sábado, 27 de novembro de 2010

Cheiro de coisa velha



Elton John & Leon Russell – The Union (2010)

Elton John declarou que não quer mais fazer música pop e Leon Russell andava sumido, agora ambos têm a oportunidade de retomar suas carreiras em alto nível

Elton John - É notório que Elton John há anos não consegue dar uma repaginada em sua carreira; um sujeito que lançou álbuns impecáveis nos anos 70, conseguiu manter-se nas paradas de sucesso na década seguinte, mas a partir de 1990 musicalmente foi decaindo. Ele até acreditou que o disco de 2006, the Captain & The Kid, seria um sucesso, mas foi um fracasso comercial.

Leon Russell  - Ele sempre foi avesso ao sucesso. Pouco conhecido no Brasil, sua música sempre transitou entre o blues, o gospel e o folk. Fez grande sucesso no início dos anos 1970. Tanto que quando Leon veio ao país pela primeira vez, foi anunciado como “o som dos anos 70”. Tocou teclado em discos de Phil Spector e The Beach Boys, gravou álbuns solos e compôs clássicos como “A Song for You”, “This Masquerade”, “Superstar” e "Delta Lady”. No final da década de 70 sua carreira estava definhando, em parte devido a seus problemas de saúde, mas continuou se apresentando ao vivo.

A União – Elton John nunca negou ser fã de Leon Russell, que o influenciou muito no início de carreira. Tudo partiu de Elton John por meio de uma ligação telefônica da África – ele estava em um safari. Algo que deve ter surpreendido Russel, pois não se falavam há 35 anos. Além das letras de Bernie Taupin, traz participações de artistas de alto nível como Brian Wilson e Neil Young.

The Union é um álbum muito bom, e diferentemente de encontros de grandes artistas que quando se unem entram naquela de regravações de velhos clássicos, Elton e Leon preferiram trabalhar apenas com canções novas, mostrando que realmente se uniram para fazer música.

Dois artistas que tiveram o auge de suas carreiras nos anos 70, e, portanto, não teria como The Union não ter cheiro de coisa velha. Isto não é uma crítica e sim elogio. Todas as canções são muito boas. A união faz a força.

sábado, 20 de novembro de 2010

Paul McCartney, mais vivo do que nunca


A recente tour de Paul pela América do Sul, tem provado que o sujeito está bem vivo. Com quase 70 anos de idade, McCartney ainda tem fôlego incrível para shows. Tudo indica que com esta última vinda, o sucesso tem sido bem maior.  Acontecimentos inusitados não faltaram, como o autógrafo no braço de uma fã, que virou tatuagem, em Porto Alegre e um fã argentino lhe deu de presente um baixo feito artesanalmente por ele.

James Paul McCartney vem de uma família de classe média baixa empobrecida pela guerra, dois meninos órfãos criados por um pai solitário e introspectivo, James McCartney, comerciante de algodão, que havia largado a escola no ginásio e tinha o sonho de mandar os dois meninos para a universidade - até a morte prematura de sua mulher,  Mary Patrícia Mohin, deixando-o não apenas sozinho, mas sem dois terços da renda familiar.

O jovem Paul, que assistia as aulas de piano sem muito entusiasmo quando era criança, além de tocar trombeta que ganhou de seu tio Jack, aprendeu a gostar de música sob a influência de seu pai que fazia parte de um grupo de jazz amador chamado Jim Mac´s Jazz Band. Aos 14 anos, Paul compôs sua primeira canção, “I lost my little girl”, após ganhar uma guitarra de seu pai. Logo entraria para uma banda de skiffe chamada The Quarrymen, liderada por John Lennon. "Eu sei cantar igual a Little Richard", foi seu argumento para entrar na banda.

Em 11 de abril de 1970, Paul, sem a autorização dos outros membros dos Beatles, anuncia oficialmente o fim do Fab Four. Logo lançaria seu primeiro álbum solo, “McCartney” (1970), que atingiu o número 1 das paradas dos EUA e número 2 na Grã-Bretanha, graças a canção “Maybe I´m Amazed”, a preferida de Liza Minnelli e uma de suas melhores canções. Antes desse álbum, ele já havia composto a trilha sonora de “Lua de Mel em Família” em 1967.

Seu segundo disco solo “Ram” (1971) traz a música “Uncle Albert/Admiral Halsey”, um clássico. O trabalho é assinado em conjunto por Paul e Linda, sua recente esposa. E é com ela que ele monta o Wings. Além de sua mulher, fazia parte o ex-Moody Blues, Denny Lane e o baterista Denny Seiwell. O álbum seguinte, Wild Life (1971). não faz tanto sucesso quanto os anteriores, chegando apenas ao número 11 na Grã-Bretanha. No entanto, em 1973, com o álbum Red Rose Speedway, vem o grande sucesso “My Love”, que chegou em primeiro lugar no EUA, e no mesmo ritmo a canção “Live and Let Die” para um filme de James Bond.


Chega-se o auge do Wings com o LP “Band on the Run” (1973), gravado na Nigéria.  Nele se encontra uma das canções mais lindas dos anos 1970, a música que dá título ao álbum. Outro sucesso é Jet. Em "Let Me Roll It" ele prestava uma homenagem carinhosa a John Lennon. A delicada "Bluebird" remonta a tradição das baladas acústicas de Paul e é uma espécie de visão mais otimista de "Blackbird". Nem todos gostaram – chegou a ser vaiado em shows ao tocá-la, pois muitos a considerava uma imitação mal feita de Blackbird.

A segunda metade dos anos 1970, o sucesso não se repete, embora haja bons álbuns  -  Speed of Sound (1976) e London Town (1978). O Wings despenca em 1979 e a prisão de Paul no Japão por posse de maconha só reforçou McCartney a decretar o fim da banda.


Paul abriria a década com seu McCartney II (1980) e de cara traria o hit Coming up. O sucesso radiofônico se completa com o excelente Tug of War (1982), produzido por George Martin e dueto com Stevie Wonder (Ebony and Ivory). Parceria com outros famosos deu certo, e se repetiria no disco seguinte, Pipes of Peace (1983), desta vez com Michael Jackson (say say say). Depois Paul praticamente despareceria do cenário musical. Trabalhos insignificantes vem em seguida, até ressurgir com Flowers in the Dirt (1989). Ótimo trabalho e com novo parceiro, Elvis Costello.

Na década de 90, McCartney tentava sem muita sorte com a música clássica e, ocasionalmente, iria gravar novos álbuns, como Off the Ground (1993), o magnífico Flaming Pie (1997) e a compilação de covers de rock clássico, Run Devil Run (1999).

No novo século manteve o nível com Chaos and Creation in the Backyard (2005), nele encontra-se a linda canção This Never Happened Before, que faz parte da trilha sonora do filme A Casa do Lago (The Lake House); seu último álbum de estúdio, Memory Almost Full (2007), também não decepciona.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Khan – Shanty Space (1972)


Este é um álbum essencial, típico da cena de Canterbury, Inglaterra – movimento que surgiu na segunda metade dos anos 1960, visando dar referência aos grupos que se desenvolveram ao redor (ou a partir) do Soft Machine. Khan é um desses grupos malditos que só gravaram um álbum e que por falta de apoio de gravadora desapareceram. Como toda boa banda de Canterbury, o som era calcado no jazz e rock progressivo. A grande diferença, é que esta banda tem influência de hard rock, algo bem incomum nesse meio.

Em agosto de 1968, o guitarrista Steve Hillage deixa a banda Egg (Uriel, anteriomente) para ir estudar na Universidade de Kent. Em finais de 1970, regressa a Londres e forma sua banda Khan, já com um repertório suficiente de canções. O primeiro membro que Hillage reclutou para o Khan foi o baixista Nick Green Wood, seguido pelos seus futuros colegas Eric Peachey (bateria) e Dick Henningham (teclados) graças à amizade que Steve fez com Caravan, Khan conseguiu assinar contrato com a gravadora Deram.


No final de 1971, a banda já se preparava para entrar em estúdio e gravar seu primeiro álbum, tempo suficiente para Henningham deixar o grupo. Para resolver o problema, Hillage procurou seu velho amigo da banda Egg, Dave Stewart, para tocar no disco, que aceita de bom grado. Stewart é um dos tecladistas favoritos da cena de Canterbury e seu trabalho neste álbum é altamente apreciado por seus seguidores.

Em junho de 1972 Greenwood abandona o barco, sendo substituído por Nigel Griggs (que mais tarde iria se juntar ao Split Enz), coincidindo com o fim da banda Egg, um mês antes; desta maneira Dave Stewart se mantém como integrante fixo em tempo integral, porém esta formação não durou. Um tempo depois, Hillage decide se juntar a banda de Kevin Ayers para shows na Inglaterra e França, e logo junta-se ao Gong. Um fato interessante: o baterista original do Khan não era nada mais e nada menos que Pip Pyle, que também se juntou ao Gong.

Assim se encerra a curta carreira do Khan. Como diz o velho ditado: o que é bom, dura pouco.