segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

The Beatles - Abbey Road (1969)



Sabe-se que desde da época do Revolver (1966) que os Beatles, cada vez mais, estavam compondo separadamente, apesar de muitas canções ainda virem assinadas como Lennon e McCartney, cada um estava fazendo sua própria música. O ápice dessa situação foi com White Album, no qual ficou visível que era quatro artistas gravando suas músicas dentro de um mesmo álbum. Como Abbey Road seria o último disco a ser gravado, Paul pediu a George Martin para que voltasse a assumir a produção. Martin aceitou, sob a condição de que os quatro Beatles cooperassem, de fato e trabalhassem como ele como antigamente. Assim, mais disciplinados, deixando as desavenças um pouco de lado, realizaram o disco mais bem produzido; o último da banda.

O engenheiro de som, Alan Parsons como assistente de som e Tony Banks como operador de fitas, o primeiro ficaria famoso anos depois ao trabalhar em The Dark Side of The Moon do Pink Floyd e com o Alan Parsos Project. George Martin considera Abbey Road o melhor trabalho dos Beatles. O álbum também estabilizou George Harrison como grande compositor, saindo definitivamente da sombra de Lennon e McCartney.

Depois do Sgt. Pepper's Lonely.... é a capa mais famosa, com os quatros atravessando a rua. A famosa fotografia foi tirada do lado de fora dos estúdios Abbey Road. Muito se falou sobre os rumores que ela contém sobre a suposta morte de McCartney, vítima de um acidente de moto em 1966. Paul está descalço (segundo ele, aquele dia fazia muito calor, e não estava aguentando ficar com nada nos pés). Uma outra versão diz que ficou descalço porque um par das sandálias se arrebentou. Paul está com os olhos fechados segurando um cigarro na mão direita (ele é canhoto). A música Come Together diz em um trecho que “um mais um mais um são três”, que significa que “John mais George mais Ringo são três”. Paul está fora, pois estaria morto. A placa do Fusca que aparece na rua é 28IF, que significa que Paul teria 28 anos se estivesse vivo. Há um carro funerário estacionado.

Outra curiosidade sobre a capa é a presença de um outro elemento: um sujeito ao fundo com ares de curioso; ele foi identificado como Paul Cole, um turista norte-americano que só descobriu sua imagem na foto quando viu a capa do disco, meses depois. Quando ao Fusca, atualmente encontra-se no Museu da Volkswagen na Alemanha.

O disco abre com Come Together, de Lennon, foi feita a pedido do guru do LSD, Timothy Leary, que disputaria o governo da Califórnia que tinha como mote da sua campanha a frase: "Let's Get It Together" No decorrer da canção, John faz um efeito com a boca, como se dissesse “shoot me”, algo como “atire em mim”, ou “injete em mim” (gíria ao uso de heroína). Paul McCartney não gostava desse trecho por achar que teriam problemas com a justiça, e sabendo que John não a descartaria, ele decidiu tocar seu baixo tão forte e alto de modo que cobrisse a fala.

"Octopus's Garden" - Segunda música composta por Ringo Starr (com a ajuda de Harrison), surgiu a partir de uma conversa com o capitão de um iate, na qual ficou sabendo que os polvos costumam procurar por pedras brilhantes e latas de alumínio para pôr na frente da toca, como se fosse um jardim.

"Here Comes the Sun", de Harrison. Para sair um pouco clima e pressões dos períodos de gravação, George deu uma escapulida para a casa de Eric Clapton, onde havia um lindo jardim. Pegou o violão de Clapton e em meio ao passeio pelo jardim compôs essa maravilha que é "Here Comes the Sun".

"Because", é o melhor entrosamento harmônico de vozes dos quatro. Foi usado o sintetizador Moog por Harrison na introdução de guitarra e foi inspirada no “Moonlight Sonata” de Ludwig van Beethoven.

"Polythene Pam", já faz parte da suíte (na verdade são pedaços de trechos de várias músicas) que compõe todo lado B do LP. Composto por Lennon, refere-se a mulher de um amigo poeta que costumava se enrolar em sacos de Politileno. Outra versão diz ser um hábito de Pat Hodgett (fã da época do Cavern Club) de comer polietileno e era conhecido como Polythene Pat.
A canção desemboca em "She Came in Through the Bathroom Window", sobre uma fã que invadiu a casa de Paul pela janela do banheiro e abriu a porta da frente para outras fãs entrarem.

"Something", outra de Harrison, foi primeiramente oferecida a Joe Cocker, mas voltaram atrás e a gravaram. Foi a primeira música de George a ser lado A de um single. "Something" foi considerada por Frank Sinatra a mais bela canção de amor dos últimos cinquenta anos. Foi a única música dos Beatles que Sinatra cantou ao vivo, só que pagando o mico de anunciá-la como uma composição de Lennon e McCartney.

"Maxwell's Silver Hammer" "Maxwell's Silver Hammer" conta a história de um maníaco chamado Maxwell, que com um martelo de prata sai cometendo homicídios.

"I Want You (She's So Heavy)" Uma das músicas mais longas dos Beatles, com quase oito minutos. Curiosamente é uma das poucas com uma levada de Blues, estilo que eles nunca curtiram. Há um botleg com Paul cantando essa canção.

"You Never Give Me Your Money", deLennon/McCartney, que dá o início às várias canções emendadas, retrata as insatisfações com a direção financeira que a banda passava, culpando o agente Allen Klein que também trabalhou (ou roubou) dos Rolling Stones. O curioso é que Jagger passando por situação semelhante à época, em uma reunião de negócios ele diz: "Eles sempre falam que está tudo bem até você querer comprar alguma coisa. Aí você vê que não tem o que pensava que tinha." e complementa seu raciocínio com duas frases dessa canção “You never give me your money. You only give me your funny papers".

“Sun King ” que por pouco se chamaria “Here Comes the Sun King”, é uma mistureba de idiomas, que segundo Johnn Lennon, era uma brincadeira com várias línguas.

“Mean Mr. Mustard” era um fato verídico sobre um homem miserável que escondia dinheiro. "Golden Slumbers" e "Carry That Weight" (Lennon/McCartney) são de Paul. A primeira foi criada após ele ter visto em um livro de sua meia-irmã Ruth, um poema de Thomas Dekker, do século XVII, em formato de canção de ninar.

"The End", que se chamaria Ending” era para ser a última, fechando o álbum, mas entrou Her Majesty, que surge depois de 23 segundos, com Paul no violão.

Abaixo algumas paródias sobre a famosa capa, a começar com uma de Paul com seu álbum Paul is Live (1993)













2 comentários:

Adri disse...

For-mi-dá-vel!
Não tenho o que comentar. Você se supera... sempre!
Sou sua maior admiradora, com certeza!

Mary Joe disse...

Cláudio, seu post ficou MARAVILHOSO. Adoro quando vc vai contando curiosidades e making off das coisas. É delicioso. E esse album é lindo. Entaõ foi bom saber tantos detalhes.
Adoro "Something". Entaõ a escolha dela para video, também foi primorosa.

Acho que foi um de seus posts que mais gostei.
Beijokas
Mary