sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Crosby, Stills, Nash & Young - Deja Vu (1970)



A união de Stephen Stills (Buffalo Springfield), David Crosby (The Byrds), Graham Nash (The Hollies) e, mais tarde, Neil Young (Buffalo Springfield) venho dar seqüência aos supergrupos, que começavam a pipocar nos dois lados do Atlântico na segunda metade dos anos 60.

Se no primeiro álbum “Crosby, Stills & Nash (1969) já se mostrava belas melodias, com a entrada de Neil Young o som engrenou-se de vez. O que já era bom ficou melhor ainda com o estilo e carisma de Neil Young. Um fato estranho é que uma das principais causas da saída de Young do Buffalo Springfield foi exatamente a pessoa de Stephen Stills. No entanto, sabe-se que John Sebastian do Loving Spoonful foi a primeira escolha, mas recusou o convite – ele acabou tocando em Deja Vu. Young se uniu aos demais, em uma primeira apresentação, no concerto de Woodstock.


Deja vu segue o que já vinha sendo praticado por muitos grupos; a união do folk, country e rock, além da busca de novas experimentações sonoras com pitadas de pop e psicodelia. O grupo que foi engendrado em uma festa na casa de Joni Mitchel (chegou a namorar David Crosby), que, aliás, em Deja Vu tem uma música composta por ela, Woostock. Deja Vu acabou marcando época, com seus belos arranjos vocais contrastantes, belas harmonias, abrindo campo para aquilo que ficou conhecido mais tarde, como soft rock.

O álbum tem excelentes composições, e bem mais elétrico, cortesia de Young e das recordações do som do Buffalo Springfield. Em algumas faixas, a banda conta com a participação de Jerry Garcia, do Greatful Dead, tocando slide guitar.

Foram quase 800 horas de gravação, em circunstâncias nada favoráveis. A namorada de Crosby, Christine Hinton, morreu num acidente de carro em setembro de 1969 – e ele não se recuperou, buscando consolo na heroína. Daí, seu semblante triste na capa do álbum. Bebidas e cocaína abundavam no estúdio; o grupo brigava o tempo inteiro – o bem-humorado Young vivia ausente – e Nash foi forçado a assumir o papel de pacificador. De algum jeito, eles acabaram fazendo uma obra-prima que captou o espírito da cultura da época.

Carry On – como “Suíte: Judy Blues”, do álbum de estréia do CSN, em 1969 – é uma maravilha camaleônica, com harmonias arrepiantes, uma das melhores músicas já feitas para curar a ressaca de manhã de domingo. Our House e Teach Your Children comprovam o dom de Nash para fazer melodias simples e cativantes. Almost Cut My Hair, uma das melhores, traz Corsby em sua luta contra o autoritarismo, com sua voz gutural em contraponto às harmonias vocais puras, características do grupo. Helpless, de Young, é regravada até hoje por artistas adversos como Nick Cave e Patti Smith. Sublime!

Um comentário:

Adri disse...

Essa é mesmo uma obra-prima! Adoro essas curiosidades que só você sabe... Que bom que compartilha com a gente!
Beijos