sexta-feira, 26 de março de 2010

Como um aperto no coração



O Placebo vem ao Brasil mais uma vez, após cinco anos, desta vez incluindo outras cidades que ainda não visitaram, como Belo Horizonte. Nesta recente turnê divulgam o mais novo trabalho, “Battle for the Sun” produzido por David Bottrill, o mesmo que ajudou bandas neo-prog como Tool e Muse a formatarem sua sonoridade ao modo de lendas como Peter Gabriel e King Crimson.

Agora o trio tem um novo baterista, Steve Forrest (ex-Evaline) no lugar de Steve Hewitt, e pelo que se ouve, o rapaz não faz feio. Mas sabemos que a raiz do Placebo está na dupla Brian Molko (vocais, guitarra) e o sueco Stefan Osdal (baixo) que se conheceram em uma escola de Luxemburgo, quando ambos tinham... oito anos de idade! Uma década depois, o acaso fez com que eles voltassem a se cruzar na estação do metrô de South Kensington, em Londres, e a melhor idéia que encontraram para comemorar o reencontro foi a de formar uma banda de rock.

O disco é um dos mais pesados que já fizeram, Brian Molko berra com sua voz ainda à la Geddy Lee (Rush). E continua falando de medos atávicos, suicídio, culpa, vergonha e falha nas letras do Placebo. Ou seja, aquela sensação de aperto no coração continua forte no som do trio.

Quem for aos shows, se prepare para guitarras afiadas, uma cozinha inquieta e a presença marcante do andrógino líder Brian Molko. Glam rock, pós-punk, guitar-bands dos anos 90, tudo junto para sacudir nosso mundo escroto.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Bathory - Twilight of the Gods (1991)


Sou um grande fã do músico sueco Quorthon, o líder supremo da banda Bathory, que começou praticando um Black Metal devastador em 1984, sendo um dos percursores do gênero. Mais tarde, Quorthon fascinado pela temática Viking, teve a honra de ter inventado o estilo Viking Metal. Outro estilo perpetrado pelo Bathory foi o Trash Metal, principalmente nos álbuns Requiem (1994) e Octagon (1995). No entanto, a beleza da música de Quorthon está nos álbuns de Viking Metal: começando com Hammerheart (1990), passando pelo belíssimo Twilight of the Gods (1991), e os não menos maravilhosos Nordland I (2002) e Nordland II (2003).

"Twilight of the Gods" é uma obra-prima, não só do heavy metal, mas do rock em geral. Os arranjos de violões em quase todas as canções, a beleza da capa e até mesmo uma citação de de Friedrich Nietzsche sobre a decadência dos deuses, faz desse álbum uma obra única. O músico Wagner como a mitologia nórdica são outras grandes influências de Quorthon.

Menos pesado que o anterior (Hammerheart, 1990), e mais arrastado (quase doom) com influência de música clássica; é épico, atmosférico e magnífico. Há uma musica (trecho de um concerto) de Gustav Holst, a musica se chama Hammerheart e o próprio Quorthon afirmava que só tinha colocado a letra nela.

Na contracapa do disco, há uma imagem de um monumento que Quorthon diz representar a Yggdrasil (a árvore do mundo em nórdico arcaico) que mede cerca de 10 metros de altura e 5 de largura. Por pouco esse seria o último disco de Quorthon como Bathory.

Quorthon também tem dois discos solos, “Álbum”, de 1994 e “Purity of Essence”, de 1997. Mas não esperem ouvir Black metal, Viking Metal ou Trash. O som é mais para o rock alternativo.

Infelizmente, Quorthon morreu prematuramente aos trinta e nove anos – foi encontrado morto em seu apartamento não resistindo a um infarto fuminante. O Bathory quase não dava shows e fazia videos; que eu saiba, só fez um para a música “One Rode to Asa Bay”. Quorthon queria ser lembrado apenas pela sua música. Então, vamos ouvir sua música e apresentá-la para as próximas gerações; esse música que sempre desconfiei que tinha um Q.I acima da média.



segunda-feira, 1 de março de 2010

Hank Williams - Preparando terreno


Hank Williams pode não ter inventado o rock´n´roll, no entanto ele serviu de protótipo de como deveria ser um roqueiro. Através de seu estilo de vida "viva rápido e morra jovem", seguidos por tantos que viriam a partir dos anos 50; além de sua música ter muita proximidade com o rock ainda nos anos 40. Hank foi um ícone da cultura country americana. Criado no meio do blues e a mistura da música negra com o som folclórico dos brancos resultou em algo totalmente novo.

Sua canção “Move It On Over”, seu primeiro compacto de 1947, é considerada por muitos o ponto de partida do rock´n´roll - mais que “Rocket 88” de Ike Turner -, sendo muito semelhante a “Rock Around the Clock” de Bill Haley And His Comets, grava sete anos depois! Estrutura de blues, ritmo frenético do honky tonky caipira e o violão esperto, preenchendo todos os espaços, estava preparado o cenário que futuramente iria parir a besta do rock´n´roll.

Williams nasceu em 1923, Georgiana, estado do Alabama. Como tantos outros garotos pobres de seu tempo, começou cantando em coral de igreja. Comeu o pão que o diabo amassou antes de se tornar o astro da country music; estilo esse que tem origem na música celta trazida pelos primeiros colonizadores e que no seu transcurso recebeu influência do tango e a valsa. Foi a partir de 1925 que o country iniciou sua fase de ouro, principalmente em Nashville, até hoje reconhecida como a capital do Country. Logo Hollywood aproveitaria o boom do estilo para propagar ainda mais essa nova música através de seus heróis Cowboys como Roy Rogers e Gene Autry.

Hank, ao contrário, era um outsider: alcoólatra irrecuperável e viciado em speed (dizem que era por causa de uma dor que sofria na coluna vertebral). Arrumava brigas, faltava aos shows e conseguiu ser banido do Grand Ole Opty, o programa de rádio de maior prestígio em Nashville. Ele não tinha nada a ver com bom-mocismo dos heróis do Velho Oeste.

Suas canções descreviam as tristezas e as desgraças do homem comum. Em sua curta vida gravou mais de 400 canções, sob muitos pseudônimos, entre os quais: Luke the drifter, Ramblin´man.

Na véspera do Ano Novo de 53, Hank Williams foi encontrado morto no banco traseiro de seu Cadillac, pouco antes de ir fazer um show em Ohio. A causa oficial apresentada foi um ataque cardíaco. No funeral, 25 mil pessoas choraram em frente ao seu caixão. Ironicamente, a música dele que estava nas paradas da época se chamava "I´ll Never Get Out Of This World Alive" ("Eu Nunca Deixarei Este Mundo Vivo").