quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Steven Jesse Bernstein - Prison (1992)



Foi assim: ele estava cansado; cansado de uma sociedade hipócrita que te não aceita como você é, e sim como você deveria ser, ou seja, um cara moldado pela sociedade – “o bom cidadão”, o cara “aceitável”, o idiota “social”.
Steve sofreu, e muito: poliomielite aos quatro anos, gozações dos colegas, fracassos amorosos e extrema solidão. Assim ele diz no monólogo de quase treze minutos “Face”: "Sempre soube que havia algo de errado com minha cara". Ao ouvi-la, dá para sentir toda a dor e sofrimento do moço.

Ele aparentava ser um sobrevivente de Auschwitz e espiritualmente ficaria entre Gil Seott-Heron, Woody Allen e Iggy Pop. Poeta, escritor e autor teatral com mais de duas dezenas de trabalhos lançados, Steven Jesse Bernstein não suportou a barra e suicidou-se em 1992, aos 40 anos. Estava gravando esse Prison, onde interpretava seus poemas musicados por Steve Fisk, num modelo sonoro bem diferente do habitual no selo Sub Pop.
Os versos provocativos de criações como "No No Man (Part One)" -a única que ele chegou a concluir -, "Morning In The Sub-Basement Of Hell" e "Party Balloon" mostram bem a língua afiada de Steven.
O mundo virou as costas para Bernstein. Foda-se! O mundo que perdeu um cara legal. Fiquem com os hipócritas, com os que promovem sua “bondade” nos meios de comunicação, que se envolvem em projetos sociais e fazem os pobres chorarem em emissoras de tv. Assim o mundo reage aos verdadeiros, que têm coragem de ser eles mesmos em uma sociedade de cópias, negando-os.

3 comentários:

Adri disse...

que desabafo perfeito!
nao tenho nem o q dizer...

Mary Joe disse...

Pena que ele naõ segurou o tranco. Gostaria de que ele tivesse conseguido ser ouvido.
Beijokas
Mary Joe

Harley Coqueiro disse...

Que resenha fantástica. Fiquei até curioso em conhecer mais sobre este artista!