quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Buscando a iluminação pela guitarra



Se grandes guitarristas como Carlos Santana, John McLaughlin têm direito de dedicar suas músicas aos seus gurus, J Mascis também tem sua vez. O exímio guitarrista e líder do Dinosaur Jr, dentre seus vários projetos fora de sua banda oficial, dedicou seu Mascis J and Friends Sing and Chant for Amma (2005) a sua guru Sri Mata Amritanandamayi Devi.

Amma (como é mais conhecida) é uma líder espiritual e humanitária que tem dedicado sua vida aos necessitados. Ficou muito popular no mundo todo por ter o costume de abençoar seus discípulos por meio de um abraço afetuoso. Por isso também é conhecida como “Santa dos Abraços”.

Mascis é devoto de Amma desde a década de 1990. Ele já havia dedicado uma canção a ela em seu projeto The Fog. Sing chant for Amma é uma coleção de canções devocionais perpetradas pela guitarra de J Mascis. Todo o rendimento do álbum foi doado para as vítimas do tsunami. Portanto, abracem este álbum.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O dia em que Mick Jagger levou um soco de Charlie Watts



Não li ainda o recém-lançado livro “Vida”, biografia de Keith Richards. Li alguns trechos e entrevistas com ele e, portanto, comparando com várias biografias sobre o Rolling Stones, Mick Jagger e Brian Jones, muitas informações não batem.

É um livro de memórias, escrita em parceria com James Fox e é bem possível que Richards possa estar zoando de tudo mundo (até dele mesmo). Tolo é quem comprar o livro e aceitar tudo como verdade. Não que eu duvide de todos os relatos, mas não sejamos ingênuos.

E a história do soco que Charlie Watts deu no Mick Jagger? Não sei se está no livro, na dúvida, eu conto.

Tudo mundo sabe - pelo menos os fãs - que Charlie Watts (não é a cara do Brucutu?)sempre foi o cara mais “careta” dos Stones, mesmo quando viviam o auge da “contracultura”, com o abuso de tudo que é tipo de drogas, Watts no máximo fumava um cigarro de maconha. Muito mais fã de jazz do que de rock, sempre usando roupas impecáveis, o sereno baterista tem lá seus limites de paciência.

Aconteceu em Amsterdam, quando Keith Richards e Mick Jagger saíram para beber e Mick ficou de porre. Às cinco horas da manhã voltaram para hotel e Mick telefona para Charlie: “Cadê meu baterista? Desce logo aqui, porra!” Isso é uma coisa que você não faz com Charlie Watts. Até que vinte minutos depois, batem na porta. E aparece Charlie Watts vestido com um belo terno, de colete, barbeado, sapatos engraxados, penteado. Ele diz: “Nunca mais me chame de seu baterista!” E dá um belo soco em Mick.

Infelizmente, Mick estava usando um paletó de casamento emprestado por Richards. A janela estava aberta, ao lado havia uma mesa comprida, com um bufê de salmão. E lá fora, lá embaixo, tinha um canal. Com a força da porrada, Mick saiu deslizando pela mesa - com paletó de Richards! - em direção à janela, prestes a cair no canal. Se não fosse pelo paletó, Keith Richards deixaria Mick cair lá fora. Segurou-o a tempo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Basia Bulat - Heart of My Own (2010)


A jovem cantora de Ontário, Basie Bulat, em seu segundo álbum enriquece sua música com auto-harpa, banjo, ukulele e sinos comandados pela sua voz rica com vibrato

Desta vez a moça buscou inspiração em lugares aprazíveis. Durante uma parada da turnê de 2008, ela e seus companheiros de banda deram um tempo em Dawson City, Yukon, no Canadá. De acordo com Bulat, o calor dos habitantes e as belas paisagens provocaram-lhe um surto de criatividade, o que lhe permitiu escrever a maioria das canções durante a sua estadia de uma semana.

Enquanto Yukon proporcionou uma revitalização artística para Bulat, muitos dos elementos do indie folk como auto-harpa e letras introspectivas, a partir de seu álbum de estréia, ainda são predominantes em Heart of My Own. Howard Bilerman (Godspeed! You Black Emperor, Arcade Fire) que trabalhou em Oh, My Darling, retorna novamente como produtor.

A grande diferença deste novo álbum em relação ao anterior – Oh, My Darling - é que este é muito mais folk (principalmente celta) do que pop - o que fica evidente no primeiro single, Gold Rush. Os violinos comandam grande parte das canções, seguidos por auto-harpa, piano e ukulele (tipo cavaquinho). Aliás, quase não há violão nas novas composições, Bulat dedicou-se muito mais a auto-harpa.

A música que mais lembra o álbum anterior é a pop Walk You Down. Na balada Once More, For The Dollhouse, Bulat mostra todo seu belo e forte vocal (há quem diga que parece com a de Tracy Chapman). Destaca-se, também, outra sensível canção, If It Rains guiada por belos sons de sinos. É um disco envolvente, que conquista o ouvinte aos poucos revelando os seus tesouros lentamente. Este coração é de ouro.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

The National - High Violet (2010)


Desde Alligator, os membros do The National vêm explorando a mesma linha de sons obscuros e solenes, e cada vez mais com melhores resultados. Uma mostra disso se encontra no novo álbum, High Violet, lançado em 10 de maio de 2010. A banda aposta na perfeição.

Neste novo trabalho pode-se ouvir o mesmo som rock-pop das tentativas anteriores, somente construído a partir de grandes arranjos orquestrais e camadas de instrumentos. É notória a intenção do grupo em elevar o nível das apostas e deixar de lado o clima soturno da produção anterior e ir por um caminho menos restrito e mais aberto.

“Terrible Love”, a faixa de abertura, já mostra o nível do disco, no qual metais e coros se unem para aumentar gradualmente a intensidade da música, levando a um resultado surpreendente. Neste mesmo segmento encontra-se “Afraid of Anyone”, em que os coros e arranjos de Sufjan Stevens combinam com o ritmo contundente.

No caso de “Runaway” é a orquestra que conduz a canção, produzindo um belo fundo de melancolia latente que parece sustentar a frágil e emocional voz do cantor Matt Berninger. “Vanderlyle crybaby Geeks” é de uma beleza sem igual, Conversation 16 segue o mesmo caminho.

A banda já deixou claro que suas influências vão de Joy Division a Bruce Springsteen, mostrando sintonia com seus contemporâneos Interpol e Editors. Vindos do Brooklyn, EUA, este quinto trabalho foi gravado no Brooklyn, Nova Iorque, na garagem do guitarrista Aaron Dessner, tem participação de Sufjan Stevens, Richard Reed Parry (Arcade Fire) e Justin Vernon (Bon Iver), entre outros. O álbum tem sido considerado pela imprensa como uns dos melhores lançados este ano e com razão.

High Violet é um trabalho que mantém o ritmo e a qualidade do início ao fim. Bem feito e muito mais intenso do que seus antecessores. Em suma, é um álbum agradável como um todo e que certamente estará entre os melhores lançamentos de 2010. O álbum anterior, Boxer, pode ter consagrado a banda na cena indie, mas com High Violet abre-se o caminho à banda ao estrelato.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

John Lennon, um ídolo para nunca ser esquecido



Há 30 anos, Mark David Chapman assassinava o ex-Beatle com vários tiros na porta de sua residência em New York

Desde o nascimento de seu filho, Sean, em 1975, John Lennon deixou a música com a idéia de se dedicar a vida familiar, que era uma promessa que John fez a Yoko Ono para convencê-la a ter um filho após um par de abortos. O cantor teria se encarregado dos cuidados de Sean. Até então, John não tinha passado muito tempo com sua família, nem com seu primeiro filho, Julian. Desta vez, o músico queria que tudo fosse diferente.

Após três anos de afastamento musical, John Lennon regressou com o álbum Double Fantasy, em novembro de 1980. O álbum foi recebido com muito interesse pela mídia, devido o longo silêncio artístico. Afinal, era um novo trabalho de um dos maiores músicos do século 20. Com a morte de Lennon, apenas um mês após seu lançamento, Double Fantasy chega ao primeiro posto das listas de vendas.



O último dia de John
Na manhã de 08 de dezembro de 1980, seria igual a muitos outros dias na vida de John Lennon. O músico começara o dia respondendo a diferentes meios de comunicação; mais tarde cortara o cabelo e enviaria uma foto para Annie Leibovitz, da revista Rolling Stones.

As cinco da tarde, John e Yoko chegaram ao estúdio da rua 54 para trabalhar nas canções do próximo disco. Ao sair do Dakota, Lennon teria o primeiro encontro com seu assassino. O cantor havia autografado uma cópia de Double Fantasy. Quando o casal voltou para casa às 22:30, Chapman esperou-os – parece que Lennon o reconheceu como o rapaz do autógrafo - Yoko Ono já ia entrando no prédio quando Chapman disparou cinco vezes sua Charter Arms calibre 38 em John. Ele ficou agonizando na porta de entrada do prédio, para desespero de Yoko Ono. Um casal de policiais levaram-no ao hospital Roosevelt, onde certificaram de sua morte às 23:15 de 8 de dezembro.

O dia depois
A notícia da morte de John Lennon correu o mundo em poucas horas, as lágrimas de todos os fãs se multiplicaram junto ao sonho de John de um mundo melhor. Milhares de pessoas se reuniram em frente à casa do ex-Beatle. O corpo de John foi cremado e as cinzas, dias mais tarde, foram entregue à sua viúva. Yoko Ono anunciara que nenhum funeral seria realizado e pediu aos fãs para que se reunissem no Central Park, no dia 14 de dezembro, para orarem e compartilharem dez minutos de silêncio. Mais de duzentas mil pessoas participaram do evento em Nova York, suas cinzas foram espalhadas no parque, e outros tantos tributos foram realizados em outras cidades e no mundo inteiro.


JOHN LENNON "Mind games" par Yann
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domingo, 5 de dezembro de 2010

Tracy Chapman - Tracy Chapman (1988)


Uma cantora simples vinda do circuito folk de Massachussets, negra e com um vozeirão, de repente ganha o mundo com o hit radiofônico Baby, Can I Hold You, em 1988.


Tracy Chapman fez grande sucesso com seu auto-intitulado disco de estréia, fazendo com que se tornasse um dos dez discos mais populares de toda a história da gravadora Elektra. Só nos EUA foram vendidas mais de três milhões de cópias. O sucesso atingiu também a Europa, vendendo horrores na Holanda, Alemanha e Bélgica. O Brasil também não ficou de fora, a canção Baby Can I Hold You, entrou em trilha de novela da Rede Globo e, logo, as rádios não paravam de tocá-la. Na cola vieram os sucessos Fast Car e Talkin´Bout a Revolution. No mesmo ano foi capa da revista Rolling Stones, lugar onde uma mulher negra não era vista há anos.

Depois da surpresa e da badalação dessa cantora “vinda do nada” com suas canções sobre racismo, violência urbana, revolução e injustiça social, veio à prova do segundo disco. Crossroads (1989) não repetiria o sucesso. Com uma produção refinada, Tracy esqueceu que a beleza de sua música estava na simplicidade do violão e voz. Levada world music, blues, gospel, tudo em meio a teclados, violino e percussão. Não vingou. Tracy Chapman saía do mainstreen.

Ela continua lançando discos esporadicamente. A música não mudou muito, mas é o suficiente para manter um público fiel que não liga para modas passageiras. O problema do “desaparecimento” de Tracy é que rapidamente ela entrou para a turma do “vamos salvar o mundo” em luta pelos direitos humanos, participando de shows de igual para igual com astros do porte de Bruce Springsteen e Peter Gabriel. Sua exposição na mídia fora muito rápida, fazendo que se esperasse muito de uma moça que só queria tocar suas canções, que até então, era apenas uma cantora de rua.

Hoje o mundo musical mudou e para fazer sucesso acontece bem o contrário; é a exposição na mídia que mantém o artista no mainstreen, e para isso haja “escândalos”, declarações “bombásticas” e rebolados em videoclips, e com sorte encontrar um produtor descolado e um DJ antenado para fazer o remix de seu último hit.