sábado, 30 de outubro de 2010

Sob o signo da morte


A morte é um mistério para grande maioria das pessoas, mesmo que as religiões deem explicações sobre o “outro lado”, sempre fica uma dúvida, um frio na barriga quando a hora chega. A morte nivela a todos: ricos, pobres, famosos, intelectuais, artistas etc. Por ela ter esse poder, nós preferimos acreditar que nosso ego continua após a nossa transição; o fim do “eu” é inadmissível para muitos, principalmente para os egocêntricos.

É sob o signo da morte que Ivo Watts-Russell, proprietário e fundador do selo 4AD, nos anos 80, criou o projeto This Mortal Coil, no qual bandas do próprio selo levava-nos para um mundo de mistério e melancolia. A maioria das canções era de autores finados cuja vida foi marcada pela tragédia - Syd Barrett, Tim Buckley, Chris Bell, Gene Clark – rearranjadas por músicos pertencentes a bandas como Dead Can Dance, Cocteau Twins, Wolfgang Press, Colourbox, Shelleyan Orphan, entre outros.

O This Mortal Coil deixou-nos somente três álbuns – It´ll End in Tear (1984), Filigree & Shadow, (1986), Blood (1991) –, mas foi o suficiente para criar um estilo, o ethereal wave (ou darkwave), que seria muito bem desenvolvido mais tarde pelo selo alemão Hyperium com a coletânea Heavenly Voices, levando os sons atmosféricos a outros níveis.


2 comentários:

Mary Joe disse...

Muito interessantes tanto o texto quanto o projeto em si. Acho que a morte é algo tão inerente que sempre é fácil nos identificar com algum projeto, texto ou algo relativo a morte.

Quem nunca perdeu algum ente querido que atire a primeira pedra....

A música é éterea como costumo pensar em termos de morte.
Muito bom.
Beijokas
Mary Joe

Adri disse...

coincidências sinistras? sei lá... só sei q esse não é meu tipo de som.