segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Você se lembra do The Herman's Hermits?



“Quando artistas como Jimi Hendrix aparecerem, vi que já era hora de nós pararmos”
Peter Noone

Eles fizeram parte da chamada “Invasão Inglesa” nos EUA, capitaneada pelos Beatles, com seu pop agridoce conquistaram muito mais sucesso entre os norte-americanos do que com o público de seu próprio país. E como todas as bandas da “invasão”, tiveram as famosas apresentações no programa The Ed Sullivan Show. O auge da fama é entre 1964 e 1967, e dizem que muitas vezes chegaram até a superar os próprios Beatles em popularidade na terra do Tio Sam.

O grupo foi formado no final de 1963, primeiro com o nome The Heartbeats e mais tarde com o Cyclones. Em 1964 foram descobertos pelo produtor Mickie Most, e logo após, a banda decide mudar o nome para Herman's Hermits. Liderados pelo vocalista Peter Noone (foi o mais jovem membro da banda,16 anos, mas vinha de uma grande experiência como ator na série britânica "Coronation Street"), Derek Leckenby na guitarra, Karl Green no baixo e na bateria Withwam Barry. Mickie Most seria responsável pela produção do grupo, incluindo a seleção das músicas a serem gravadas; anos depois, Mickie Most confessou que envolveu músicos de estúdio em sessões de gravação, como Jimmy Page e John Paul Jones (Led Zeppelin), mas também confirmou que o resto a banda esteve presente em muitas das gravações.

O grupo conseguiu rapidamente colocar alguns singles nas paradas na Grã-Bretanha e América. Conseguem seu único primeiro lugar no Reino Unido com o single "I'm Into Something Good" (composta pelo casal Gerry Goffin e Carole King), na seqüencia vieram “I'm Henry VIII”, "Mrs. Brown You've Got a Lovely Daughter", "I'm Henry VIII I Am", "Wonderful World", "Just a Little Bit Better.

Em 1966, a popularidade da banda começou a declinar, apesar de seus esforços, ainda obtiveram sucesso com "No Milk Today", canção que é um clássico. Outra que não pode deixar de ser citada é There's a Kind of Hush", inesquecível. O grupo também entrou no mundo do cinema (como os Beatles e The Monkees), estrelando nos filmes Hold On e When the Boys Meet the Girls.

Sua imagem de fácil digestão e pop suave não conseguiu sobreviver à era psicodélica; Peter Noone e Keith Hopwood deixam do grupo em 1971. Assim, o restante permaneceu com o grupo, com pouco sucesso até 1974, quando o grupo se desintegra. Vários membros da banda continuaram fazendo performances sob o nome "Herman's Hermits", sem muito sucesso.

Após um intervalo, Noone iria embarcar em uma carreira solo, que não obteve o mesmo sucesso com o grupo nos anos 60; hoje, ele está envolvido em negócios no show bussiness e também aparece esporadicamente, como artista convidado na série americana entretenimento, o que demonstra a grande popularidade alcançada na década de 60, sendo o vocalista do adorável: The Herman's Hermits.





quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Steven Jesse Bernstein - Prison (1992)



Foi assim: ele estava cansado; cansado de uma sociedade hipócrita que te não aceita como você é, e sim como você deveria ser, ou seja, um cara moldado pela sociedade – “o bom cidadão”, o cara “aceitável”, o idiota “social”.
Steve sofreu, e muito: poliomielite aos quatro anos, gozações dos colegas, fracassos amorosos e extrema solidão. Assim ele diz no monólogo de quase treze minutos “Face”: "Sempre soube que havia algo de errado com minha cara". Ao ouvi-la, dá para sentir toda a dor e sofrimento do moço.

Ele aparentava ser um sobrevivente de Auschwitz e espiritualmente ficaria entre Gil Seott-Heron, Woody Allen e Iggy Pop. Poeta, escritor e autor teatral com mais de duas dezenas de trabalhos lançados, Steven Jesse Bernstein não suportou a barra e suicidou-se em 1992, aos 40 anos. Estava gravando esse Prison, onde interpretava seus poemas musicados por Steve Fisk, num modelo sonoro bem diferente do habitual no selo Sub Pop.
Os versos provocativos de criações como "No No Man (Part One)" -a única que ele chegou a concluir -, "Morning In The Sub-Basement Of Hell" e "Party Balloon" mostram bem a língua afiada de Steven.
O mundo virou as costas para Bernstein. Foda-se! O mundo que perdeu um cara legal. Fiquem com os hipócritas, com os que promovem sua “bondade” nos meios de comunicação, que se envolvem em projetos sociais e fazem os pobres chorarem em emissoras de tv. Assim o mundo reage aos verdadeiros, que têm coragem de ser eles mesmos em uma sociedade de cópias, negando-os.

domingo, 18 de outubro de 2009

Mando Diao: uma banda que não pode passar desapercebida



"Ver o Mando Diao ao vivo é como ir a uma igreja. Nossos fãs nutrem por nós o mesmo sentimento que as pessoas nutrem pela religião."
Gustaf Norèn

Apesar de vivermos em um mundo “globalizado”, em que há excesso de informações, parece que, em se tratando de música, algumas bandas com talento maravilhoso ficam à mercê da mídia. É o caso dos suecos do Mando Diao, que existem desde 2002, já com cinco cd´s lançados e só agora estão começando a ficarem conhecidos por essas plagas. O último, de 2009, se chama Give Me Fire e é um primor na cena pop/rock. Na Europa são bem populares e no Japão são idolatrados (japonês gostam de tudo). No entanto, são ignorados nos EUA.

O que falar dessa banda? Fazem um som alternativo (indie?), pop, dançante e ao mesmo tempo tem um clima anos 60, e às vezes com uma pegada anos 90 típicamente britpop. Eles têm um estilo muito deles (coisa rara), fazendo música de que gostam sem se preocuparem em agradar mercado.

Dá para comparar com outras bandas? Talvez, The Hives, The Last Shadow Puppets (na verdade um projeto), The Hellacopters, Jet e Caesars, são as que mais se aproximam, mas na verdade a banda soa anacrônica em relação a qualquer cena atual.
Mando Diao não é nenhuma nova sensação da música, como disse, existe oficialmente desde 2002, são de Borlänge, na Suécia, cidade considerada a de maior número de homicídios e drogados. Como diz a letra de Street Fighting Man dos Rolling Stones, que a única saída é montar uma banda de rock´n´n roll. E foi o que fizeram os rapazes do Mando Diao, acrescentando uma arrogância típica do Oasis para dar um tempero nas entrevistas, como dizer que suas músicas estão no nível das dos Beatles e The Rolling Stones. Uma coisa é certa: eles tem uma coisa de Beatles, não tanto na música, mas parece que alguma coisa na aura deles, sei lá.... E como John Lennon, Bjorn teve um sonho em que dizia que eles deviam trocar o nome da banda (Butler) para Mando Diao

Eles estão começando a ficarem populares no Brasil, tocam agora na MTV, e há até boatos de trazerem a banda para tocar aqui. Que venham logo!

Formação:
Bjorn Dixgård – Vocal, guitarra, letras
Gustaf Norèn - vocal, guitarra, letras
Carl-Johan Fogelklou – baixo, backing vocal
Samuel Giers – bateria
Mats Björke (órgão e percussão)
Mando Diao no Myspace www.myspace.com/mandodiao





domingo, 11 de outubro de 2009

A História da Guitarra Elétrica



O Início
A guitarra elétrica é um dos principais símbolos do rock: mesmo que seja usada em outros estilos musicais como jazz, reggae e até calipso. Ela é uma evolução do violão (em muitos países referem-na como guitarra acústica), que até antes do século XVIII só tinha cinco cordas. Já no século XX, foi inventado o captador magnético, eletrificando o som do violão.
Foi devido aos músicos de blues e R&B dos Estados Unidos que um violinista texano chamado George Beauchamp criou o primeiro captador magnético. Naquela época, os músicos reclamavam muito de não conseguirem ouvir o som de seu próprio instrumento, devido de os bares onde tocavam serem muito barulhentos; mesmo que amplificassem o som dos microfones a situação permanecia a mesma.
Nos anos 30, Beauchamp une-se a Adolph Rickenbacker, que aperfeiçoando os captadores, lançaram uma série de guitarras. Na época as vendas foram modestas - as guitarras Rickenbacker ficaram famosas com os Beatles–, no entanto abriram caminhos para outros inventores. Em seguida, apareceram as primeiras Gibson ES-150 (que tinham um potente captador) e a produção de captadores em escala industrial.

Primeiros guitarristas
Eddie Durham foi o primeiro músico a usar guitarra elétrica, no entanto, usava-a apenas para acompanhamento de orquestra. Quem começou a por a guitarra em destaque foi o músico de jazz Charlie Christian, quando começou a solar, levando-a há novos patamares. E foi um discípulo de Christian, Les Paul, que deu mais um passo a frente na evolução do instrumento. Criador do primeiro protótipo da guitarra maciça, com dois captadores, Les Paul também foi precursor do overdub e do gravador de oito canais. Através de uma associação com à Gibson, lança modelo de guitarra com seu nome - com os captadores humbucking reduz a interferência de ruídos.
Nos idos de 1954, Leo Fender aparece com a guitarra Fender Stratocaster (a preferida de Jimi Hendrix), com três captadores simples (agudos, médios e graves) que continha uma chave que selecionava o captador a ser usado.

A alavanca de trêmulo

Foi o primeiro efeito a ser incorporado à guitarra, consistia em uma alavanca ligada a uma ou mais molas, assim era possível ao músico regular a tensão das cordas, produzindo vibrações sutis que aguçavam a percepção do ouvinte. Seu criador, Paul Bigsby, em 1939, um ex-corredor de motocicleta. A partir daí, a Gibson e a Gretsch incorporaram a alavanca em seus modelos; logo após, surge a eletrificação por captadores, devido a uma relação maior entre músico e instrumento. Já a slide guitar, que anteriormente chamava-se bottleneck – um cilindro de metal no qual o guitarrista deslizava sobre as cordas – deve-se ao bluesman Water “Furry” Lewis, que, em seguida, foi aperfeiçoado pela lenda Robert Johnson, aquele mesmo que diziam ter parte com o “coisa ruim”.

Blues e rhythm´n´blues

Apesar dos primeiros guitarristas estarem ligados ao jazz, foi com os guitarristas de blues que o instrumento se tornou a linha de frente na música, até então. T-Bone Walker foi o pioneiro no blues a utilizar a guitarra elétrica – surgia o blues elétrico – por volta de 1935. Ele usava uma corda em vez de um acorde no modo de tocar. Blind Lemon Jefferson introduziu a utilização do sustain (efeito em que a nota ou acorde ecoa por um tempo prolongado) e o vibrato (equipamento que produz uma vibração no som do instrumento, seja através da pressão do dedo sobre a corda, ou por uma alavanca da guitarra) que futuramente influenciaria os guitarristas de rock´n´roll.
Depois da segunda guerra mundial que o blues realmente se tornou popular, devido a migração de bluesman´s para os centros urbanos; nessa leva venho nomes famosos como Muddy Waters, com seu estilo “pesado” de tocar o blues; John Lee Hooker, que batia os pés sobre uma tábua enquanto tocava; B. B. King e sua Gibson semi-acústica, refinaram o blues elétrico com seu estilo mais suave de tocar.

Enfim, o rock´n´roll
É no rock´n´roll que a guitarra se torna seu instrumento chave – o grande ícone do rock. E com ele, venho o primeiro guitarrista endiabrado: Chuck Berry, o primeiro negro roqueiro subversivo na música. Sim, o cara injetou energia na guitarra: riffs tocados em duas cordas em sua Gibson ES-355 e performance estranha (duckwalk) que Angus Young do AC/DC sempre fez questão de homenageá-lo – imitando-o. Berry foi influência decisiva na música dos Beatles e Rolling Stones, Lennon e Keith Richards que o digam.
Pouco depois surge o exótico Bo Didley; criou um estilo com uma batida bem marcada e seca. Ele tinha uma guitarra retangular, e a tocava em um ritmo de base poderoso; sua música foi gravada por artistas tão antagônicos como The Doors e Jesus and Mary Chains. O rockabilly trouxe os guitarristas brancos como Eddie cochran, Buddy Holly e Link Wray – esse último foi o pioneiro no uso do som distorcido de guitarra ao gravar com o instrumento plugado em um amplificador cujo alto-falante ele havia perfurado em vários pontos com um lápis.

Nos anos 60, vieram os célebres pedais de distorção, e de quebra proliferaram vários “heróis” virtuosos do instrumento: Frank Zappa, Eric Clapton, Jeff Back, Alvin Lee, dentre outros. A guitarra, portanto, passou a ser totalmente vinculada ao rock; sua tecnologia não evolui tanto, mas muitos músicos vieram deixar sua marca no instrumento como Eddie Van Halen com sua técnica do tapping (consiste em empregar uma ou as duas mãos para "martelar" notas na escala, ligando-as, adquirindo assim efeito de grande velocidade. Estilos como o grunge e o punk também serviram para retornar a simplicidade do rock, reduzindo os acordes e economizando nos solos, enquanto outros usaram-na de forma sintetizada.
Como ficou claro: a criação dos captadores foram o passo inicial para a guitarra elétrica, hoje, existe captadores piezoelétricos (utilizam-se de cristais, normalmente quartzo, titanato de bário ou titanato de chumbo), captadores óticos, entre outros. Além de milhares de empresas fabricarem vários modelos de guitarras – quase todas réplicas de modelos famosos. A guitarra está por aí, transitando por vários estilos desde new age ao axé; mas foi no rock´´n´roll que ela sempre vai ser mais associada.