sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A maior perda da música de todos os tempos



Jimi Hendrix era um cara cheio de ideias e sempre aberto a tocar com qualquer um que aparecesse. Foi o primeiro músico a ter seu próprio estúdio, o Electric Ladyland, no qual ficava horas fazendo suas experiencias musicais. Hendrix nunca foi um guitarrista preocupado com virtuosismo e usava a microfonia a seu favor, criando ensurdecedoras ondas de feedback. Nem era portador de grande técnica e nem rápido, mas sabia levar sua música para rumos desconhecidos, o negócio era se arriscar.

No início dos anos 70, Hendrix já se mostrava que não seria um músico acomodado a fama criada na década anterior, como estava acontecendo com muitos de sua geração. Dizer o que ele estaria fazendo hoje, é tarefa difícil. Se quando estava vivo, já misturava rock, pop, hard rock, blues, jazz, r&b, funk e soul; imagine hoje. Talvez teria exaurido todas as possibilidades da guitarra e tê-la trocado por outro instrumento.

Nunca um homem e seu instrumento formaram um par tão perfeito: Hendrix e sua Stratocaster branca. Esse negro com sangue de cherokee, saiu de Seattle para iniciar carreira no rhythm’n’blues, mas que logo evoluiu de forma absurda sua música e nunca se fixando em um estilo. Como ele costumava dizer “Eu tenho que mudar”. Sim, Hendrix tinha pressa, como se inconscientemente soubesse que tinha pouco tempo. E com isso, tinha urgência com sua arte: passando das dissonantes experiencias psicodélicas do trio The Jimi Hendrix Experience; a banda que marcou a antológica apresentação no Festival de Woodstock, Gypsy Suns and Rainbows; aos ciganos elétricos do Band of Gypsys.

Se Eric Clapton foi considerado “deus” da guitarra – dizem que Eric fez Sunshine of You Love depois de assistir um show de Hendrix em Londres -, então pode-se dizer que Hendrix era o demônio da guitarra, subvertendo todas suas possibilidades, seja no abuso dos pedais wah-wah (apresentado a ele por Frank Zappa), fuzztone, vibrato; e em shows, os amplificadores Marshall em volume altíssimos fazia com que Hendrix aproveitasse o máximo do feedback. E quando não havia mais nada, era tirar sons com os dentes, língua, de costas e com os pés.

Hendrix também era um cara super engraçado e sempre de bom humor – que contradiz com a imagem negativa e auto-destrutiva que a mídia sempre tentou vender -, fazia imitações hilárias de gente como Little Richard; tinha uma bela voz, embora ele não acreditava que tinha e portanto, nunca dando espaço para ela; e tocava muito bem baixo, para a infelicidade de Noel Redding que sofria de baixa auto-estima.

Jimi Hendrix deve-se ser lembrado hoje mais do que nunca. Em uma época na qual se usa os recursos de estúdio para mascarar a falta de criatividade, tralhas que criam um simulacro da arte e vende-se a imitação como fosse o original. Hendrix, usava a tecnologia de sua época não como muleta ou para dissimular eventuais limitações, mas para expandir novas possibilidades tonais.

Minha primeira vez

Eu devia ter uns 7 ou 8 anos de idade quando ouvi Jimi Hendrix pela primeira vez. Até então eu estava apenas no “ouvir falar”. Meus primos mais velhos, que curtiam rock, falava muito desse guitarrista que colocava fogo na guitarra, “tomava todas as drogas”, tocava guitarra até com os dentes. Lá pelo ano de 1978 a TV Bandeirantes iria passar um especial sobre ele. Eu tinha medo, muito medo desse artista que sempre que passava na tv minha mãe dizia “credo!” – meu Deus! O cara tinha até uma música que se chamava voodoo Child. Ao mesmo tempo que tinha medo, tinha a curiosidade de um típico aquariano, portanto, fui conferir o tal especial.

Como quase todos “especiais” de Hendrix na tv, esse também explorava a performance ao vivo de Hendrix. Pela primeira vez eu ouvia e via o mestre botar fogo na guitarra ao som de Are you Experience?; os solos endiabrados de Voodoo Child e a trucidação do hino nacional americano, Star Splanged Banner, no Woodstock. No final do especial, eu já estava tocando cabo de vassoura, como também fez Jimi um dia, que ao invés de limpar seu quarto, costumava tocar sua “guitarra” com cabo de vassoura.





segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Curiosidades sobre Elvis Presley



Elvis Presley foi o primeiro rockstar gerado pelo rock. Mesmo que ainda os fãs tentam nos convencer que a primeira canção de rock foi feita por ele – that´s All Right Mama, em 1954, quando esse caipira motorista de caminhão foi registrar uma música para dar de presente para a mamãe -, Ike Turner (o maridão da Tina Turner, que batia nela) gravou o primeiro rock´n´roll em 1951 (Rocket 88), três anos antes de Elvis Presley, mas o cara não tinha uma atitude rock´n´roll. Simultaneamente a Elvis, haviam já muitos outros pioneiros do rock como Fats Domino e Chuck Berry, entre outros. Mas o EUA precisava de um herói branco no rock´n´roll, ainda mais que eles eram ainda mais preconceituosos do que hoje. E nada melhor do que um Elvis Presley para o posto.

Elvis era realmente talentoso, e com a fama se tornou um dos primeiros artistas do rock a partir para os excessos do rock´n´roll. Portanto, coloco aqui algumas das inúmeras esquisitices e da vida excêntrica do cantor.

* Quando Elvis morreu, encontrado no chão do banheiro, todo mundo pensou que foi overdose, mas o resultado oficial da autópsia constatou “arritmia cardíaca”

* Elvis chegou a comprar, nos anos 70, quinze cadillacs e quatro aviões (para matar de inveja o guru indiano Osho), dispensando 1 milhão e meio de dólares.

* Tomava tudo que é droga, que conseguia com seu médico particular. Seus favoritos eram barbitúricos e anfetaminas. Como não usava heroína e cocaína não se considerava um junkie

* Não gostava de ver mulheres nuas, preferia admirá-las de calcinha. E descartava mulheres que haviam dado à luz

* Como bom tarado, curtia uma boa suruba: dava festas em que tinham em média quarenta mulheres para cada dez caras. Enquanto estava todos numa suruba, ele levava algumas “eleitas” para o quarto e gravava vídeos com elas em performances lésbicas.

* Era colecionador de armas. Nos shows, guardava uma arma no cano da bota. Chegou a comprar mais de 300 armas, incluindo rifles e metralhadoras. Ele chegou a acertar a ex-namorada Linda Thompson no peito por acidente, depois que um tiro ricocheteou na parede. Por sorte a bala já estava sem força.

sábado, 12 de setembro de 2009

Tindersticks: fragilidade e delicadeza



Tindersticks é uma banda de som luxuoso, elegante e muitas vezes melancólico. As influencias da banda são nítidas: Nick Cave, Roxy Music , Leonard Cohen,Tom Waits, com atmosfera de trilha sonora de filmes antigos, e uma instrumentação quase totalmente acústica. É também uma banda misteriosa: não gostam de dar entrevistas, aparecer em fotos. As letras, retratos em preto-e-branco de desolação e amor derramado em lágrimas de álcool. O vocalista Stuart Staples parece uma versão melancólica de Brian Ferry.

Conheci essa fabulosa banda em seu primeiro disco e foi amor a primeira vista, quer dizer, audição. Seus dois primeiros álbuns lançados sob os títulos de Tindersticks I (1993) e Tindersticks II (1995) já eram um sinal de seu som característico e ambos receberam uma excelente recepção da crítica. Durante este tempo o seu viver muitas vezes apoiado por uma secção de cordas e, ocasionalmente, por uma orquestra completa.

Dance, chore, reflita sobre a vida ao som do Tinderstick. Assim é a música deles; frágil e delicada como é também a vida de todos nós, onde vivemos entre sonhos, dores, pequenas alegrias, frustrações e desejos, só que em preto-e-branco.










quinta-feira, 10 de setembro de 2009

De volta a Beatlemania!


Desde a morte de John Lennon, em 1980, nunca se falou tanto em Beatles. Naquela época, desencadeou-se uma onda de beatlemania, e tudo indica agora que - com o lançamento do The Beatles: Rock Band e da remasterização do catálogo dos Beatles – teremos uma nova beatlemania.

No lançamento mundial da coleção em CD´s e do game, os fãs fizeram fila nas lojas da Inglaterra e EUA. Com isso os Beatles voltam a liderar a lista de álbuns mais vendidos no mundo, nada mal para uma banda que pendurou as chuteiras (ou é as guitarras?) há praticamente 40 anos atrás.

Em relação à remasterização, são 16 álbuns, com opcionais de estéreo e mono. Além dos álbuns oficiais, inclui o álbum Magical Mystery Tour, e a compilação Past Masters (volume 1 e 2). O primeiro lançamento da obra dos Beatles em cd foi em 1987, versão que nunca agradou os fãs. Já The Bealtes: Rock Band tem a intenção de atrair novos fãs, principalmente os mais jovens para o universo dos Beatles. No game Beatles Rock Band estão disponibilizadas 45 músicas, mas a cada semana, outras serão lançadas para downloads. Há a versão limitada (The Beatles: Rock Band Limited Edition) que inclui, além do jogo, um baixo, uma bateria, microfone. A guitarra e bateria são versões das originais de Paul e Ringo.

Outra versão é The Beatles: Rock Band Wireless Gretsch Guitar, esta com replica da guitarra de George Harrison, e, claro, a versão com a guitarra de John Lennon, The Beatles: Rock band Wireless Rickenbacker Guitar.
Dizem que a Yoko Ono gostou dos lançamentos (claro, ela não é boba de dizer o contrário), mas dizem as más línguas que ela deu trabalho em relação ao game – parece que ela atrapalha até hoje; é só lembrarmos como ela atrapalhava as apresentações de Johnn com aqueles gritos nada a ver. Tem também alguns fãs xiitas que já estão reclamando das novas remasterizações. Já que é assim, eles deveriam ficar em casa ouvindo os vinis furados e arranhados das suas coleções.

Já Paul está felicíssimo, diz que ao ouvir as músicas remasterizadas sente como se tivesse voltado no tempo e estar ao vivo no estúdio, nas gravações. Recentemente dizem que as músicas poderão ser baixadas para download via Itunes. As músicas dos Beatles ficaram um bom tempo fora dos sites oficiais para download, segundo Paul, a demora não foi culpa necessariamente do Itunes, mas sim, da EMI.

E para aproveitar o embalo, o produtor David Permut, que comprou os direitos para o roteiro sobre a vida de Brian Epstein (empresário dos Beatles), A Life in the Day - o filme encontra-se em fase de pré-produção. Além de outro documentário sobre os Beatles, The Beatles on Record.

Os Beatles venderam mais de 600 milhões de discos ao longo da história e provavelmente venderão muitos mais ainda.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Harold Budd - Um mergulho para dentro de si mesmo



Conheci o trabalho de Harold Budd quando ele dividiu um álbum com o Cocteau Twins (The Moon and the Melodies) em 1986 – calmo, melancólico e atmosférico. Mais tarde descobri que ele foi um dos pioneiros do ambient music ao lado do gênio Brian Eno. Ambos dividiram vários trabalhos maravilhosos, entre eles, Ambient 2 (The Plateaux of Mirror) e The Pearl. Sua música é caracteriza pelo seu piano atmosférico,meio minimalista, pequenas intervenções jazzistas e sutilmente eletrônicas.
Harold Budd nasceu em Los Angeles, Califórnia, mas cresceu no deserto de Mojave, um fato que poderia inspirar os sons que mais tarde apareceu no seu trabalho. Começou como um compositor clássico antes de começar a criar música ambiental contemporânea – chegou a trabalhar como professor no Instituto de Artes da Califórnia, enquanto criava suas composições que já revelava um músico em clara oposição a qualquer dogma musical convencional. Seu primeiro trabalho The Pavilion of Dreams, de 1976, foi produzido por Brian Eno; a partir daí os dois trabalhariam várias vezes juntos.
Na década de oitenta, aumentou a sua gravação de disco por si só ou em colaboração com outros músicos - uma atividade que o levou a ser um artista famoso na cena internacional das músicas alternativas. Alguns dos artistas que trabalharam com ele estão Robin Guthrie, Michael Hoenig, Daniel Lentz, Andy Partridge e Hector Zazou.
Suas contribuições para cinema também são muito interessantes. Destaco Music From the film Mysterious Skin (2005) junto com Robin Guthrie (The Cocteau Twins) e La Bella Vista (2003), este último apenas com seu piano em um estilo mais próximo do clássico.
A música de Harold Budd é belíssima: atmosférica, etérea e profunda.



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Forth (2008) - The Verve



O The Verve é aquela banda que lança um álbum e depois acaba, lança outro e acaba novamente? Sim. Eles fizeram um hino que marcou uma geração? Sim, Bitter Sweet Symphony. E fez baladas inesquecíveis? Sim, History, The Drugs Don't Work e mais recentemente I See Houses e Judas. É também aquela banda do vocalista grandão que nunca se entendeu com o guitarrista? Sim, Richard Ashcroft e Nick McCabe.

Forth é a última obra do The Verve, e o álbum reflete bem a imagem da capa: nos leva às nuvens. Eu já ouvi esse disco várias vezes, mas só recentemente percebi como ele é bonito e não fica muito longe da obra-prima Urban Hmns. Podemos ouvir o apelo pop de Love Is Noise, rocks repletos de guitarras psicodélicas em Numbness e Columbo e as baladas sempre maravilhosas em Judas, Valium Skies e Judas.

Depois destes pequenos comentários, deem uma atenção para este cd. É tão belo quanto tudo que eles já fizeram até hoje. Agora que a banda acabou mais uma vez, e nem sabemos quando virá uma nova volta – provavelmente Richard dará seqüência a sua carreira solo – cabe-nos reverenciarmos a esta grande banda.

Nesse mundo cruel e insensível em que vivemos, no qual as pessoas não conseguem olhar para além do seu próprio umbigo, amizades sinceras são cada vez mais raras; tudo que ainda é nos permitido é sonhar. A trilha sonora você já tem.