sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alexandria (1989) - Adrian Borland



“Perguntei o nome a uma garota no ônibus quando estava indo para Catford. Ela disse que seu nome era Alexandria. Nome estranho para uma pessoa, não é um lugar? Sim, é um lugar no Egito”.

Adrian Borland

Esse é um dos discos mais bonitos que já ouvi na vida. Eu conhecia muito pouco de sua carreira solo, conhecia mais sua banda de pós-punk The Sound, que seguia a mesma sonoridade dos seus compatriotas Joy Divison e Echo & The Bunnymen.
The Sound não ficou famoso, obviamente a carreira solo de seu líder, Adrian Borland, também nunca decolou. É uma pena porque a música é maravilhosa.
Em 1989, eu comprova esse Alexandria, e fiquei maravilhado com a sensibilidade das músicas; passei a gostar muito mais de Borland.Foi o primeiro e único trabalho dele a sair no Brasil.
Dez anos depois, vi uma notícia triste na internet, quando “navegava” procurando outros trabalhos do artista, tive uma triste surpresa - pois tinha parado de acompanhar a sua carreira solo -, ele havia suicidado, se atirando nos trilhos de um metrô da Wibledondon Tube Station, em Londres. Ele sofria de esquizofrenia, além de viver tendo crises de depressão, nas quais ouvia “vozes”, que levou-o a passar temporadas em clínicas psiquiátricas. Segundo a sua mãe, Win Borland, dias antes de sua morte, ele sofreu um surto muito grave. Ele tinha muito medo de ter que ser internado outra vez, e sempre dizia que isso não iria acontecer novamente. Borlando vivia com sua mãe e faleceu aos 41 anos. Estava prestes a lançar seu sexto álbum “Harmonia & Destruction, que acabou saindo como disco póstumo com algumas canções bônus.
Alexandria é um trabalho maduro e equilibrado, muito intuitivo. Borlando assumiu o controle total sobre seu trabalho, realizando, além das composições, todo a tarefa de produção. Os efeitos são imediatos, em especial nos arranjos e simplicidade das canções, que as tornam bem diretas. Todo o trabalho é imbuído de um clima que exala otimismo e vitalidade. Ao contrário do que se possa pensar, é um disco muito alegre, com poucas canções melancólicas.
Light the Sky é uma linda jóia, semi-acústica, que fala de confiança e fé. Beneath the Big Whell, é refletiva e serena, uma maravilha. No Ethereal, épica e emocionante, e Shadow of Your Grasse é uma balada cheia de sentimento e emoção. She´s My Heroine é uma homenagem a Patti Smith, enquanto Other Side Of The World é uma das canções mais belas e profundas que já ouvi.

2 comentários:

Adri disse...

ah, verdade... que lástima! um artista fabuloso, realmente, concordo!

Mary Joe disse...

Nossa, nunca tinha ouvido falar nele. E que pena. Música deliciosa, me lembrou algo de New Order, mas menos dançante.
Achei uma gracinha.

Sempre tenho uma sensação tão grande de desperdício ocm suicidios.
Problemas sempre podem ser resolvidos... e se vc morre, já era.
Beijokas
MAry Joe