de música erudita, cinema e literatura. É o responsável por quase todas as letras e composições do Nightwish, além de incrível letrista e poeta. Ele só não é mais reconhecido porque é apenas associado ao heavy metal, estilo em que existe ainda muito preconceito.

O último trabalho do Nighwish, Dark Passion Play, não fez feio, é de uma beleza absurda, basta ouvir a épica The Poet and the Pendulum e estamos conversados. Ainda que Tarja não esteja mais presente, a sueca Anette Olzon (ex-Alyson Avenue) se adaptou muito bem à banda.

O mundo agora aguarda o mais ambicioso projeto de Tuomas Holopainem (o Jack Sparrow do Heavy Metal!) junto ao Nightwihs, o filme e álbum Imaginarium. Apesar da demora, Dark Passion Play é de 2007, a espera parece valer à pena, pois a dedicação tanto do Tuomas quanto o restante da banda tem sido incrível, e afinal, há um gênio trabalhando: Tuomas Holopainen.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Jerry Garcia



Eric Clapton além de ter ficado famoso por ser “deus” (Clapton is God) também ficou conhecido por ter a mão leve (slowhand), mas quem tinha mão leve para tocar era Jerry Garcia, seus solos tranqüilos, viajandões, seguiam uma estrutura jazzística em que você podia ouvir durante horas sem enjoar. Seus dedos deslizavam com desenvoltura pelas cordas da guitarra.

Os shows do Grateful Dead deram fama à banda pelas improvisações que chegavam às vezes durar a noite inteira, ou seja, até ao raiar da manhã. Também os improvisos nas canções não tinham fim! Para se ter uma idéia a música Dark Star chegava a ter mais de 50 minutos de duração algumas vezes. Sim, o Grateful Dead foi uma das bandas que mais fizeram shows nesse planeta, desde seu início em 1965 até a morte de Garcia, em 1995, não pararam. E, claro, com os deadheads (nome dado aos fãs mais radicais) seguindo-os para tudo que lugar.


Todo grande músico cria um estilo inconfundível de tocar, e Garcia não foge a regra. Todo fã reconhece seus solos nas primeiras notas. Nunca foi um guitarrista de tocar de forma estridente, abusando de distorções, seus solos eram tranqüilos - que refletia muito seu jeito de ser -, longos e ao vivo nunca tocava uma música da mesma forma.

Jerry Garcia quando criança teve dois terços do seu dedo direito médio amputado, quando de férias em Santa Cruz, estava com o irmão cortando lenha e não foi ágil o suficiente para tirar a mão na hora certa e o machado decepou seu dedo, ele tinha apenas quatro anos. Como aconteceu com Tony Iommi (Black Sabbath) a falta de um pedaço do dedo acabou influenciando em sua maneira de tocar.

Um ano depois da perda do seguimento de seu dedo, perde o pai afagado em um rio quando pescava. Em 1964, já tinha experimentado LSD, época também de grandes aventuras e com o coração dividido entre a música e as artes (desenho e pintura). Mas foi depois de um acidente de automóvel no qual o jogou para fora da janela, que o fez refletir sobre sua vida e resolveu dedicar integralmente a música.

Sua banda do coração sempre foi o Grateful Dead, mas manteve vários projetos e colaborou com vários artistas ao longo de sua carreira - Jefferson Airplane, Warren Zevon, Country Joe McDonald ,Tom Fogerty, Crosby, Stills, Nash and Young, David Bromberg, Robert Hunter e tantos outros, são alguns que foram agraciados com sua presença.

Nos últimos anos de vida foi ganhando uma aparência de Papai Noel hippie e mantendo seu visual de pessoa simples, calça jeans surrada, camiseta, ou seja, anti-rock star. Reconhecido pela revista Rolling Stones como um dos maiores guitarristas do mundo (13º numa lista de 100), embora acho que ele merecia posição melhor.
Jerry Garcia faleceu devido a um ataque cardíaco em 1995, aos 53 anos, em uma clinica de desintoxicação em Forest Knolls.

domingo, 14 de agosto de 2011

Ten Songs by Tucker Zimmerman (1969) - Tucker Zimmerman


O cantor Tucker Zimmerman veio ao mundo no mesmo dia que eu (14 de fevereiro), portanto, um aquariano. Nascido em San Francisco, Califórnia, estudou violino (feito pelo avô) entre a idade de 4 a 7 anos. Logo mudaria para Healdsburg (uma cidade rural no norte da Califórnia), onde permaneceu até os 17 anos.

Seu aprendizado de música estendeu ao domínio do piano e trombone. Em sua primeira banda de rock tocava piano, sax, baixo e bateria. Quando voltou a sua cidade natal, em 1958, estudou música por mais dois anos e foi tocar trombone em grupos de jazz.
Em 1966 já tinha mestrado em Teoria e Composição, tendo também aulas particulares de composição com Henry Onderdonk até que começa a escrever suas próprias canções usando gaita e violão. Entre 1965 e 1966 chegou a escrever mais de 800 músicas.

Seu estudo de música vai até 1968 quando já tinha estudado composição em Roma, pois havia ganhado uma bolsa para estudar na Santa Cecília Academy. Ao deixar o mundo acadêmico, mudou-se para Inglaterra, vivendo primeiro em Londres e depois em Oxford, fazendo shows com nomes falsos, se passando por um canadense, já que não foi lhe concedida uma autorização de trabalho.

Em 1969 gravou seu primeiro álbum produzido por Tony Visconti (que ficaria famoso produzindo T. Rex e David Bowie) para a Regal Zonophone Records. Tucker Zimmerman: "Embora morando na Inglaterra, escrevi 150 canções, mas eu não consegui um único artista em Londres para cantar uma” . O álbum uma mistura de folk, rock e blues não fez sucesso nenhum e também a gravadora não fez questão de promover o álbum.

Zimmerman soube mais tarde que a gravadora assinou com ele apenas para mantê-lo na geladeira por três anos. Eles não queriam que ele atrapalhasse um outro cantor folk (britânico) que estava começando a muito certo.

Tucker Zimmerman só foi gravar novamente em 1971 o segundo álbum, levando-o a uma carreira muito inconstante, lançando raramente um novo trabalho de onde passou a viver, desde os anos 1970, na Bélgica.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Manuel Göttsching - Dream & Desire (1977)


A música nunca foi tão livre à experimentação quanto à época do krautrock (também conhecido como Kosmische Musik) na Alemanha. Nenhum outro país se atreveu tanto musicalmente: jazz, rock, psicodelia, blues, música erudita, a excipiente música eletrônica e principalmente os trabalhos de Kartheinz Stockhausen foram colocados no liquidificador das experimentações abertas à muito improviso.

Pode-se dizer que o auge do krautrock foi entre 1969 a 1973, após esse período muitas bandas se desfizeram e outras passaram a fazer uma música mais acessível, como é o caso do Kraftwerk, Can e Tangerine Dream. Outros artistas como Conrad Schnitzler, Faust nunca saíram da marginalidade musical. Era o surrealismo como fuga da realidade alemã pós-guerra.

Manuel Göttsching figura chave nesse movimento e líder do emblemático Ash Ra Tempel, banda em que era líder e teve como integrante o excepcional Klaus Schulzer, foi um dos mais persistentes em prosseguir carreira em experimentações sonoras. Inspirado por compositores minimalistas como Terry Riley, Steve Reiche e Philip Glass, Göttsching em sua careira solo pós sua guitarra a serviço de viagens eletrônicas sublimes.

Dream & Desire, gravado originalmente em 1977, nos lembra muito o álbum New Age of Earth (1975) onde sintetizadores e seqüenciadores mantêm a atmosfera onírica e tranqüila enquanto a guitarra delicada de Göttsching nos guia para não perdermos de vez em uma dimensão estranha ao nosso mundo “real”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

The Waterboys - This Is The Sea (1985)


Quando o The Waterboys lançou seu terceiro trabalho, This Is the Sea, e conquistou um público maior, principalmente por causa da música The Whole of the Moon, eles poderiam ter seguido a trilha do U2 e trafegar pelo megacircuito ianque – à época, eles abriram para eles a turnê note-americana. Mas não, no álbum subseqüente preferiram refugiar na Irlanda a convite do violinista Steve Wickham, e lançar Fisherman´s Blues, um álbum folk que valorizava a cultura irlandesa, assim evitando as fórmulas fáceis do mundo pop.

A banda sempre capitaneada pelo carismático vocalista/guitarrista/violonista/pianista Mike Scott, alcançou o sucesso em 1985 com este que é o mais famoso e um dos melhores álbuns do The Waterboys, This Is The Sea. Além da citada clássica The Whole of the Moon, temos à la Bruce Springsteen, Don´t Bang the Drum, o rock nervoso de Medicine Bow e as belíssimas Old England e This Is The Sea.

Nessa época a banda ainda tinha como integrante Karl Wallinger, que logo fundaria outra excelente banda, o World Party, que seguia a mesma linha musical do Waterboys, com a diferença de serem mais psicodélicos. Wallinger era grande fã dos Beatles.



As letras, em grande maioria escritas por Mike Scott, muitas vezes continham referências literárias relacionadas à espiritualidade (Mike estudou literatura inglesa e filosofia), algo que manteve inclusive em sua carreira solo. O álbum This the Sea fecha a fase chamada de Big Music, termo usados por vários críticos para descrever o som grandioso dos três primeiros álbuns.

domingo, 31 de julho de 2011

The Black Crowes - Shake Your Money Maker (1990)


Foi graças a um cover envenenado de Otis Redding – Hard to Handle – que fez disparar às vendas do primeiro álbum desse quinteto de Atlanta em 1990. Em plena era grunge, esses hipongas apareceram um som avesso ao que se praticava à época. Faces, Humble Pie, Rolling Stones, R&B, Blues e todo clima setentão moldava a música do Black Crowes.

Claro, na cola veio outra canção que virou single, Jealous Again, até hoje presente no repertório da banda. A acústica e melódica She Talks to Angles mostra que o cantor Chris Robinson estava à altura de suas referencias. O rock´n´roll está bem apresentado em struttin´Blues, Thick n Thin e Stare It Cold.



Tanto o visual quanto a música surpreendeu muita gente. Não parecia uma banda surgida nos anos 1990 e sim um grupo do início dos anos 1970, chegando até a usar tapetes no palco! Eles comportavam como se fossem velhos manos de Keith Richards, Mick Jagger e com calças boca-de-sino e ignorando pelo menos 15 anos anteriores da histórica do rock.

Este primeiro álbum dos Corvos Negros (por certo, o título é uma clara referência a um tema clássico do bluesman Elmore James) é um fabuloso cocktail de blues-rock, southern rock, hard rock e soul clássico, onde se encontra com a essência dos Rolling Stones, Lynyrd Skynyrd, The Faces, Creedence, Humble Pie, Led Zeppelin e The Band sem cair na vulgaridade de imitação.