segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

The Polyphonic Spree


Um nova versão do musical Hair ou o retorno do The 5th Dimension, incluindo agora um coral? Não, trata-se da exótica banda texana The Polyphonic Spree, com 23 interantes vestindo togas brancas que entre flautista, percurssionista, harpista, violinista, trompetista, - até um tocador de teremin - também inclui um coral de 10 pessoas que praticam vocais gospel, tudo isso embalados por sons psicodélicos, alegres e odes ao sol.

Tudo começou em 1999, quando o guitarrista da banda Tripping Daisy, Wes Berggren, foi encontrado morto por overdose de cocaína em seu apartamento. Banda que teve um relativo sucesso, estava prestes a lançar um novo álbum quando a fatalidade aconteceu. Berggren por ser um integrante indispensável fez com que o resto do time encerrasse as atividades. O até então vocalista Tim Delaughter, sua namorada Julie O'Doyle e o baixista Mark Pirro juntaram-se a amigos para dar continuidade ao selo que haviam criado, Good Records, e criaram o The Polyphonic Spree

A nova banda de Tim, tinha o intento de criar melodias infantis com o pop psicodélico praticando nos anos 60. Ajudado pela esposa Julie e o amigo Chris Penn para criar melodias grandiosas, chegou a amontoar em sua casa treze músicos e em julho de 2000, acrescentado de um coral, a trupe de Tim subia ao palco pela primeira vez com seu “coral pop sinfônico”, como ficaram conhecidos. Com tanta gente no palco foram criadas as togas brancas para evitar a dispersão visual, fato que fez com que muitas pessoas confundissem-nos com seitas religiosas.

Desde seu surgimento, em 2002, a banda mudou pouco. O último lançamento é o ao vivo Live from Austin TX (2007), mas até hoje eles ainda não superaram a beleza de seu segundo trabalho “Together We´re Heavy” (2004), álbum no qual o líder Tim DeLaughter chegou a defini-lo como Sgt. Pepper´s do Polyphonic Spree. É nele que se encontra uma das suas melhores canções Hold Me Now e a sensível Diamonds – Mild Devotion To Majesty.





sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Crosby, Stills, Nash & Young - Deja Vu (1970)



A união de Stephen Stills (Buffalo Springfield), David Crosby (The Byrds), Graham Nash (The Hollies) e, mais tarde, Neil Young (Buffalo Springfield) venho dar seqüência aos supergrupos, que começavam a pipocar nos dois lados do Atlântico na segunda metade dos anos 60.

Se no primeiro álbum “Crosby, Stills & Nash (1969) já se mostrava belas melodias, com a entrada de Neil Young o som engrenou-se de vez. O que já era bom ficou melhor ainda com o estilo e carisma de Neil Young. Um fato estranho é que uma das principais causas da saída de Young do Buffalo Springfield foi exatamente a pessoa de Stephen Stills. No entanto, sabe-se que John Sebastian do Loving Spoonful foi a primeira escolha, mas recusou o convite – ele acabou tocando em Deja Vu. Young se uniu aos demais, em uma primeira apresentação, no concerto de Woodstock.


Deja vu segue o que já vinha sendo praticado por muitos grupos; a união do folk, country e rock, além da busca de novas experimentações sonoras com pitadas de pop e psicodelia. O grupo que foi engendrado em uma festa na casa de Joni Mitchel (chegou a namorar David Crosby), que, aliás, em Deja Vu tem uma música composta por ela, Woostock. Deja Vu acabou marcando época, com seus belos arranjos vocais contrastantes, belas harmonias, abrindo campo para aquilo que ficou conhecido mais tarde, como soft rock.

O álbum tem excelentes composições, e bem mais elétrico, cortesia de Young e das recordações do som do Buffalo Springfield. Em algumas faixas, a banda conta com a participação de Jerry Garcia, do Greatful Dead, tocando slide guitar.

Foram quase 800 horas de gravação, em circunstâncias nada favoráveis. A namorada de Crosby, Christine Hinton, morreu num acidente de carro em setembro de 1969 – e ele não se recuperou, buscando consolo na heroína. Daí, seu semblante triste na capa do álbum. Bebidas e cocaína abundavam no estúdio; o grupo brigava o tempo inteiro – o bem-humorado Young vivia ausente – e Nash foi forçado a assumir o papel de pacificador. De algum jeito, eles acabaram fazendo uma obra-prima que captou o espírito da cultura da época.

Carry On – como “Suíte: Judy Blues”, do álbum de estréia do CSN, em 1969 – é uma maravilha camaleônica, com harmonias arrepiantes, uma das melhores músicas já feitas para curar a ressaca de manhã de domingo. Our House e Teach Your Children comprovam o dom de Nash para fazer melodias simples e cativantes. Almost Cut My Hair, uma das melhores, traz Corsby em sua luta contra o autoritarismo, com sua voz gutural em contraponto às harmonias vocais puras, características do grupo. Helpless, de Young, é regravada até hoje por artistas adversos como Nick Cave e Patti Smith. Sublime!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Saudades do Lush



Lush (1988 - 1996) foi uma das bandas mais representativas do chamado movimento Shoegaze, (que significa “olhar para o sapato” - isso porque as bandas se preocuparem muito mais em usar os pedais de efeitos do que qualquer outra coisa. Portanto, ficavam só olhando para baixo)surgido no início dos anos 90 no Reino Unido, junto com o My Bloody Valentine, Ride e Slowdive.

A banda foi formada por Steve Rippon, Anderson Emma, Barham Meriel, Chris Acland e a causa maior de me apaixonar pela banda: Miki Berenyi Nagzumi, uma linda mestiça (mistura de húngara e japonesa) com seus cabelos pintados de vermelho. Barham deixou o grupo logo e desde então a formação permaneceu inalterada até a banda pendurar as chuteiras.

Uma das principais características da música do Lush – o que é evidente em suas primeiras gravações - é a harmônica vocal entre as duas vocalistas Miki e Emma. Com o primeiro EP Scars em 1989, ganham elogios no Reino Unido, enquanto chamam atenção pela a qualidade de seus sets ao vivo. Depois de Scar seguiria mais dois EP's - especificamente Mad Love and Sweetness and Ligh - que seriam inseridos no álbum Gala (1990), época em que o movimento shoegazing estava começando a ocupar as páginas da imprensa.

Spooky (1992) e Split (1994) são igualmente bem recebidos pela crítica. Este segundo, considero seu melhor trabalho porque serviu de ponte entre o som fortemente influenciado pelo Cocteau Twins (Robin Guthrie produzia seus álbuns) e um direcionamento mais pop e direto em Lovelife (1996). No entanto, foi com Lovelife que a banda cativou um público maior. Faixas que saíram em singles como Single Girl e Ladykillers foram um grande sucesso. As músicas ficaram mais redondinhas, com o vocal mais a frente e certa influência do pop dos anos 60.

Tudo andava bem para a banda, até que o baterista Chris Acland foi encontrado enforcado na casa de seus pais - o rapaz sofria de depressão. Com isso, o resto do grupo decidiu encerrar as atividades da banda. Em 2001 aparece "Ciao!", Uma compilação com 18 de seus sucessos, além de Topolino (1998) com gravações raras e versões alternativas.

Emma Anderson formou uma nova banda chamada Sing-Sing. Miki Berenyi, que foi a que ficou mais arrasada com a morte de Acland, pois ele era seu namorado, retirou-se da vida pública e foi trabalhar como editora assistente para a BBC e raramente participa de alguma gravação a convite de alguma banda.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Heart



É lamentável ver tantos textos na net e revistas se referindo ao Heart como “rock dos anos 80”, sendo que a banda existe desde 75 e já tinha composto alguns dos seus grandes sucessos como Barracuda, Magic Man e Crazy on You. Tudo bem que foi na citada década que o Heart implacou seus maiores sucessos, praticando um pop-hard-rock de arena.

Entre 85 e 87 seus videoclipes passavam exaustivamente na tv. Poucos conheciam ou se lembravam das irmãs Wilson nos anos 70. Naquela época a grande influência era o Led Zeppelin, além de uma tendência para baladas pop e folk.

A banda teve várias formações, mas o pivô sempre era Ann e Nancy Wilson. Considero seus dois primeiros álbuns (Dreamboat Annie -1976 e Little Queen – 1977) seus melhores trabalhos; não que o som praticado depois seja ruim, mas não foi nada muito empolgante trocar Led Zeppelin por Jefferson Starship, tanto que Grace Slick fez backing-vocal na música “What About Love” do álbum Heart (1985). A música "if looks could kill" chegou a ser propaganda de cigarro.

Como disse, a música do Heart dos anos 80 não era ruim, mas o visual cafona tipo hard/pop de arena, com aqueles cabelos de Hair Metal, é de doer. E foi esse Heart que o Brasil curtiu e conheceu nos anos 80. Devido ao tremendo sucesso se referirem até hoje como “banda dos anos 80”. Apesar de dizer “anos 80”, o auge em vendas foi entre 85 e 90 - os primeiros álbuns lançados bem no início dessa década não vingaram.

Já na década de 90, com o grunge e o rock tirando o excesso de maquiagem, as irmãs Wilson saem de cena e só voltam em 93 com o álbum “Desires Walks On” que não emplaca. No novo século vivem praticamente de shows e trabalhos ao vivo. Destaco o ao vivo/acústico (era a época dos álbuns acústicos que viraria epidemia e salvação financeira de muitos artistas). “The Road Home de 95, produzido por John Paul Jones (Led Zeppelin), vende bem e mostra um Heart revigorado. “Jupiters Darling” (2004), primeiro de inéditas depois de tantos anos, retorna à suas raízes de hard rock com influência de Led Zeppelin (basta ouvir Things”) e folk.

Curiosidade: Nancy Wilson (guitarra) é casada com o cineasta Cameron Crowe("Quase Famosos")

Antes e depois



sábado, 9 de janeiro de 2010

Editors



Pouco importa se o Editors parece com o Joy Division, U2 ou The Sound. Pouco importa que parece muito com bandas de sua geração como o Interpol e British Sea Power. Pouco importa, também, que em certos momentos a banda constrói um wall of sound que lembra My Blood Valentine ou a fase mais radical do The Wedding Present.

O que importa realmente é que o Editors é uma banda maravilhosa. Desde 2005, quando estrearam com o álbum The Back Room, procedido pelo single “Munich”. Em seguida, venho An End Has a Star (2007) e In This Light And On This Evening (2009). Em todos os trabalhos já lançados o que ouvimos é um som grandioso, magnífico e hipnótico. Mesmo que você perceba o vocal de Ian Curtis (Joy Division) na voz de Tom Smith, o estilo de The Edge (U2) na guitarra de Chris Urbanowicz, pouco importa.

Esqueçam os críticos, que ficam referindo ao Editors como “Interpol de Londres” – esqueceram de chamar o Interpol, à época que começaram, de “Joy Division de New York.
É como disse Paul Banks, vocalista do Interpol: “Deixem o Editors em paz”. Falando em Banks, ele está pra lançar seu primeiro disco solo, Skyscraper, e também logo teremos mais um álbum do Interpol, que segundo Banks, terá orquestrações.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Del Shannon - 1934 / 1990



Del Shannon seria o substituto de Roy Orbison nos Travelling Wilburys, se não tivesse cometido suicídio, com um tiro na cabeça, aos cinqüenta anos no fatídico 08 de fevereiro de 1990. Ele que começou sua carreira nos primórdios do rock, no final da década de 50, estourando em 1961 com seu maior sucesso “Runaway”, Shannon, com seu jeito desengonçado, se impôs cantando a agonia dos traídos, a amargura dos rejeitados. Assim ele reuniu uma legião de fãs que o seguiu até o desfecho trágico.

Em Runaway With Del Shannon (Tarangon Records), o cantor lançou sua pedra fundamental, modernizando o pop com voz áspera e modulações em falsete, seguindo a sinuosidade do musitron (ancestral do sintetizador, pilotado por Max Crook com imaginação). Vários sucessos vieram, "Hats Off To Larry", "So Long Baby", "Hey Little Girl", "Swiss Maid" e "Little Town Flirt". O ex-soldado e vendedor, que viu sua sorte mudar em 60, não o livraram da sanha dos empresários sanguessugas, da canalha invejosa do fisco e da incompetência tirana dos capitães da indústria do entretenimento; os desgastes e perseguições que enfrentou nos bastidores foram cruciais para jogá-lo na depressão.

Depois de produzir hits "Gypsy Woman", para Brian Hyland, e "Baby It´s You", para o grupo Smith (não confundir com The Smiths), e gravar singles para a ABC/Dunhill no final dos anos 60 e transitar por sons psicodélicos, retirou-se para voltar em 73 com o notável LP Live In England pela UA. No início dos 80, voltou às paradas com o LP Drop Down Get Me e o "Sea Of Love", produzidos por Tom Petty.

Curiosidade: A primeira composição de Lennon/McCartney editada nos EUA foi "From Me To You" com Del Shannon, meses antes da versão original (e entrou na parada).



domingo, 3 de janeiro de 2010

Icky Thump (2007) – The White Stripes



Eu não era muito fã do The White Stripes - embora achava Jack White um guitarrista no mínimo curioso - até que Keith Richards (precisa falar de que banda?) elogiou o gutarrista. Elogio de Richards? Isso é o suficiente para sair catando discos do White Stripes por aí. Por que Jack White só toca guitarras carcomidas pelo tempo, cujos modelos são legítimos itens de museu?

Icky Thump é o trabalho mais barulhento – quase hard rock – do duo. Uma vez mais, lá estão os acordes de guitarra dilacerados entre o punk e o countryblues, o drive minimalista da bateria, a tensão dos vocais, a estética do branco e vermelho e preto explorada em contrastes prontos para massagear gônadas e neurônios.Continua sem sinais de overdubs múltiplos, novidades de designer, armações digitais ou das últimas tralhas do mundinho hi-tech.

Por que nem mesmo ao vivo o grupo usa um baixista? Por que os White Stripes teimam em alternar repertório próprio com os blues antidiluvianos de Huddie Ledbetter (Take a whiff on me, Boll weevil) e Son House (Death lettter)?

Por que reabilitar as músicas caipiras – e certamente démodé – dos esquecidos Hank Williams (I can’t help if I’m still in love with you?) e Dolly Parton (Jolene)? Nos shows, Jack só decide ao final de cada canção qual será a próxima. Isso é maravilhoso, onde as bandas de “rock” são tão certinhas: tudo arrumadinho, ensaiado e, portanto, caretinha.
Eles continuam vestindo “as cores da inocência”, segundo Jack White, e pelo menos, hoje, sabemos que Jack e Meg não são irmãos; foram casados e são unidos atualmente apenas pela música.

Neste trabalho só há um cover “Conquest”, de Corky Robbins, que foi sucesso na voz de Patti Page. "You Don´t Know What Love Is?” é a mais pop, daquelas que agrada de imediato. “300 M.P.H. Torrencial Outpour Blues” é uma viagem por variações do Blues, passando pelo blues mais hard ao mais lento. Prickly Thorn, White revê sua descendência escocesa.

Quanto ao nome do álbum, é um dialeto típico do norte da Inglaterra, que significa algo como “”que diabos”. A ideia venho quando sua mulher, a modelo Karen Elson, disparou essa expressão em uma ocasião. “Na verdade, ela disse 'ecky thump'”, diz White.

Goste ou não do White Stripes, Jack é um puta guitarrista, e Meg faz miséria com um mini-kit de bateria. Além disso, devemos agradecê-los por ter resgatado o blues de branco que andava esquecido.