quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Buscando a iluminação pela guitarra



Se grandes guitarristas como Carlos Santana, John McLaughlin têm direito de dedicar suas músicas aos seus gurus, J Mascis também tem sua vez. O exímio guitarrista e líder do Dinosaur Jr, dentre seus vários projetos fora de sua banda oficial, dedicou seu Mascis J and Friends Sing and Chant for Amma (2005) a sua guru Sri Mata Amritanandamayi Devi.

Amma (como é mais conhecida) é uma líder espiritual e humanitária que tem dedicado sua vida aos necessitados. Ficou muito popular no mundo todo por ter o costume de abençoar seus discípulos por meio de um abraço afetuoso. Por isso também é conhecida como “Santa dos Abraços”.

Mascis é devoto de Amma desde a década de 1990. Ele já havia dedicado uma canção a ela em seu projeto The Fog. Sing chant for Amma é uma coleção de canções devocionais perpetradas pela guitarra de J Mascis. Todo o rendimento do álbum foi doado para as vítimas do tsunami. Portanto, abracem este álbum.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O dia em que Mick Jagger levou um soco de Charlie Watts



Não li ainda o recém-lançado livro “Vida”, biografia de Keith Richards. Li alguns trechos e entrevistas com ele e, portanto, comparando com várias biografias sobre o Rolling Stones, Mick Jagger e Brian Jones, muitas informações não batem.

É um livro de memórias, escrita em parceria com James Fox e é bem possível que Richards possa estar zoando de tudo mundo (até dele mesmo). Tolo é quem comprar o livro e aceitar tudo como verdade. Não que eu duvide de todos os relatos, mas não sejamos ingênuos.

E a história do soco que Charlie Watts deu no Mick Jagger? Não sei se está no livro, na dúvida, eu conto.

Tudo mundo sabe - pelo menos os fãs - que Charlie Watts (não é a cara do Brucutu?)sempre foi o cara mais “careta” dos Stones, mesmo quando viviam o auge da “contracultura”, com o abuso de tudo que é tipo de drogas, Watts no máximo fumava um cigarro de maconha. Muito mais fã de jazz do que de rock, sempre usando roupas impecáveis, o sereno baterista tem lá seus limites de paciência.

Aconteceu em Amsterdam, quando Keith Richards e Mick Jagger saíram para beber e Mick ficou de porre. Às cinco horas da manhã voltaram para hotel e Mick telefona para Charlie: “Cadê meu baterista? Desce logo aqui, porra!” Isso é uma coisa que você não faz com Charlie Watts. Até que vinte minutos depois, batem na porta. E aparece Charlie Watts vestido com um belo terno, de colete, barbeado, sapatos engraxados, penteado. Ele diz: “Nunca mais me chame de seu baterista!” E dá um belo soco em Mick.

Infelizmente, Mick estava usando um paletó de casamento emprestado por Richards. A janela estava aberta, ao lado havia uma mesa comprida, com um bufê de salmão. E lá fora, lá embaixo, tinha um canal. Com a força da porrada, Mick saiu deslizando pela mesa - com paletó de Richards! - em direção à janela, prestes a cair no canal. Se não fosse pelo paletó, Keith Richards deixaria Mick cair lá fora. Segurou-o a tempo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Basia Bulat - Heart of My Own (2010)


A jovem cantora de Ontário, Basie Bulat, em seu segundo álbum enriquece sua música com auto-harpa, banjo, ukulele e sinos comandados pela sua voz rica com vibrato

Desta vez a moça buscou inspiração em lugares aprazíveis. Durante uma parada da turnê de 2008, ela e seus companheiros de banda deram um tempo em Dawson City, Yukon, no Canadá. De acordo com Bulat, o calor dos habitantes e as belas paisagens provocaram-lhe um surto de criatividade, o que lhe permitiu escrever a maioria das canções durante a sua estadia de uma semana.

Enquanto Yukon proporcionou uma revitalização artística para Bulat, muitos dos elementos do indie folk como auto-harpa e letras introspectivas, a partir de seu álbum de estréia, ainda são predominantes em Heart of My Own. Howard Bilerman (Godspeed! You Black Emperor, Arcade Fire) que trabalhou em Oh, My Darling, retorna novamente como produtor.

A grande diferença deste novo álbum em relação ao anterior – Oh, My Darling - é que este é muito mais folk (principalmente celta) do que pop - o que fica evidente no primeiro single, Gold Rush. Os violinos comandam grande parte das canções, seguidos por auto-harpa, piano e ukulele (tipo cavaquinho). Aliás, quase não há violão nas novas composições, Bulat dedicou-se muito mais a auto-harpa.

A música que mais lembra o álbum anterior é a pop Walk You Down. Na balada Once More, For The Dollhouse, Bulat mostra todo seu belo e forte vocal (há quem diga que parece com a de Tracy Chapman). Destaca-se, também, outra sensível canção, If It Rains guiada por belos sons de sinos. É um disco envolvente, que conquista o ouvinte aos poucos revelando os seus tesouros lentamente. Este coração é de ouro.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

The National - High Violet (2010)


Desde Alligator, os membros do The National vêm explorando a mesma linha de sons obscuros e solenes, e cada vez mais com melhores resultados. Uma mostra disso se encontra no novo álbum, High Violet, lançado em 10 de maio de 2010. A banda aposta na perfeição.

Neste novo trabalho pode-se ouvir o mesmo som rock-pop das tentativas anteriores, somente construído a partir de grandes arranjos orquestrais e camadas de instrumentos. É notória a intenção do grupo em elevar o nível das apostas e deixar de lado o clima soturno da produção anterior e ir por um caminho menos restrito e mais aberto.

“Terrible Love”, a faixa de abertura, já mostra o nível do disco, no qual metais e coros se unem para aumentar gradualmente a intensidade da música, levando a um resultado surpreendente. Neste mesmo segmento encontra-se “Afraid of Anyone”, em que os coros e arranjos de Sufjan Stevens combinam com o ritmo contundente.

No caso de “Runaway” é a orquestra que conduz a canção, produzindo um belo fundo de melancolia latente que parece sustentar a frágil e emocional voz do cantor Matt Berninger. “Vanderlyle crybaby Geeks” é de uma beleza sem igual, Conversation 16 segue o mesmo caminho.

A banda já deixou claro que suas influências vão de Joy Division a Bruce Springsteen, mostrando sintonia com seus contemporâneos Interpol e Editors. Vindos do Brooklyn, EUA, este quinto trabalho foi gravado no Brooklyn, Nova Iorque, na garagem do guitarrista Aaron Dessner, tem participação de Sufjan Stevens, Richard Reed Parry (Arcade Fire) e Justin Vernon (Bon Iver), entre outros. O álbum tem sido considerado pela imprensa como uns dos melhores lançados este ano e com razão.

High Violet é um trabalho que mantém o ritmo e a qualidade do início ao fim. Bem feito e muito mais intenso do que seus antecessores. Em suma, é um álbum agradável como um todo e que certamente estará entre os melhores lançamentos de 2010. O álbum anterior, Boxer, pode ter consagrado a banda na cena indie, mas com High Violet abre-se o caminho à banda ao estrelato.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

John Lennon, um ídolo para nunca ser esquecido



Há 30 anos, Mark David Chapman assassinava o ex-Beatle com vários tiros na porta de sua residência em New York

Desde o nascimento de seu filho, Sean, em 1975, John Lennon deixou a música com a idéia de se dedicar a vida familiar, que era uma promessa que John fez a Yoko Ono para convencê-la a ter um filho após um par de abortos. O cantor teria se encarregado dos cuidados de Sean. Até então, John não tinha passado muito tempo com sua família, nem com seu primeiro filho, Julian. Desta vez, o músico queria que tudo fosse diferente.

Após três anos de afastamento musical, John Lennon regressou com o álbum Double Fantasy, em novembro de 1980. O álbum foi recebido com muito interesse pela mídia, devido o longo silêncio artístico. Afinal, era um novo trabalho de um dos maiores músicos do século 20. Com a morte de Lennon, apenas um mês após seu lançamento, Double Fantasy chega ao primeiro posto das listas de vendas.



O último dia de John
Na manhã de 08 de dezembro de 1980, seria igual a muitos outros dias na vida de John Lennon. O músico começara o dia respondendo a diferentes meios de comunicação; mais tarde cortara o cabelo e enviaria uma foto para Annie Leibovitz, da revista Rolling Stones.

As cinco da tarde, John e Yoko chegaram ao estúdio da rua 54 para trabalhar nas canções do próximo disco. Ao sair do Dakota, Lennon teria o primeiro encontro com seu assassino. O cantor havia autografado uma cópia de Double Fantasy. Quando o casal voltou para casa às 22:30, Chapman esperou-os – parece que Lennon o reconheceu como o rapaz do autógrafo - Yoko Ono já ia entrando no prédio quando Chapman disparou cinco vezes sua Charter Arms calibre 38 em John. Ele ficou agonizando na porta de entrada do prédio, para desespero de Yoko Ono. Um casal de policiais levaram-no ao hospital Roosevelt, onde certificaram de sua morte às 23:15 de 8 de dezembro.

O dia depois
A notícia da morte de John Lennon correu o mundo em poucas horas, as lágrimas de todos os fãs se multiplicaram junto ao sonho de John de um mundo melhor. Milhares de pessoas se reuniram em frente à casa do ex-Beatle. O corpo de John foi cremado e as cinzas, dias mais tarde, foram entregue à sua viúva. Yoko Ono anunciara que nenhum funeral seria realizado e pediu aos fãs para que se reunissem no Central Park, no dia 14 de dezembro, para orarem e compartilharem dez minutos de silêncio. Mais de duzentas mil pessoas participaram do evento em Nova York, suas cinzas foram espalhadas no parque, e outros tantos tributos foram realizados em outras cidades e no mundo inteiro.


JOHN LENNON "Mind games" par Yann
Enviado por yannos80. - Veja mais vídeos de música, em HD!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tracy Chapman - Tracy Chapman (1988)


Uma cantora simples vinda do circuito folk de Massachussets, negra e com um vozeirão, de repente ganha o mundo com o hit radiofônico Baby, Can I Hold You, em 1988.


Tracy Chapman fez grande sucesso com seu auto-intitulado disco de estréia, fazendo com que se tornasse um dos dez discos mais populares de toda a história da gravadora Elektra. Só nos EUA foram vendidas mais de três milhões de cópias. O sucesso atingiu também a Europa, vendendo horrores na Holanda, Alemanha e Bélgica. O Brasil também não ficou de fora, a canção Baby Can I Hold You, entrou em trilha de novela da Rede Globo e, logo, as rádios não paravam de tocá-la. Na cola vieram os sucessos Fast Car e Talkin´Bout a Revolution. No mesmo ano foi capa da revista Rolling Stones, lugar onde uma mulher negra não era vista há anos.

Depois da surpresa e da badalação dessa cantora “vinda do nada” com suas canções sobre racismo, violência urbana, revolução e injustiça social, veio à prova do segundo disco. Crossroads (1989) não repetiria o sucesso. Com uma produção refinada, Tracy esqueceu que a beleza de sua música estava na simplicidade do violão e voz. Levada world music, blues, gospel, tudo em meio a teclados, violino e percussão. Não vingou. Tracy Chapman saía do mainstreen.

Ela continua lançando discos esporadicamente. A música não mudou muito, mas é o suficiente para manter um público fiel que não liga para modas passageiras. O problema do “desaparecimento” de Tracy é que rapidamente ela entrou para a turma do “vamos salvar o mundo” em luta pelos direitos humanos, participando de shows de igual para igual com astros do porte de Bruce Springsteen e Peter Gabriel. Sua exposição na mídia fora muito rápida, fazendo que se esperasse muito de uma moça que só queria tocar suas canções, que até então, era apenas uma cantora de rua.

Hoje o mundo musical mudou e para fazer sucesso acontece bem o contrário; é a exposição na mídia que mantém o artista no mainstreen, e para isso haja “escândalos”, declarações “bombásticas” e rebolados em videoclips, e com sorte encontrar um produtor descolado e um DJ antenado para fazer o remix de seu último hit.

sábado, 27 de novembro de 2010

Cheiro de coisa velha



Elton John & Leon Russell – The Union (2010)

Elton John declarou que não quer mais fazer música pop e Leon Russell andava sumido, agora ambos têm a oportunidade de retomar suas carreiras em alto nível

Elton John - É notório que Elton John há anos não consegue dar uma repaginada em sua carreira; um sujeito que lançou álbuns impecáveis nos anos 70, conseguiu manter-se nas paradas de sucesso na década seguinte, mas a partir de 1990 musicalmente foi decaindo. Ele até acreditou que o disco de 2006, the Captain & The Kid, seria um sucesso, mas foi um fracasso comercial.

Leon Russell  - Ele sempre foi avesso ao sucesso. Pouco conhecido no Brasil, sua música sempre transitou entre o blues, o gospel e o folk. Fez grande sucesso no início dos anos 1970. Tanto que quando Leon veio ao país pela primeira vez, foi anunciado como “o som dos anos 70”. Tocou teclado em discos de Phil Spector e The Beach Boys, gravou álbuns solos e compôs clássicos como “A Song for You”, “This Masquerade”, “Superstar” e "Delta Lady”. No final da década de 70 sua carreira estava definhando, em parte devido a seus problemas de saúde, mas continuou se apresentando ao vivo.

A União – Elton John nunca negou ser fã de Leon Russell, que o influenciou muito no início de carreira. Tudo partiu de Elton John por meio de uma ligação telefônica da África – ele estava em um safari. Algo que deve ter surpreendido Russel, pois não se falavam há 35 anos. Além das letras de Bernie Taupin, traz participações de artistas de alto nível como Brian Wilson e Neil Young.

The Union é um álbum muito bom, e diferentemente de encontros de grandes artistas que quando se unem entram naquela de regravações de velhos clássicos, Elton e Leon preferiram trabalhar apenas com canções novas, mostrando que realmente se uniram para fazer música.

Dois artistas que tiveram o auge de suas carreiras nos anos 70, e, portanto, não teria como The Union não ter cheiro de coisa velha. Isto não é uma crítica e sim elogio. Todas as canções são muito boas. A união faz a força.

sábado, 20 de novembro de 2010

Paul McCartney, mais vivo do que nunca


A recente tour de Paul pela América do Sul, tem provado que o sujeito está bem vivo. Com quase 70 anos de idade, McCartney ainda tem fôlego incrível para shows. Tudo indica que com esta última vinda, o sucesso tem sido bem maior.  Acontecimentos inusitados não faltaram, como o autógrafo no braço de uma fã, que virou tatuagem, em Porto Alegre e um fã argentino lhe deu de presente um baixo feito artesanalmente por ele.

James Paul McCartney vem de uma família de classe média baixa empobrecida pela guerra, dois meninos órfãos criados por um pai solitário e introspectivo, James McCartney, comerciante de algodão, que havia largado a escola no ginásio e tinha o sonho de mandar os dois meninos para a universidade - até a morte prematura de sua mulher,  Mary Patrícia Mohin, deixando-o não apenas sozinho, mas sem dois terços da renda familiar.

O jovem Paul, que assistia as aulas de piano sem muito entusiasmo quando era criança, além de tocar trombeta que ganhou de seu tio Jack, aprendeu a gostar de música sob a influência de seu pai que fazia parte de um grupo de jazz amador chamado Jim Mac´s Jazz Band. Aos 14 anos, Paul compôs sua primeira canção, “I lost my little girl”, após ganhar uma guitarra de seu pai. Logo entraria para uma banda de skiffe chamada The Quarrymen, liderada por John Lennon. "Eu sei cantar igual a Little Richard", foi seu argumento para entrar na banda.

Em 11 de abril de 1970, Paul, sem a autorização dos outros membros dos Beatles, anuncia oficialmente o fim do Fab Four. Logo lançaria seu primeiro álbum solo, “McCartney” (1970), que atingiu o número 1 das paradas dos EUA e número 2 na Grã-Bretanha, graças a canção “Maybe I´m Amazed”, a preferida de Liza Minnelli e uma de suas melhores canções. Antes desse álbum, ele já havia composto a trilha sonora de “Lua de Mel em Família” em 1967.

Seu segundo disco solo “Ram” (1971) traz a música “Uncle Albert/Admiral Halsey”, um clássico. O trabalho é assinado em conjunto por Paul e Linda, sua recente esposa. E é com ela que ele monta o Wings. Além de sua mulher, fazia parte o ex-Moody Blues, Denny Lane e o baterista Denny Seiwell. O álbum seguinte, Wild Life (1971). não faz tanto sucesso quanto os anteriores, chegando apenas ao número 11 na Grã-Bretanha. No entanto, em 1973, com o álbum Red Rose Speedway, vem o grande sucesso “My Love”, que chegou em primeiro lugar no EUA, e no mesmo ritmo a canção “Live and Let Die” para um filme de James Bond.


Chega-se o auge do Wings com o LP “Band on the Run” (1973), gravado na Nigéria.  Nele se encontra uma das canções mais lindas dos anos 1970, a música que dá título ao álbum. Outro sucesso é Jet. Em "Let Me Roll It" ele prestava uma homenagem carinhosa a John Lennon. A delicada "Bluebird" remonta a tradição das baladas acústicas de Paul e é uma espécie de visão mais otimista de "Blackbird". Nem todos gostaram – chegou a ser vaiado em shows ao tocá-la, pois muitos a considerava uma imitação mal feita de Blackbird.

A segunda metade dos anos 1970, o sucesso não se repete, embora haja bons álbuns  -  Speed of Sound (1976) e London Town (1978). O Wings despenca em 1979 e a prisão de Paul no Japão por posse de maconha só reforçou McCartney a decretar o fim da banda.


Paul abriria a década com seu McCartney II (1980) e de cara traria o hit Coming up. O sucesso radiofônico se completa com o excelente Tug of War (1982), produzido por George Martin e dueto com Stevie Wonder (Ebony and Ivory). Parceria com outros famosos deu certo, e se repetiria no disco seguinte, Pipes of Peace (1983), desta vez com Michael Jackson (say say say). Depois Paul praticamente despareceria do cenário musical. Trabalhos insignificantes vem em seguida, até ressurgir com Flowers in the Dirt (1989). Ótimo trabalho e com novo parceiro, Elvis Costello.

Na década de 90, McCartney tentava sem muita sorte com a música clássica e, ocasionalmente, iria gravar novos álbuns, como Off the Ground (1993), o magnífico Flaming Pie (1997) e a compilação de covers de rock clássico, Run Devil Run (1999).

No novo século manteve o nível com Chaos and Creation in the Backyard (2005), nele encontra-se a linda canção This Never Happened Before, que faz parte da trilha sonora do filme A Casa do Lago (The Lake House); seu último álbum de estúdio, Memory Almost Full (2007), também não decepciona.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Khan – Shanty Space (1972)


Este é um álbum essencial, típico da cena de Canterbury, Inglaterra – movimento que surgiu na segunda metade dos anos 1960, visando dar referência aos grupos que se desenvolveram ao redor (ou a partir) do Soft Machine. Khan é um desses grupos malditos que só gravaram um álbum e que por falta de apoio de gravadora desapareceram. Como toda boa banda de Canterbury, o som era calcado no jazz e rock progressivo. A grande diferença, é que esta banda tem influência de hard rock, algo bem incomum nesse meio.

Em agosto de 1968, o guitarrista Steve Hillage deixa a banda Egg (Uriel, anteriomente) para ir estudar na Universidade de Kent. Em finais de 1970, regressa a Londres e forma sua banda Khan, já com um repertório suficiente de canções. O primeiro membro que Hillage reclutou para o Khan foi o baixista Nick Green Wood, seguido pelos seus futuros colegas Eric Peachey (bateria) e Dick Henningham (teclados) graças à amizade que Steve fez com Caravan, Khan conseguiu assinar contrato com a gravadora Deram.


No final de 1971, a banda já se preparava para entrar em estúdio e gravar seu primeiro álbum, tempo suficiente para Henningham deixar o grupo. Para resolver o problema, Hillage procurou seu velho amigo da banda Egg, Dave Stewart, para tocar no disco, que aceita de bom grado. Stewart é um dos tecladistas favoritos da cena de Canterbury e seu trabalho neste álbum é altamente apreciado por seus seguidores.

Em junho de 1972 Greenwood abandona o barco, sendo substituído por Nigel Griggs (que mais tarde iria se juntar ao Split Enz), coincidindo com o fim da banda Egg, um mês antes; desta maneira Dave Stewart se mantém como integrante fixo em tempo integral, porém esta formação não durou. Um tempo depois, Hillage decide se juntar a banda de Kevin Ayers para shows na Inglaterra e França, e logo junta-se ao Gong. Um fato interessante: o baterista original do Khan não era nada mais e nada menos que Pip Pyle, que também se juntou ao Gong.

Assim se encerra a curta carreira do Khan. Como diz o velho ditado: o que é bom, dura pouco.

sábado, 30 de outubro de 2010

Sob o signo da morte


A morte é um mistério para grande maioria das pessoas, mesmo que as religiões deem explicações sobre o “outro lado”, sempre fica uma dúvida, um frio na barriga quando a hora chega. A morte nivela a todos: ricos, pobres, famosos, intelectuais, artistas etc. Por ela ter esse poder, nós preferimos acreditar que nosso ego continua após a nossa transição; o fim do “eu” é inadmissível para muitos, principalmente para os egocêntricos.

É sob o signo da morte que Ivo Watts-Russell, proprietário e fundador do selo 4AD, nos anos 80, criou o projeto This Mortal Coil, no qual bandas do próprio selo levava-nos para um mundo de mistério e melancolia. A maioria das canções era de autores finados cuja vida foi marcada pela tragédia - Syd Barrett, Tim Buckley, Chris Bell, Gene Clark – rearranjadas por músicos pertencentes a bandas como Dead Can Dance, Cocteau Twins, Wolfgang Press, Colourbox, Shelleyan Orphan, entre outros.

O This Mortal Coil deixou-nos somente três álbuns – It´ll End in Tear (1984), Filigree & Shadow, (1986), Blood (1991) –, mas foi o suficiente para criar um estilo, o ethereal wave (ou darkwave), que seria muito bem desenvolvido mais tarde pelo selo alemão Hyperium com a coletânea Heavenly Voices, levando os sons atmosféricos a outros níveis.


domingo, 24 de outubro de 2010

John Cougar - American Fool (1982)


Entre 1982 a 1985, John Cougar fez um sucesso tremendo aqui no Brasil. Tocava muito nas rádios e sua popularidade era enorme. Com o tempo ele foi sendo esquecido, sendo que a atual geração praticamente sequer ouviu falar nele.

American Fool, seu sexto álbum e último como John Cougar (passaria a assinar como John Mellencamp), foi sua porta de entrada para o estrelado, com vendas enormes e atingindo o número 1 da Billboard, em grande parte graças ao single “Jack & Diane”, uma simples história de amor adolescente. Outro grande sucesso foi a canção Hurts So Good, música que ganhou videoclip e passava muito em alguns programas de música (a MTV estava surgindo no EUA e no Brasil só apareceria na década de 90).

John Mellencamp começou sua carreira no final dos anos 70 (seu primeiro álbum, de 1976, foi um fracasso comercial), mas aos poucos sua popularidade foi aumentando, principalmente a partir do início de 1980, aproveitando a força da música de Bruce Springsteen e a lacuna aberta por gente como Bob Seger, a quem ele se juntou a muitos elementos em comum; sua carreira progrediu, a música tornou-se mais pessoal. O desenvolvimento de uma combinação específica de folk rock e hard rock, influenciaria gente como Bon Jovi.



Sua popularidade estendeu até o álbum Scarecrow (1985), um trabalho que abordava temas sociais, e desfilava uma maior variedade de estilos, resultando sucesso de crítica e alcançando os primeiros lugares nas paradas. Após esse álbum, ele voltou-se mais para as atividades sociais, organização de ajuda aos agricultores, juntamente com Willie Nelson e Neil Young. Ele também ficou conhecido por sua postura antiempresarial, ao recusar ofertas de patrocínios de marcas de cigarros e cerveja.

domingo, 10 de outubro de 2010

Coeur de Pirate - Coeur de Pirate (2008)


Coeur de Pirate é o projeto solo da canadense Béatrice Martin. Uma bela moça, tatuada, com voz e rosto infantil, que encanta com seu piano (toca desde os três anos) e canto francês. A canção Comme des Enfants é a música que a projetou e fez com que ganhasse o prêmio Victoires de La Musique (uma espécie de Grammy francês).

Este seu primeiro álbum é bem diferente de seu projeto anterior (December Strikes First) no qual a moça era apenas a tecladista. Aqui o que se ouve não é rock, é um indie-pop com tons eruditos (principalmente as instrumentais) que encantam já na primeira audição. Seu canto infantil lembra bastante o de Joanna Newsom, só que esta toca harpa em vez de piano.


Béatrice também chegou a integrar a banda Bonjour Brumaire; não ficou por muito tempo e saiu para se dedicar ao Coeur De Pirate. Atualmente, ela tem outro projeto, o Pearls, mais direcionado ao folk e cantado em inglês. Existe uma gravação dela junto ao cantor francês Julien Doré (clique aqui pra ver o clipe) e a regravação de True Color (Cyndi Lauper)



Aos 21 anos e vários projetos, é como Coeur de Pirate que Béatrice mostra todo seu talento, conseguindo algo muito difícil: transitar entre a música francesa tradicional, o folk indie e o erutido. Não é para qualquer um.

Comme dês enfants tornou-se um hit, principalmente nos países de língua francesa





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sambassadeur - European (2010)


Com apenas alguns discos este quarteto de Gotemburgo tornou-se um dos mais interessantes da fecunda e inesgotável cena indie-pop sueca

Baseado no nome de uma canção de Serge Gainsbourg (Le Sambassadeur), a banda sueca Sambassadeur foi formada em 2003 por Joachim Läckberg (guitarra e vocais), Anna Persson (vocal e guitarra), Tolergård Daniel (baixo) e Permbo Daniel (vocal e guitarra). Depois do aclamado "Sambassadeur"(2005) e"Migração"(2007), regressam com "European", seu terceiro álbum, que é o trabalho mais extrovertido, provavelmente resultante da confiança e da experiência adquirida nos últimos anos. Uma obra com grande capacidade de transmitir emoções, tudo sob suaves texturas orquestrais adornada pela voz carismática e inspiradora de Anna Persson que, por sua vez, está cantando lindamente.


Não sei o que tem na água de lá, por ter tantas bandas de indie-pop fazendo músicas maravilhosas. Desde que surgiu o Club 8, não tirei mais a atenção da Suécia. European não tem a quantidade de hits fáceis de seu predecessor, mas compensa com arranjos maravilhosos e um cadenciamento ao longo das 9 faixas é admirável. Outra coisa que podemos reparar é a alegria com que a banda está tocando agora, uma alegria contagiante que possibilita o experimento de vários instrumentos ao longo do disco e que resulta num indie-pop rico e feliz. No entanto, tem uns momentos melancólicos como em High and Low e a instrumental A remote view que lembra bastante Madredeus.


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

The School - Loveless Unbeliever (2010)


Indie pop com forte influência dos anos 60

Essa banda de Cardiff (País de Gales) é assumidamente pop, mas aquele pop baseado lá nas girls group da Motown dos anos 60 - The Ronettes, The Shirelles, The Supremes – e também com boa influência de sunshine pop. Portanto, fique à vontade para ouvir delícias como Let It Slip, Is He Really Coming Home, I Want You Back, All I Wanna Do e I Don´t Believe in Love.

“Loveless Unbeliever” é o primeiro trabalho da banda, antecipado por vários EP´s e singles. A música deles não tem nada demais. Não é vanguarda, não é o artísta do momento, não é a “nova promessa” musical; é por isso que a banda, e nós também, fica descompromissada para tocar a frente seu pop agridoce sem ter que provar nada para ninguém.

A produção ficou a cargo de Ian Catt (Saint Etienne, Trembling Blue Stars e The Field Mice). Muitas vezes comparados com seus colegas de gravadora (Elefant Records), os escoceses Camera Obscura, no entanto, The School também tem algo de Belle & Sebastian - mas que banda indie do Reino Unido hoje que não tenha influência deles? o mesmo digo da influência dos Strokes no cenário norte-americano.

O que é surpreendente sobre este álbum é como The School consegue cantar sobre temas tão bem gasto de uma maneira que faz com que pareça uma descoberta. Este é um álbum para se apaixonar.



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Secos & Molhados


A época em que três seres esquisitões invadiram e conquistaram o Brasil
Quem tem menos de 50 anos hoje, talvez pouco saiba ou se lembre da repercussão do trio Secos & Molhados teve no início dos anos 70. Um fenômeno musical que passou como um furacão – muito maior que o RPM, nos anos 80 ou Mamonas Assassina, nos anos 90. Em 1973, só dava Secos & Molhados nas rádios, tanto que Roberto Carlos havia sido deposto do trono, depois de anos, em vendagem de álbuns. O rei tinha sido superado por três sujeitos que haviam surgido praticamente do nada (para muitos, de outro planeta).

O Brasil ainda não tinha uma banda glitter, e muito menos que usasse maquiagem (sem saber que nos EUA o Kiss partia para o mesmo caminho). Mas o Secos & Molhados estava mais em sintonia era com o rock do Roxy Music, T. Rex e New York Dolls, embora com um diferencial: a mistura do rock com a MPB, o rebolado único de Ney Matogrosso e, principalmente, a sua voz que tem um timbre difícil de definir. Enquanto os outros dois apenas pareciam andróginos, Ney era um misto de Ziggy Stardust (personagem criado por David Bowie em sua fase glam) com Carmen Miranda. Além das letras muito esquisitas para época.

O sucesso fenomenal atrapalhou a cabeça dos rapazes, principalmente a de João Ricardo, líder e letrista, que em sua pretensão chegou a declarar à época: "Houve um grande estouro nos EUA, com Elvis Presley. Depois, outro na Europa, com os Beatles. O próximo teria que vir daqui, porque lá fora ninguém tem mais nada a dar".  Apesar de excelente letrista (quase todas as letras eram dele) quem chamava atenção mesmo era Ney Matogrosso que aos poucos gostava menos do rumo descontrolado que o sucesso estava proporcionando-os. Não demorou muito para tudo se perder após a gravação do segundo disco, em 1974.

                Depois da separação, Ney Matogrosso seguiu para uma prolífica carreira solo (mais voltada para a MPB), João Ricardo tentou voltar com a banda várias vezes, sempre incluindo um clone mal feito de Ney no vocal, sem nunca conseguir fazer sucesso. Gerson Conrad tentou carreira solo ao lado de Zezé Motta e depois abandonou a música.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Club 8 - The People´s Record (2010)


Club 8 muda o estilo e põe todo mundo para dançar com muita batucada

Muitos fãs hão de se sentir decepcionados com o novo trabalho do duo Club 8. O dream-pop mezzo eletrônico fofinho sai de cena para entrar ritmos africanos repletos de percussão e coros, como havia já precipitado no single Western Hospitality.

Johan Angergard e Karolina Komstedt se atreveram bastante desta vez – semelhante ao Keane que também recentemente invadiram outras praias. A batucada impera no álbum todo; sendo que em alguns momentos lembra até Paralamas do Sucesso em sua fase “Selvagem”, no melhor estilo “alagados”. Seria uma influência da viagem que fizeram ao Brasil em busca de inspiração? Pois há até uns pseudosambas: Shape Up!, Be Mad, Get I´ll, Be Still. Embora, a influência de bossa nova sempre se fez presente no Club 8.



Mesmo com todo o ritmo frenético e coros alegres, ainda existe um quê de melancolia; que sempre foi uma característica do duo sueco. Isso prova que a personalidade da banda continua intacta mesmo trabalhando, pela primeira vez, com um produtor mais “descolado”, Jari Haapalainen (The Concretes, Ed Harcour, Camera Obscura).

Eu gostei? Estou dançando até agora.



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Bob Dylan - The Freewheelin´ (1963)


As canções de Bob Dylan se confundem com a história da música pop do Século XX. Sua influência – principalmente se tratando de letras – é incomensurável. Bob é um poeta. Não é à toa que ele é o artista mais regravado até hoje. Mesmo aqueles que não gostam de sua voz fanhosa, reconhecem-no como compositor talentoso.

Se Dylan começou timidamente, em 1962 – era quase um clone de seu ídolo Woody Guthrie -, com seu disco homônimo, foi em The Freewhelin´ que ele se revelou o “porta-voz de uma geração”. Nele encontram-se algumas canções emblemáticas – Blowin´in the Wind, A Hard rain´s A-Gonna Fall, Master of War – que ignoravam a embalagem colorida da sociedade americana. Bob Dylan falava de guerra, racismo e temor nuclear.

Se o primeiro trabalho não vendeu nada, o segundo, contudo, denunciava o talento de compositor. Sim, ele deixou a sombra de Woody Guthrie, e passou a confiar em seu próprio taco.

A capa de The Freewhelin´ é provavelmente a mais legal de Dylan. Lá está  Bob e sua namorada Suzy Rotolo (passei anos achando que era Joan Baez) com quem ficaria por um longo tempo. Esta foto antológica foi tirada por Don Hunstein, um fotógrafo que era contratado pela Columbia, e costumava trabalhar com artistas de jazz. 


Assim, numa manhã friorenta de fevereiro de 1963, ele sugeriu que Dylan e Suzy caminhassem pela região de 161 West Fourth Street, no centro de Manhattan, perto de onde moravam. Por coincidência, o estúdio de Hunstein ficava perto. De braços dados e sorrindo discretamente, Bob e Suzy parecem estar alheios a tudo, aparentemente indiferentes aos carros que passam ao lado e à confusão de Manhattan.

Quanto à influência que teve Dylan a partir deste disco é melhor deixar de lado.


terça-feira, 27 de julho de 2010

DAVE CLARK FIVE



A banda em que o ego do baterista não ficava lá atrás



Dave Clark Five foi a única banda que teve como líder o baterista, tanto que o nome do grupo levava seu nome; além de ser o empresário, produtor, e principal cantor e compositor. Ou seja, a banda era dele – sendo assim, a bateria de Dave Clark ficava posicionada ao centro do palco. Mas não foi apenas por essas peculiaridades que a banda atraiu a atenção da mídia. Eles fizeram muito sucesso entre 1964 e 1966. Para se ter uma ideia, eles conseguiram colocar 15 sucessos entre as 20 da parada americana, e foi a primeira banda inglesa de merseybeat depois dos Beatles a ter uma carreira de sucessos no EUA.

Dave Clark é hoje um multimilionário homem de negócios, dono da DC Productions, um vasto complexo de empresas ligadas ao showbiz.  Mas no começo todos os cinco eram muito pobres; tanto que quando David Clark conseguiu comprar sua bateria precisou levá-la para casa de ônibus. Outro fato curioso é que a mãe de um dos cinco integrantes era serviçal no palácio de Buckingham e, fazendo uma boa propaganda da banda por lá, conseguiu que eles se apresentassem no palácio. Como em 1963 o sucesso ainda estava engatinhando, não tinham dinheiro para pagar um carreto até lá, foram com seus instrumentos de metrô.


O grupo foi formado em 1961, em Tottenham, subúrbio ao norte de Londres. Além de Dave Clark (bateria), a banda incluía Mike Smith (vocais e teclado), Lenny Davidson (guitarra), Rick Huxley (baixo) e Denis Payton (saxofone, gaita e guitarra).


Fora do padrão guitarra/baixo/bateria, o David Clark Five foi o único grupo (de sucesso) da música beat a manter em sua formação um tecladista e um saxofonista. Foi a única a capturar por inteiro o real sentido do rock´n´roll dos anos 50, pela sua espontaneidade, dinamismo e alegria. Ainda em defesa de sua música, pode-se acrescentar que foi o único grupo de época, a dar destaque à música instrumental. O baixista Rick Huxley era fortemente influenciado por Ventures e Duane Eddy, o refletiu positivamente na música DC5, principalmente nas músicas instrumentais.

Seu primeiro single, lançado pela gravadora Picadilly, seria “I Knew All the Time”, e depois de ganhar um importante seguimento em clubes de Tottenham, o grupo assinou com a Columbia, onde obteria sucesso com “Glad All Over”, uma vibrante canção escrita por Clark e Smith, seria número 1 na Grã-Bretanha. Em seguida, o David Clark Five conseguiria uma sequência de grandes sucessos, em 1964, como Bits and Pieces, Thinking of You Baba e Any Way You Want it. Essa última ganharia versão do Kiss e Ramones.



Em 1965, seguem conquistando os mercados britânicos e estadunidenses com temas como o cover de Chuck Berry “Reelin´and rockin´”, Come home e Catch us if you can, essa última foi título de um filme estrelado pela banda, dirigido por John Boorman.

Também chegaram ao primeiro lugar no EUA com “Over and Over”, uma velha canção escrita pelo bluesman Robert Byrd. Sua popularidade era imensa, aparecendo regularmente na televisão, principalmente no Ed Sullivan Show. As meninas enlouqueciam com aqueles cinco bonitões simpáticos, as mães aprovavam seus bons modos e impecável elegância, e os rapazes, sonhavam em ser Dave Clark, tocar bateria daquele jeito, ter seu porte atlético.

Apesar de que durante os anos seguintes, obtiveram êxitos com Everybody Knows, The Red Balloon, a popularidade da banda decaiu. A psicodélica, o rock progressivo, o processo evolutivo da música pop, derrotou o Dave Clark Five. Os rapazes tentaram se adaptar; mudou um pouco o visual, barbas cresceram, mas não foram além disso.

No segundo semestre de 1970, o Dave Clark Five pôs fim a carreira, a partir de então, Dave Clark inicia uma lucrativa carreira como homem de negócios (ele sempre levou jeito mesmo), que incluía a posse dos direitos do famoso programa de TV “Ready Steady Go”.

David Clark Five foi mais uma das muitas bandas que fizeram parte da “invasão britânica” e que com o tempo foram caindo no esquecimento, principalmente aqui no Brasil; e a juventude atual sequer já ouviu falar deles. A banda vendeu mais de 100 milhões de álbuns.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Declaration of Dependence (2009) - Kings of Convenience


Uma declaração de talento dos noruegueses do Kings Of Convenience



Este é o último trabalho lançado pelo duo Kings of Convenience, e qualquer álbum que você ouvir deles, encontrará belas suaves melodias, que são fundamentadas em violões com ocasionais arranjos de cordas e piano. Herdeiros diretos da simplicidade harmônica de outra dupla, só que dos longínquos anos 60, Simon & Garfunkel, impregnam também suas canções com influência de bossa-nova – influência que o duo sessentista não tinha.

Tudo começou quando dois amigos de infância - Eirik Glambek Boe e Erlend Oye – começaram na música com um projeto musical de covers (os Skog) em cima da música do Joy Division. Mas a orientação musical mudaria radicalmente ao adotarem o nome Kings Of Convenience e gravarem o EP “Live In a Room” – realmente gravado em um quarto. O sucesso vem logo, em 2001, com Quiet Is The New Loud e singles como Failure e Toxic Girl, chegando a vender mais de 200 mil cópias.

Descompromissados de gravar todo ano, o duo em mais de 10 anos de carreira, tem apenas três álbuns com canções originais. O último é esse Declaration of Dependence que traz o mesmo estilo que os consagraram: um pop acústico, ora alegre, ora melancólico. No hiato entre álbuns, Eirik deu sequência ao seu curso de psicologia, enquanto Erland lançou disco solo e montou o projeto musical The Whitest Boy Alive (mais eletrônico).

Ao ouvir os primeiros acordes da música que abre o cd, 25-25, já sentimos o que vem pela frente: canções praticamente apenas com violões as quais têm o poder de nos arrematar desse mundo, ou então levarem-nos à essência de tudo que nos envolvem. Beleza assim, nos remete a um rapaz sensível que também tinha essa sensibilidade: Nick Drake, o jovem músico profundo e melancólico, que também usava o violão como força motriz para expressar seus sentimentos mais profundos.


Em uma época em que músicos “descolados” tentam soar moderninhos, criando em seus álbuns profusões de sons "experimentais", enchendo suas canções de overdubs, samplers de tudo que há, convidados famosos (para atrair outros públicos) e produtores badalados do momento, não conseguem o que esses dois rapazes alcançam apenas com violões e canções singelas: tocar a nossa alma.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Lunapark (1992) - Luna


A banda Luna surgiu das cinzas do Galaxie 500, quando seu líder, Dean Wareharn - um neozelandês radicado nos EUA -, uniu-se ao também neozelandês Justin Harwood no baixo e Stanley Demeski na bateria. Harwood vinha de experiência com os Chills e Demeski, por sua vez, com os Feelies. Luna, um nome derivado da personagem interpretada por Diane Keaton, Luna Schlosser, no filme de Woody Allen "Sleeper", que no início, por motivos contratuais, assinava como Luna2.

O Galaxie 500 era legal? Sim. Mas o Luna também é: só que é um som menos estridente, mais tranqüilo e com mais cara de Television do que Velvet Underground ou se preferir uma versão mais doce do UV (chegaram a abrir para o VU em 1993, quando a banda retornara para alguns shows).

O Luna assinou com a Elektra para gravar "Luna Park" (1992), um grande álbum de estreia produzido por Fred Maher (ex-membro do Scritti Politti), desde o início consegue transportar-nos para as levadas de guitarra de Wareharn, com canções de tom agridoce ,carregadas de melodias maravilhosas e bases instrumentais que é algo maravilhoso de se ouvir.

A banda é também conhecida por fazer versões inusitadas de outros artistas – algo que Dean já fazia no Galaxie 500, quando tocava até música da Yoko Ono! -, as mais curiosas são: "Bonnie and Clyde" de Serge Gainsbourg; "Sweet Child O'Mine", do Guns 'n Roses; Neon Lights", música do Kraftwerk; e "Season Of The Witch" do Donovan. Todos esses covers foram reunidos na coletânea Lunafied (2006), que traz também versões para músicas da Blondie, The Doors e New Order.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Our Ill Wills (2007) - Shout Out Louds


Quando ouvi Shout Out Louds ainda em seu primeiro álbum, Howl Howl Gaff Gaff (2003), achei as canções muito próximas do que o The Strokes fazia, embora percebia-se algo de The Cure.  Já nesse segundo trabalho, não há nada de Strokes e muito de The Cure, inclusive o vocal de Olenius carrega o mesmo timbre de Robert Smith. Menos rock e bem mais pop, Our Ill Wills é ainda o melhor que já fizeram; mesmo que você jure que seja a mistura perfeita de The Cure com The Killers.

Nele se encontra o hit "Tonight I have to leave it", a belíssima “Impossible”, momentos Belle & Sebastian em "Meat Is Murder' e encerram com a roqueira "Hard Rain", que nos remete ao Yo La Tengo, principalmente pelas guitarras uivantes.

Sabemos que a Suécia é um país que tem produzido bandas maravilhosas aos montes – Mando Diao, Club 8, I'm from Barcelona, Those Dancing Days, Peter Bjorn and John -, esta banda de Estocolmo também faz jus à sua procedência.  Eles que no começo de carreira atendiam pelo nome de Luca Brasi, mas depois descobrirem outra banda com mesmo nome e, então, resolveram mudar para Shout Out Louds – dizem que foi devido após ouvirem a música “High” do The Cure.

Obs. O single "Shut Your Eyes" foi usado na publicidade do Fiat Punto no Brasil.

domingo, 4 de julho de 2010

Abandoned Love (2010) - Trembling Bells


Ao ouvir a banda indie folk Trembling Bells não tem como não se lembrar do folk rock britânico dos anos 1960, de bandas como Jade (o visual é idêntico), Incredible String Band, Pentangle e principalmente Fairport Convention – a voz de Lavinia Blackwall é muito semelhante à de Sandy Denny. Portanto, o Trembling Bells carrega todo aquele clima folk psicodélico dos artistas citados. A única diferença é que existe influência de música medieval e um certo clima de indie rock atual, mas a impressão que se passa é que estamos ouvindo alguma banda de folk rock do final da década de 1960.

Este é o segundo trabalho desses escoceses de Glasgow; não há muita diferença em relação ao primeiro álbum Carbeth (2009), mas é tão bom quanto. Os integrantes são Lavinia Blackwall (voz, violão e teclados), Alex Neilson (batera), Mike Hastings (guitarra) e Simon Shaw (baixo e vocal). Abandoned Love é co-produzido por Stevie Jackson (Belle & Sebastian). A banda não tem mais de dois anos de existência, e dizem que o baterista Alex Neilson já foi namorado da vocalista loira (Lavinia Blackwall).

Se esta é sua praia, vá então ouvi-los. Mas que me deu vontade de ouvir Fairport Convention, ah, isso deu.



terça-feira, 29 de junho de 2010

Paul´s Boutique (1989) – Beastie Boys

Uma obra-prima que passou despercebida


Nunca esqueci quando vi os três patetas do hip-hop (não confundam com rap) – Mike Diamond, Adam Horovitz e Adam Yauch – pela primeira vez quando lançaram o Fight for Your Right to Party em 1986; uma mistura de hip-hop com heavy metal, versos malucos, muita cerveja, mulheres e festas – festas! Sim, amigos da época diziam que os Beastie Boys chegavam a organizarem festas que duravam até três dias, regadas a orgia de pizza, maconha, mulheres e muita cerveja. Claro, eles tinham muito que festejar, pois seu primeiro álbum, License to III, foi o primeiro LP de hip hop a chegar ao número 1 das listas Billboards. O sucesso dos garotos foi tanto que chegaram a abrir shows para Madonna, sendo que a “rainha do pop” estava em seu auge excursionando com sua Material Girl (o público dela os odiava). Nada mal para uma banda que começou nos subúrbios de Nova York envolvidos com o hardcore local.

Contudo, os Beastie Boys cresceram. Crescerem não só musicalmente como seres humanos também – Adam Yauch chegou a converter-se ao Budismo, e tanto quanto os outros dois, tornaram-se pais e famílias e empresários. Claro, a mudança foi gradativa e o primeiro passo foi dado em 1989 com esse “Paul´s Boutique”. Um trabalho que não vendeu nada e passou quase que despercebido pela mídia. Mas convenhamos: sem este trabalho eles nunca chegariam ao sucesso que foi o álbum seguinte, Check Your Head (1992).

O LP começa com um levinho blues psicodélico e emenda num sacolejante funk Miami com um corinho deslavadamente disco. Seguem-se piadinhas, palavrões, flertes de soul com pilhas de samples classics numa colagem non-stop que era pura molecagem - Johnny Cash, Yosemite Sam. The Isleys, Sweet, a trilha de Psicose, colagens magníficas com samples de Kraftwer, Bob Dylan, Beatles e Led Zeppelin. É divertido você por o disco para ouvir e ficar reconhecendo a genial mistura de samples. E é mais legal ainda se você já possui um grande conhecimento musical. Sem isso, você simplesmente fica boiando.

Paul`s Boutique foi uma mistura de canções com proporções quase míticas. Cortaram e pegaram em pequenas samples que foi transformadas num dos mais importantes comunicados da subcultura dos anos 1990. O coeficiente de inteligência do álbum era exatamente o contrário do anterior. Mesclando referências clássicas com as do pop, acrescentaram rimas inteligentes com um som de influências de rock, funk e disco. Paul`s Boutique mostrou visivelmente que os Beastie Boys eram mestres musicais talentosos com mão sob o seu próprio destino artístico.

“Tudo que fizemos até hoje foi de brincadeira. Nunca achamos que fossem levar a sério”
Yauch



terça-feira, 15 de junho de 2010

MOBY GRAPE


Na efervescente San Francisco entre 66/67, eles não destoavam em imagem e atitude de seus conterrâneos hippies como jefferson Airplane, Grateful Dead e Quicksilver Messenger Service. Mas enquanto estes seguiam à risca a cartilha psicodélica de temas longos e improvisações, o Moby Grape se concentrava em canções bem delineadas, que fundiam o som lisérgico a harmonias do folk rock de Los Angeles, via The Byrds e Buffalo Springfield.


O embrião do grupo se chamava The Frantics e tocava no circuito entre o norte da Califórnia e Seattle. O núcleo era o guitarrista Jerry Miller, o baixista Bob Mosley e o baterista Don Stevenson. No fim de 1966, eles foram para San Francisco na emergente onda psicodélica. Lá conheceram Peter Lewis (filho da atriz Loretta Young, que era líder e guitarrista da banda Peter And The Wolves) e Alexander "Skip" Spence (um canadense descolado na cena freak, que já havia tocado guitarra nos primórdios do Quicksilver Messenger Service e até bateria no disco de estréia do Jefferson Airplane).


O quinteto teve uma projeção relâmpago, devido à afiadíssima condução das guitarras de Spence/Miller/Lewis e ao entrosamento vocal. Mas não era só: todos os cinco eram compositores - e dos bons -, o que garantia não só a qualidade, mas também a diversidade de suas canções.  Infelizmente devido a problemas internos que terminariam culminando com o desaparecimento do grupo poucos anos depois de sua criação.

Tudo começou com o esquema surreal que cercou seu álbum de estréia homônimo. Descobertos pelo produtor David Rubinson, eles assinaram com a Columbia. No início de 67, gravaram o disco em três semanas, praticamente ao vivo - à exceção dos vocais. Rubinson estava tão certo que seria uma tacada certeira que convenceu a gravadora a lançar dez das treze faixas em cinco compactos 45 rpm, simultaneamente! O único a figurar na Billboard (88°) foi "Omaha", de "Skip" Spence. Esta estratégia comercial suicida culminou com a festa de lançamento, com direito a situações insólitas tais como uma chuva de dez mil orquídeas sobre os convidados (que ficaram levando tombos ao escorregar nas pétalas amassadas), setecentas garrafas de vinho e nenhum abridor, além da posterior prisão de Miller, Lewis e Spence por estarem portando maconha na companhia de três garotas menores de idade. A conduta pouco ortodoxa deles não agradou em nada à gravadora, já irritada por ter que "apagar" da foto na capa do álbum o dedo médio de Don Stevenson, em posição de "fuck you".

Assim, eles foram despachados para Nova York e intimados a fazer um disco mais "normal". O que saiu não foi exatamente isso, mas Wow, uma colcha de retalhos remendada por sopros e cordas, que mesmo assim possuía vários momentos brilhantes. Nota: apesar de a rotação original ser 33 rpm, o álbum tinha uma faixa para ser tocada em 78 rpm e era acompanhado pelo disco-bônus Grape jam, com gravações ao vivo do grupo junto ao tecladista Al Kooper e ao guitarrista Mike Bloomfield.

A essa altura, a banda já dava os primeiros sintomas de desintegração, com Spence cada vez mais se encharcando de LSD e cometendo loucuras como correr por um hotel atrás de Don Stevenson com um machado! "Skip" não tardou em abandonar o grupo, que logo se desfez para voltar em seguida sem ele, no álbum "Moby Grape ´69', puxado para o country e o rhythm´n´blues. Já sem Mosley, o trio remanescente fez "Truly Fine Citizen" em 70, um disco ainda mais voltado para a música de raízes e que foi o real epitáfio da banda. Mais tarde, Mosley também abandona o barco, ops... quero dizer, entrar no barco, porque resolveu mudar de vida e tornar-se marinheiro.

Depois disso, seus membros tentaram se reunir por várias vezes, eventualmente usando nomes diferentes, devido ao fato de um antigo manager possuir a posse legal da marca Moby Grape.

É bom lembrar que ainda em 1971, houve uma reunião do quinteto original que daria como fruto o  álbum “20 granite creek”, um interessante trabalho produzido por David Rubinson. Moby Grape continuaria aparecendo e desaparecendo de cena, convertidos com o passar dos anos em um grupo de culto e atuando em pequenos locais para o deleite de plateia.

Alexander “Skip” Spencer faleceria em 16 de abril de 1999, por problemas derivados de sua saúde mental – ele nunca bateu muito bem mesmo da cabeça. Bob Mosley, por sua vez, iria ser diagnosticado com esquizofrenia.