domingo, 11 de outubro de 2009

A História da Guitarra Elétrica



O Início
A guitarra elétrica é um dos principais símbolos do rock: mesmo que seja usada em outros estilos musicais como jazz, reggae e até calipso. Ela é uma evolução do violão (em muitos países referem-na como guitarra acústica), que até antes do século XVIII só tinha cinco cordas. Já no século XX, foi inventado o captador magnético, eletrificando o som do violão.
Foi devido aos músicos de blues e R&B dos Estados Unidos que um violinista texano chamado George Beauchamp criou o primeiro captador magnético. Naquela época, os músicos reclamavam muito de não conseguirem ouvir o som de seu próprio instrumento, devido de os bares onde tocavam serem muito barulhentos; mesmo que amplificassem o som dos microfones a situação permanecia a mesma.
Nos anos 30, Beauchamp une-se a Adolph Rickenbacker, que aperfeiçoando os captadores, lançaram uma série de guitarras. Na época as vendas foram modestas - as guitarras Rickenbacker ficaram famosas com os Beatles–, no entanto abriram caminhos para outros inventores. Em seguida, apareceram as primeiras Gibson ES-150 (que tinham um potente captador) e a produção de captadores em escala industrial.

Primeiros guitarristas
Eddie Durham foi o primeiro músico a usar guitarra elétrica, no entanto, usava-a apenas para acompanhamento de orquestra. Quem começou a por a guitarra em destaque foi o músico de jazz Charlie Christian, quando começou a solar, levando-a há novos patamares. E foi um discípulo de Christian, Les Paul, que deu mais um passo a frente na evolução do instrumento. Criador do primeiro protótipo da guitarra maciça, com dois captadores, Les Paul também foi precursor do overdub e do gravador de oito canais. Através de uma associação com à Gibson, lança modelo de guitarra com seu nome - com os captadores humbucking reduz a interferência de ruídos.
Nos idos de 1954, Leo Fender aparece com a guitarra Fender Stratocaster (a preferida de Jimi Hendrix), com três captadores simples (agudos, médios e graves) que continha uma chave que selecionava o captador a ser usado.

A alavanca de trêmulo

Foi o primeiro efeito a ser incorporado à guitarra, consistia em uma alavanca ligada a uma ou mais molas, assim era possível ao músico regular a tensão das cordas, produzindo vibrações sutis que aguçavam a percepção do ouvinte. Seu criador, Paul Bigsby, em 1939, um ex-corredor de motocicleta. A partir daí, a Gibson e a Gretsch incorporaram a alavanca em seus modelos; logo após, surge a eletrificação por captadores, devido a uma relação maior entre músico e instrumento. Já a slide guitar, que anteriormente chamava-se bottleneck – um cilindro de metal no qual o guitarrista deslizava sobre as cordas – deve-se ao bluesman Water “Furry” Lewis, que, em seguida, foi aperfeiçoado pela lenda Robert Johnson, aquele mesmo que diziam ter parte com o “coisa ruim”.

Blues e rhythm´n´blues

Apesar dos primeiros guitarristas estarem ligados ao jazz, foi com os guitarristas de blues que o instrumento se tornou a linha de frente na música, até então. T-Bone Walker foi o pioneiro no blues a utilizar a guitarra elétrica – surgia o blues elétrico – por volta de 1935. Ele usava uma corda em vez de um acorde no modo de tocar. Blind Lemon Jefferson introduziu a utilização do sustain (efeito em que a nota ou acorde ecoa por um tempo prolongado) e o vibrato (equipamento que produz uma vibração no som do instrumento, seja através da pressão do dedo sobre a corda, ou por uma alavanca da guitarra) que futuramente influenciaria os guitarristas de rock´n´roll.
Depois da segunda guerra mundial que o blues realmente se tornou popular, devido a migração de bluesman´s para os centros urbanos; nessa leva venho nomes famosos como Muddy Waters, com seu estilo “pesado” de tocar o blues; John Lee Hooker, que batia os pés sobre uma tábua enquanto tocava; B. B. King e sua Gibson semi-acústica, refinaram o blues elétrico com seu estilo mais suave de tocar.

Enfim, o rock´n´roll
É no rock´n´roll que a guitarra se torna seu instrumento chave – o grande ícone do rock. E com ele, venho o primeiro guitarrista endiabrado: Chuck Berry, o primeiro negro roqueiro subversivo na música. Sim, o cara injetou energia na guitarra: riffs tocados em duas cordas em sua Gibson ES-355 e performance estranha (duckwalk) que Angus Young do AC/DC sempre fez questão de homenageá-lo – imitando-o. Berry foi influência decisiva na música dos Beatles e Rolling Stones, Lennon e Keith Richards que o digam.
Pouco depois surge o exótico Bo Didley; criou um estilo com uma batida bem marcada e seca. Ele tinha uma guitarra retangular, e a tocava em um ritmo de base poderoso; sua música foi gravada por artistas tão antagônicos como The Doors e Jesus and Mary Chains. O rockabilly trouxe os guitarristas brancos como Eddie cochran, Buddy Holly e Link Wray – esse último foi o pioneiro no uso do som distorcido de guitarra ao gravar com o instrumento plugado em um amplificador cujo alto-falante ele havia perfurado em vários pontos com um lápis.

Nos anos 60, vieram os célebres pedais de distorção, e de quebra proliferaram vários “heróis” virtuosos do instrumento: Frank Zappa, Eric Clapton, Jeff Back, Alvin Lee, dentre outros. A guitarra, portanto, passou a ser totalmente vinculada ao rock; sua tecnologia não evolui tanto, mas muitos músicos vieram deixar sua marca no instrumento como Eddie Van Halen com sua técnica do tapping (consiste em empregar uma ou as duas mãos para "martelar" notas na escala, ligando-as, adquirindo assim efeito de grande velocidade. Estilos como o grunge e o punk também serviram para retornar a simplicidade do rock, reduzindo os acordes e economizando nos solos, enquanto outros usaram-na de forma sintetizada.
Como ficou claro: a criação dos captadores foram o passo inicial para a guitarra elétrica, hoje, existe captadores piezoelétricos (utilizam-se de cristais, normalmente quartzo, titanato de bário ou titanato de chumbo), captadores óticos, entre outros. Além de milhares de empresas fabricarem vários modelos de guitarras – quase todas réplicas de modelos famosos. A guitarra está por aí, transitando por vários estilos desde new age ao axé; mas foi no rock´´n´roll que ela sempre vai ser mais associada.

Um comentário:

Adri disse...

ninguém pode se dizer enciclopédia do rock sem falar sequer a metade das coisas q vc fala! vc sempre me impressiona com o seu conhecimento... adorei esse post!