sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Forever Changes (1968) - Love



“Eu fui o primeiro hippie negro”, esta era uma frase típica de Arthur Lee; se ele realmente foi o primeiro hippie negro, isso eu não sei, mas é certo que ele era o cara. Líder de uma das bandas mais cultuadas dos anos 60, o Love, criado por ele em 64 quando deixou sua terra natal (Memphis) e foi para L.A., onde recrutou os guitarristas Bryan MacLean e John Echols, o baixista Ken Forssi e o baterista Don Conka (logo substituído por Alban "Snoopy" Pfisterer). Contratados pela Elektra debutaram em vinil com o LP Love (66) que conta com canções inesquecíveis como a ode lisérgica Signed D.e. duas covers, uma de Burt Bacharach/ Hal David (My Little Red Book) e outra infernal do clássico Hey Joe. No 2º LP, Da Capo, que conta com o acréscimo de Tjay Cantrelli nos sopros e Snoopy (substituído na bateria por Michael Stuart) comandando os teclados, Love solidificou sua musicalidade - ritmos e melodias de uma psicodelia pouco ortodoxa, condensada por idiossincráticos elementos de folk rock e turvas passagens de rhythm´n´blues que, aliadas a tons de balada, fizeram de seu som um dos mais originais e peculiares do desbunde americano.
Mas foi no início de 68 que o Love lançou sua obra-prima Forever Changes, considerado um dos álbuns mais importantes dos anos 60 – até acho que esse foi o melhor disco da década. Infelizmente depois desse clássico, a banda original dissolveu-se, cabendo a Lee carregá-Ia nas costas por mais quatro álbuns que, embora interessantes, já não continham mais a expressividade que os havia caracterizado. Deve-se muito a isso, a cabecinha de Lee já estar cheia de ácido deixando-o meio pirado. Daí, muitos a compará-lo a “doidões” como Syd Barret, Skip Spence e Roky Erickson.
Produzido em conjunto por Bruce Bostnick (que depois produziria o L.A. Woman dos Doors), levou quatro meses as gravações, fazendo com que os músicos pudessem, praticamente, dedicar cada dia a uma canção. Nele encontramos baladas flamengo-orquestrais como Alone again or e Maybe the People Would Be the Times, e o bucolismo folk de Old Man e Live and Let Live, a balada mais linda dos anos 60 Andmoreagain, as complexas texturas psico-clássicas que discutem as situações do homem perante a existência na legendária The Red Telephone, as sofisticações psicodélicas com inesperadas mudanças nas harmonias presentes em A House Is not a Motel, The Daily Planet e You Set the Scene e o primeiro rap da história Bummer in the Summer.
O Love era uma banda no mínimo curiosa para época, pois tinha em sua formação dois negros que não tocavam soul nem blues, mas sim acid rock e psicodelia. Arthur Lee acreditava que iria morrer durante as gravações, porque estaria totalmente deteriorado fisicamente, aos 26 anos. Lee não morreu, e continuou com o Love e com várias idas e voltas em sua carreira solo. Arthur morreu em Memphis em agosto de 2006 vítima de leucemia.

2 comentários:

Adri disse...

andmoreagain é uma das baladas românticas mais lindas do mundo pra mim... é a música que mais me faz lembrar de você depois de whiter shade of pale do procol harum. foi uma fase muito criativa da música no mundo. eu adoro música dos anos 60/70. incrível, posso te dizer, é que eu não gostava de "música velha". qdo passava "good times" na BH Fm, qdo eu era ainda criança, achava música velha muito ruim. por incrível que pareça, depois eu comecei a apreciar tanto! posso fazer uma lista de músicas "velhas" que eu passei agostar quando eu fiquei "mais velha". acho que nunca mais haverá nada parecido - feliz e infelizmente.

Mary Joe disse...

Claudio, não conhecia nada sobre o Love. Gostei de aprender.
E o texto?? Bom como sempre.
Beijokas
Mary