domingo, 18 de abril de 2010

Delia Derbyshire - Da música concreta à música eletrônica


Depois do rock é a música eletrônica que mais gosto e muitas vezes tive a satisfação de ver esses dois estilos se encontrarem. Hoje vou falar de uma das pioneiras da música eletrônica, que sei que na terra do Axé poucos a conhecem. Refiro-me a Delia Derbyshire.

Derbyshire nasceu em 1937, em Coventry, Inglaterra. Compositora de música concreta, pioneira no campo da música eletrônica, escultora sonora; experimentou com diversos sons por meio de rádio, televisão, teatro e cinema. Sua obra mais conhecida é o tema musical da série britânica de ficção científica Doctor Who produzida pela BBC de Londres em 1963. Delia foi uma mulher que contribuiu essencialmente para a popularização da música eletrônica e experimental, na Grã-Bretanha e no resto do mundo.


Desde cedo o seu talento musical era evidente: tocava violino desde os 8 anos de idade, embora seu instrumento favorito fosse o piano. A moça, por ser mulher, sofreu preconceito quando em 1959, ao deixar a universidade, pediu um emprego na gravadora Decca (que rejeitou os Beatles e quase também o Genesis), onde eles responderam-na que não contratavam mulheres para seus estúdios de gravação.

Em 1960 que ela conseguiu ingressar na BBC, depois de passar um ano como professora de música e matemática em Genebra, como assistente de Gerente de Estúdio, onde se destacou por sua facilidade para encontrar extratos de música orquestral, mediante o estudo dos sulcos de discos, e por sua compreensão instintiva do som. Ela permaneceu por lá até 1973 e, a maioria de seus trabalhos para a BBC ficou no anonimato e os direitos autorais foram retidos pela emissora.

Em 1969, ela formou a banda de música eletrônica “White Noise”, e nesse mesmo ano lançou o álbum “Na Electric Storm” pela Island Records. O álbum foi um fracasso de venda, principalmente por causa das estranhas experimentações como uso de vozes alteradas. Um trecho da música “Na Electric Storm” pode ser ouvida no filme “Drácula” de 1972.

A partir de 1973, ela se foi afastando da música, mas sem nunca deixar de colaborar com outros compositores e trabalhar com sons abstratos. Felizmente, nos anos 90, ela retorna ao interesse em música eletrônica, incentivada por uma geração mais jovem que reconhece a importância de sua obra na música contemporânea. Incentivada por seu amigo Peter Kember (Sonic Boom) e o grupo Alphex Twin voltou a escrever música. No entanto, não pode completar sua obra e não voltou a gravar.

Em 3 de julho de 2001 enquanto se recuperava de um câncer de mama, Delia Derbyshire morreu aos 64 aos de insuficiência renal.

3 comentários:

Adri disse...

Uma pena... Era aquariana? Seu pecado foi estar muito a frente do seu tempo.
Muito bom post! Adorei...

Mary Joe disse...

Também tive a mesma sensação da Adriana. Uma pessoa a frente de seu tempo. E isso em geral gera muito sofrimento. Mas era uma boa artista.

Bom seu post.
Beijokas
Mary

Enrico Pallazzo disse...

Muito legal a lembrança, quanto mais pessoas conhecerem essa inovadora, melhor