quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A "nova" Norah Jones



Muitos ficaram surpresos com a “nova” Norah Jones, tanto pelo visual quanto pelo direcionamento pop/rock que deu à sua música em “The Fall”. Mas para os fãs que a acompanha ao longo de sua carreira, sabe que a moça já vinha endoidando o cabeção há tempos.

O primeiro sintoma foi em 2002, quando recebeu vários Grammy e afirmou: “ouço Rolling Stones e quero fazer parte de uma banda de rock”, mas na época só gerou publicidade para os Stones e elogios de Keith Richards. Em 2004, quando após assistir um documentário sobre a banda Heavy Metal Judas Priest, Norah pensou seriamente em gravar um cover do grupo, sua banda de apoio não curtiu a ideia, mesmo assim ela ameaçou em pelo menos tocá-lo em um show no West Plam Beach, que acabou não rolando.

Isto não é tão assustador, a moça sempre teve um pé no rock. Na época do colegial tocava música do Nirvana na guitarra, tanto que mais tarde ao receber convite de Daved Grohl (Foo Fighters) para colaborar em uma música, ficou toda lisonjeada. Norah Jones também montou uma banda de rock, El Madmo, na qual se apresentavam com roupas espalhafatosas e perucas. Não deu certo.

Em 2007, lançou o ótimo álbum Not Too Late, com forte influência da música country, no qual em muitas faixas o piano é trocado pelo violão. Em se tratando de The Fall (2009), o disco é produzido por Jackquire King (Kings of Leon, Modest Mouse, Tom Waits), nele é incluído outros músicos e as composições contém colaboração de Ryan Adams, Jesse Harris, Mike Martin e Will Sheff. Há participação na guitarra de Marc Ribot, velho parceiro de Tom Waits, aliás Tom Waits sempre foi uma influência em sua música, basta ouvir “Sinkin' Soon “do disco anterior Not Too Late.

Ainda bem que a moça não se acomodou em ficar lançando discos todos iguais a Come Away With Me - o álbum mais vendido na história da Blue Note – e ficar angariando mais grammys. Com o novo visual, pelo menos ficou com menos cara de brasileira. Ela na verdade é uma roqueira.

Video com o El Madmo



Norah Jones - Chasing Pirates
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O folk rústico de Buffy Sainte-Maria e Alela Daine



O que Buffy Sainte-Maria e Alela Diane tem em comum? Apesar da grande distância de geração, ambas têm vínculo com a América nativa, a ruralidade da América profunda e esquecida. Vozes potentes, arranjos sutis e poderosos, imagens evasivas e enigmáticas. Ambas souberam criar uma ponte entre o passado e o presente sem soarem nostálgicas - Buffy chegou a valer-se de experimentos eletrônicos (em Illuminations, de 69) para enriquecer seu folk primal. Mas o melhor de ambas, é usarem apenas da música para expressarem sua arte e não da publicidade e declarações “bombásticas” como muitas cantoras atuais.


Buffy Sainte-Marie


Ela é totalmente desconhecida no Brasil, chegou a ter alguns discos lançados aqui nos anos 70, mas foram fracasso de venda. No entanto, ela tem uma música muito famosa cantada na voz do mala Joe Cocker: “Up Where We Belong”, composta por ela e seu marido Jack Nitzsche (velho parceiro de Neil Young e do Crazy Horse) que foi tema do premiado filme “A Força do Destino” (1983). Pena, que a versão original não foi usada no filme, sendo que é bem melhor do que a versão de Cocker.

De ascendência índia, órfã logo após nascer, foi educada de acordo com a tradição das tribos norte-americanas, por uma família de uma outra tribo vizinha. Deixou a tribo e o Canadá nos anos 60 para tentar carreira como cantora folk na famosa Greenwich Village; rapidamente se tornou um símbolo da luta dos nativos americanos pela afirmação da sua identidade cultural.

Alela Diane

Alela cresceu em Nevada, Califórnia (USA), e apesar de ser filha de pais músicos, só foi levar a sério a música aos 19 anos. Desde suas primeiras gravações caseiras (“Forest Parade”) até chegar ao seu primeiro álbum, The Pirate´s Gospel (2006), Diane já tinha se aventurado pelo mundo com apenas mochila nas costas e, claro, sua guitarra para traduzir em músicas seus momentos de reflexão e descobrimentos.

Seu mais recente trabalho To Be Still (2009), incorporou-se vários instrumentos como bandolim e violino e slide guitar, no entanto não prejudicou o clima rústico das canções. Já vi críticos rotularem sua música de várias formas como “freak folk” e ao mesmo tempo enquadrá-la a movimentos contemporâneos (New weird America), além de compará-la a outras cantoras antigas, nunca Buff Sainte-Marie, talvez por desconhecê-la. Tudo bem que Alela lembra Vashti Bunyan, principalmente pela rusticidade, mas compará-la à Nico (Velvet Underground) e Sandy Denny (Fairport Convention) é muita viagem.