terça-feira, 27 de julho de 2010

DAVE CLARK FIVE



A banda em que o ego do baterista não ficava lá atrás



Dave Clark Five foi a única banda que teve como líder o baterista, tanto que o nome do grupo levava seu nome; além de ser o empresário, produtor, e principal cantor e compositor. Ou seja, a banda era dele – sendo assim, a bateria de Dave Clark ficava posicionada ao centro do palco. Mas não foi apenas por essas peculiaridades que a banda atraiu a atenção da mídia. Eles fizeram muito sucesso entre 1964 e 1966. Para se ter uma ideia, eles conseguiram colocar 15 sucessos entre as 20 da parada americana, e foi a primeira banda inglesa de merseybeat depois dos Beatles a ter uma carreira de sucessos no EUA.

Dave Clark é hoje um multimilionário homem de negócios, dono da DC Productions, um vasto complexo de empresas ligadas ao showbiz.  Mas no começo todos os cinco eram muito pobres; tanto que quando David Clark conseguiu comprar sua bateria precisou levá-la para casa de ônibus. Outro fato curioso é que a mãe de um dos cinco integrantes era serviçal no palácio de Buckingham e, fazendo uma boa propaganda da banda por lá, conseguiu que eles se apresentassem no palácio. Como em 1963 o sucesso ainda estava engatinhando, não tinham dinheiro para pagar um carreto até lá, foram com seus instrumentos de metrô.


O grupo foi formado em 1961, em Tottenham, subúrbio ao norte de Londres. Além de Dave Clark (bateria), a banda incluía Mike Smith (vocais e teclado), Lenny Davidson (guitarra), Rick Huxley (baixo) e Denis Payton (saxofone, gaita e guitarra).


Fora do padrão guitarra/baixo/bateria, o David Clark Five foi o único grupo (de sucesso) da música beat a manter em sua formação um tecladista e um saxofonista. Foi a única a capturar por inteiro o real sentido do rock´n´roll dos anos 50, pela sua espontaneidade, dinamismo e alegria. Ainda em defesa de sua música, pode-se acrescentar que foi o único grupo de época, a dar destaque à música instrumental. O baixista Rick Huxley era fortemente influenciado por Ventures e Duane Eddy, o refletiu positivamente na música DC5, principalmente nas músicas instrumentais.

Seu primeiro single, lançado pela gravadora Picadilly, seria “I Knew All the Time”, e depois de ganhar um importante seguimento em clubes de Tottenham, o grupo assinou com a Columbia, onde obteria sucesso com “Glad All Over”, uma vibrante canção escrita por Clark e Smith, seria número 1 na Grã-Bretanha. Em seguida, o David Clark Five conseguiria uma sequência de grandes sucessos, em 1964, como Bits and Pieces, Thinking of You Baba e Any Way You Want it. Essa última ganharia versão do Kiss e Ramones.



Em 1965, seguem conquistando os mercados britânicos e estadunidenses com temas como o cover de Chuck Berry “Reelin´and rockin´”, Come home e Catch us if you can, essa última foi título de um filme estrelado pela banda, dirigido por John Boorman.

Também chegaram ao primeiro lugar no EUA com “Over and Over”, uma velha canção escrita pelo bluesman Robert Byrd. Sua popularidade era imensa, aparecendo regularmente na televisão, principalmente no Ed Sullivan Show. As meninas enlouqueciam com aqueles cinco bonitões simpáticos, as mães aprovavam seus bons modos e impecável elegância, e os rapazes, sonhavam em ser Dave Clark, tocar bateria daquele jeito, ter seu porte atlético.

Apesar de que durante os anos seguintes, obtiveram êxitos com Everybody Knows, The Red Balloon, a popularidade da banda decaiu. A psicodélica, o rock progressivo, o processo evolutivo da música pop, derrotou o Dave Clark Five. Os rapazes tentaram se adaptar; mudou um pouco o visual, barbas cresceram, mas não foram além disso.

No segundo semestre de 1970, o Dave Clark Five pôs fim a carreira, a partir de então, Dave Clark inicia uma lucrativa carreira como homem de negócios (ele sempre levou jeito mesmo), que incluía a posse dos direitos do famoso programa de TV “Ready Steady Go”.

David Clark Five foi mais uma das muitas bandas que fizeram parte da “invasão britânica” e que com o tempo foram caindo no esquecimento, principalmente aqui no Brasil; e a juventude atual sequer já ouviu falar deles. A banda vendeu mais de 100 milhões de álbuns.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Declaration of Dependence (2009) - Kings of Convenience


Uma declaração de talento dos noruegueses do Kings Of Convenience



Este é o último trabalho lançado pelo duo Kings of Convenience, e qualquer álbum que você ouvir deles, encontrará belas suaves melodias, que são fundamentadas em violões com ocasionais arranjos de cordas e piano. Herdeiros diretos da simplicidade harmônica de outra dupla, só que dos longínquos anos 60, Simon & Garfunkel, impregnam também suas canções com influência de bossa-nova – influência que o duo sessentista não tinha.

Tudo começou quando dois amigos de infância - Eirik Glambek Boe e Erlend Oye – começaram na música com um projeto musical de covers (os Skog) em cima da música do Joy Division. Mas a orientação musical mudaria radicalmente ao adotarem o nome Kings Of Convenience e gravarem o EP “Live In a Room” – realmente gravado em um quarto. O sucesso vem logo, em 2001, com Quiet Is The New Loud e singles como Failure e Toxic Girl, chegando a vender mais de 200 mil cópias.

Descompromissados de gravar todo ano, o duo em mais de 10 anos de carreira, tem apenas três álbuns com canções originais. O último é esse Declaration of Dependence que traz o mesmo estilo que os consagraram: um pop acústico, ora alegre, ora melancólico. No hiato entre álbuns, Eirik deu sequência ao seu curso de psicologia, enquanto Erland lançou disco solo e montou o projeto musical The Whitest Boy Alive (mais eletrônico).

Ao ouvir os primeiros acordes da música que abre o cd, 25-25, já sentimos o que vem pela frente: canções praticamente apenas com violões as quais têm o poder de nos arrematar desse mundo, ou então levarem-nos à essência de tudo que nos envolvem. Beleza assim, nos remete a um rapaz sensível que também tinha essa sensibilidade: Nick Drake, o jovem músico profundo e melancólico, que também usava o violão como força motriz para expressar seus sentimentos mais profundos.


Em uma época em que músicos “descolados” tentam soar moderninhos, criando em seus álbuns profusões de sons "experimentais", enchendo suas canções de overdubs, samplers de tudo que há, convidados famosos (para atrair outros públicos) e produtores badalados do momento, não conseguem o que esses dois rapazes alcançam apenas com violões e canções singelas: tocar a nossa alma.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Lunapark (1992) - Luna


A banda Luna surgiu das cinzas do Galaxie 500, quando seu líder, Dean Wareharn - um neozelandês radicado nos EUA -, uniu-se ao também neozelandês Justin Harwood no baixo e Stanley Demeski na bateria. Harwood vinha de experiência com os Chills e Demeski, por sua vez, com os Feelies. Luna, um nome derivado da personagem interpretada por Diane Keaton, Luna Schlosser, no filme de Woody Allen "Sleeper", que no início, por motivos contratuais, assinava como Luna2.

O Galaxie 500 era legal? Sim. Mas o Luna também é: só que é um som menos estridente, mais tranqüilo e com mais cara de Television do que Velvet Underground ou se preferir uma versão mais doce do UV (chegaram a abrir para o VU em 1993, quando a banda retornara para alguns shows).

O Luna assinou com a Elektra para gravar "Luna Park" (1992), um grande álbum de estreia produzido por Fred Maher (ex-membro do Scritti Politti), desde o início consegue transportar-nos para as levadas de guitarra de Wareharn, com canções de tom agridoce ,carregadas de melodias maravilhosas e bases instrumentais que é algo maravilhoso de se ouvir.

A banda é também conhecida por fazer versões inusitadas de outros artistas – algo que Dean já fazia no Galaxie 500, quando tocava até música da Yoko Ono! -, as mais curiosas são: "Bonnie and Clyde" de Serge Gainsbourg; "Sweet Child O'Mine", do Guns 'n Roses; Neon Lights", música do Kraftwerk; e "Season Of The Witch" do Donovan. Todos esses covers foram reunidos na coletânea Lunafied (2006), que traz também versões para músicas da Blondie, The Doors e New Order.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Our Ill Wills (2007) - Shout Out Louds


Quando ouvi Shout Out Louds ainda em seu primeiro álbum, Howl Howl Gaff Gaff (2003), achei as canções muito próximas do que o The Strokes fazia, embora percebia-se algo de The Cure.  Já nesse segundo trabalho, não há nada de Strokes e muito de The Cure, inclusive o vocal de Olenius carrega o mesmo timbre de Robert Smith. Menos rock e bem mais pop, Our Ill Wills é ainda o melhor que já fizeram; mesmo que você jure que seja a mistura perfeita de The Cure com The Killers.

Nele se encontra o hit "Tonight I have to leave it", a belíssima “Impossible”, momentos Belle & Sebastian em "Meat Is Murder' e encerram com a roqueira "Hard Rain", que nos remete ao Yo La Tengo, principalmente pelas guitarras uivantes.

Sabemos que a Suécia é um país que tem produzido bandas maravilhosas aos montes – Mando Diao, Club 8, I'm from Barcelona, Those Dancing Days, Peter Bjorn and John -, esta banda de Estocolmo também faz jus à sua procedência.  Eles que no começo de carreira atendiam pelo nome de Luca Brasi, mas depois descobrirem outra banda com mesmo nome e, então, resolveram mudar para Shout Out Louds – dizem que foi devido após ouvirem a música “High” do The Cure.

Obs. O single "Shut Your Eyes" foi usado na publicidade do Fiat Punto no Brasil.

domingo, 4 de julho de 2010

Abandoned Love (2010) - Trembling Bells


Ao ouvir a banda indie folk Trembling Bells não tem como não se lembrar do folk rock britânico dos anos 1960, de bandas como Jade (o visual é idêntico), Incredible String Band, Pentangle e principalmente Fairport Convention – a voz de Lavinia Blackwall é muito semelhante à de Sandy Denny. Portanto, o Trembling Bells carrega todo aquele clima folk psicodélico dos artistas citados. A única diferença é que existe influência de música medieval e um certo clima de indie rock atual, mas a impressão que se passa é que estamos ouvindo alguma banda de folk rock do final da década de 1960.

Este é o segundo trabalho desses escoceses de Glasgow; não há muita diferença em relação ao primeiro álbum Carbeth (2009), mas é tão bom quanto. Os integrantes são Lavinia Blackwall (voz, violão e teclados), Alex Neilson (batera), Mike Hastings (guitarra) e Simon Shaw (baixo e vocal). Abandoned Love é co-produzido por Stevie Jackson (Belle & Sebastian). A banda não tem mais de dois anos de existência, e dizem que o baterista Alex Neilson já foi namorado da vocalista loira (Lavinia Blackwall).

Se esta é sua praia, vá então ouvi-los. Mas que me deu vontade de ouvir Fairport Convention, ah, isso deu.