quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Secos & Molhados


A época em que três seres esquisitões invadiram e conquistaram o Brasil
Quem tem menos de 50 anos hoje, talvez pouco saiba ou se lembre da repercussão do trio Secos & Molhados teve no início dos anos 70. Um fenômeno musical que passou como um furacão – muito maior que o RPM, nos anos 80 ou Mamonas Assassina, nos anos 90. Em 1973, só dava Secos & Molhados nas rádios, tanto que Roberto Carlos havia sido deposto do trono, depois de anos, em vendagem de álbuns. O rei tinha sido superado por três sujeitos que haviam surgido praticamente do nada (para muitos, de outro planeta).

O Brasil ainda não tinha uma banda glitter, e muito menos que usasse maquiagem (sem saber que nos EUA o Kiss partia para o mesmo caminho). Mas o Secos & Molhados estava mais em sintonia era com o rock do Roxy Music, T. Rex e New York Dolls, embora com um diferencial: a mistura do rock com a MPB, o rebolado único de Ney Matogrosso e, principalmente, a sua voz que tem um timbre difícil de definir. Enquanto os outros dois apenas pareciam andróginos, Ney era um misto de Ziggy Stardust (personagem criado por David Bowie em sua fase glam) com Carmen Miranda. Além das letras muito esquisitas para época.

O sucesso fenomenal atrapalhou a cabeça dos rapazes, principalmente a de João Ricardo, líder e letrista, que em sua pretensão chegou a declarar à época: "Houve um grande estouro nos EUA, com Elvis Presley. Depois, outro na Europa, com os Beatles. O próximo teria que vir daqui, porque lá fora ninguém tem mais nada a dar".  Apesar de excelente letrista (quase todas as letras eram dele) quem chamava atenção mesmo era Ney Matogrosso que aos poucos gostava menos do rumo descontrolado que o sucesso estava proporcionando-os. Não demorou muito para tudo se perder após a gravação do segundo disco, em 1974.

                Depois da separação, Ney Matogrosso seguiu para uma prolífica carreira solo (mais voltada para a MPB), João Ricardo tentou voltar com a banda várias vezes, sempre incluindo um clone mal feito de Ney no vocal, sem nunca conseguir fazer sucesso. Gerson Conrad tentou carreira solo ao lado de Zezé Motta e depois abandonou a música.


2 comentários:

Mary Joe disse...

Puxa, que post bacana! Sempre adorei secos e molhados. Seja a Rosa de Hiroshima, seja "O patrão nosso de cada dia". Quando as meninas eram pequenas, a gente cantava com elas, "vira vira vira homem, vira vira, vira vira lobisomem" e elas adoravam.

Naõ sabia tanto da história deles. Adorei saber.
Beijokas
Mary

Adri disse...

Minha memória só registra da época performances solo do Ney Matogrosso, como Homem com H... Famoso também o clip q gravou para o Fantástico qdo eu nasci, 75... América do Sul. Muito linda a letra e o arranjo bem anos 70! Mas o sucesso dele que mais me marcou foi Pecado Rasgado! Lembro direitinho... porque adorava a abertura da novela, que era uma animação mto bonitinha e bem feita para época! http://www.youtube.com/watch?v=Oq6_vdXEHqg&p=A1100649327FC2D7&playnext=1&index=4