segunda-feira, 19 de julho de 2010

Declaration of Dependence (2009) - Kings of Convenience


Uma declaração de talento dos noruegueses do Kings Of Convenience



Este é o último trabalho lançado pelo duo Kings of Convenience, e qualquer álbum que você ouvir deles, encontrará belas suaves melodias, que são fundamentadas em violões com ocasionais arranjos de cordas e piano. Herdeiros diretos da simplicidade harmônica de outra dupla, só que dos longínquos anos 60, Simon & Garfunkel, impregnam também suas canções com influência de bossa-nova – influência que o duo sessentista não tinha.

Tudo começou quando dois amigos de infância - Eirik Glambek Boe e Erlend Oye – começaram na música com um projeto musical de covers (os Skog) em cima da música do Joy Division. Mas a orientação musical mudaria radicalmente ao adotarem o nome Kings Of Convenience e gravarem o EP “Live In a Room” – realmente gravado em um quarto. O sucesso vem logo, em 2001, com Quiet Is The New Loud e singles como Failure e Toxic Girl, chegando a vender mais de 200 mil cópias.

Descompromissados de gravar todo ano, o duo em mais de 10 anos de carreira, tem apenas três álbuns com canções originais. O último é esse Declaration of Dependence que traz o mesmo estilo que os consagraram: um pop acústico, ora alegre, ora melancólico. No hiato entre álbuns, Eirik deu sequência ao seu curso de psicologia, enquanto Erland lançou disco solo e montou o projeto musical The Whitest Boy Alive (mais eletrônico).

Ao ouvir os primeiros acordes da música que abre o cd, 25-25, já sentimos o que vem pela frente: canções praticamente apenas com violões as quais têm o poder de nos arrematar desse mundo, ou então levarem-nos à essência de tudo que nos envolvem. Beleza assim, nos remete a um rapaz sensível que também tinha essa sensibilidade: Nick Drake, o jovem músico profundo e melancólico, que também usava o violão como força motriz para expressar seus sentimentos mais profundos.


Em uma época em que músicos “descolados” tentam soar moderninhos, criando em seus álbuns profusões de sons "experimentais", enchendo suas canções de overdubs, samplers de tudo que há, convidados famosos (para atrair outros públicos) e produtores badalados do momento, não conseguem o que esses dois rapazes alcançam apenas com violões e canções singelas: tocar a nossa alma.

Um comentário:

Adri disse...

Uma falta de educação esse post! NÃO TENHO PALAVRAS!
Ótima escolha da canção...
Obrigada, adorei!