sábado, 30 de outubro de 2010

Sob o signo da morte


A morte é um mistério para grande maioria das pessoas, mesmo que as religiões deem explicações sobre o “outro lado”, sempre fica uma dúvida, um frio na barriga quando a hora chega. A morte nivela a todos: ricos, pobres, famosos, intelectuais, artistas etc. Por ela ter esse poder, nós preferimos acreditar que nosso ego continua após a nossa transição; o fim do “eu” é inadmissível para muitos, principalmente para os egocêntricos.

É sob o signo da morte que Ivo Watts-Russell, proprietário e fundador do selo 4AD, nos anos 80, criou o projeto This Mortal Coil, no qual bandas do próprio selo levava-nos para um mundo de mistério e melancolia. A maioria das canções era de autores finados cuja vida foi marcada pela tragédia - Syd Barrett, Tim Buckley, Chris Bell, Gene Clark – rearranjadas por músicos pertencentes a bandas como Dead Can Dance, Cocteau Twins, Wolfgang Press, Colourbox, Shelleyan Orphan, entre outros.

O This Mortal Coil deixou-nos somente três álbuns – It´ll End in Tear (1984), Filigree & Shadow, (1986), Blood (1991) –, mas foi o suficiente para criar um estilo, o ethereal wave (ou darkwave), que seria muito bem desenvolvido mais tarde pelo selo alemão Hyperium com a coletânea Heavenly Voices, levando os sons atmosféricos a outros níveis.


domingo, 24 de outubro de 2010

John Cougar - American Fool (1982)


Entre 1982 a 1985, John Cougar fez um sucesso tremendo aqui no Brasil. Tocava muito nas rádios e sua popularidade era enorme. Com o tempo ele foi sendo esquecido, sendo que a atual geração praticamente sequer ouviu falar nele.

American Fool, seu sexto álbum e último como John Cougar (passaria a assinar como John Mellencamp), foi sua porta de entrada para o estrelado, com vendas enormes e atingindo o número 1 da Billboard, em grande parte graças ao single “Jack & Diane”, uma simples história de amor adolescente. Outro grande sucesso foi a canção Hurts So Good, música que ganhou videoclip e passava muito em alguns programas de música (a MTV estava surgindo no EUA e no Brasil só apareceria na década de 90).

John Mellencamp começou sua carreira no final dos anos 70 (seu primeiro álbum, de 1976, foi um fracasso comercial), mas aos poucos sua popularidade foi aumentando, principalmente a partir do início de 1980, aproveitando a força da música de Bruce Springsteen e a lacuna aberta por gente como Bob Seger, a quem ele se juntou a muitos elementos em comum; sua carreira progrediu, a música tornou-se mais pessoal. O desenvolvimento de uma combinação específica de folk rock e hard rock, influenciaria gente como Bon Jovi.



Sua popularidade estendeu até o álbum Scarecrow (1985), um trabalho que abordava temas sociais, e desfilava uma maior variedade de estilos, resultando sucesso de crítica e alcançando os primeiros lugares nas paradas. Após esse álbum, ele voltou-se mais para as atividades sociais, organização de ajuda aos agricultores, juntamente com Willie Nelson e Neil Young. Ele também ficou conhecido por sua postura antiempresarial, ao recusar ofertas de patrocínios de marcas de cigarros e cerveja.

domingo, 10 de outubro de 2010

Coeur de Pirate - Coeur de Pirate (2008)


Coeur de Pirate é o projeto solo da canadense Béatrice Martin. Uma bela moça, tatuada, com voz e rosto infantil, que encanta com seu piano (toca desde os três anos) e canto francês. A canção Comme des Enfants é a música que a projetou e fez com que ganhasse o prêmio Victoires de La Musique (uma espécie de Grammy francês).

Este seu primeiro álbum é bem diferente de seu projeto anterior (December Strikes First) no qual a moça era apenas a tecladista. Aqui o que se ouve não é rock, é um indie-pop com tons eruditos (principalmente as instrumentais) que encantam já na primeira audição. Seu canto infantil lembra bastante o de Joanna Newsom, só que esta toca harpa em vez de piano.


Béatrice também chegou a integrar a banda Bonjour Brumaire; não ficou por muito tempo e saiu para se dedicar ao Coeur De Pirate. Atualmente, ela tem outro projeto, o Pearls, mais direcionado ao folk e cantado em inglês. Existe uma gravação dela junto ao cantor francês Julien Doré (clique aqui pra ver o clipe) e a regravação de True Color (Cyndi Lauper)



Aos 21 anos e vários projetos, é como Coeur de Pirate que Béatrice mostra todo seu talento, conseguindo algo muito difícil: transitar entre a música francesa tradicional, o folk indie e o erutido. Não é para qualquer um.

Comme dês enfants tornou-se um hit, principalmente nos países de língua francesa





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sambassadeur - European (2010)


Com apenas alguns discos este quarteto de Gotemburgo tornou-se um dos mais interessantes da fecunda e inesgotável cena indie-pop sueca

Baseado no nome de uma canção de Serge Gainsbourg (Le Sambassadeur), a banda sueca Sambassadeur foi formada em 2003 por Joachim Läckberg (guitarra e vocais), Anna Persson (vocal e guitarra), Tolergård Daniel (baixo) e Permbo Daniel (vocal e guitarra). Depois do aclamado "Sambassadeur"(2005) e"Migração"(2007), regressam com "European", seu terceiro álbum, que é o trabalho mais extrovertido, provavelmente resultante da confiança e da experiência adquirida nos últimos anos. Uma obra com grande capacidade de transmitir emoções, tudo sob suaves texturas orquestrais adornada pela voz carismática e inspiradora de Anna Persson que, por sua vez, está cantando lindamente.


Não sei o que tem na água de lá, por ter tantas bandas de indie-pop fazendo músicas maravilhosas. Desde que surgiu o Club 8, não tirei mais a atenção da Suécia. European não tem a quantidade de hits fáceis de seu predecessor, mas compensa com arranjos maravilhosos e um cadenciamento ao longo das 9 faixas é admirável. Outra coisa que podemos reparar é a alegria com que a banda está tocando agora, uma alegria contagiante que possibilita o experimento de vários instrumentos ao longo do disco e que resulta num indie-pop rico e feliz. No entanto, tem uns momentos melancólicos como em High and Low e a instrumental A remote view que lembra bastante Madredeus.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

The School - Loveless Unbeliever (2010)


Indie pop com forte influência dos anos 60

Essa banda de Cardiff (País de Gales) é assumidamente pop, mas aquele pop baseado lá nas girls group da Motown dos anos 60 - The Ronettes, The Shirelles, The Supremes – e também com boa influência de sunshine pop. Portanto, fique à vontade para ouvir delícias como Let It Slip, Is He Really Coming Home, I Want You Back, All I Wanna Do e I Don´t Believe in Love.

“Loveless Unbeliever” é o primeiro trabalho da banda, antecipado por vários EP´s e singles. A música deles não tem nada demais. Não é vanguarda, não é o artísta do momento, não é a “nova promessa” musical; é por isso que a banda, e nós também, fica descompromissada para tocar a frente seu pop agridoce sem ter que provar nada para ninguém.

A produção ficou a cargo de Ian Catt (Saint Etienne, Trembling Blue Stars e The Field Mice). Muitas vezes comparados com seus colegas de gravadora (Elefant Records), os escoceses Camera Obscura, no entanto, The School também tem algo de Belle & Sebastian - mas que banda indie do Reino Unido hoje que não tenha influência deles? o mesmo digo da influência dos Strokes no cenário norte-americano.

O que é surpreendente sobre este álbum é como The School consegue cantar sobre temas tão bem gasto de uma maneira que faz com que pareça uma descoberta. Este é um álbum para se apaixonar.