sábado, 29 de agosto de 2009

R.E.M. - MURMUR (1983)



Quando o R.E.M. ficou famoso mundialmente, nos anos 90, com Losing My Religion, muitas pessoas não sabiam que a banda já tinha uma longa história. Eu tive a sorte de conhecê-los desde os meados dos anos 80, quando estouraram nos EUA com o disco Document (1987) – até então era seu disco mais famoso com os hits The One I Love e It´s the End of the World as We Know I (And I Feel Fine).
Tudo começou em 1978, quando Michael Stipe, um tímido estudante de pintura e fotografia na Universidade da Georgia, foi comprar discos na loja onde Peter Buck trabalhava em Athens - a Wustry Records. Eles gostavam das mesmas coisas - basicamente Velvet Underground, as novas bandas inglesas e o punk "literário" de Nova York, do tipo Patti Smith Group e Television. Conheceram Bill Berry e Mike Mills numa festa e formaram o R.E.M. O primeiro show foi em 1980, numa igreja reformada. Passaram a tocar a torto e a direita pelo sul dos EUA, ou em qualquer espelunca.

Apesar de nessa época a banda ser considera apenas “college rock”, sua música já nascera grande (Perfect Circle, Talk About the Passion). Murmur foi concebido em um estúdio gospel da Carolina, e a gravadora da banda exigiu que os produtores lhe fornecessem um sucesso comercial. Um violoncelista clássico tocou em “Talk About the Passion e ficou espantado por não ter uma partitura escrita.
O álbum foi um sucesso, chegando à lista dos 30 Mais nos Estados Unidos. Murmur ganhou status de álbum do ano, ficando lado a lado de War (U2) e Thriller (Michael Jackson) lançados também no mesmo ano.
A capa mostra imagens da raiz da planta kudzu, uma trepadeira que prolifera na Geórgia (de onde eles vieram), e um trecho da ferroviário rural de Athens. Existem bandas que já no primeiro trabalho sentimos que vieram para deixar sua marca na música; R.E.M é uma delas.



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Hysterica: mais uma banda de metal feminino



Acho que meu blog está ficando bem tosqueira; mas a vida é tão difícil, com tantos problemas, que aqui eu posso rir e me divertir um pouco, apesar de gostar de falar de música de forma mais séria também. A “Arte das Musas” (diziam os gregos) é também diversão, embora em sua origem a música tivesse o sentido de agradar os deuses; um meio de elevar o espírito e alcançar a perfeição.
Se já não bastassem as gostosas da Crucified Barbara, agora temos as gostosas da banda Hysterica, ambas suecas – todo mundo sabe que lá estão as mulheres mais “boas” da Europa. Diferentes da Crucified Barbara que segue um som mais rock´n´roll, a Hysterica está mais na linha anos 80, com um quê de Manowar
Formada na cidade de Stockholm em 2004, já passou por várias mudanças na formação, estabilizou-se agora com Anni De Vil (vocal), Bitchie (Guitarra), Rockzilla (Guitarra), Satanica (Bass) e Hellner (Bateria) – mas que nomes hein! Lançaram recentemente seu primeiro cd Metalwar, que é bem legal e divertido. Nos shows, como se pode ver nos vídeos, atrai uma galera de marmanjos – até eu gostaria de estar bem lá na frente hehehe.



terça-feira, 25 de agosto de 2009

The Great Kat, a guitarrista domme


Agora que um dos criadores da guitarra elétrica e responsável pelo sistema de gravação em canais, Les Paul, morreu, em 13 de agosto de 2009, a guitarra elétrica voltou a ser assunto na mídia. Além do lançamento do documentário It Might Get Loud, que se trata da influência da guitarra elétrica, a revista Elle listou as 12 melhores mulheres guitarristas e entre elas, obviamente, a pirada The Great Kat.
Essa moça tem um ego gigante, se diz a reencarnação de Beethoven, a guitarra mais rápida do mundo (a moça é rápida mesmo) e exige ser idolatrada como uma deusa. Seus shows são um caos total: sangue, escravos que ficam reverenciando-a enquanto levam umas belas chicotadas, tapas na cara e beijam os pés da divindade The Great Kat.
Mas não podemos negar que Kat é uma virtuosa da guitarra. Violinista profissional graduada no Conservatório Juilliard de New York, Katherine Thomas que nasceu em uma base militar americana na Inglaterra, mas foi aos 3 anos para os Estados Unidos, diz que castra, tortura, humilha seus escravos no palco.
Ela faz versões ultra-rápidas de músicas clássicas na guitarra que vai desde sua “reencarnação passada” de Beethoven como dos não menos famosos Paganini, Mozart e Bach. Quem se arrisca ir a um show dela?



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Forever Changes (1968) - Love



“Eu fui o primeiro hippie negro”, esta era uma frase típica de Arthur Lee; se ele realmente foi o primeiro hippie negro, isso eu não sei, mas é certo que ele era o cara. Líder de uma das bandas mais cultuadas dos anos 60, o Love, criado por ele em 64 quando deixou sua terra natal (Memphis) e foi para L.A., onde recrutou os guitarristas Bryan MacLean e John Echols, o baixista Ken Forssi e o baterista Don Conka (logo substituído por Alban "Snoopy" Pfisterer). Contratados pela Elektra debutaram em vinil com o LP Love (66) que conta com canções inesquecíveis como a ode lisérgica Signed D.e. duas covers, uma de Burt Bacharach/ Hal David (My Little Red Book) e outra infernal do clássico Hey Joe. No 2º LP, Da Capo, que conta com o acréscimo de Tjay Cantrelli nos sopros e Snoopy (substituído na bateria por Michael Stuart) comandando os teclados, Love solidificou sua musicalidade - ritmos e melodias de uma psicodelia pouco ortodoxa, condensada por idiossincráticos elementos de folk rock e turvas passagens de rhythm´n´blues que, aliadas a tons de balada, fizeram de seu som um dos mais originais e peculiares do desbunde americano.
Mas foi no início de 68 que o Love lançou sua obra-prima Forever Changes, considerado um dos álbuns mais importantes dos anos 60 – até acho que esse foi o melhor disco da década. Infelizmente depois desse clássico, a banda original dissolveu-se, cabendo a Lee carregá-Ia nas costas por mais quatro álbuns que, embora interessantes, já não continham mais a expressividade que os havia caracterizado. Deve-se muito a isso, a cabecinha de Lee já estar cheia de ácido deixando-o meio pirado. Daí, muitos a compará-lo a “doidões” como Syd Barret, Skip Spence e Roky Erickson.
Produzido em conjunto por Bruce Bostnick (que depois produziria o L.A. Woman dos Doors), levou quatro meses as gravações, fazendo com que os músicos pudessem, praticamente, dedicar cada dia a uma canção. Nele encontramos baladas flamengo-orquestrais como Alone again or e Maybe the People Would Be the Times, e o bucolismo folk de Old Man e Live and Let Live, a balada mais linda dos anos 60 Andmoreagain, as complexas texturas psico-clássicas que discutem as situações do homem perante a existência na legendária The Red Telephone, as sofisticações psicodélicas com inesperadas mudanças nas harmonias presentes em A House Is not a Motel, The Daily Planet e You Set the Scene e o primeiro rap da história Bummer in the Summer.
O Love era uma banda no mínimo curiosa para época, pois tinha em sua formação dois negros que não tocavam soul nem blues, mas sim acid rock e psicodelia. Arthur Lee acreditava que iria morrer durante as gravações, porque estaria totalmente deteriorado fisicamente, aos 26 anos. Lee não morreu, e continuou com o Love e com várias idas e voltas em sua carreira solo. Arthur morreu em Memphis em agosto de 2006 vítima de leucemia.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Coven - Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls (1969)



Se você acha que o Black Sabbath ou o Black Widow foram as primeiras bandas a falarem de magia negra e ocultismo, mero engano seu. Antes do Black Sabbath lançar seu disco homônio, que abria com a arrepiante Black Sabbath, o Coven - é o nome dado a um grupo de bruxos(as), que se unem num laço mágico, físico e emocional, sob o objetivo de louvar a Deusa e o Deus, tendo em comum um juramento de fidelidade à Arte e ao grupo – com seu Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls, em 1969, que também abria com a canção chamada Black Sabbath (?). E para as coisas ficarem mais esquisitas, tinha um baixista de nome Oz Osborne, e a vocalista Jinx Dawson finalizava suas apresentações com o sinal em chifre, perpetuado por Dio quando entrou no Black Sabbath em 1980.
Mas enquanto o Black Sabbath negava seu envolvimento com magia negra, o Coven assumia-se bruxos. Isso fica nítido na música Satanic Mass que é uma gravação de uma real missa negra. (Ave Maria, Deus toma conta). O encarte interno informa: "Até onde sabemos esta é a primeira Missa Negra registrada seja em palavras escritas ou em áudio. É tão autêntica quanto centenas de horas de pesquisas em todas as fontes possíveis podem provar ser. Não recomendamos o uso desta faixa por qualquer pessoa que não tenha estudado a Missa negra e não esteja ciente dos riscos e perigos envolvidos."
A banda é estadunidense, lança seu primeiro álbum Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls em 1969, fazendo um rock recheado de mensagens satânicas e bruxaria. Entre 67 e 68 fizeram shows ao lado da banda de Jimi Page, os Yardbirds e também com a banda de Alice Cooper além de muitos outros. Já nos anos 70 venho mais dois trabalhos, Coven (1971) e Blood on the Snow, nesse último o som que era muito calcado em bandas como Jefferson Airplane, parte para um som mais “anos 70”, com direito a baladas com arranjos mais bem elaborados, mas ainda com letras com temática satânica.
Em entrevista a revista Descent, Oz Osborne declarou:
"Fizemos muitas coisas em nosso álbum e nossas apresentações ao vivo, intercalando Missas Negras e Rituais Satânicos que aprendíamos entre as nossas músicas. No fundo do palco tínhamos um altar e no topo do altar tínhamos uma grande cruz cristã, na qual um de nossos funcionários ficava pendurado como Jesus durante todo o show. Nosso palco era bem vermelho, com velas e coisas do tipo. No final Jinx entoava trechos de Ave Maria em latim e então interrompia a oração com palavras de Crowley como Do what you wilt shall be the whole of the law então ela saudava Satã e todos nós respondíamos "Hail Satan!" em direção a cruz. E o cara pendurado (Jesus) pulava na cruz invertia a cruz e dançava conosco no palco até o show terminar.
O Coven foi muito audaz em fazer letras ocultistas e satânicas em plena era hippie do flower Power. Ainda hoje, vejo muitas pessoas dizerem que foi o Black Sabbath a explorar o tema, que é um erro. Sim, o Black Sabbath foi pioneiro do heavy metal e com um som mais sombrio (digo, doom), mas não nesse tipo de temática.




domingo, 9 de agosto de 2009

Depeche Mode: atravessando gerações


Houve um período no qual pela primeira vez teclados e sintetizadores tomaram conta da música pop. Refiro-me, claro, ao tecnopop da virada dos anos 80. A grande diferença para hoje é que os artistas que adotavam este gênero não contavam com DJs fazendo música, e sim com cantores chegados num vocal intenso e dramático; foi dentro desse cenário que surgiu o Depeche Mode. O grupo inglês estreou em 1980, com sintetizadores saltitantes e ritmos programados, explorando o lado menos cabeça do Kraftwerk.
Vince Clarke, Andy Fletcher, Martin Gore e Dave resolveram formar o Composition Of Sound - que logo mudaria para Depeche Mode - ainda em Basildon, uma cidade não muito distante de Londres. Em 1981, Vince Clarke apareceu com Just Can’t Get Enough, levando o Depeche Mode ao oitavo lugar nas paradas. Compositor oficial, ele deixou o grupo no auge do primeiro álbum, Speak And Spell, preferindo integrar o Yazoo e, depois, o Erasure. Martin Gore assumiu a função de Clarke e passou a produzir canções que viriam a manter a banda em evidência por pelo menos mais duas décadas.
O segundo álbum, A Broken Frame (1982), tem a primeira de uma série de grandes capas com imagens "stalinistas", belos momentos de tecnopop adolescente e naïf (A Photograph Of You, The Meaning Of Love) e boas canções sobre o amargor das primeiras desilusões. O sado-masoquismo estilizado e asséptico exaltado no Erotica (1992) de Madonna não foi nenhuma novidade. O DM, que sempre abusou do visual com couro e correntes, escancarou o tema em Master And Servant (84) – só os desavisados pensaram que Madonna estava “quebrando” tabus.
Os grandes criadores e pioneiros de tecno e de house em Detroit e Chicago, consideram como Everything Counts(83) e Get The Balânce Right (84), clássicas obras-primas e modelos de inspiração. E a sufocante onda atual de fazer dezenas de remixes para uma faixa só foi antecipada por Strangelove (87) e seus quinze remixes. Music For The Masses (1987) traz três clássicos à prova do tempo: a irresistível Strangelove, que no Brasil tocou primeiro nos bailes funk, Never Let Me Down Again e Behind The Wheel. Violator, de 1990, é um dos mais belos trabalhos do grupo; Enjoy the Silence, foi grande hit do álbum.
Foi logo após estes dois trabalhos de grande sucesso que um período turbulento começou: heroína demais, festas intermináveis ao longo de turnês que chegavam há durar um ano e meio (sem pausa), culminando com a tentativa de suicídio do vocalista. David chegou a ser considerado morto clinicamente, a exatos sete minutos de morte clínica. Em meio a essa turbulência que sai Songs Of Faith And Devotion (1993), com o grupo descaracterizado e frertando com o grunge, sendo que eles nunca foram uma banda de guitarras. Martin Gore acerta uma balada, One Caress, com luxuoso arranjo de cordas. Os rostos infantis e as roupas coloridas são definitivamente sepultados por casacos de couro e caras de sodomita malvado.
Em 1997 é lançado Ultra, bem mais dark e melancólico refletindo a crise interna da banda, repleto de baladas soturnas de Martin Gore. Como quase todas as bandas de sua época, o lançamento de novos trabalhos se tornou cada vez mais esporádico. Mas no novo século vieram bons trabalhos, Exciter (2001), Playing the Angel (2005) e o recente Sounds of the Universe (2009).
Poucos grupos conseguiram amadurecer com a mesma garra e força do Depeche Mode. Da formação techno pop extremamente funcional e sem maiores ambições no começo dos anos 80 ao denso e sofisticado conjunto de art-rock que avança pelo novo século, a banda empreendeu uma viagem solitária. Enquanto seus colegas de geração contentam-se com a prática de canções sem frescor.
Assista a estes dois vídeos de fases diferentes do Depeche Mode. Todas as duas maravilhosas, sendo que Everything Counts marcou eternamente minha adolescência.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

At Home (1969) - Shocking Blue


Muita gente não conhece essa banda pelo nome, mas, com certeza, conhece o sucesso mundial:venus, um single que os tornaram famosos - quem também não se lembra da versão anos 90, do grupo Bananarama? Outra música que ficou conhecida é a versão do Nirvana (gravada no primeiro álbum Bleach) para Love Buzz.
Shocking Blues, surgiu em 1967, foi uma das mais famosas bandas da Holanda, abrindo caminho para tantas outras. Foi muito mais um grupo de singles, além da citada Vênus, o Shocking Blue, lançou outros excelentes singles, que fizeram enorme sucesso, não só na Holanda como no resto do mundo, como Mighty Joe, Never Marry a Railroad Man, Hello Darkness, Shocking You, Long Lonesome Road, Blossom Lady e Inkpot.
Infelizmente, com sua origem flower Power, foi entre várias bandas que não conseguiram se adaptarem sua música no decorrer dos anos 70, se desintegrando em 1974.
Deixo para baixar o segundo álbum da banda, que foi considerado um dos seus melhores discos, At Home, que contém o Venus e Love Buzz.

Mariska Veres
Mariska foi uma artista singular, extremamente tímida, adorava gatos, não fumava, não bebia, nem nunca usou qualquer tipo de drogas. Quando entrou para os Shocking Blue, avisou expressamente os membros da banda que estava excluída qualquer possibilidade de haver algum relacionamento romântico.
Ela usava peruca (alguns chegaram a questionar se ela era realmente uma mulher) e se sentia incomodada com a pecha de "sex simbol", odiava drogas e sexo. Em uma entrevista ela disse: "Eu era apenas uma boneca pintada, ninguém podia me alcançar. Hoje em dia estou muito mais aberta às pessoas”.
Mariska Veres nasceu em 01 de outubro de 1947, e faleceu em 02 de dezembro de 2006, aos 59 de idade, com câncer. Depois que o Shocking Blue acabou, Mariska seguiu carreira solo. Cheguei a ter seu primeiro álbum solo, no qual seguia um direcionamento mais blues, e contava até com a participação do grande guitarrista do Free, Paul Kossoff. Seu vocal potente e ligeiramente rouco influenciou cantoras com Linda Perry (4 Non Blondes) e Johnette Napolitano (Concrete Blonde).



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