terça-feira, 24 de agosto de 2010

Club 8 - The People´s Record (2010)


Club 8 muda o estilo e põe todo mundo para dançar com muita batucada

Muitos fãs hão de se sentir decepcionados com o novo trabalho do duo Club 8. O dream-pop mezzo eletrônico fofinho sai de cena para entrar ritmos africanos repletos de percussão e coros, como havia já precipitado no single Western Hospitality.

Johan Angergard e Karolina Komstedt se atreveram bastante desta vez – semelhante ao Keane que também recentemente invadiram outras praias. A batucada impera no álbum todo; sendo que em alguns momentos lembra até Paralamas do Sucesso em sua fase “Selvagem”, no melhor estilo “alagados”. Seria uma influência da viagem que fizeram ao Brasil em busca de inspiração? Pois há até uns pseudosambas: Shape Up!, Be Mad, Get I´ll, Be Still. Embora, a influência de bossa nova sempre se fez presente no Club 8.



Mesmo com todo o ritmo frenético e coros alegres, ainda existe um quê de melancolia; que sempre foi uma característica do duo sueco. Isso prova que a personalidade da banda continua intacta mesmo trabalhando, pela primeira vez, com um produtor mais “descolado”, Jari Haapalainen (The Concretes, Ed Harcour, Camera Obscura).

Eu gostei? Estou dançando até agora.



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Bob Dylan - The Freewheelin´ (1963)


As canções de Bob Dylan se confundem com a história da música pop do Século XX. Sua influência – principalmente se tratando de letras – é incomensurável. Bob é um poeta. Não é à toa que ele é o artista mais regravado até hoje. Mesmo aqueles que não gostam de sua voz fanhosa, reconhecem-no como compositor talentoso.

Se Dylan começou timidamente, em 1962 – era quase um clone de seu ídolo Woody Guthrie -, com seu disco homônimo, foi em The Freewhelin´ que ele se revelou o “porta-voz de uma geração”. Nele encontram-se algumas canções emblemáticas – Blowin´in the Wind, A Hard rain´s A-Gonna Fall, Master of War – que ignoravam a embalagem colorida da sociedade americana. Bob Dylan falava de guerra, racismo e temor nuclear.

Se o primeiro trabalho não vendeu nada, o segundo, contudo, denunciava o talento de compositor. Sim, ele deixou a sombra de Woody Guthrie, e passou a confiar em seu próprio taco.

A capa de The Freewhelin´ é provavelmente a mais legal de Dylan. Lá está  Bob e sua namorada Suzy Rotolo (passei anos achando que era Joan Baez) com quem ficaria por um longo tempo. Esta foto antológica foi tirada por Don Hunstein, um fotógrafo que era contratado pela Columbia, e costumava trabalhar com artistas de jazz. 


Assim, numa manhã friorenta de fevereiro de 1963, ele sugeriu que Dylan e Suzy caminhassem pela região de 161 West Fourth Street, no centro de Manhattan, perto de onde moravam. Por coincidência, o estúdio de Hunstein ficava perto. De braços dados e sorrindo discretamente, Bob e Suzy parecem estar alheios a tudo, aparentemente indiferentes aos carros que passam ao lado e à confusão de Manhattan.

Quanto à influência que teve Dylan a partir deste disco é melhor deixar de lado.